A parcialidade da imparcialidade?

Por Cecilia Café-Mendes – Labjor

A prática de se relatar um fato, tal qual ele ocorreu, está relacionada à ideia de imparcialidade jornalística. Caso haja dois ou mais lados na mesma questão, devemos buscar fontes para embasar o maior número possível de interpretações. Assim, garantimos isonomia entre as partes envolvidas na descrição do evento e permitimos ao leitor ou espectador a construção de suas próprias conclusões. O princípio da imparcialidade está na base das teorias sobre o jornalismo. Mas pelo que se tem discutido e visto ultimamente na atual crise brasileira, ela é de fato praticada? Será que o viés dos noticiários tem interferido na qualidade da informação veiculada?

Nesse contexto, é importante refletir sobre algumas questões fundamentais. O conceito de verdade é parcial. Nossos sentidos e nosso psicológico nos induzem a uma visão particular de como é o mundo. Naturalmente, nós possuímos uma série de preconceitos construídos social e culturalmente, o que torna difícil para o ser humano avaliar de forma objetiva o mundo que o cerca. Como pontua Ben Goldacre em seu livro Ciência picareta (Ed. Civilização Brasileira, RJ, 2013), somos capazes de extrair informação de tudo, desde enxergar formas em nuvens a acreditar que existem “temporadas de sorte” para jogos.

Muitas vezes vemos padrões onde eles não existem, e não percebemos os que de fato estão lá. Querendo ou não, todos nós temos o nosso viés ao interpretar os fatos que chegam até nós e, assim, com base na nossa memória e nas nossas experiências, passamos essas informações adiante. E, mais do que isso, tendemos a supervalorizar e também a buscar informações que confirmem qualquer hipótese que estamos interessados em defender. Vale citar aqui Charles Darwin, que em seu artigo “A biographical sketch of an infant”, de julho de 1877, descreve exatamente essa tendência cognitiva: “Eu segui uma regra de ouro: sempre que uma nova observação ou pensamento surgia, se fosse oposta a meus resultados gerais, eu fazia uma anotação dela, sem falha e de imediato, pois eu tinha descoberto, pela experiência, que esses fatos e pensamentos têm uma tendência muito maior para fugir à memória do que os fatos favoráveis”.

De maneira adversa a esse raciocínio, desde os primórdios, a qualidade do jornalismo é baseada na sua suposta isenção, ou seja, a notícia como espelho do fato. Embora essa imparcialidade já tenha sido amplamente questionada, os procedimentos jornalísticos ainda se justificam pela busca da “verdade”. Diversas linhas editoriais de mídia impressa ou eletrônica sustentam o seu compromisso com a isenção na veiculação das informações. E para reafirmar a imparcialidade, reservou-se uma seção para veicular a opinião do veículo, o editorial. Ou seja, o conceito de objetividade jornalística cerca a audiência e vende a imagem de que tudo que não for declaradamente opinião do veículo é reprodução fidedigna de fatos e, assim, as notícias supostamente manteriam seu caráter de confiáveis.

Entretanto, tanto o jornalismo quanto as ciências, de uma forma geral, falham na sua isenção, quando não possuem a prerrogativa da independência. Podemos citar exemplos de “pesquisas” que comprovam a eficácia de determinados cosméticos, patrocinadas pela indústria da beleza, ou estudos com equações matemáticas que “demonstram” que a dilatação da pupila provocada pela cerveja torna a mulher mais atraente após consumir alguns copos da bebida, como o que foi patrocinado pela Bausch & Lomb (fabricante de produtos óticos) e produzido por um professor da Universidade Manchester. Ou seja, essa ciência produzida tem como finalidade o embasamento de um anúncio publicitário por empresas.

Da mesma forma, o que se observa com o jornalismo é uma interdependência das mídias com os interesses políticos, religiosos e econômicos. É clara a interferência por meio de subsídios, empréstimos bancários e publicidade. Como pontua o professor Murilo Cesar Soares, do curso de comunicação social da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), “a imparcialidade é um valor importante para as empresas jornalísticas, pois significa para o leitor que o meio de comunicação tem credibilidade. No entanto, há casos históricos que revelam que, em situações envolvendo interesses muito fortes, de natureza política ou econômica, os meios podem burlar esse princípio, de forma aberta ou sutil. O caso mais conhecido e estudado no Brasil foi o do apoio das Organizações Globo à candidatura de Fernando Collor à presidência em 1989”.

