Epidemia de Ebola completa 1 mês

Por: MSF

mapa-ebolaUm mês depois do anúncio da epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC), Médicos Sem Fronteiras (MSF) continua mobilizando todos os recursos humanos e materiais disponíveis para que o surto seja contido o mais rapidamente possível.

No momento, o perfil da epidemia parece estar ficando mais claro, mas ainda há áreas de muita incerteza. Isto significa que as ações de monitoramento, detecção, tratamento e prevenção do Ebola têm de continuar a ser rigorosamente implementadas para evitar que a doença avance.

Desde a declaração da epidemia, em 8 de maio deste ano, 60 pessoas apresentaram sintomas de febre hemorrágica na RDC, sendo que foram confirmados 37 casos de Ebola. Entre os que adoeceram com febre hemorrágica, houve até 5 de junho 27 mortes, 13 delas confirmadas como Ebola. No mesmo período, 23 pacientes que tiveram diagnóstico confirmado de Ebola se recuperaram da doença e receberam alta de centros de tratamento especialmente montados para o atendimento da emergência. Os dados são do Ministério da Saúde da RDC.

Para combater a epidemia e limitar a propagação do vírus, as equipes de emergência de MSF estão nas quatro localidades onde casos suspeitos e confirmados da doença foram identificados, trabalhando em conjunto com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No total, há três centros de tratamento de Ebola, com 45 leitos, em Mbandaka, Bikoro e Iboko, além de um centro de tratamento provisório (transit center) em Itipo, com 14 leitos. Todas as localidades ficam na província de Equateur, no oeste do país.

Epidemia de Ebola completa 1 mês

MSF mobilizou até agora 435 pessoas para o trabalho de campo na RDC, sendo 75 estrangeiros. As equipes incluem, além de médicos, enfermeiros, profissionais de saúde mental, de logística e administração.

Já foram enviadas ao país 100 toneladas de equipamentos.  Foram despachados kits médicos, de desinfecção e de higiene, equipamentos de proteção, barracas, materiais de construção e veículos, como jipes e motos.

Esta é a nona epidemia de Ebola registrada na RDC nos últimos 40 anos. Nas ocasiões anteriores, os casos foram detectados em áreas remotas ou rurais. Desta vez, a preocupação é em relação à ocorrência do vírus em Mbandaka, uma área urbana com mais de 1 milhão de habitantes, situada às margens do rio Congo.

A estratégia atual é manter o foco no combate à doença seguindo seis pilares básicos: tratamento precoce e isolamento de pessoas com sintomas; detecção e acompanhamento dos que mantiveram contato com pacientes; disseminação de informações sobre a doença, como preveni-la e onde buscar tratamento; apoiar a estrutura de saúde local existente; adaptar temporariamente práticas funerárias, evitando contato com cadáveres; buscar ativamente novos casos com ação em campo de agentes de saúde.

Um dos instrumentos usados no combate à epidemia tem sido a aplicação voluntária de uma vacina em pessoas com maior risco de infecção. A estratégia tem sido formar um “anel” de imunização, vacinando contatos primários e secundários de pessoas que foram confirmadas com Ebola, com o objetivo de criar uma “zona de proteção” para evitar a propagação da doença. A vacina também está sendo oferecida para profissionais de saúde que estão na linha de frente nos centros de tratamento de Ebola, líderes religiosos e praticantes de medicina tradicional. Até o momento, a vacina já foi aplicada em 1.737 pessoas.

Imagem

A sombra da Síria

Por Médicos sem Fronteiras

Relato de Dr. Conor Kenny

Foto de Bastian Fischer

Portrait of Conor KennyAntes que eu pudesse vê-lo, eu podia ouvir seus gritos vindo em nossa direção através do tecido da clínica que funcionava numa barraca. Carregado em uma manta térmica escura por quatro homens jovens, ele estava em lágrimas, gritando e se contorcendo em agonia. Nós o colocamos imediatamente no banco que usamos para a avaliação de casos. Estava claro que essa era uma emergência.

Meus pensamentos iniciais eram que se tratava de um problema cirúrgico, como uma pedra nos rins ou perfuração em algum lugar do intestino, devido à sua extrema aflição. No entanto, avaliando suas vias respiratórias, era óbvio que ele estava tentando engolir a língua de maneira forçada, segurando ativamente a respiração ao mesmo tempo. Seus níveis de oxigênio começaram a cair. Cada um de seus amigos segurou um membro de seu corpo para controlar os chutes e a agitação, impedindo-o de atingir outras estruturas da área clínica e causando danos significativos para si mesmo. Era impossível acalmá-lo.

