Encalhe de Mamíferos Marinhos no Brasil: Ciência e Conservação em eventos extremos

Monitorando a recuperação das Baleias-Jubarte no Atlântico Sul

Ciclo de conversas virtuais sobre a Antártida

MIÉRCOLES 17 de JUNIO, Charla: Océanos antiguos: cómo modelan el planeta

Inscríbete aquí: https://t.co/yDfW1eda7d

Esta charla es parte del ciclo “Bajo Cero. Charlas virtuales sobre la Antártica” https://t.co/w8cdKtUVod

A década dos oceanos

Investimentos em Biodiversidade Marinha

ONU Meio Ambiente promove curso online em português sobre lixo marinho

Por: ONU

A ONU Meio Ambiente, em cooperação com a Universidade Aberta da Holanda, começa em 29 de abril a terceira edição de um curso online e gratuito sobre lixo marinho. A formação gratuita foi criada para estimular lideranças e oferecer oportunidades de aprendizagem que promovam ações em prol da saúde dos oceanos.

A poluição marinha é um problema que afeta todos os oceanos. O lixo é uma questão ambiental, humana, socioeconômica e de saúde, reflexo de uma sociedade com altos índices de desperdício. Com o crescimento mundial do volume de resíduos sólidos descartados todos os dias e devido às baixas taxas de degradação, o montante de lixo presente nos mares só aumenta.

Foto: Susan White/ USFWS

O Curso Online Aberto e Massivo (Massive Open Online Course – MOOC) sobre Lixo Marinho busca inspirar atitudes e liderança na agenda de combate à poluição marinha, estimulando a interação dos alunos com atores-chave.

A formação traz uma aprendizagem orientada para ações, explicando aos participantes como é possível realizar atividades bem-sucedidas em seu próprio contexto, independentemente da sua profissão ou região. O curso apresentará diferentes ferramentas para combater a poluição marinha, como a Estratégia de Honolulu.

Este é o primeiro curso ao estilo MOOC focado em lixo no mar, com estudos de casos e boas práticas do mundo todo. A capacitação terá um corpo docente especializado. A iniciativa é voltada tanto para profissionais e gestores quanto para estudantes e interessados.

O treinamento está dividido em duas “trilhas”. A “Trilha da Liderança” oferece dez horas de conteúdo introdutório à temática, com estratégias para prevenir e reduzir a poluição marinha – é indicada para iniciantes e pessoas que queiram integrar a temática ao seu campo de atuação ou fortalecer sua liderança. Para quem quiser aprofundar conhecimentos, a “Trilha da Expertise” oferece 30 horas adicionais – em inglês ou espanhol – e exige um relatório final para a conclusão do curso.

Uma iniciativa da Global Partnership for Marine Litter (GPML, Parceria Global para o Lixo no Mar), o curso será disseminado por meio da Aliança para Juventude e Educação (YEA!) e da Parceria Global de Universidades para o Meio Ambiente e a Sustentabilidade (GUPES), que engloba atualmente 800 universidades de todo o mundo – 16 no Brasil. A capacitação conta com palestras, estudos de caso e vídeos, além de materiais adicionais de estudo. As palestras estarão disponíveis em vídeo e em documentos online, dentro de uma plataforma virtual interativa.

Como se inscrever:

As inscrições estão abertas e as aulas terão início no dia 29. O link para inscrição — http://www.bit.ly/MOOC2019_Português — abre uma página da Universidade Aberta, que apresenta o MOOC em inglês, mas fornece as informações básicas em português. O interessado deverá clicar no botão azul em que se lê “MATRICULAR EM MLMOOCPT18” e será direcionado a um formulário (em português) para criar uma conta na Universidade Aberta. Após o recebimento da confirmação da conta por e-mail, o interessado retorna ao site da Universidade Aberta, faz seu login e, então, inscreve-se no MOOC Lixo Marinho clicando no botão indicado.

Em caso de dificuldade, entrem em contato com a ONU Meio Ambiente por meio do endereço eletrônico: mareslimpos@gmail.com.

Mateus Solano é o novo defensor da campanha Mares Limpos da ONU Meio Ambiente

Por: ONUBr

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Foto: Sérgio Baia

O ator Mateus Solano é o mais novo Defensor da Mares Limpos, campanha de defesa dos oceanos da ONU Meio Ambiente.

Mateus é ambientalista e criou o grupo Mudar para Preservar, que promove ações de limpeza de praia e conta com a participação de artistas e ativistas engajados na questão socioambiental.