Se formos atrás de um histórico da imprensa, e isso vale para qualquer país, vemos que o jornalismo pende para um lado ou para outro dependendo da situação política/econômica do país. No Brasil, basta verificar os jornais da época da ditadura até os dias atuais. Como exemplifica o professor Wilson da Costa Bueno, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), “é fácil perceber essa falta de isenção a todo momento, como o do debate sobre o impeachment da presidente Dilma que ocorre agora. Os veículos, assim como as fontes que os subsidiam, não se respaldam necessariamente em fatos, mas em intenções”. Bueno complementa que “não há mal em termos uma diversidade de mídias não independentes; o que é penoso é termos mídias comprometidas que não assumem essa condição e monopólios da comunicação que contribuem para sufocar o debate”.

Esse comprometimento da mídia se torna mais flagrante com o surgimento, dentro do jornalismo tradicional, do chamado “branded content”, ou jornalismo patrocinado. Isso significa incorporar propagandas às reportagens. Ou seja, falar sobre os benefícios do cacau e convidar alguém de uma grande empresa de chocolates para enumerar as suas vantagens, e assim por diante. Segundo Álvaro Pereira Júnior, em matéria publicada em 2013 no Observatório da Imprensa, a rede BBC e o New York Times já apresentam traços desse jornalismo patrocinado. Bueno afirma que “o branded content faz o jogo das grandes corporações e contamina o fluxo informativo. Como jornalista tradicional, vejo com enorme desconfiança a aproximação gradativa entre os setores de redação e o comercial nos meios de comunicação, com uma influência crescente do segundo sobre o primeiro”.

Dentro do jornalismo tradicional, o editorial é o responsável por explicitar a posição do veículo diante de determinado assunto. Entretanto, percebemos que esse viés, em princípio, direcionado ao editorial, hoje se espalha pelo corpo de notícias e reportagens da mídia. Segundo Soares, da Unesp, “o viés jornalístico pode se disseminar pelo noticiário sob a forma de enquadramento noticioso, que é a maneira pela qual alguns fatos são destacados, outros atenuados ou omitidos, de modo a conferir à narrativa uma ‘inclinação’ sutil, que passa despercebida pelo leitor. O editorial continua sendo o espaço do jornal dedicado a expressar explicitamente a posição do veículo sobre questões políticas, administrativas e sociais. Mas os enquadramentos das reportagens é que ‘dão o tom’ dos diversos assuntos”. Bueno, da Umesp, vaí além: “o viés jornalístico está centrado no editorial, nas reportagens, na escolha dos articulistas e mesmo na publicação das cartas ou e-mails dos leitores. Não há isenção jornalística, apesar do discurso em contrário”.

Diante dessas incertezas que permeiam a aparente imparcialidade jornalística, há uma horda de pessoas que criticam e incitam o boicote aos meios de comunicação como forma de solucionar ou pelo menos demonstrar a sua insatisfação com essa provável falta de transparência das notícias. Entretanto, talvez a nossa forma mais eficaz de combater o problema seja paciência, seja não aceitar o que nos passam como verdade absoluta. É preciso ser crítico e buscar diferentes fontes de algum assunto que nos interessa no momento, ao invés de formar nossas opiniões baseados na opinião de apenas uma fonte ou de reproduzir informação sem minimamente investigar sua origem. Bueno reflete que “embora não se possa assumir que a audiência funcione como uma página em branco, deve-se registrar que, cada vez mais, ela dispõe de alternativas para receber e interpretar as informações. Além disso, há setores qualificados da audiência que têm também seus compromissos e leituras do mundo e contempla os veículos a partir de seus filtros, reagindo à tentativa deliberada da imprensa de ditar sozinha as regras”.

Já dizia Millor Fernandes que “se você não tem dúvidas, está mal informado”. Mario Sérgio Cortella, em seu livro Não se desespere!, complementa: “gente que não tem dúvidas não inova, não avança e não cria; só repete e redunda”. Como esclarece Soares, da Unesp, “é preciso um maior debate sobre questões públicas controvertidas, nas escolas, nos sindicatos etc., de modo que as audiências amadureçam suas opiniões e refinem sua percepção dos acontecimentos. É necessário que esse debate não tenha ortodoxias nem posições fechadas prévias, o que não é o caso que se vê no Brasil atualmente”.

Independente do viés do jornalismo, e de tudo que lemos, devemos buscar a nossa independência de pensamento e afiar a nossa crítica. Só assim agiremos menos por debates baseados em fé e em torcida e mais em ideias e princípios.

Violência contra Jornalistas no Brasil

Por UNIC- Rio de Janeiro

Brasil reconhece violência contra jornalistas como problema de Estado e divulga medidas de proteção

Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República mostra que ao menos 321 profissionais de imprensa sofreram alguma forma de agressão de 2009 a 2014, sendo 18 assassinados. Relatório sugere criação de Observatório da Violência contra Comunicadores em parceria com as Nações Unidas.