Em vez disso, ele se tornou cada vez mais agitado, gritando incoerentemente. Seus amigos, então, explicaram ao nosso mediador cultural que ele – Hamza, de 22 anos* – acabara de ser informado que sua irmã havia sido morta em um ataque aéreo na Síria. Aqui em Idomeni, ele estava tão abalado com a dor que agora estava tentando machucar a si mesmo seriamente.

Quando cheguei aqui pela primeira vez isso poderia ter me chocado, ou pelo menos me surpreendido um pouco. Mas, agora, não.

Essa não é a primeira vez em Idomeni que a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratou um paciente com uma forte reação física aos atentados na Síria. Por exemplo, há uma senhora de 68 anos, de Aleppo, que muitas vezes é carregada até a nossa clínica com episódios de desmaio após a perda de um membro da família na campanha de bombardeios do fim de abril. Nossas investigações não mostram nenhuma razão médica para esses episódios.

Da mesma forma, um menino de sete anos que permanece com incontinência urinária há quatro meses, após ver seu pai ser baleado por um franco-atirador, também está “clinicamente bem”. Nós agendamos uma consulta com a nossa equipe de psicólogos e tentamos arranjar roupas e fraldas. No entanto, claramente, há uma questão subjacente significativa aqui. Como médicos que trabalham no hospital de campo em Idomeni, meus colegas e eu nos vemos cada vez mais trabalhando com o impacto psicológico dos bombardeios na Síria. As pessoas não deixam essas experiências para trás quando fogem para salvar suas vidas; não conseguem se livrar delas. Elas o seguem, como uma sombra.

As pessoas que tratamos conseguiram escapar de uma zona de guerra, onde bombardear civis e hospitais é uma ocorrência comum agora. Como foi demonstrado de forma devastadora na semana passada em Aleppo.

Eles escapam apenas para serem confrontados por um novo desafio aqui em Idomeni. O acampamento no norte da Grécia, na fronteira com a Macedônia, se formou em torno de uma estação internacional de trem de carga de bens e um abatedouro de gado. Os mais de 10 mil refugiados e imigrantes acomodados no campo vivem em constante medo. O medo do desconhecido. Medo de receber a pior notícia de casa – a próxima bomba na Síria matará alguém que amam? O medo genuíno de serem enviados de volta.

O perigo e a frustração aqui são palpáveis. Para Hamza, nós tivemos de prescrever relaxantes. Uma resposta extrema, usada como um último recurso. Mas, nesse caso, ele estava causando graves danos físicos a si mesmo, e com muitas mulheres e crianças dentro da clínica, não tivemos outra opção. Nós o mantivemos na clínica para observação e passamos um tempo ouvindo sua história antes de encaminhá-lo a um de nossos psicólogos.

Espero que ele fique bem. Mas, para ser honesto, eu não sei o que acontecerá com ele com o passar do tempo. Ninguém sabe o que acontecerá com ele, ou até mesmo com qualquer um que esteja preso aqui em Idomeni. Parece que eles estão encurralados na terra de ninguém. Como um paciente me disse: “Estamos morrendo aqui, como estávamos na Síria, porém mais devagar”.

Observações: *O nome e a idade do paciente foram alterados. As opiniões aqui expressadas são pessoais e não refletem necessariamente os posicionamentos de MSF.

Imagem

Convite: Cooperação com ações da ONG Médicos sem Fronteiras

Por: Susana de Deus

msf

Sindebie perdeu dois filhos nas duas vezes em que tentou dar à luz em sua casa. No vilarejo onde vive na Etiópia, a falta de acesso a cuidados médicos faz com que a maioria dos partos aconteçam dentro das casas, com a assistência apenas de parteiras tradicionais.

 “Durante meu segundo parto, não só perdi o bebê como também fiquei quase à beira da morte. Eu fiquei inconsciente por horas enquanto me levavam para o centro de saúde local”

Determinada a não passar por esse trauma novamente, Sindebie viaja a bordo de um caminhão lotado para o hospital em Degehabur para tentar dar à luz pela terceira vez. Ao chegar ao hospital, os exames indicaram que ela deveria voltar em 10 dias para seu parto. Todas as memórias, a agonia e as perdas, voltaram à sua cabeça. O medo gerado pelas experiências anteriores deixou Sindebie em silêncio, até ela finalmente dizer aos médicos que não partiria.

 “Eu não vou embora deste hospital enquanto não der à luz a um bebê vivo. Eu já cansei. Já perdi dois bebês nos meus outros dois partos. Eu não quero ir sem o meu bebê!”.

