Defendendo a Mata Atlântica

Defensores da Mata Atlântica querem compromisso dos candidatos

Por: Jaime Gesisky

Seminário em São Paulo dia 22 de maio pedirá aos candidatos às eleições deste ano que assumam compromissos de conservar e recuperar a Mata Atlântica. Especialistas farão uma análise dos avanços na proteção da floresta.

 As comemorações do dia da Mata Atlântica este ano terão um tom político mais alto do que nos anos anteriores. No dia 22 de maio, 14h, no Museu Afro Brasil, em São Paulo, os defensores da Mata Atlântica – definida como um conjunto de formações florestais e seus ecossistemas associados como as restingas, manguezais e campos de altitude, mais ameaçados de extinção do país – se reúnem para fazer um balanço das ações em curso para tentar reverter a destruição que já consumiu mais de 70 por cento da vegetação original, que cobria cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados do território nacional.

O evento servirá também para pedir aos candidatos às eleições deste ano que assumam compromissos explícitos para proteger o que restou da Mata Atlântica e tentar recuperar as áreas degradadas. As áreas bem conservadas e grandes o suficiente para garantir a sua biodiversidade no longo prazo não chegam a 8%, conforme dados da Fundação SOS Mata Atlântica/INPE. Isso torna as ações de conservação e recuperação da Mata Atlântica uma prioridade para todas as esferas de governo e também para a sociedade.

Os defensores da Mata Atlântica querem que os candidatos assumam posição “firme, séria e consequente” no cumprimento das metas de criação de Unidades de Conservação e na recuperação de Áreas de Preservação Permanente – principalmente topos de morros e as margens dos rios – e das Reservas Legais dos imóveis rurais. Também chamam atenção para o fato de que este é o Ano Internacional da Biodiversidade, e que os remanescentes de vegetação nativa da Mata Atlântica, mesmo reduzidos e distribuídos em milhares de pequenos e médios fragmentos, ainda guardam altos índices de biodiversidade de fauna e flora.

 Além, de proteger a biodiversidade da Mata Atlântica – uma das mais altas do mundo – a sociedade civil e os representantes governamentais estão preocupados com os impactos da destruição da floresta sobre a vida das 123 milhões de pessoas que vivem na área de domínio da Mata Atlântica em 3.410 municípios.

Serviços ambientais

Na opinião dos especialistas, os desastres decorrentes dos recentes deslizamentos, cheias e inundações no Sul e Sudeste do Brasil são apenas uma das consequências do excessivo desmatamento e das ocupações irregulares da Mata Atlântica. O comprometimento dos recursos hídricos e dos mananciais de água potável para a população e as mudanças climáticas também colocam em risco os serviços ambientais providos pela Mata Atlântica.

Entre os principais serviços estão a regulação do clima, a manutenção do ciclo hidrológico,  a prevenção de erosões do solo,  provimento de espaços para moradia, cultivos, recreação e turismo, a manutenção das condições dos recursos ambientais naturais, em especial a biodiversidade e a variabilidade genética.

Da biodiversidade da Mata Atlântica saem elementos essenciais para a melhoria da agricultura, produção de medicamentos e cosméticos e a manutenção de processos que a tecnologia humana não domina e nem substitui, como a polinização e a decomposição de resíduos.

Para o coordenador da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Renato Cunha o futuro da Mata Atlântica depende do fortalecimento da estratégia de criação, ampliação e consolidação das Unidades de Conservação e do arcabouço legal que protege a vegetação nativa. Segundo ele, há um sério risco de que o país perca importantes conquistas para a proteção da Mata Atlântica com a perspectiva de mudanças na legislação ambiental, principalmente no que se refere ao Código Florestal. Ao mesmo tempo, pondera que não bastam as leis. “É preciso que se tenha consciência da importância da floresta e seus serviços ambientais para a população. A Mata Atlântica é de interesse de todos os brasileiros”, afirma.

Os recursos naturais preservados são a condição básica para o desenvolvimento sustentável de um país. Sem isso não há sustentabilidade na agricultura e nem qualidade de vida no campo e na cidade no futuro”, complementa Wigold Schaffer, coordenador do Núcleo Mata Atlântica do MMA. Segundo ele, há no Brasil as condições para o país orientar e liderar um movimento nacional e internacional em busca de soluções e adaptações a um modelo de desenvolvimento que seja realmente sustentável.

Pacto pela Mata Atlântica

Clayton Ferreira Lino, vice-presidente da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica ressalta que o seminário permitirá também uma avaliação sobre a implementação do Programa de Proteção da Mata Atlântica e uma análise dos avanços e desafios na criação de Áreas Protegidas, proteção de espécies ameaçadas, promoção do uso sustentável e na restauração da Mata Atlântica. “Com essa revisão, poderemos estabelecer uma nova agenda de prioridades e definir nossas estratégicas para o futuro da floresta”, diz ele.

Ao final do evento, às 19 h, a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica entregará o Prêmio Muriqui às entidades públicas e privadas que se destacaram em benefício da proteção da biodiversidade, do desenvolvimento sustentável ou do conhecimento científico e tradicional na Mata Atlântica. O prêmio foi instituído em 1993 e já homenageou importantes nomes que ajudaram na defesa da Mata Atlântica, entre eles Paulo Nogueira Neto, José Lutzemberger e Russell Mittermeier.

O seminário é organizado pelo Ministério do Meio Ambiente, Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e Rede de ONGs da Mata Atlântica com o apoio da GTZ – Projeto Proteção da Mata Atlântica II, SOS Mata Atlântica/Viva a Mata e Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo. Essas instituições integram o Pacto pela Recuperação da Mata Atlântica, que pretende recuperar 15 milhões de hectares de matas até 2050

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