Amanhã será realizada uma coletiva de imprensa chamada pela Família Schurmann para anunciar a Conexão Schurmann #Mares Limpos, durante as comemorações dos 30 anos da Regata Recife-Noronha (REFENO).

“Que grande honra ser Defensor Mares Limpos! Espero poder contribuir para a luta pelo respeito aos oceanos, berçário de toda a vida”, disse Mateus Solano sobre o convite realizado pela ONU Meio Ambiente. Consagrado como um dos maiores atores brasileiros por vários trabalhos na TV, teatro e cinema, Mateus é brasiliense, mas vive no Rio de Janeiro, onde se depara com o lixo nas praias com frequência. Casado e pai de dois filhos, leva a família para participar de ações de limpeza em praias, lagos e rios, reforçando a importância da ação individual para mudar o triste cenário da poluição plástica.

Conectado com a questão ambiental, o Defensor Mateus Solano usa suas redes sociais para compartilhar informações e experiências sobre como reduzir nossa pegada ecológica. O grupo Mudar para Preservar, do qual fazem parte a também Defensora  Mares Limpos Fe Cortez e o ator Sergio Marone, organiza ações e apoia iniciativas que ajudam a disseminar o consumo consciente e o cuidado com a natureza. Em 2018, Mateus inaugurou a loja Muda, no Rio, onde vende produtos sustentáveis, como roupas, acessórios e brinquedos.

Mateus une-se a um grupo extraordinário de personalidades que defendem os mares da poluição plástica. Ele será o quarto Defensor Mares Limpos, ao lado de Fe Cortez, Martine Grael e Kahena Kunze, e da Família Schurmann. O novo Defensor foi convidado pelos Schurmann, velejadores mundialmente reconhecidos, a participar da programação especial da Conexão Schurmann #MaresLimpos, inserida na regata Recife a Fernando de Noronha, a REFENO. Entre 29 de setembro e 4 de outubro, o veleiro Kat terá, além da Família, uma tripulação de personalidades que inclui Felipe Solari, Foquinha, Jefferson Schroeder e Marina Person.

A participação do Kat na REFENO tem o objetivo de lembrar aos velejadores e à audiência da regata a importância do oceano e de reduzirmos o volume de plástico que chega até lá. “Em nossas viagens pelos oceanos, temos testemunhado um aumento exponencial do lixo plástico, tanto em alto mar quanto nas praias mais isoladas que visitamos. Cabe a cada um de nós atuar ativamente para mudar esse triste cenário. E é por isso que estamos fazendo do nosso veleiro Kat uma plataforma para debate e divulgação desse tema, levando esse conhecimento às pessoas para que passem a agir diferente em seu dia a dia”, diz o capitão Vilfredo Schurmann. A viagem dos Schurmann e seus convidados até Noronha será compartilhada nas redes sociais dos Defensores, com milhares de seguidores, e dos convidados a bordo.

A convite da Família Schurmann, a gerente de campanhas da ONU Meio Ambiente, Fernanda Daltro, realizará uma palestra para os comandantes e demais envolvidos na REFENO  no Cabanga Iate Clube de Pernambuco, ao lado de Vilfredo Schurmann. “Por estarem sempre em contato com os mares, os velejadores assistem ao aumento da poluição plástica em primeira mão. É muito importante essa troca de informações entre os dados estatísticos levantados por organizações como a nossa e o testemunho pessoal de quem está observando diretamente o impacto das atividades humanas no ecossistema marinho”, coloca Fernanda.

Sobre a ONU Meio Ambiente

A ONU Meio Ambiente é a principal voz global sobre o meio ambiente. Oferece liderança e incentiva a parceria em cuidar do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras. A ONU Meio Ambiente trabalha com os governos, o setor privado, a sociedade civil e com outras entidades das Nações Unidas e organizações internacionais em todo o mundo.

Sobre a campanha Clean Seas (Mares Limpos, no Brasil)

Lançada em 2017, a campanha #CleanSeas, da ONU Meio Ambiente, exorta os governos a aprovarem políticas de redução de plástico, a indústria a minimizar as embalagens plásticas e redesenhar produtos e convida os consumidores a mudarem seus hábitos de descarte antes que danos irreversíveis aconteçam aos nossos mares. No Brasil, a campanha chama-se #MaresLimpos e adapta os esforços globais ao contexto brasileiro, apoiando a elaboração do Plano de Ação Nacional para Combate ao Lixo no Mar.