A história de Sindebie se espalhou rapidamente pelo hospital até chegar à equipe de Médicos Sem Fronteiras (MSF), que trabalhava dando apoio no local. Já sabendo da existência desse tipo de desafio, equipes da organização estavam construindo uma casa de espera de maternidade no hospital. O Dr. Seri Sango, coordenador desse projeto de MSF em Degehabur, conta:

 “Ainda que a casa não estivesse pronta naquele momento, nós tivemos que ajustá-la e criar um quarto para essa corajosa mulher ficar. Nós facilitamos isso. Ela ficou ali por sete dias e deu à luz a um bebê saudável”.

Esse projeto de Médicos Sem Fronteiras na Etiópia é apenas um entre os tantos existentes nos mais de 60 países onde a organização atua. Só em 2014 assistimos o parto de mais de 194.400 mulheres!

Em MSF, tratamos nossos pacientes com a dignidade que eles merecem e da qual muitas vezes são privados. Nosso trabalho permite que, ano após ano, mais pessoas recebam cuidados de saúde e compartilhem suas experiências de superação em meio a tantos desafios. Toda a ajuda que levamos só é possível graças a pessoas como você!

Neste final de ano, seja doador de MSF e nos ajude a garantir que mais mulheres deem à luz recebendo cuidados de saúde de qualidade!

Ajude a MSF:   https://www.msf.org.br/doador-sem-fronteiras

Nigéria: MSF presta assistência a pessoas fugindo da violência e aumenta capacidade médica para o caso de violência eleitoral

Médicos sem fronteiras

A organização está preparando plano de resposta de emergência para oferecer cuidados a feridos

Após o ataque do Boko Haram em 3 de janeiro em Baga, no Estado de Borno, no norte da Nigéria, 5 mil deslocados chegaram ao campo da “Vila do Professor” (Teacher Village, em inglês) em Maidaguri, capital do estado, onde a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) está prestando assistência. Nossas equipes também estão trabalhando no Níger, país vizinho, onde refugiados continuam chegando. Com o risco iminente de violência eleitoral, as equipes de MSF no sul da Nigéria estão preparando um plano de resposta à emergência.

A situação no nordeste da Nigéria continuou a se agravar ao longo dos últimos quatro anos. Em 2014, diversos ataques a bomba em Maiduguri mataram e feriram muitas pessoas. O Boko Haram atacou a cidade por duas vezes no ano passado e na noite de sábado do dia 24 de janeiro, atacou de novo. No domingo, eles tomaram Mongono, uma cidade 100 km mais ao norte. Todas as vias principais de acesso a Maiduguri, exceto uma, estão fechadas.

Desde o ataque do Boko Haram em janeiro, nenhum ator de ajuda humanitária, incluindo MSF, pôde viajar à região de Baga, devido ao nível de insegurança. Os depoimentos de sobreviventes descrevem uma cidade vazia e deserta, e imagens de satélite ilustram a dimensão da destruição.

Centenas de milhares de deslocados

Atualmente, há quase um milhão de pessoas deslocadas na Nigéria, segundo a Agência Nacional de Gestão de Emergência (NEMA, na sigla em inglês), e esse número está crescendo. A maioria está no nordeste do país – estima-se que cerca de 500 mil estejam no estado de Borno, e desses, 400 mil na cidade de Maiduguri. Os últimos são principalmente moradores de vilarejos dos arredores da região, que fugiram dos ataques do Boko Haram. O número crescente de deslocados está colocando uma pressão significativa sobre os recursos disponíveis e os poucos serviços existentes – particularmente serviços de saúde, que são frequentemente disfuncionais. As comunidades que abrigaram os deslocados também estão sofrendo com a consequente falta de alimentos e medicamentos.

O medo dos ataques fez com que algumas pessoas deixassem suas casas “preventivamente”, sobretudo na cidade de Mongono. Essa área isolada tem uma população de 300 mil habitantes e está localizada a cerca de 100 km de Maiduguri. MSF apoia o hospital local com doações de suprimentos médicos.

Em Maiduguri, MSF tem trabalhado nos três acampamentos mais populosos da cidade – com 10 a 15 mil pessoas cada. A organização conduziu quase 10 mil consultas médicas em dois meses. Após a chegada dos deslocados de Baga, as equipes de MSF avaliaram as necessidades do campo da “Vila do Professor”, onde os deslocados estão reunidos. Em todos os três acampamentos, MSF montou uma clínica, atividades ambulatoriais (tratamento de desnutrição e visitas de pré-natal) e um sistema de encaminhamento dos principais casos mais sérios a hospitais. Além disso, foram iniciadas atividades de higiene e de apoio na administração dos acampamentos no tratamento de água, para melhorar sua qualidade da água. Um centro de saúde com dez leitos estará operando em breve em outro bairro da cidade.

