Gestão Socioambiental

ODS

Por: Ana Marina Martins de Lima/Ambiente do Meio

A Gestão Ambiental está diretamente relacionada à Responsabilidade Social, não se pode implantar um Programa de Gestão Ambiental sem que este aborde as questões sociais, a empresa deverá “olhar” o seu entorno, pois é responsável por possíveis impactos a comunidade.

Pode-se em uma empresa ao implantar o Plano de Gestão contemplar ações sociais, como por exemplo, a Educação Ambiental, por este instrumento espera-se uma mudança de comportamento dos funcionários da empresa, da alta administração e de pessoas que fazem parte da comunidade.

Quando a empresa oferece risco devido a suas atividades; junto ao Plano de Gestão, faz-se também necessário um Plano de avaliação e ação de possíveis riscos.

Em um programa de Gestão Ambiental são considerados os processos de Gerenciamento de Resíduos, Gerenciamento da água, da energia e a qualidade do ar interna ao processo.

A responsabilidade da empresa vai além de suas fronteiras físicas pois deve ser compartilhada com os fornecedores de matéria prima ou equipamentos, todas as atividades devem ser realizadas com apoio de entidades públicas.

Para que a empresa consiga manter sua Política Ambiental se faz necessário o conhecimento das leis, a legislação aplicada pelo município, estado e federal; quando os produtos são importados  o conhecimento de leis internacionais também são necessários; para agir de modo preventivo de modo a não ter gastos com a remediação de risco a adoção de políticas mais restritivas é uma estratégia contudo a  Gestão Ambiental é de Responsabilidade Social, pois a proteção do Meio Ambiente normalmente realizada com o intuito econômico é um erro e deve-se buscar o benefício comum da preservação da VIDA em seu sentido maior, a VIDA não só da fauna e flora, mas a Vida HUMANA é necessária então uma Gestão Socioambiental.

Poluição do Ar e Saúde Pública

Qualidade do ar em São Paulo 14-10-2014

O estado atual do conhecimento científico

Segundo pesquisa da Equipe do Doutor Saldiva foi possível relacionar o aumento de mortes e a dispersão de partículas no ar e segundo ele: só em 2008 foram publicados pela comunidade cientifica mais de 100 estudos investigando os efeitos da poluição sobre a saúde humana.

Em sua palestra sobre o tema “Fontes emissoras responsáveis pela produção do aerossol atmosférico e ozônio na Cidade de São Paulo” A Doutora Sandra Maria de Fátima Andrade (Departamento de IAG-USP) utilizou como base o relatório da CETESB (Qualidade do Ar no Estado de São Paulo) e falou sobre as fontes de poluição nos dando as definições de:: Fumaça (FMC),Partículas  Inaláveis (MP10) ,Partículas Inaláveis Finas (MP2,5),Dióxido de Enxofre (SO2),Monóxido de Carbono (CO): Ozônio (O3) ,Dióxido de Nitrogênio (NO2) afirmou que  a formação do Ozônio relacionada ao aumento de concentração dos compostos orgânicos voláteis no ar (VOC) dos quais  destacam-se os hidrocarbonetos presentes na gasolina e os aldeídos presentes no álcool(Veja a tabela abaixo).

O Professor Doutor João Vicente Assunção, Departamento de Saúde Ambiental, FSP-USP teve como tema de sua palestra: “A concentração atmosférica de substâncias tóxicas não regulamentadas determinadas na Cidade de São Paulo”, segundo ele as fontes de liberação destas substâncias são: as incinerações de resíduos não hospitalares e a queima da cana-de-açúcar, há uma grande preocupação quanto à presença de substância tóxica com os metais pesados presentes na gasolina, assim como as dioxinas, furanos e hidrocarbonetos liberados na atmosfera, este compostos são causadores de doenças cardíacas, respiratórias e câncer de diversos tipos, além de problemas e baixo peso dos recém nascidos.

Segundo o Doutor Nelson Gouveia, Departamento de Medicina Preventiva, FM-USP o, em 2008 constatou-se aumento de caso de asma, declínio da função pulmonar e aumento de casos de anemia falciforme que devido à má formação das células sanguíneas ocorre dificuldade no transporte de oxigênio.

