Arquivo para ‘Saúde’

06/02/2012

Cientistas usam droga adaptada para tratar leishmaniose visceral

Por Fábio de Castro/ Agência Fapesp

Um fármaco empregado na clínica veterinária para tratar determinadas parasitoses demonstrou alta eficácia para o tratamento de leishmaniose visceral em modelos animais, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

O estudo, cujos resultados serão publicados em breve na revista Experimental Parasitology, mostrou que a buparvaquona teve eficácia semelhante à do medicamento padrão utilizado contra a leishmaniose, mas com dose 150 vezes menor. De acordo com o coordenador da pesquisa, André Gustavo Tempone, do Instituto Adolfo Lutz, já se sabia que a buparvaquona é um dos fármacos mais ativos contra a leishmania no modelo in vitro, mas sua ação nunca havia sido reportada em modelos in vivo.

“Há grande expectativa de que esses resultados levem a futuros testes em humanos, pois o medicamento já se mostrava muito eficaz em testes in vitro. Só que em modelos animais sua ação era muito limitada, pois havia um gargalo: a droga não chegava ao fígado e ao baço do animal, que é onde ocorre a infecção pela leishmania”, disse Tempone à Agência FAPESP.

Para driblar o gargalo, os pesquisadores utilizaram lipossomas – vesículas esféricas utilizadas para dirigir o fármaco de forma controlada com maior precisão à célula infectada. “Com o carreador lipossomal, conseguimos pela primeira vez demonstrar que é possível utilizar o medicamento para tratar a leishmaniose visceral”, destacou. A pesquisa foi realizada no âmbito do projeto “Combinações terapêuticas na leishmaniose visceral: o potencial anti-leishmania de bloqueadores de canais de cálcio e o uso de nanoformulações lipossomais”, que teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular e foi encerrado em julho de 2011.

O estudo faz parte também da pesquisa de doutorado de Sandra Reimão, realizada com bolsa da FAPESP sob a orientação de Tempone. Além de Reimão e Tempone, participaram do artigo os pesquisadores Fábio Colombo e Vera Pereira-Chioccola – todos do Departamento de Parasitologia do Instituto Adolfo Lutz.

Atualmente, Tempone coordena o projeto “From trypanosomes to Leishmania: novel drug candidates for the treatment of neglected parasitic diseases”, apoiado no âmbito do acordo de cooperação científica FAPESP-King’s College London.

Fórmula mais simples

12/04/2011

Alimentos e Agrotóxicos

Foto: Marcos Freitas

Riscos e danos provocados por agrotóxicos são destaque no Globo Repórter

Anderson Oliveira

Os danos causados à saúde humana pelos agrotóxicos foram objeto de uma longa matéria no Globo Repórter do dia 25, que mostrou como o uso excessivo desses produtos vem pondo em risco a saúde da população em todo o País. Todos os anos a Anvisa realiza testes para avaliar a quantidade de resíduos químicos encontrado nos alimentos e detecta níveis alarmantes de contaminação em frutas, legumes e verduras. No levantamento de 2009, quase um terço das amostras analisadas pela Anvisa apresentavam irregularidades, inclusive substâncias proibidas. Os campeões de “veneno” foram o pimentão, a uva e o pepino.

Segundo os nutricionistas e médicos ouvidos pelo Globo Repórter, os agrotóxicos têm inúmeros efeitos prejudiciais à saúde humana, aumentando o risco de câncer, infertilidade, depressão, debilidade imunológica e defeitos congênitos, entre outros problemas. Também causam danos ao meio ambiente, matando indiscriminadamente os insetos nocivos e inofensivos, o que altera o equilíbrio do ecossistema. “A aplicação de agrotóxicos está arraigada na mentalidade dos fazendeiros, mas aos poucos vem se disseminando o emprego dos inseticidas de precisão cirúrgica, que usam feromônios para atrair e eliminar tipos específicos de praga, sem afetar outros insetos nem espalhar resíduos tóxicos na lavoura”, explicou o Dr. Rafael Borges, Gerente de P&D da ISCA Tecnologias, empresa especializada no desenvolvimento de soluções ambientalmente corretas para o controle de pragas.

No intuito de proteger a saúde pública e o ecossistema, o Governo Federal tem estimulado o registro dos compostos baseados e feromônios, mas para a moda pegar os agricultores precisarão mudar de mentalidade e os consumidores devem se tornar mais exigentes. Geralmente, antes de comprar alimentos, ninguém procura saber sua procedência ou descobrir se eles contêm resíduos prejudiciais à saúde.