Cruzando a fronteira para Diffa, no Níger

Entre 100 e 150 mil refugiados escaparam da violência na Nigéria e chegaram à cidade de Diffa, no sudeste do Níger, apenas a alguns quilômetros da fronteira com o Estado de Borno. A maioria dos que cruzaram a fronteira são mulheres, crianças e pessoas idosas, que são de Damassak, cidade nigeriana vizinha. Elas cruzaram o lago Chad e o Rio Komadougou para se refugiarem em cidades e vilarejos do outro lado da fronteira.

Em dezembro, MSF começou atividades médicas em resposta à epidemia de cólera em Diffa e Chatimari. A resposta incluiu a estruturação de centros de tratamento de cólera e treinamento de equipes do centro de saúde em cloração de água nas estações de reidratação e desinfecção de casas. Em conjunto com o Ministério da Saúde do Níger, MSF tratou mais de 300 pacientes. A organização também começou a apoiar os centros de saúde de N’Garwa e Gueskerou e cuidou da distribuição de itens não alimentares aos refugiados recém-chegados à região de Diffa. Dada a natureza precária das condições de vida dos refugiados e ao grande número de famílias com crianças que continuam chegando no local, MSF planeja lançar uma campanha de vacinação em Diffa nas próximas semanas.

Sul da Nigéria: preparação para emergência em caso de violência eleitoral

MSF está estruturando um plano de resposta de emergência para ajudar a tratar feridos no caso de haver violência durante as próximas eleições presidenciais. Equipes de MSF montarão uma sala de emergência, um centro cirúrgico e uma unidade de cuidados pós-operatórios em um hospital da cidade em Rivers State, no sul da Nigéria. Se a violência de fato acontecer, duas estações médicas serão montadas em outros estados, caso seja necessário. Enquanto isso, equipes do Ministério da Saúde e membros da equipe de MSF serão treinados para oferecer cuidados no caso de haver um influxo de feridos. Uma equipe cirúrgica móvel também ficará de prontidão para montar um centro cirúrgico temporário e um posto de saúde avançado, se necessário.