 

O Brasil anunciou uma série de medidas para a proteção de jornalistas após levantamento oficial mostrar que, de 2009 a 2014, ao menos 321 profissionais de imprensa sofreram alguma forma de agressão como atentado à liberdade de expressão. Dentre eles, 18 foram assassinados, colocando o país como um dos mais perigosos do mundo para o exercício da profissão.

“Toda violência contra os comunicadores fere o princípio da liberdade de expressão. [… ] A democracia se fortalece combatendo todas as formas de censura e de violência, que venha de traficantes ou de aparato do Estado”, disse a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) ao lançar nesta terça-feira (11) o relatório do Grupo de Trabalho “Direitos Humanos dos Profissionais de Comunicação no Brasil” (GT) durante reunião do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – que completa 50 anos este mês.

O estudo afirma que o envolvimento de autoridades locais e policiais na violência contra comunicadores é evidente e destaca a impunidade como fator que impulsiona novas ameaças, assim como a necessidade de proteger os jornalistas sem impedir a continuidade de sua atuação profissional.

O documento do Governo Federal também registra riscos para os profissionais que atuam nas regiões de fronteira por causa de traficantes de diferentes ilícitos que, após ameaçarem jornalistas, atravessam as fronteiras para que não sejam investigados pelas autoridades brasileiras. Denúncias apontam, ainda, que esses atores financiam campanhas eleitorais.

A pesquisa feita ao longo de aproximadamente um ano pelo GT foi coordenada pela SDH, com a participação de diversos órgãos federais e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Uma análise jurídica nacional e internacional foi feita paralelamente a consultas a uma série de profissionais de comunicação, organizações que atuam na defesa da liberdade de expressão e na proteção de jornalistas, incluindo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão, Federação Nacional dos Jornalistas, Movimento Nacional de Rádios Comunitárias, Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária, Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação, Associação Nacional de Jornais, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, Comitê para a Proteção de Jornalistas, Press Emblem Campaign, Federação Internacional de Jornalistas, Repórteres Sem Fronteira, Artigo 19, Intercâmbio Internacional pela Liberdade de Expressão e Associação Interamericana de Imprensa.

A ministra agradeceu ainda ao relator especial das Nações Unidas sobre liberdade de opinião e de expressão, Frank La Rue, que veio três vezes ao Brasil para colaborar com o trabalho, à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e ao Centro de Informação da ONU para o Brasil (UNIC Rio).

O documento final está baseado também no Plano das Nações Unidas sobre a Segurança dos Jornalistas e a Questão da Impunidade. “Queremos seguir as normativas internacionais das Nações Unidas, e queremos também exportar nossa experiência”, acrescentou Maria do Rosário.

O relatório sublinha o perigo que se tornou a cobertura de protestos, com a ação policial repressiva e violenta contra jornalistas e manifestantes. Ressalta, entretanto, que os profissionais de mídia também são ameaçados, em menor escala, pelos que participam dos protestos e que os veículos de comunicação têm a responsabilidade de oferecer condições de segurança a seus funcionários.

O relatório do GT sugere o estabelecimento, em parceria com a ONU, de um Observatório da Violência contra Comunicadores com gestão de um Comitê Gestor biparti-te, composto por organizações da sociedade civil que atuem na área de combate à violência contra comunicadores, e setores do Estado considerados estratégicos para o tema.

A proposta do GT é que a instituição possibilite o tratamento das violações contra comunicadores no exercício profissional de forma plural, de acordo com seu nível de gravidade e necessidades específicas de encaminhamentos, sendo assim estruturada:

ü  Unidade de Recebimento de Casos – terá como atribuição o recebimento da denúncia, encaminhamento e acompanhamento dos desdobramentos;

ü  Sistema de Indicadores – uma plataforma web que permitirá que qualquer cidadão tenha acesso a um panorama constantemente atualizado sobre violência contra comunicadores no país;

ü  Mecanismo de Proteção aos Comunicadores – uma linha de atuação do Sistema Nacional de Proteção da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República que atue na esfera protetiva, levando em consideração as especificidades inerentes a prática profissional dos comunicadores.

O documento apresentado pelo GT faz uma série de recomendações a diversos Poderes constituídos e também às empresas de comunicação, dentre elas:

ü  A federalização da apuração de crimes contra jornalistas quando houver omissão ou ineficiência na apuração, ou suspeita de envolvimento de autoridades locais;

ü  O acionamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em caso de omissão ou ineficiência no processamento e julgamento, ou suspeita de envolvimento de membros do Poder Judiciário;

ü  Que o Ministério da Justiça elabore estudo sobre equipamentos de segurança e ofereça treinamento aos profissionais da comunicação, em parceria com as empresas e profissionais independentes ou autônomos; padronize protocolo de atuação das forças de segurança pública com aplicação do princípio da não violência;

