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AIDS

Infecção pelo HIV
Ana Marina Martins de Lima
Conceito e agente etiológico

A Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS) foi reconhecida em meados de 1981, nos EUA, a partir da identificação de um número elevado de pacientes adultos do sexo masculino e moradores de São Francisco ou Nova York, que apresentavam Sarcoma de Kaposi, pneumonia por Pneumocystis carine e comprometimento do sistema imune, o que se levou a conclusão de tratar-se de uma nova doença, ainda não classificada, de etiologia provavelmente infecciosa e transmissível. Posteriormente alguns casos ocorridos nos últimos anos da década dos 70, forma identificado como tendo sido AIDS.

No Brasil, AIDS foi identificada pela primeira vez em 1982, quando o diagnóstico foi feito em sete pacientes homo ou bissexuais. Um caso foi reconhecido retrospectivamentre, no estado de São Paulo, como tendo ocorrido em 1980. Nos últimos anos, vêm ocorrendo importantes mudanças no perfil epidemiológico da AIDS. A epidemia que, em sua primeira fase (1981 a 1986), caracterizava-se pela preponderância da transmissão em homens homo e bissexuais, de escolaridade elevada, em sua subcategoria de usuários de drogas injetáveis (UDI), dando início, nesta fase, a um processo mais ou menos simultâneo de pauperização e interiorização da epidemia, ou seja, mais pessoas com baixa escolaridade e de pequenas cidades do interior estavam se infectando. Finalmente, em sua terceira fase (1992 até os dias atuais), um grande aumento de casos por exposição heterossexual vem sendo observado, assumindo cada vez maior importância a introdução de casos do sexo feminino (feminização da epidemia). Temos, portanto, a exposição heterosexual atualmente representando a principal subcategoria de exposição em crescimento (em 1991, eram 21%, e em 1996/97 passam a 55%).

O HIV-1 foi isolado em 1983, de pacientes com AIDS, pelos pesquisadores Luc Montaigber, na França e Robert Gallo, nos EUA, recebendo os nomes de LAV (Lymphadenopathy Associates Vírus ou Vírus Associado a Linfadenopatia) e  HTLV- III ( Humam T- Lymphotropic Vírus ou Vírus T- Linfotrópico Humano tipo III) respectivamente nos dois países. Em 1986 foi identificado um segundo agente etiológico, também retrovírus, com características semelhantes ao HIV- 1, denominado HIV- 2. Nesse mesmo ano um comitê  internacional recomendou o termo HIV ( Human Immunodeficiency Vírus ou Vírus da Imunodeficiência Humana) para denominá-lo, reconhecendo-o como capaz de infectar seres humanos

.O HIV é um retrovírus com genoma RNA, da família Lentiviridae. Pertence ao grupo dos retrovírus citopáticos e não-oncongênicos que necessitam, para multiplicar-se, de uma enzima denominada transcriptase reversa, responsável pela transcrição do RNA viral para uma cópia DNA, que pode então intregar-se ao genoma do hospedeiro,O HIV é bastante lábil no meio externo, sendo inativado por uma variedade de agentes físicos(calor) e químicos (hipoclorito de sódio, glutaldeído).

Em condições experimentaiscontroladas partículas virais intracelulares parecem sobreviver no meio externo até, um dia, enquanro, que partículas virais intracelulares parecem sobreviver por 15 dias à temperatura ambiente ou até 11 dias a 37º C. 

Ciclo Vital do HIV na Célula Humana

1.      ligação de glicoproteinas virais (gp 120) ao receptor específico da superfície celular (principalmente CD4);

2.      fusão do envelope do vírus com a membrana da célula hospedeira;

3.      liberação de “core”do vírus para o citoplasma da célula hospedeira;

4.      transcrição do RNA viral em DNA complementar, dependente da enzima transcriptase reversa;

5.      transporte de DNA complementar para o núcleo da célula, onde pode haver integração no genoma celular (provírus), dependente da enzima integrase, ou permanecer em forma circular isoladamente

;6.      o provírus é rativado e produz RNA mensageiro viral indo então para o citoplasma da célula;

7.      proteínas virais são produzidas e quebradas em subunidades por meio de enzimas proteases;

8.      as proteínas virais são produzidas regulam a síntese de novos genomas virais e formam a estrutura externa de outros vírus que são liberados pelas células hospedeiras;

9.      o vírion recém formado é liberado par ao meio circundante da célula hospedeira, podendo permanecer no fluído extracelular ou infectar novas células.