Em uma pesquisa realizada em 1998 e 2004 constatou-se que bebes que nascem em dias mais poluídos tem a ter baixo peso e nestas condições ocorre um aumento de mortes fetais tardias. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos relacionaram às alterações de crescimento pulmonar em crianças e o aumento de doenças congênitas cardíacas a dispersão de gás carbônico e ao ozônio. Há evidência de que a redução do risco ocorrerá com a redução na exposição, estudos epidemiológicos indicam que a possibilidade de diminuição dos riscos ocorre se os parâmetros de qualidade do ar forem atendidos. Em 2001 Braga relata o aumento de 10% nos casos de internações quando houve um amento de PM10 e NO2 também alertou para a possibilidade de alterações hormonais serem causadas pela dispersão de Nitrogênio. Em 2002 o pesquisador Martins relatou um acréscimo de 8,07% e 14,8% nas consultas por pneumonia e gripe. Foi constatado em 2005 que 18% de casos de infecções nas vias respiratória inferiores (brônquios e pulmões) devido ao aumento da concentração de gases de nitrogênio na atmosfera.

A Doutora Marina que representou Professor Doutor Luiz Alberto cujo tema foi Poluição Atmosférica e Saúde Fetal e Gestacional demonstrou nos estudos da equipe realizados com cobaias que a poluição do ar foi responsável por alterações de parâmetros reprodutivos, quantidade de gestações, perda gestacionais, abortos, menor quantidade de machos. O baixo peso ao nascer relacionado aos casos de diabetes, hipertensão e doenças cardio vasculares. Nos animais expostos constatou-se ainda a redução do espaço sanguíneo materno, redução de calibres venosos e alterações da função pulmonar.

Segundo a Professora Doutora Cristina Haddad (Secretaria de Saúde de São Paulo) cujo o tema da palestra foi: Fatores sócio econômicos como modificadores dos Poluentes Atmosféricos, as pesquisas demonstraram que a população com renda mais baixa principalmente crianças e idosos é a que apresentou e apresenta o maior número de casos de problemas cardíacos e respiratórios relacionados a qualidade do ar, dentre estes quadros estão processos alérgicos e infecções do trato respiratório superior (garganta e nariz), bem como inflamações dos brônquios com conseqüentes quadros de pneumonias e asma.

O Professor Doutor Eduardo Jorge Sobrinho (Secretaria do Verde e Meio Ambiente – Prefeitura de São Paulo palestrou sobre: O Papel da Qualidade do Combustível e da Tecnologia de Motores como Instrumento de Promoção da Saúde Pública. Segundo Eduardo Jorge: não faz sentido a Petrobras esperar pela existência dos motores P6; a cidade de São Paulo não pode depender da boa vontade das indústrias para o cumprimento da lei ambiental e a conta é sempre paga pelo SUS, É inaceitável o atraso na melhoria da qualidade do óleo diesel e suas justificativas, enquanto morrem mais de 3 mil pessoas por ano em decorrência das emissões elevadas dos motores diesel atuais e é inaceitável o uso de automóveis a diesel em larga escala ANTES de resolver TODOS os problemas existentes para que estes veículos sejam tão limpos quanto os flex atuais.

Diante dos fatos atuais: não podemos pensar em uma Política Nacional de Mudanças Climáticas que não tenha metas e, sobretudo que só venha a possuir metas relacionadas a questões econômicas (Crédito de Carbono ou criação de Fundos econômicos) é necessário incluímos as questões de Saúde Pública.

Fonte: CETESB (2007)
Fonte: CETESB (2007)