ü  Que o Ministério das Comunicações implemente medidas de garantia do exercício dos sistemas público/comunitário nas localidades cobertas/servidas por esse serviço;

ü  Que o Congresso Nacional aprimore sistema de federalização da investigação de crimes contra a liberdade de expressão e o Incidente de Deslocamento de Competência para os processos judiciais relativos aos crimes contra direitos humanos, ampliando as autoridades que podem requerer a aplicação de tal dispositivo; além de chegar a um consenso sobre direito de resposta;

ü  Que o CNJ firme colaboração com o Observatório para acionamento do “justiça plena”;

ü  Que o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana estabeleça parceria a UNESCO para produção de relatório nacional dos “Indicadores de Segurança dos Jornalistas”;

ü  Que os veículos desenvolvam mecanismos de proteção destinados às suas equipes na realização de sua atividade profissional, podendo buscar apoio do Estado, assim como estratégias próprias para melhor identificação e afastamento do risco à integridade física de seus profissionais

Violência contra os jornalista brasileiros

 Por: UNIC – Rio de Janeiro

 Representação no Brasil do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime afirma que manifestações devem ser “atos cívicos que não comprometam a segurança pública” e espera que “o diálogo e o respeito aos direitos humanos prevaleçam.

Repórteres cinematográficos e fotográficos homenageiam colega Santiago Andrade, morto durante manifestação no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repórteres cinematográficos e fotográficos homenageiam colega Santiago Andrade, morto durante manifestação no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Escalada da violência em protestos é preocupante, diz representante do UNODC no Brasil

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) observa com preocupação a escalada na violência registrada nas últimas manifestações públicas ocorridas no Brasil. Segundo Rafael Franzini, representante do Escritório de Ligação e Parceria do UNODC no Brasil, são particularmente inquietantes as diferentes alegações de violência durante os protestos, que têm chegado à atenção dos mecanismos de proteção aos direitos humanos da ONU e que têm sido veiculadas na imprensa.

Desde junho de 2013 observou-se um aumento no número de manifestações com violência no país. A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, já pediu a todas as partes envolvidas que se comprometessem a prevenir o uso de força excessiva.

Diante do uso da violência por manifestantes e das alegações de uso excessivo de força por autoridades policiais, Franzini reitera o apelo da Alta Comissária: “Tanto o direito à integridade física de terceiros como os de liberdade de expressão e manifestação pacífica devem ser respeitados”, afirma.

O representante do UNODC no Brasil espera que o cumprimento da lei seja regido com base no Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, aprovado pela Assembleia Geral da ONU pela resolução 34/169, e em consonância com os principais instrumentos de direitos humanos adotados pelos Estados-membros. Em particular, também é necessário proteger públicos vulneráveis e resguardar o direito à informação com a proteção de jornalistas, como descrito na resolução nº 6/2013 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Seguindo o comentário de Pillay, bem como aquele feito ontem [terça-feira, dia 11] pelo representante regional para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Franzini considera que as manifestações devem ser atos cívicos que não comprometam a segurança pública. Ele também faz um apelo aos manifestantes para que não recorram à violência, lembrando que o diálogo e a manifestação pacífica são essenciais. Por último, Franzini espera que o diálogo e o respeito aos direitos humanos prevaleçam

Colóquio sobre proteção de profissionais de mídia

Por UNIC- Rio de Janeiro/Brasil

Na terça-feira, dia 15 de outubro, a partir das 15h na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), acontece o Colóquio sobre medidas nacionais e internacionais para a proteção de profissionais de comunicação.

O evento tem como objetivo discutir a segurança desses profissionais e a luta contra a impunidade quando eles sofrem algum tipo de violência, e contará com a presença, entre outros, da ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, e do relator especial das Nações Unidas sobre liberdade de expressão, Frank La Rue.

Considerando que os profissionais da comunicação são atores-chave para as democracias e que a violência contra eles e a impunidade relacionada a esses crimes fragilizam a democracia e geram impactos negativos nos processos de desenvolvimento, a ONU aprovou em 12 de abril de 2012 um Plano de Ação sobre a Segurança dos Jornalistas e a Questão da Impunidade.

Este plano de ação e sua estratégia de implementação nasceram a partir de uma proposta da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e foram elaborados em colaboração com os diversos atores do Sistema das Nações Unidas, governos, profissionais da comunicação, empresários do setor midiático, organizações não governamentais e especialistas no tema. Eles apresentam metas e resultados concretos esperados e sugerem a elaboração de planos nacionais de ação e estratégias locais de implementação.