Ebola na África Ocidental

Por Médicos sem Fronteiras

 Diante da contínua proliferação do vírus Ebola na Guiné, em Serra Leoa e na Libéria, controlar a epidemia vai demandar o envio massivo de recursos às regiões afetadas por parte dos governos da África Ocidental e de organizações humanitárias, de acordo com Médicos Sem Fronteiras (MSF), que afirma ter chegado ao seu limite no que diz respeito à atuação de suas equipes. Pacientes de Ebola foram identificados em mais de 60 localidades diferentes nos três países, o que dificulta o tratamento das pessoas e a contenção do surto.  “A epidemia está fora de controle”, afirma o Dr. Bart Janssens, diretor de operações de MSF. “Com o surgimento de outras localidades afetadas na Guiné, em Serra Leoa e na Libéria, há um risco real de proliferação da doença para outras regiões.” Atualmente, MSF é a única organização humanitária tratando pacientes afetados pelo vírus, que pode matar até 90% das pessoas infectadas. Desde que o surto teve início em março, MSF assistiu cerca de 470 pacientes; 215 sendo casos confirmados, tratados em centros especializados estruturados na região. No entanto, MSF está enfrentando dificuldades para responder ao grande número de novos casos e localidades afetadas pela doença. “Chegamos ao nosso limite”, afirma Bart Janssens. “Apesar dos recursos humanos e equipamentos já enviados por MSF aos três países afetados, não podemos mais enviar equipes para os novos locais onde a doença surgiu.” A escala da epidemia atual de Ebola é sem precedentes em termos de distribuição geográfica, pessoas infectadas e mortes. Desde o início do surto, somam-se 528 casos e 337 mortes, de acordo com as informações mais recentes divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta é a primeira vez que o Ebola surge na região, e as comunidades locais ainda estão muito assustadas com a doença, reagindo com receio diante das atividades realizadas nas instalações de saúde. A falta de entendimento sobre a forma de transmissão da doença ainda faz com que as pessoas continuem comparecendo a funerais onde as medidas de contenção da infecção não estão implementadas. Apesar da presença de algumas organizações que estão trabalhando para conscientizar sobre a doença, as atividades realizadas ainda não resultaram na redução da ansiedade do público acerca do Ebola. Enquanto isso, a sociedade civil e as autoridades políticas e religiosas estão falhando ao não reconhecer a escala da epidemia, e são poucas as pessoas públicas a espalharem mensagens promovendo o combate à doença. “A OMS, os países afetados pela doença e seus países vizinhos precisam enviar os recursos necessários para responder a uma epidemia dessa escala”, diz Bart Janssens. “É preciso pessoal médico qualificado, a organização de treinamentos sobre o tratamento do Ebola e a ampliação do rastreamento de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados e das atividades que promovam a conscientização da população. O Ebola não é mais uma questão de saúde pública limitada à Guiné: a doença já está afetando toda a África Ocidental.” Na Guiné, MSF está prestando suporte às autoridades de saúde na oferta de cuidados de saúde em Conacri, Télimélé e Guéckédou. Unidades de tratamento foram construídas em Macenta, Kissidougou e Dabola. Equipes de MSF estão respondendo a alertas em vilarejos, promovendo atividades de conscientização sobre a doença em comunidades e oferecendo suporte psicológico a pacientes e suas famílias. A organização também está apoiando as atividades de monitoramento epidemiológico.  Em Serra Leoa, em parceria com o Ministério da Saúde, uma equipe de MSF está construindo um centro de tratamento de Ebola com 50 leitos em Kailahun, que deve ser inaugurado esta semana. Pequenas unidades móveis já foram estruturadas em Koidu e Daru, e uma terceira está para ser inaugurada em Buedu. MSF também ofereceu suprimentos para o Ministério da Saúde em apoio à construção de outros centros de tratamento. Na Libéria, uma equipe de MSF estruturou uma unidade de tratamento em Foya, no norte do país, e outra no hospital JFK, em Monrovia, nas últimas semanas. A organização também ministrou treinamentos e doou equipamentos. Atualmente, MSF conta com 300 profissionais internacionais e nacionais trabalhando na Guiné, em Serra Leoa e na Libéria. A organização enviou mais de 400 toneladas de equipamentos e suprimentos à região para ajudar no combate à epidemia

Síria: assistência humanitária vive momento de impasse

Por: Médicos Sem Fronteiras

Após dois anos de conflitos de extrema violência, a situação humanitária na Síria está, atualmente, catastrófica e a ajuda oferecida é drasticamente inferior à necessidade

A paralisação diplomática que impede uma resolução política do conflito não pode, de forma alguma, justificar o fracasso da resposta humanitária. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) pede que as partes envolvidas no conflito negociem um acordo acerca da ajuda humanitária para facilitar sua oferta para todo o país através de países vizinhos ou cruzando as linhas de batalha. Enquanto isso, é preciso que os governos, as Nações Unidas e os financiadores reconheçam a fragmentação em que se encontra o país e deem suporte urgente para que ONGs possam levar assistência para onde puderem.

A população síria está diante de um conflito de extrema violência e de uma situação humanitária de proporções catastróficas: o sistema de saúde, que antes era funcional, entrou em colapso; a escassez de alimentos é frequente; e o fornecimento de água e eletricidade foi interrompido. “A ajuda médica tem sido alvo de violência com hospitais sendo destruídos e profissionais de saúde capturados”, explica a Dra. Marie-Pierre Allié, presidente de MSF. De acordo com as Nações Unidas, 2,5 milhões de sírios tiveram de se deslocar dentro do país, 57% dos hospitais foram danificados e 36% não têm condições de funcionar. Estas são informações oficiais, cujas estatísticas não incluem clínicas privadas ou hospitais improvisados que tenham sido destruídos ou danificados.

Mais de 5 mil sírios continuam a fugir do país diariamente, o que elevou o número de refugiados para um milhão de pessoas, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). A maioria desses refugiados está assentada em países vizinhos, onde os programas assistenciais são insuficientes e enfrentam dificuldades para responder ao influxo de pessoas.

Se por um lado as necessidades da população na Síria e dos refugiados em países vizinhos são consideráveis, a ajuda que está sendo oferecida é extremamente insuficiente. Nas regiões controladas pelo governo, a ajuda é administrada pelo Crescente Vermelho Árabe Sírio (SARC) e por outras organizações locais, todos autorizados pelo governo a distribuir essa ajuda. As agências das Nações Unidas e as organizações humanitárias internacionais autorizadas pelo governo são obrigadas a trabalhar em parceria com organizações locais, cuja capacidade de intervenção está saturada e restrita a determinadas regiões geográficas.

