Dengue e Saneamento Básico

A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência da dengue. No Brasil em 1988 4 mil pessoas forma contaminadas , em maio deste ano o Infectologista ARTUR TIMERMAN , dava o seguinte alerta : “São assustadores os números da dengue observados este ano em nosso País. Até 12 de março de 2007 foram notificados ao Ministério da Saúde 85.018 casos da doença. É um aumento vertiginoso do número de casos. Entre janeiro e fevereiro deste ano haviam sido notificados 79.732 casos, o que representa uma elevação de 29,5% em relação ao número de casos durante o mesmo período do ano anterior. Até o dia 26 de março de 2007 o número de casos notificados se elevou para 134.909 casos; portanto, entre 12 e 26 de março foram notificados 49.891 novos casos. Até 12 de março deste ano foram verificados 555 casos de dengue hemorrágica, dos quais 6 pessoas morreram. São inesperados tais números? Mudou alguma coisa em relação à forma como o vírus da dengue se dissemina na comunidade? Não. Diante da passividade de nossas autoridades sanitárias e da falta de priorização dos problemas de Saúde, infelizmente não há surpresa nos números ora verificados. O comportamento do vírus não mudou, assim como também não se modificou o comportamento de nossas autoridades em Saúde Pública. O vírus da dengue se dissemina em praticamente todos os trópicos através de quatro diferentes tipos, principalmente de janeiro a maio, quando temos calor e umidade elevados. Nessa época o mosquito procria, criando situação propícia à transmissão. No Brasil até 2002 prevaleciam em surtos epidêmicos esporádicos os subtipos 1 e 2; em 2002 observou-se a rápida disseminação do sorotipo 3. É rara a ocorrência de formas hemorrágicas quando a pessoa se infecta com algum dos sorotipos pela primeira vez. Numa segunda infecção essa chance aumenta, com risco de morte. Sabendo-se que ainda não temos o subtipo 4 (circula em países africanos), caso se confirme a previsão de que adentre em breve no País, iremos nos deparar com imenso problema de Saúde Pública: esse novo subtipo encontrará um enorme contingente de pessoas previamente infectadas por outros tipos de vírus da dengue e que, se novamente infectadas, poderão vir a ter, com maior probabilidade, formas hemorrágicas da doença”. Segundo informação publicada em 13/07 deste ano. Na Paraíba O Sistema Nacional de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) registrou, entre janeiro e junho deste ano, 6.969 casos de dengue na Paraíba. No mesmo período, foram 40 notificações de Febre Hemorrágica da Dengue (FHD). O último boletim foi divulgado, ontem, pela Coordenação de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Segundo o documento, dos 223 municípios do Estado, 16 (7,2%) são considerados prioritários para o Programa Nacional de Controle da Dengue, por concentrarem 47,3% da população do Estado: Bayeux, Cabedelo, Cajazeiras, Campina Grande, Catolé do Rocha, Conde, Cuité, Guarabira, Itabaiana, João Pessoa, Lucena, Monteiro, Patos, Piancó, Santa Rita e Sousa. O cálculo do Coeficiente de Incidência de Dengue mostrou que outros 10 municípios do Interior apresentam maior risco de ocorrência de casos: Carrapateira, Ouro Velho, Monte Horebe, São João do Tigre, Emas, Santa Helena, Juru, Água Branca, Quixaba e Brejo dos Santos. Do total de casos, 60% é do gênero feminino e 50% estão concentrados em 10 municípios. “Das 129 amostras enviadas ao Laboratório Regional em Pernambuco, para isolamento do vírus, foi identificado dengue do tipo 3 (Dengue 3) em João Pessoa. Para os demais municípios continuamos aguardando o resultado. Dos 223 municípios, 148 (66,4%) já apresentaram casos este ano. João Pessoa tem 30 casos confirmados de Febre Hemorrágica e Sousa tem dois. Cajazeiras, Bayeux, Marcação, Cabedelo, Princesa Isabel, Areial, Brejo dos Santos e Campo de Santana tem um caso, cada”, explica a gerente executiva da CVE, Dionéia Garcia. Diante desta situação fica aqui o apelo do Meio para que sejam retomadas as campanhas publicitárias com relação a Dengue, sabemos que desta forma a situação poderá ser amenizada, uma vez que para o controle da doença também são necessárias medidas de Saneamento Básico.

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