No Brasil, em 18 de outubro de 2012, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana adotou a resolução número 7, a qual cria o Grupo de Trabalho sobre Direitos Humanos dos Profissionais de Comunicação no Brasil. O grupo, com uma composição plural, tem por objetivo analisar o cenário atual sobre o tema e propor ações que possam atuar na prevenção da violência contra esses profissionais e também na luta contra a impunidade. O Plano das Nações Unidas já foi apresentado ao GT e será debatido por seus integrantes.

O Colóquio sobre medidas nacionais e internacionais para a proteção de profissionais de comunicação, organizado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a UNESCO, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), com o apoio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) e da PUC-RJ, discutirá este e outros temas de interesse dos profissionais da comunicação.

PROGRAMA

Abertura: Maria do Rosário, ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; Lucien André Muñoz, representante da UNESCO no Brasil; Giancarlo Summa, diretor do UNIC Rio; Padre Josafá Siqueira S.J., reitor da PUC-RJ; e Marcelo Moreira, presidente da ABRAJI.

Desafios e Oportunidades Internacionais e Nacionais na Segurança dos Profissionais de Comunicação e na Luta contra Impunidade: Tarciso dal Maso Jardim, presidente do Grupo de Trabalho sobre Direitos Humanos dos Profissionais da Comunicação no Brasil; Frank La Rue, relator especial das Nações Unidas sobre liberdade de expressão; e Guilherme Canela, assessor regional de Comunicação e Informação da UNESCO para o Mercosul e Chile.

Debate: indicadores de segurança de jornalistas, medidas preventivas e fim da impunidade.

 

 

Necessidade de Comunicação e Informação de qualidade em Saúde

Fotos e textos de Ana Marina Martins de Lima

Aconteceu em São Paulo a II Conferência Internacional em Epidemiologia que teve como tema: “Vigilância Epidemiológica” das ações à pesquisa buscando evidências; os pontos críticos e evidentes na maioria da fala dos palestrantes e profissionais de saúde foram à necessidade de uma estrutura educacional para formação de futuros epidemiologistas; as falhas no setor comunicação seja ela interna ou externa em relação ao relato de acontecimento e a influência da má comunicação em medidas de tomada de decisão por parte dos governos.

Outro ponto importante é a necessidade de elaboração de indicadores que possibilitem uma comunicação e melhor atuação na Vigilância de eventos relacionados ao meio ambiente.

Mesa Redonda: ” Novos Modelos de Vigilância e Desafios às Doenças Emergentes Globais. Mona Askar, Elaine Nsoesie, Eliseu Alves Waldman e Marcos Boulos.

Elanie Nsoise  da Harvard Medical Shool teve como foco em sua palestra algumas das ferramentas digitais utilizadas na Vigilância Epidemiológica, segundo ela através destas ferramentas é possível monitorar o comportamento de uma população, quando fala-se muito em uma doença na internet por exemplo é muito provável que o número de casos de tal doença tenham aumentado.

Dentre as ferramentas foram citados: o GeoSentinel  onde é monitorada a morbidade relacionada a viagens e é possível uma interação direta com “diretores” de saúde; o Distribuit ISDS minimiza as barreiras de participação e promove uma flexibilização dos sistemas locais.

O Heltmap e Epispider são utilizados para biovigilância já o Biocaster fornece informações sobre o tipo de doença, tipo de surto e desastres naturais.

De acordo com Elaine houve um caso no qual a tecnologia móvel como o Frontine SMS reduziu 53,8 % de mortes por malária no Camboja, sendo utilizado para relatos sobre surtos de doenças em locais rurais onde as informações foram originadas da população.

No Google Flu trends por meio de palavras chaves é possível obter informações sobre relatos de casos relacionados à influenza.

Questionei a Elaine qual seria melhor forma para que os profissionais de saúde conseguissem informações sobre as doenças por meio de pessoas leigas e ela respondeu que a educação é o melhor caminho.

Claudia Malinverni da Faculdade de Saúde Pública da USP palestrou sobre sua monografia que teve como tema: “Epidemia Midiática: Produção de Sentido e Riscos na Cobertura Jornalística de uma doença” segundo ela após analisar 118 matérias veiculadas pelo Jornal Folha de São Paulo no período de 21 de dezembro de 2007 a 29 de fevereiro de 2008 e 40 boletins emitidos pela Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde; este seria o responsável por mortes ocasionadas pela vacinação de malária um trabalho similar foi realizado por Maria Ligia Rangel-S. Doutora em Saúde Pública, Professora Adjunta da ISC/UFBA e profissional do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA cujo tema foi: “Epidemia e mídia: sentidos construídos em narrativas jornalísticas” publicado em 2003.