Em áreas sob o controle da oposição, a ajuda internacional é extremamente restrita. A maioria da ajuda aos civis é proveniente da Diáspora Síria, de países afeitos aos grupos opositores e às redes político-religiosas de ajuda, estando, por isso, sujeita a agendas políticas de cada um desses atores. MSF, que, devido à falta de autorização por parte do governo, não tem acesso aos territórios controlados por Damasco, conseguiu abrir três hospitais no norte do país e pôde observar de perto o quão insuficiente é a ajuda para atender o grande volume de necessidades da população.

Diante desse cenário, é preciso que o aumento da capacidade das organizações humanitárias em oferecer ajuda imparcial por toda a Síria seja tratado como assunto urgente.

 “As autoridades de Damasco estão com a solução para esse impasse nas mãos, podendo eliminar todos os obstáculos para a oferta de ajuda independente para todo o país”, descreve Christopher Stokes, diretor executivo de MSF. “Pedimos que as partes envolvidas no conflito, na falta de uma resolução política, entrem ao menos em acordo quanto à ajuda humanitária, para facilitar sua oferta da forma mais efetiva possível.”

Tal acordo deveria estabelecer as condições práticas para a entrega de ajuda como parte das operações humanitárias a serem realizadas partir de estados vizinhos ou cruzando as linhas de batalha. MSF também pede que as partes beligerantes respeitem quaisquer instalações médicas implementadas no país.

Enquanto isso, a ausência de quaisquer entendimentos não deveria impedir a atuação de ONGs internacionais onde quer que possam agir, independentemente do grupo que controle tais regiões. Os governos e as Nações Unidas devem dar suporte a operações humanitárias que cruzem fronteiras. Além disso, o fornecimento de ajuda imparcial para regiões controladas pela oposição e áreas negligenciadas não deve estar sujeito a sanções impostas pelo governo sírio

Médicos sem Fronteiras Atuam na Síria

Da equipe MSF

21 de agosto de 2012 – Médicos Sem Fronteiras tem atuado na Síria há dois meses, tentando levar assistência humanitária às pessoas afetadas pelo conflito. Com a ajuda de um grupo de médicos sírios, uma equipe conseguiu transformar, em apenas seis dias, uma casa abandonada em um hospital de emergência, onde pessoas feridas puderam ser operadas e hospitalizadas.

Até meados de agosto, MSF admitiu mais de 300 pacientes e conduziu mais de 150 cirurgias. Os ferimentos apresentados têm sido em grande parte relacionados a conflitos e causados, em sua maioria, por bombardeios. Muitos pacientes têm ferimentos a bala. Os feridos são, em sua maioria, homens, mas, as mulheres representam um em cada dez casos e cerca de um em cada cinco tem menos de 20 anos. De acordo com a equipe médica, dois terços dos procedimentos realizados foram cirurgias de emergência.

No entanto, o futuro do projeto é incerto. Além do fato de MSF estar atuando no país sem autorização das autoridades sírias, nossas atividades estão ameaçadas pelas constantes mudanças de natureza do conflito, pela dificuldade de acesso a suprimentos e pelos desafios que os feridos têm de enfrentar para chegar ao hospital.

Considerando a intensidade da violência atual na Síria, a equipe de MSF, com seus profissionais locais e estrangeiros, pode apenas garantir suporte médico limitado. A assistência, no entanto, não deixa de ser essencial para a sobrevivência das pessoas tratadas no hospital.

 Para os profissionais de MSF que estiveram trabalhando na Síria, os pacientes e os tipos de ferimentos tratados pelas equipes cirúrgicas são testemunhos do uso de artilharia pesada e da violência de uma guerra que não poupa civis.

“Feridos começaram a chegar de todos os cantos”

A cirurgiã Anna Nowak participou de mais de 20 projetos de MSF. Ela acaba de voltar da Síria, onde ajudou a instalar o projeto.

Como foi possível estruturar um projeto de emergência sem autorização oficial das autoridades sírias? Continuar lendo “Médicos sem Fronteiras Atuam na Síria”

Contaminação por chumbo na Nigéria

 Um alerta dos Médicos sem Fronteira

11 de maio de 2012 – Uma conferência internacional liderada por Médicos Sem Fronteiras (MSF) com o objetivo de encontrar soluções para a questão da contaminação por chumbo terminou na quinta-feira (10/5). Os delegados da conferência elaboraram um plano de ação claro cobrando comprometimento do governo nigeriano na resolução da crise.