Formas de Transmissão

Ø                Transmissão sexual

Ø                Transmissão sangúinea: tranfusão de sangue e associada a uso de drogas injetáveis

.Ø                Transmissão perinatal: tranfusão do sangue materno para o feto durante as contrações uterinas; infecção após ruptura das membranas e contato do feto com as secreções ou sangue infectado do trato genital materno.

Ø                Transmissão ocupacional

Aspectos Clínicos

A infecção por HIV pode ser dividida em quatro fases clínicas:

1.      infecção aguda: esta fase caracteriza-se por viremia elevada e resposta imune intensa, ocorre a diminuição rápida dos linfócitos T CD4+ que posteriormente aumentam,mas geralmente não retornam aos níveis prévios à. infecção, e aumento do CD8+. Os sintomas são febre, adenopatia, faringite, mialgia, artragia, rash cutâneo, hiporexia,cefaléia, fotofobia, perca de peso, entre outros; que duram 14 dias.

2.      fase assintomática, também conhecida como latência clínica: neste caso há histórias prévias de: hipertensão, sistêmica, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica , doenças hepáticas, diabetes, DST , tuberculose, entre outras.

3.      fase sintomática inicial ou precoce: nesta fase o paciente apresenta sintomas inespecíficos como sudorese noturna, emagrecimento e trombocitopenia e processos opurtunistas como: candidíase oral e vaginal, leucoplasia pilosa oral, gengivite, diarréia, sinusopatias , herpes simples recorrente e herpes Zoster.

4.      AIDS: É a fase do espectro da infeccáão pelo HIV em que se instalam as doenças oportunistas, que são as doenças que se desenvolvem em decorrência de uma alteração imunitária do hospedeiro.

 Estas são geralmente de origem infercciosa, porém várias neoplasias também podem ser consideradas oportunistas são transmitidas por:

Ø      Vírus: Citomegalovirose, Herpes simples, Leucoenafalopatia multifocal progressiva;

Ø      Bactérias: Micobacterioses (tuberculose e complexo Mycobacterium avium-intracellulare). Pneumonias (s.pneumoniae), Salmonelose;

Ø      Protozoários: Toxoplasmose, Criptococose e Histoplasmose;

Ø      Neoplasia: sarcoma de Kap[osi, linfomas não Hoddkin, neoplasias intra epiteliais anal e cervical.

Diagnóstico Laboratorial

1.      Teste de detecção de anticorpos: ELISA, testes rápidos e simples, Imunoflorescência direta e Western – blot.

2.      Teste de detecção de antígeno Viral: pesquisa de antígeno p24;

3.      Técnica de cultura viral;

4.      Teste de amplificação do genoma do vírus5.      Contagem de células T CD4+ em sangue periférico. 

BIBLIOGRAFIA

Manual de Controle Das Doenças Sexualmente Transmissíveis- Ministério da Saúde Secretaria de Políticas de Saúde e Coordenação Nacional de DST e AIDS . Brasília – 3 edição – 1999

LACAZ, Carlos da Silva ; MARTINS,José Eduardo Costa ; MARTINS, Eduardo Lacaz .   Aids SidaSavier- São Paulo – 1990.

LECHTENBERG, RICHARD; HOLLENBERG, JOANNA – AIDS in the Nervous System Churchill Livingstone; New York, Edinburgh, London, Melboure – 1988.

1 Comentário »

  1. Muito bom!

    Comentário por Arthur | 22/11/2008 | Responder


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