O Xadrez da Devastação
Por José Lutzwmbergue / Revista Manchete –Edição Especial da ECO 92
Autodenominando-se um ambientalista de briga. Prêmio Nobel alternativo em 1989, o engenheiro agrônomo José Lutzemberger, outrora crítico ferrenho das políticas ambientais dos governos passados, é hoje o secretário de Meio Ambiente do governo Collor. E, nessa condição não hesita em afirmar que o Brasil mudou, por isso, durante a Conferência Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento do próximo ano, nosso país não se sentará no Banco dos réus. Diz ele: “Estamos todos atentos á histórica importância deste encontro. Nunca antes os chefes de estado de quase todas as nações do mundo estiveram juntos para discutir uma meta comum. Como vamos rever o atual curso suicida das sociedades, industriais modernas? Como vamos alterar nossas predatórias formas de desenvolvimento em favor de outro modelo que possa ser sustentado, que recoloque as nossas espécies em harmonia com o resto da criação? Constantemente usamos a palavra desenvolvimento. Mas raramente definimos com exatidão o que queremos dizer. E, enquanto não a definimos, o desenvolvimento continuará a ser o que é hoje: fundamentalmente destrutivo e insustentável.”
A essa linha de raciocínio, o professor Lutzemberger, com mais de 20 anos de luta ambiental, acrescenta um alerta: “Temos de reverter nosso pensamento econômico, repensar os postulados básicos da sociedade. O dogma de um constante e sempre desenvolvimento está nos levando a um modelo devastador. Estamos demolindo florestas, montanhas e poluindo rios. Mas não é com tecnologia e com mais desenvolvimento que vamos resolver este problema.”
Preocupado especialmente em conseguir reverter a situação da floresta amazônica, com o fim da os devastação para projetos agropecuários e das queimadas e ainda comemorando a vitória obtida ao conseguir a assinatura do Presidente Collor para a demarcação do território ianomâmi, Lutzemberger sabe que ainda há muita luta pela frente. Mas não abre o jogo no que se refere ás estratégias com que pretende atacar todas as ameaças que ainda persistem: “Como num jogo de xadrez, não anuncio ao adversário minhas próximas jogadas. Existem forças poderosas que querem continuar com a devastação, porque estão ganhando muito dinheiro com ela. Acontece que, mais cedo ou mais tarde, vamos enfrentar esta máfia.”
Enquanto trata de atacar de frente as questões que nos atingem diretamente, o secretário mostra-se tranquilo em relação à Rio-92. Como ele mesmo afirma, “as atitudes de retaliação mútua já não interessam a ninguém. Nós precisamos agora – e essa é a função da Eco-92 – sentar junto e discutir o futuro do planeta”.
JACQUES COUSTEAU disse:“ Temos que salvar o Planeta” “ Se não combatemos todas as formas de danos que o homem causa a biosfera, a Terra se tornará inabitável. Temos 10 anos para salvar o planeta…a Rio-92 por si só , não resolverá os problemas do Planeta Terra.”
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