“Houve muita conversa, mas agora é hora de agir”, disse Ivan Gayton, representante de MSF na Nigéria. “MSF só vai considerar essa conferência um sucesso quando crianças contaminadas estiverem em ambientes seguros e recebendo tratamento.”

Delegados, dentre eles os ministros do Zamfara (estado nigeriano onde foram confirmados casos de contaminação em cinco vilas), o chefe de estado dos Emirados de Anka, representantes do governo da Nigéria, funcionários de organizações humanitárias nacionais e internacionais, cientistas, e especialistas em saúde, meio ambiente e mineração manifestaram desapontamento quanto à ausência dos tomadores de decisão da Nigéria – ministros de Minas, Meio Ambiente e Saúde – e ao fato de que não foi anunciada nenhuma ação concreta por parte do governo federal.

Os prometidos 850 milhões de nairas, o equivalente a US$ 5,4 milhões, devem ser liberados imediatamente para a população de Zamfara. O dinheiro destinado para reparos ambientais e desenvolvimento de métodos de mineração seguros está no limbo há meses, enquanto milhares de crianças continuam sofrendo com a contaminação aguda por chumbo.

A Conferência acordou um Plano de Ação para determinar os caminhos a serem seguidos para se alcançar os três pilares que solucionariam a crise em Zamfara: cuidados médicos, reparos ambientais e mineração segura. Para garantir o sucesso do plano, o governo nigeriano, em especial os ministros de Minas, Meio Ambiente e Saúde, tanto em nível federal quanto estadual, devem direcionar recursos significativos e coordenar as ações.

A liberação dos recursos prometidos é prioridade máxima para o Plano de Ação, como também a descontaminação da aldeia de Bagega, onde aproximadamente 1500 crianças estão contaminadas desde 2010, e continuam na espera pela descontaminação de sua aldeia. Não é possível para MSF prover tratamento efetivo em regiões como Bagega, ainda afetadas pela contaminação. A organização trata os casos mais graves em uma ala de internação no hospital de Anka.

“A população de Bagega está desesperada por ajuda”, disse Zakaria Mwatia, enfermeira e coordenadora de projeto de MSF em Zamfara. “Alguns dos locais estão ameaçando descontaminar determinadas áreas com suas próprias mãos, na esperança de possibilitar o tratamento oferecido por MSF.”

“Para por um fim à contaminação por chumbo, são necessários conhecimentos específicos e equipamentos”, disse Simba Tirima, cientista especializado em engenharia ambiental da Terragraphics. O povo de Bagenga precisa de assistência urgente – já solicitada – para providenciar um ambiente seguro para suas crianças.”

Haiti: pedido de ajuda

A ONG Médicos Sem Fronteiras esta  solicitando doações

Formas de doação para MSF

1) Por telefone: Ligue para nosso atendimento ao doador, (21) 2215-8688, e informe os dados do seu cartão de crédito por telefone.

2) Depósito na conta corrente MSF: Banco Bradesco, agência 3060-0 e conta
111036-5. Para receber um recibo de sua doação, envie o comprovante de depósito, com seu nome e endereço, pelo fax (21) 2215-8688 ou pelo e-mail doador@msf.org.br.

 3) Por formulário: http://www.msf.org.br/haiti/formulario/

Solicitação recebida de Simone Rocha  ( Diretora Executiva dos MSF Brasil)

Sistema de Saúde Pública do Haiti é insuficiente

MSF pede a autoridades do país e doadores internacionais que tomem medidas concretas para dar fim à crise sanitária