Segundo Carlos Magno Professor da Faculdade de Medicina de Bauru ocorreram quarenta novas doenças na última geração, uma de suas preocupações é que as mudanças climáticas possam ter um impacto ainda maior sobre o “surgimento de novas doenças” ele afirmou que procedimentos burocráticos não limitam a existência de doenças provenientes de outros países sendo assim qualquer doença pode ser objeto de compartilhamento de informações internacionais e as medidas devem ser adaptadas à situação de forma a ampliar a resposta para notificações passivas.

“O ponto focal nacional deve ser áreas técnicas especializadas para comunicação com a OMS, sendo também importante a organização da informação e a organização de resposta laboratorial”.

Ainda segundo Carlos uma vez que profissionais de saúde podem ser a causa ou a vítima de doenças no ambiente de trabalho “os hospitais são fontes privilegiadas de informações”, como confirmado posteriormente pela fala de Marcos Boulos da Coordenadoria de Controle de Controle de Doenças, Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo há indícios de que a H1N1 tenha ocorrido muito antes do relatado em publicações, muitos profissionais de saúde foram acometidos por influenza.

Vanderlei França – Assessoria de Comunicação, Secretaria de Saúde do estado de São Paulo.

Vanderlei França da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo palestrou sobre a cobertura jornalística de saúde e a mobilização da imprensa realizada pela Secretaria de Estado para o Combate ao Álcool na Infância e Adolescência; segundo ele: “Nós devemos dar informações de qualidade para que nossos colegas jornalistas cometam menos erros”.

Durante o evento foi lançado pela Secretaria de Saúde de São Paulo o Guia de Vigilância Epidemiológica que visa à orientação para profissionais da área, a obra teve como base as nas normas, legislações e informações científicas para ações de Vigilância Epidemiológica.

 

4º MediaOn – Seminário Internacional de Jornalismo Online

4º MediaOn – Seminário Internacional de Jornalismo Online : O novos caminhos do jornalismo: o que a audiência quer consumir e como?

Data: de 9 a 11 de Novembro Local: Itaú Cultural – Av. Paulista, 149 – São Paulo/SP O jornalismo online volta a ser tema de encontro internacional realizado pelo Itaú Cultural e Terra, com apoio da CNN e da BBC Brasil.

Nesta 4º edição, o MediaOn debate os novos caminhos do jornalismo com profissionais das principais mídias eletrônicas e impressas e especialistas do exterior, e procura responder o que a audiência quer consumir e de que modo. Como gigantes da mídia mantém o espírito de inovação em suas redações tradicionalmente originárias da velha mídia? Como as interfaces dos “gadgets” afetam a produção e o consumo de notícias? Essas e outras questões serão debatidas durante o 4º Media On, de 9 a 11 de novembro, no Itaú Cultural. Serão oito painéis que reúnem profissionais brasileiros e internacionais para compartilhar suas experiências com as novas mídias. De Susan Grant, vice-presidente executiva da CNN News Services e Aron Pilhofer, editor de interatividade do New York Times aos coordenadores de campanha na internet dos presidenciáveis, Dilma e Serra. O evento também será transmitido em tempo real no site www.mediaon.com.br.

Programação 1º DIA – terça, 9 novembro Abertura / “Super Session” [evento fechado]

2º DIA – quarta, 10 novembro [todos os painéis são abertos ao público] Painel 1 – quarta, 10 9h30 às 11h Computadores tablet, e-readers e smartphones: Como inovar e produzir conteúdo no mundo digital. – Mediador: Andre Deak, jornalista multimídia – Debatedor: Alberto Cairo, diretor de infografia e multimídia na revista Época e Pablo Mancini, Jornalista, gerente de Serviços Digitais do Grupo Clarín, Professor do Master de jornalismo Digital da Universidade Mayor do Chile e autor do blog amphibia.com.br

 Painel 2 – quarta, 10 11h30 às 13h Eleições 2010 e a internet – Um balanço dos resultados Coordenadores de Internet dos principais candidatos à presidência mostram resultados e discutem a primeira eleição brasileira sob o efeito intenso das redes sociais. Mediador: Heródoto Barbeiro – jornalista da CBN/ TV Cultura de São Paulo Debatedores: Marcelo Branco, Dilma Roussef (PT); Caio Túlio Costa, Marina Silva (PV) e Soninha, José Serra (PSDB)

Painel 3 – quarta, 10 15h30 às 17h Anunciantes valorizam conteúdo ou audiência? Gigantes da Mídia, conteúdos amadores, profissionais e redes sociais: quem ganha e quem perde no jogo da publicidade. Mediador: Paulo Castro, Diretor Geral do Terra Brasil Debatedores: João Batista Ciaco, diretor de Publicidade e MKT de Relacionamento da Fiat; Carlos Werner, Sansung; Abel Reis, presidente da AgênciaClick e Sérgio Valente, Presidente da DM9