Sugestão de  Leitura

  • Práticas de sustentabilidade na indústria. Maria Cristina Tagliari Diniz. SENAI – SP
  • Indicadores de sustentabilidade nos processos industriais. Maria Luiza de Moraes Leonel Padilha e Fernando Codelo Nascimento. SENAI – SP
  • Água futuro azul- Como proteger a água potável para o futuro das pessoas e do planeta para sempre. Maude Barlow. M.Books
  • Ecoeconomia uma nova abordagem. Hugo Penteado. Editora Lazuli
  • Sociabilidades Subterrâneas – identidade, cultura e resistências em favelas do Rio de Janeiro. UNESCO
  • Água Pacto Azul – a crise global e a batalha pelo controle da água no mundo. Maude Barlow. Editora MBooks
  • Guia de potabilidade para substâncias químicas. Coordenação de Gisela de Aragão Umbuzeiro.Editora Limiar
  • A Historia de Chiquinho. Instituto Chico Mendes. Supervisão de Ziraldo. Instituto Chico Mendes
  • Na praia e No Luar, Tartaruga quer o Mar. Ana Maria Machado. Editora Ática
  • Meio ambiente e Mudanças climáticas na Amazônia. Reportagem dos participantes do Laboratório Ambiental para estudantes de Jornalismo – Santarém – PA/2008. Editora Konrad Adenauer Stitung
  • Saber cuidar: ética do humano. Leonardo Boff. Editora Vozes
  • Sustentabilidade, canibais com garfo e faca. John Elkington . Editora Mbooks
  • Tietê um rio de várias faces. Tiago Medaglia e Valdemir Cunha. Editora Horizonte
  • Biodiversidade na Amazônia Brasileira. Editora Estação Liberdade/Instituto Socioambiental
  • Compêndio de Indicadores de Sustentabilidade de Nações: Uma contribuição ao diálogo da Sustentabilidade. Editora: Wilus Harman House Antakarana
  • Atlas do Meio Ambiente. Le monde diplomatique Brasil
  • Avaliação de Impacto Ambiental: Conceitos e Métodos: Luiz Enrique Sánches. Editora Oficina de textos
  • Água na indústria: uso racional e reuso. José Carlos Mietzwa e Ivanildo Hespanhol. Editora Oficina de Texto
  • Meio ambiente e o desafio das metrópoles. Paulo Saldiva et al. Editora Ex Libiris Comunicação Integrada
  • Do Nicho ao Lixo: ambiente, sociedade e educação. Francisco capuano Scarlato e Joel Arnaldo Pontin. Editora Atual
  • Educação Ambiental: uma metodologia participativa de formação. Naná Mininni Medina e Elizabeth da Conceição Santos. Editora Vozes.
  • Os sete Saberes necessários à Educação do Futuro: Edgar Morin. Unesco Brasil
  • A consciência ecológica na administração: passo a passo na direção do progresso com respeito ao meio ambiente. Vilmar Berna. Editora Paulinas
  • Agricultura Ecológica: preservação do pequeno agricultor e do meio ambiente. Jurandir Zamberlam & Alceu Fronvheti. Editora Vozes.
  • Novos Instrumentos de Gestão Ambiental urbana. Organização de Heliana Comin Vargas e Helena Ribeiro. Editora EDUSP
  • Além do Concreto: contribuições para a proteção da biodiversidade paulistana. Organização de Leo R. Malagoli, Fernanda Blauth Bajesteiro e Marussia Whately. Instituto Socioambiental.
  • Mudanças Sistêmicas e Transmutações do mercado: o projeto BECE – uma proposta para alcançar o desenvolvimento sustentável. Evandro Tagliaferro. Editora Mix
  • Economia ambiental: fundamentos, políticas e aplicações. Janet M. Thomas e Scott J. Callan. Editora CenGage Learning
  • Diálogo: comunicação e redes de convivência. David Bohm. Editora Palas Athena
  • A Educação na cidade. Paulo Freire. Editora Cortez
  • Educar para Paz em tempos difíceis. Xesús R. jares. Editora Palas Athena
  • Mal da terra. Hubert Reeves e Frédéric Lenoir. Editora Paz e Terra.
  • Didática de Ciências: o ensino–aprendizagem como investigação. Maria Cristina da Cunha Campos e Rogêrio Gonçalves Nigro. Editora FTD
  • O livro de Gaia: uma pequena lição de amor. Patrícia Engel Secco ilustrado por Daniel Kondo. Editora CEMPRE
  • Valores que não tem preço. Programa de Formação de Educadores em Valores Universais, Ética e Cidadania. Editora Palas Athena
  • Ecopercepção: um resumo didático dos desafios sociambientais. Genebaldo Freire Dias. Editora Gaia
  • Resíduos Sólidos, Ambiente e Saúde: uma visão multidisciplinar. Organizadoras: Cristina Lucia Sisinno e Rosália Maria de Oliveira. Editora Fiocruz
  • Bioenergy in the state of São Paulo: Present Situation, prespectives, barriers and proposals. José Goldemberg, Francisco E.B. Niigro e Suani T. Coelho. Editora Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
  • Diálogo: Direitos Humanos no século 21. Austregésilo de Athayde e Daisaku Ikeda. Editora Seiko