 Uma vez que o primeiro-ministro do Haiti, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), representantes de mais de 30 países doadores e agências multilaterais se reúnem nesta terça-feira em Washington (DC) para elaborar estratégias para o desenvolvimento econômico e social do Haiti, eles não devem negligenciar a crise de saúde pública que existe hoje no país. O alerta foi feito pela organização médica humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), que pede que o governo do Haiti e os doadores internacionais implementem imediatamente medidas concretas para melhorar o acesso à saúde da população haitiana.”É inaceitável que a população mais desfavorecida no Haiti hoje não possa usufruir de serviços emergenciais de trauma e obstétricos acessíveis e de qualidade” afirma Brian Phillip Moller, chefe de missão do centro de reabilitação e trauma de MSF em Trinité. “Se as autoridades do Governo do Haiti e os doadores têm o foco no desenvolvimento econômico do país, não podem mais ignorar as necessidades desesperadas de acesso a tratamento médico público de qualidade e acessível”. Apesar de uma melhor estabilidade política conquistada nos últimos dois anos, os moradores mais pobres da capital, Porto Príncipe, ainda são altamente dependentes dos serviços de saúde gratuitamente oferecidos por MSF. As taxas cobradas por estruturas de saúde públicas e privadas fazem com que os cuidados com a saúde sejam inacessíveis para a maioria da população. Hospitais públicos e clínicas têm frequentemente problemas de gerenciamento, greves, escassez de funcionários, medicamentos e suprimentos médicos.”Nossas estruturas médicas estão superlotadas e às vezes não temos nenhuma outra escolha a não ser enviar os pacientes aos hospitais públicos, mesmo sabendo que eles vão enfrentar muitos obstáculos para serem atendidos”, explica Massimiliano Cosci, chefe de missão dos projetos de MSF em Martissant. “Muitos pacientes nos contam histórias de falta de medicamentos nas estruturas ou de profissionais para recebê-los ou que foram enviados de volta para casa porque as unidades estavam lotadas. Em muitos casos, eles abandonam o tratamento devido à falta de dinheiro para cobrir os custos. Para os pacientes que precisam de tratamento capaz de salvar vidas, isso pode ser fatal. A situação é alarmante”.Com frequência, os pacientes escolhem ficar em casa porque não têm opções acessíveis. Isso ficou evidente em fevereiro, quando o Hospital de Emergência Obstétrica de MSF fechou por duas semanas para mudar para outro local. “Depois de realizar um levantamento sobre a situação durante o fechamento de nossa unidade, descobrimos que muitas mulheres não tinham onde buscar atendimento obstétrico”, conta Hans Van Dillen, chefe de missão do Hospital Obstétrico de Emergência Jude Ann de MSF. “Nos períodos de maior movimento, o Hospital Jude Ann realizou 1,6 mil partos por mês, sendo que metade deles com risco de morte para a mãe e o filho”. MSF começou a oferecer atendimento de emergência quando a violência em Porto Príncipe passou a limitar o acesso da população aos cuidados de saúde. Hoje, apesar de a situação de segurança ter melhorado, as necessidades de saúde da população mais vulnerável da capital continuam sem ser atendidas. MSF investe mais de 13 milhões de euros (US$17,5 milhões) por ano em seus programas de emergência médica no Haiti. O Hospital Pediátrico de MSF atende atualmente 40% de todas as emergências obstétricas das mulheres menos favorecidas de Porto Príncipe, enquanto o Hospital Trinité tratou cerca de 17 mil casos de trauma em 2008 e possui a única unidade adequada para queimaduras do Haiti. Além disso, 16.950 casos de emergências médicas foram tratados no hospital de MSF na comunidade de Martissant em 2008, onde nenhum outro serviço de saúde pública existe.

Crédito: http://www.msf.org.br/ConhecaMSF.aspx

Terremoto no Haiti

Equipes de MSF estão tentando manter o atendimento e também aumentar a capacidade de receber novos pacientes

No dia 12 de janeiro, um terremoto de magnitude 7.0 na escala Richter atingiu cerca de 15 quilômetros do sudoeste da capital do Haiti, Porto Príncipe. Equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no terreno testemunharam uma destruição significante em suas unidades médicas, ferimentos em pacientes e equipe e um grande fluxo de feridos nesses hospitais da capital.

O Hospital de Trauma Trinité de MSF, que possui uma estrutura com 60 leitos e é a única unidade que oferece atendimento médico gratuito em Porto Príncipe, foi seriamente danificado pelo terremoto. Apesar da dificuldade para confirmar informações, centenas ficaram feridos na capital que foi totalmente destruída pelo tremor.

No momento, as equipes de MSF estão tentando garantir a segurança e o atendimento contínuo dos pacientes que chegam ao Hospital Trinité e também estão tentando aumentar a capacidade de atendimento de novos pacientes. Em seu Hospital Maternité Solidarité, uma unidade de emergência obstétrica com 75 leitos também na capital, mulheres grávidas, mães recentes e recém-nascidos foram retirados da unidade por medida de precaução, devido aos danos estruturais observados. MSF também administra Martissant 25, um centro de saúde na comunidade carente de mesmo nome.

Os sistemas de comunicação como redes de celulares não estão funcionando e o acesso pelas estradas está muito prejudicado.

MSF está extremamente preocupada com a segurança de seus pacientes e equipes. Trabalhadores adicionais vão ser enviados para reforçar a já existente equipe de MSF no terreno e para realizar um levantamento sobre as necessidades emergentes nos próximos dias. 

MSF trabalha no Haiti desde 1991

Crédito:  http://www.msf.org.br/ConhecaMSF.aspx