 Painel 4 – quarta, 10 17h30 às 19h Quem pauta quem e quem consome o quê? – mídias sociais x sites de jornalismo: a caça do furo e do leitor Mediador: Silvia Bassi, IDG Brasil, Publisher Debatedores: Matthew Eltringham, um dos principais especialistas de mídias sociais da BBC; Julian Gallo, Jornalista argentino especializado em temas tecnológicos e consultor de meios interativos, editor do blog Mira! 3º Dia – quinta, 11 novembro [todos os painéis são abertos ao público]

Painel 5 – quinta, 11 9h30 às 11h O humor e o jornalismo digital Mediador: Benjamin Back, apresentados do Estádio 97 e blogueiro do Lance Debatedores: Maurício Ricardo, Charges.com.br ; Antonio Pedro Tabet, Kibe Loco

Painel 6 –- quinta, 11 11h30 às 13h Redações integradas: a convergência em números e qualidade Executivos de grandes meios de comunicação brasileiros mostram como foi feita a convergência com o mundo digital em suas redações e discutem resultados e o futuro. Mediador: Leão Serva, diretor de redação, Diário de São Paulo. Debatedores: Sergio Dávila, editor-executivo, Folha de São Paulo e Ricardo Gandour, Diretor de conteúdo, Grupo Estado.

 Painel 7 – quinta, 11 15h30 às 17h O novo consumidor de informação – Usuários mostram em tempo real como se relacionam no mundo digital O fenômeno das redes sociais no Brasil e no mundo: que tipo de informação nossos jovens consomem e como eles chegam até ela. Mediador: Renata Simões – Jornalista, foi repórter do Vídeo Show (Globo) e apresentadora do programa Urbanos (Multishow). Hoje apresenta o programa “Creators Project” na Fashion TV. Debatedores: Juliana Sawaia (IE) – Gerente de Inteligência de Mercado no IBOPE MÍDIA. Os demais debatedores desta mesa são jovens consumidores da internet: Alyne Spioni Jovita (22 anos, estuda Administração de Empresas na Faculdade Sumaré e trabalja como auxiliar) e Felipe Sant´ana (22 anos, não estuda. É analista de RH).

Painel 8 – quinta 11 17h30 às 19h Estrelas de vídeos web: sucesso relâmpago ou os novos comunicadores? Como produzir conteúdo em vídeo na Internet, conquistar audiência e virar um meio de comunicação e um negócio. – Mediador: Marcelo Tas, apresentador do programa CQC – Debatedores: Joe Penna – Mystery Guitar Man – o homem misterioso do violão (vídeo call), paulista de 22 anos, há dez mora nos EUA. Ele largou a faculdade de medicina para se dedicar a fazer vídeos para a internet; PC Siqueira, videologger “Mas Poxa Vida” – MTV e Pablo Peixoto – “Um dia de Fúria” Painel”

Você é virtual?

Ana Marina Martins de Lima

Quando iniciei o trabalho em comunicação com este site um dos objetivos era fornecer conhecimento sobre Gestão Ambiental para pessoas que não tinham acesso a este tipo de informação. Com uma linguagem simples e “fugindo” da técnica foram compostos vários artigos com temáticas importantes como, por exemplo, a saúde e a relação desta com o meio ambiente no caso das consequências da poluição do ar para a saúde do homem que normalmente vemos são estudos relacionados ao meio ambiente excluindo-se o homem deste. Foram divulgados centenas de eventos e com eles vieram os convites para participação e destes surgiram artigos temáticos como por exemplo: a relação da educação com a Cultura de Paz. A felicidade deste trabalho se concretizou quando vejo inúmeros jovens e empresas inspiradas no Ambiente realizarem trabalhos semelhantes.  Outro objetivo foi levar as grandes mídias às temáticas relacionadas ao Meio Ambiente e a necessidade de informações coerentes e melhores trabalhadas, hoje nossos melhores jornais colocaram em pauta estas questões e alguns de nossos artigos foram utilizados como tema em várias reportagens da TV. Este PEQUENO meio de informação hoje utilizado por outros países como referencia, além de ser uma base para discussão em cursos de Jornalismo e Direito. Neste momento o que me assusta é o fato de pessoas colocarem suas opiniões e criarem ainda mais espaços sobre estas questões, espaços que muitas vezes não são visualizados, cada um procurando não informar, mas aparecer e se tornar mais um. Não precisamos de pessoas virtuais precisamos de cidadãos e cidadãs que façam a diferença no mundo real.

