Arquivo para maio 20th, 2008

20/05/2008

Síndrome do transtorno desenvolvimentista

Enviado por:  Carlos Bocuhy  ( Ambientalista) 

Foto: Floresta Amazônia

Fonte: http://www.estadao.com.br/img/amazonia/400×300/destruicao1.jpg

O recuo de Marina Silva sinaliza para a sociedade brasileira o que percebemos há anos: a impossibilidade atual de se construir a agenda ambiental brasileira com reais compromissos com os princípios de sustentabilidade. Isso se deve a uma estreita e desnecessária ligação com premissas do atual modelo econômico internacional, no qual o Brasil se torna cada vez mais um importante ator.

Atua mal. Persegue um modelo obsoleto de desenvolvimento, contextualizado na super exploração de bens ambientais, atendendo aos princípios e dinâmica do capital. Submete-se a um modelo feroz que drena bens naturais, desrespeita funções vitais dos ecossistemas e estabelece política para a suicida aceleração do crescimento econômico. Este modelo não é atual. Compatibiliza- se com arcaicas aspirações de Estado Nacional e soberania, ao considerar fundamental prevalência – e a equivalência a outras “potências”.  É uma regra de jogo atroz, onde prevalece aquele que desconsidera seus limites físicos, assemelhado ao “doping” esportivo.  A China é um exemplo cabal dessa realidade suicida, mas é tomada como bom exemplo para o governo atual. As boas práticas ambientais na China são insuficientes para compor um saldo minimamente positivo.

De outro lado, há consciência. Mais lúcida, pró-sustentabilidade e constitucional, esta aponta para soluções racionais, ao revelar a necessidade de um modelo de comportamento estatal lastreado na ética para a sustentabilidade, que ignore fronteiras político-administrat ivas. O respeito aos processos vitais posiciona a questão ecossistêmica como elemento central nos processos decisórios, para ações e políticas locais e internacionais.

O Brasil é importantíssimo como agente influente nas políticas ecossistêmicas voltadas à América Latina e Caribe, região que emana reflexos políticos significativos ao cenário internacional. A importância estratégica do Brasil está reconhecida no aporte de capitais e investimentos, que migram para regiões mais promissoras ao processo especulativo do capital. É óbvio que esta predileção está atrelada ao enorme potencial de utilização dos bens naturais.

Marina Silva se retira no momento mais crucial deste embate. Sua saída sinaliza, para a sociedade brasileira, que os mais tímidos esforços pró-sustentabilidade tornaram-se insustentáveis dentro dos escalões e planos do atual governo.  Essa sinalização demanda uma série de ações e estratégias urgentes para o fortalecimento dos elementos de controle social pró-sustentabilidade . Isso demanda articulação da sociedade e produção de conhecimento, implementando o direito à informação, com a elaboração de documentos que possam pautar no cenário nacional uma discussão que possibilite correção de rumos – e na pior das hipóteses, permita ao menos uma urgente leitura política da antropofagia planetária que se consolida na Terra Brasilis

O recuo de Marina Silva desnuda nosso momento político, denotando um grande risco ambiental: a incapacidade de reação da sociedade brasileira diante da rota planetária insustentável, implementada por agentes suicidas dentre os quais o Brasil se torna cada vez mais cúmplice e partícipe.

20/05/2008

Minc e saída de Marina Silva

Enfim, temos um Ministro do Meio Ambiente!!! Após 5 anos no Ministério e perdendo várias batalhas, apesar de franzina e mulher foi enérgica e resistente num fogo cruzado, não foi fácil e nem fez milagres. Fez o que pode, e se pudesse teria criado mais Unidades de Conservação de Uso Sustentável e Restrito .

Em Setembro de 2006, ainda em Petrópolis – RJ ,quando eu guiava Turistas no PARNASO (Parque Nacional Da Serra Dos Órgãos), participava de diversos projetos de Meio Ambiente na Região, trabalhava com Jornalismo Impresso e ainda colaborava com uma amiga, (recém formada em Jornalismo) e Repórter do SBT Regional na elaboração de Pautas e produção de matérias. Pude presenciar o trabalho da nossa Ex Ministra na ocasião na qual solicitou a prisão de uma máfia do IBAMA no Rio de Janeiro (que , diga-se de passagem, tem ótimos profissionais também).No decorrer daquele furação, onde pessoas ligadas ao IBAMA, nunca eram achadas e choviam denuncias, na Linha Verde do IBAMA , Ministério do Meio Ambiente e nos meios de comunicação – o povo ainda acredita na gente, caros colegas de profissão-, nos enviou uma denúncia de construção em Mananciais e Invasão de Área de Proteção Permanente – Reserva Chico Mendes – cujo projeto era de um Engenheiro da Prefeitura da Cidade de Petrópolis – gestão Rubens Bontempo atual prefeito de Petrópolis. A denunciante relatou que : “moradores denunciam , sem sucesso a todos os órgãos considerados ambientais desde Janeiro de 2006.” Apuramos com a mesma cujo nome preservo , posto que houveram inúmeras represálias aos moradores da região, que a própria ministra Marina Silva ficou sabendo do caso, mandou apurar, mas a corrupção impediu que a Justiça fosse feita. A equipe de reportagem foi lá, e mesmo intimidada por capangas, fizeram a matéria, mas sem a “passagem” (a repórter não aparece na imagem, só o áudio e as imagens vão ao ar). A mesma foi ao ar em Rede Nacional no “Jornal do Padrão” – SBT. Teve uma forte repercussão, mas na prática, a obra foi embargada por uns dias e recomeçou. Duas semanas após a exibição da reportagem, apesar emissora ter manifestado total apoio e segurança para a realização desta a Colega foi demitida sem “motivos justificáveis”. Hoje ela mudou de “ramo”.

Foto: PARNASO

Fonte:  http://www.ibama.gov.br/parnaso/foto.php?id_img=392