Para mais informações sobre a campanha da ONU Meio Ambiente Mares Limpos, visite: http://www.cleanseas.org/

 

Águas-vivas e Caravelas – Como agir em caso de acidente  

Por Marcelo Szpilman – Instituto Aqualung

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Foto: NOAA / OER. – Departamento de Comércio dos EUA, Administração Nacional Oceânica e Atmosférica

Águas-vivas e caravelas vagam pelos mares ao sabor das correntes e ocasionalmente podem provocar acidentes quando banhistas se aproximam e, inadvertidamente, chocam-se contra os tentáculos desses seres. No verão, época natural de reprodução de muitas espécies, formam-se grandes agregações onde machos e fêmeas se encontram. Ocasionalmente, uma corrente marinha pode levar esses animais a se aproximarem das praias e a maior interação com homem costuma provocar um correspondente aumento no número de acidentes.

Como estamos em pleno verão, seguem seis recomendações básicas e úteis sobre como agir em caso de acidente. Recomendo, no entanto, que você leia o texto, que segue logo após, com interessantes informações sobre esses animais e recomendações mais completas de tratamento:

1 – Saia da água e lave o local atingido com água SALGADA. Jamais use água doce.

2 – Não tente remover os tentáculos aderidos esfregando areia ou toalha.

3 – Banhe a região com vinagre por cerca de 10 minutos.

4 – Remova os restos de tentáculos aderidos com uma pinça.

5 – Lave mais uma vez com água do mar e reaplique o vinagre por mais 30 minutos.

6 – Dores e reações inflamatórias reagem bem aos analgésicos e corticoides, respectivamente.

Mecanismo Inoculador de Peçonha

Águas-vivas e caravelas são animais peçonhentos de corpo gelatinoso que utilizam os tentáculos orais para caçar suas presas habituais de larvas a adultos de crustáceos e peixes. Esses tentáculos possuem milhões de células denominadas nematocistos, contendo um fio tubular enrolado, que é projetado para fora, e um líquido peçonhento que pode, em função da espécie, provocar grande irritação, intensa sensação de queimadura e paralisia do sistema nervoso central. De quatro tipos, apenas dois deles são capazes de provocar lesões no homem.

O tipo penetrante dispara com incrível força de aceleração um microaguilhão que perfura a pele e inocula a peçonha. O tipo envolvente se enrola nos pelos da pele e, ao esfregarmos ou coçarmos, devido à ação da peçonha já inoculada pelo nematocisto penetrante, estouramos uma pequena bolsa e inoculamos ainda mais peçonha.

O sistema de descarga dos nematocistos é ativado através de reações involuntárias do animal, como os estímulos físicos (pressão ou esfregação) ou químicos (osmose provocada pela água doce). Por isso, as águas-vivas e caravelas são perigosas mesmo depois de mortas.

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Foto: Fred Hsu

Primeiros Socorros

Há muita controvérsia, especulações e opiniões conflitantes com relação aos procedimentos nos primeiros socorros e no tratamento das lesões provocadas pelas águas-vivas e caravelas.  Ainda assim, deve-se atentar para os seguintes aspectos progressivos a serem considerados:

1. O contato inicial com os tentáculos resulta primeiramente em uma modesta inoculação pelos nematocistos.

2. Quanto mais tempo o tentáculo permanecer em contato com a pele, mais nematocistos poderão ser descarregados, já que as descargas são contínuas.

3. Uma substancial quantidade de pedaços de tentáculo é arrancada do animal e gruda na vítima quando a mesma entra em pânico e se debate próximo ao animal.

4. Os esforços subsequentes da vítima, ainda dentro da água, para desvencilhar-se dos pedaços de tentáculo aderidos, costumam resultar em um considerável aumento nas descargas dos nematocistos.

Trata-se de uma situação realmente difícil, onde a questão “deve-se ou não tentar remover os tentáculos ainda dentro da água?” é levantada com frequência. No entanto, observações e estudos dos acidentes têm resultado em recomendações com maiores possibilidades de sucesso. Assim, ao perceber a sensação de queimadura, a vítima deve esforçar-se ao máximo para manter-se calma e conseguir sair da água o mais rápido possível, devido ao risco de choque e afogamento, sem, porém, tentar remover com as próprias mãos os tentáculos aderidos. Somente após chegar a terra firme é que haverá a necessidade da remoção cuidadosa dos tentáculos aderidos à pele, sem esfregar a região atingida, o que só pioraria a situação.

Com relação às substâncias efetivas e capazes de desativar as descargas dos nematocistos e/ou diminuir a ação da peçonha, há muitas opiniões conflitantes. Enquanto existem umas poucas com comprovada eficácia, algumas são totalmente inócuas e outras podem até mesmo aumentar a inoculação.