 

A história de Lúcio Flávio Pinto, jornalista condenado por fazer jornalismo

Por Jorge Henrrique Bastos

Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal, empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares. Há 17 anos, os representantes da família Marinho no Pará (O Liberal) perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, um dos donos do Grupo Liberal já emboscou Lúcio por trás, num restaurante, e espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar. Agora, um juiz do Pará condenou Lúcio Flávio a pagar 30 mil reais aos irmãos Maiorana. O artigo é de Idelber Avelar. Continuar lendo “A história de Lúcio Flávio Pinto, jornalista condenado por fazer jornalismo”

Minc cede a pressões de Petrobras e Anfavea e negocia nova proposta para diesel

Por: Ana Marina Martins de Lima

Nós aderimos ao abaixo  assinado do movimento Nossa São Paulo, nós não podemos ficar calados diante de mais uma atitude que poderá prejudicar a todos, não adianta planejarmos uma Política Nacional Para Mudanças Climáticas sem termos metas coerentes que beneficiem a um ambiente sustentável para a VIDA Humana, nós seres Racionais somos responsáveis pela vida em nosso planeta , devemos agir neste momento de forma Racional. Beneficiar a economia de uma grande empresa como a Petrobras em troca de nossa saúde de fato não é a ATITUDE mais coerente, a empresa  possui um grande poder econômico nestes últimos dois meses trabalhou a sua Publicidade em Blogs, Jornais e Revistas (uma parte da Revista Istoé foi “reservada” para informe publicitário da Petrobras) informando-nos que é uma EMPRESA SUSTENTÁVEL, vejo que está empresa pode desenvolver em curto prazo um tecnologia para um DIESEL LIMPO, vamos contribuir, vamos protestar nós consumidores temos a capacidade de mudar os nossos hábitos, aos nossos empresários pedimos procurem utilizar um combustível menos poluente, nós brasileiros não somos diferentes dos outros , queremos viver um pouco mais. Aos jornalista e “blogleiros”, sugestão para “primeira página” , meios de comunicação temos que fazer o nosso papel.

Minc cede a pressões de Petrobras e Anfavea e negocia nova proposta para diesel

Leia as Informações da Rede Nossa São Paulo:

 A implantação do diesel com dez vezes menos enxofre do que o atual, prevista em resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para janeiro de 2009, pode não entrar em vigor devido às pressões que a Petrobras e Anfavea vêm fazendo sobre o Ministério do Meio Ambiente e Ministério Público Federal. Em reunião a ser realizada no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) no próximo dia 10, será negociado novo cronograma para a distribuição do diesel com 50 partículas por milhão de enxofre (ppmS), o chamado diesel S-50. Conforme a resolução 315, publicada em 2002, em janeiro de 2009 o diesel comercializado no País deve ter quantidade máxima de 50 ppmS. Atualmente a composição do diesel no Brasil tem 500 ppm S nas regiões metropolitanas e 2000 ppm S no interio

Pela nova proposta que o ministro do Meio Ambiente e presidente do Conama, Carlos Minc, vai apresentar, apenas os ônibus urbanos das regiões de 15 regiões metropolitanas do País receberiam o S-50. Nas cidades do interior a concentração baixaria de 2.000 ppmS para 1.800 ppm, 36 vezes mais do que o previsto na resolução de 2002. A proposta prevê a implantação do S-50 somente em 2010, mas apenas para as mesmas áreas metropolitanas e rodovias que interligam essas regiões. E, para compensar o atraso na implantação do diesel menos poluente, há a idéia de distribuir o combustível com concentração de padrão europeu, de 10 ppmS, em 2012, mas ainda restrito àquelas 15 áreas metropolitanas.

As propostas são um retrocesso em relação à resolução anterior do Conama, devido à pressão sofrida por parte da Petrobras, montadoras e distribuidoras de combustíveis, mas são ainda mais avançadas do que as medidas que as empresas tentam negociar. As empresas propõem implantar o S-50 em janeiro de 2009 apenas nos ônibus das regiões metropolitanas de São Paulo e Rio, e ampliar para mais quatro áreas metropolitanas até 2011. Quanto ao interior, as empresas propõem baixar a concentração para S500 em 50% das cidades até 2011.

Os veículos a diesel representam 10% da frota nacional, mas são responsáveis por 45% da emissão de poluentes. Somente em São Paulo morrem 3 mil pessoas por ano em decorrência da poluição causada pelo diesel, de acordo com estudos do professor de medicina da USP, Paulo Saldiva.

Segundo Oded Grajew, o Movimento Nossa São Paulo e as outras organizações que lutam pela distribuição do diesel mais limpo vão continuar se mobilizando pela implantação do S-50 no ano que vem, como prevê a resolução de 2002 do Conama. É essa posição que as entidades vão defender na próxima reunião do órgão, dia 10, e em ato a ser realizado no Dia Mundial Sem Carro, em 22 de setembro. Também continua a mobilização para ampliar o número de adesões ao abaixo-assinado que tem o mesmo objetivo.