Arquivo para junho 29th, 2008

29/06/2008

Educação nas cidades

Leny Spessotto de Camargo Santiago

A experiência de viver em cidades é recente no Brasil.Por quase 500 anos, a distribuição populacional ocorreu nas áreas rurais e agrícolas. De acordo com Milton Santos foi somente a partir de 1960 que as cidades brasileiras presenciaram a urbanização, impulsionada pela industrialização.

Segundo Euclides Mance[1], o processo de ocupação de território gerou uma teia de cidades interligadas, com pólos centrais de industrialização próximos à costa, provocando uma ocupação profundamente desigual do território.

O movimento de industrialização e urbanização foi concentrado em regiões onde se desenvolveu infra-estrutura possibilitando maior mercado de trabalho e consumo. A concentração do mercado consumidor atraiu empresas e, este círculo vicioso, levou a uma ocupação desigual do território e à segregação de regiões inteiras.

A região segregada, mais vulnerável à pobreza, realizou o movimento migratório em direção aos grandes centros urbanos onde, passou a ocupar a periferia destes, de maneira irregular, informal e clandestina.

Enquanto a indústria produzia a riqueza e desenvolvia a economia, a cidade produzia a segregação do espaço com a multiplicação das ocupações irregulares, a sub-habitação precária e o esgoto a céu aberto.

Raquel Rolnik[2], destaca que este tipo de urbanização acaba por formar uma “cidade paralela, oculta, irregular, fora dos padrões do planejamento previsto, que coexiste com a cidade oficial, desenhada nas pranchetas”

Mais do que espaço geográfico, físico do território a cidade é uma forma de organização social. O Homem busca nas cidades a inter-relação. A cidade proporciona o encontro da diversidade em todos os aspectos. Acontecem os encontros, as trocas, o comércio, o conhecimento, a arte, a criatividade, enfim, a interação.

Pensar a cidade envolve pensar os valores de uma sociedade. Envolve pensar desde os modelos globais de desenvolvimento até a apropriação local que a comunidade faz deste desenvolvimento no crescimento do seu bairro e da sua cidade. E isso é objeto de estudo da Educação.

A Educação não é um fenômeno isolado e descontextualizado na sociedade humana.

Mance ainda defende que: o ato educativo expressa uma posição de classe e de algum modo se articula aos conflitos sociais. Para ele, a educação tanto pode contribuir para reforçar o modelo de dominação como pode levar à consciência crítica.

Como se deu a formação das cidades no desenvolvimento das civilizações? Como é a relação do Homem nas cidades? Qual a relação de determinado bairro naquela determinada cidade? Indagações como estas devem permear o modelo de educação que optamos por adotar. Modelo que interaja na construção de novos caminhos, percepções e  abra novas possibilidades de relações.

Cabe, portanto, à educação estimular, instigar e criar condições de desenvolvimento de um cidadão critico, solidário e co-responsável no processo de aprendizagem dos espaços da comunidade e da cidade.


[1] Euclides André Mance, mestre em educação e filósofo. Autor de obras como “Redes de colaboração solidárias”

[2] Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista. Autora de várias publicações, entre elas, “A cidade e a lei”

 

29/06/2008

Mude o consumo para não mudar o Clima

Lisa Gunn do IDEC iniciou sua fala na paletra realizada na UMAPAZ em 3 de junho destacando  a importância da presença da questão ambiental na década de noventa, e fez uma apresentação do IDEC, segundo ela os principais problemas apresentados na década de 90 estão relacionados com problemas  na forma de consumo, pois ainda há dificuldades para se encontrar formas alternativas de consumo. Existe para o consumidor um distanciamento entre a consciência e a resolução, ela exemplificou o caso da Amazônico no qual temos a informação mas não a resolução. Não se percebe por exemplo a relação entre o consumo da carne e o desmatamento. Temos alternativas disponíveis no nicho de mercado, devemos ter consciência que independentemente do nosso status social iremos sofrer com a mudança climática.

Segunda ela o consumidor tem Co-responsabilidade pela solução do problema, e não pode justiçar a não ação.

O governo deve possuir uma integração entre as diferentes áreas, de vê-se criar  instrumentos de mercado que  incentivem estes mecanismos de consumo, agora a rotulagem do produto trás mais informação.

Quando a tecnologia de produção há conhecimentos da tecnologia limpa,o governo  São Paulo por exemplo já possui no site da Secretaria de Meio Ambiente orientação para que sejam feitas compras sustentáveis por parte dos gestores.

Lisa fornecei alguns dados interessantes de consumo: no Brasil há 120 milhões de linhas de celulares,100 aterros sanitários licenciados em 5000, mas não possuímos nenhuma politica nacional de resíduos sólidos .

Segundo Lisa as finalidade das empresas não é ser sustentável, mas obter lucro. Precisamos cobrar um coerência das empresas em relação as pratica, responsabilidade social diz  respeito ao negocio da empresa AA empresa deve se preocupar com a Analise de Ciclo de Vida de seu produto.

Com relação s mudanças climáticas Lisa indicou o site: www.climaeconsumo.org.br, que tem como slogan de campanha: “Mude o consumo para não mudar o clima”

É preciso ter uma nova relação com o produto no caso da carne por exemplo é possível ter a rastreabilidade para saber a sua origem com a finalidade ambiente e não sanitária. Por fim Lisa fez uma chamada para que o consumidor questione a empresa quanto a origem se seu produto.

  

Ana Marina Martins de Lima