Soluções alcoólicas metiladas como perfumes, loções pós-barba ou mesmo bebidas alcoólicas não devem ser utilizadas, pois em alguns casos podem induzir mais descargas e/ou prolongar a agonia da vítima. Em contrapartida, o hidróxido de amônia diluído a 20%, o bicarbonato de sódio diluído a 50% e o soro do mamão papaia (antiga técnica usada pelos nativos havaianos) têm sido usados com variado grau de sucesso para reduzir a ação da peçonha e desativar os nematocistos dos tentáculos que ainda permanecem grudados no local lesionado. Existem relatos não científicos de que a urina também teria efeito sobre a peçonha. Como não há comprovação médica, seu uso é desaconselhável.

Apesar de ser efetivo para a desativação das descargas posteriores dos nematocistos de apenas algumas espécies, o vinagre (ácido acético de 4 a 6%) é largamente utilizado como inativador dos nematocistos, mas não tem qualquer ação sobre a dor (que costuma diminuir passados 20 a 30 minutos do acidente). O resfriamento do local da lesão, através da aplicação de bolsas de gelo logo após o acidente, pode reduzir sensivelmente a dor local.

Os primeiros socorros e o tratamento com comprovada segurança, e que devem ser seguidos, têm quatro objetivos principais:

1. Minimizar o número de descargas dos nematocistos na pele.

2. Diminuir os efeitos da peçonha inoculada.

3. Aliviar a dor.

4. Controlar sua repercussão sistêmica.

É importante observar e estar atento para a vítima que é resgatada da água com euforia e grande atividade física e que, de repente, torna-se calma e cooperativa. Esta mudança brusca de comportamento pode significar uma séria manifestação de disfunção do Sistema Nervoso Central (choque neurogênico) advinda do aumento nos níveis de intoxicação sistêmica. A necessidade de reanimação cardiopulmonar, nesses casos, pode ser iminente. A assistência ventilatória e outras medidas de suporte hemodinâmico utilizadas em terapia intensiva podem ser necessárias nos casos mais graves e complicados, que poderão também requerer o mesmo tratamento aplicado para as grandes queimaduras por fogo.

Tratamento

A rotina de tratamento para uma vítima de acidente com águas-vivas e caravelas deve seguir os seguintes passos:

1. A primeira medida é lavar abundantemente a região atingida com a própria água do mar para remover ao máximo os tentáculos aderidos à pele. Não utilize água doce, pois ela poderá estimular quimicamente (por osmose) os nematocistos que ainda não descarregaram sua peçonha.

2. Não tente, de modo algum, remover os tentáculos aderidos com técnicas abrasivas, como esfregar toalha, areia ou algas na região atingida.

3. Para prevenir novas inoculações __ ao desativar os nematocistos ainda íntegros e também neutralizar a ação da peçonha __, banhe a região com ácido acético a 5% (vinagre) por cerca de 10 minutos (as soluções de sulfato de alumínio ou amônia, ambas diluídas a 20%, são alternativas para a falta do vinagre). É importante lembrar que o vinagre não possui nenhuma ação benéfica sobre a dor já instalada pela inoculação inicial.

4. Remova suavemente os restos maiores dos tentáculos aderidos com a mão enluvada e com o auxílio de uma pinça. Para retirar os fragmentos menores e invisíveis tricotomize o local com um barbeador ou com uma lâmina afiada. Pode-se aplicar antes um pouco de espuma de barbear em spray, lembrando-se de não esfregar a região.

5. Lave mais uma vez o local com água do mar e reaplique novos banhos de ácido acético a 5% (vinagre) por 30 minutos.

6. Para remover os nematocistos remanescentes pode-se aplicar no local uma pasta de bicarbonato de sódio, talco simples e água do mar. Espere a pasta secar e a retire com o bordo de uma faca.

7. A dor é, em geral, controlada através do tratamento da dermatite. Ainda assim, pode-se utilizar analgésicos simples (Novalgina ou Tylenol) nos casos brandos e a morfina quando a dor é mais intensa. Os anti-histamínicos e corticoides orais ou tópicos são úteis para o tratamento das reações inflamatórias do tipo alérgica – consulte sempre um médico para orientação.

8. Havendo reação alérgica/inflamatória, aplique uma camada fina de loção do corticoide betametazona (Betnovat) duas a três vezes ao dia. Nos casos mais graves, utilize anti-histamínicos ou corticoides orais __ consulte sempre um médico para orientação.

9. Em caso de infecção secundária, será necessário o uso de antibióticos com amplo espectro, tópico (bacitracina ou neomicina) ou sistêmico (ampicilina + acido clavulânico), de acordo com a gravidade -consulte sempre um médico para orientação.