Para reduzir o desmatamento, WWF- Brasil formaliza parceria com Governo do Amazonas

Por Jorge Eduardo Dantas/ WWF

O WWF-Brasil e o Governo do Amazonas assinaram 8 de fevereiro um memorando de entendimento que vai subsidiar ações de combate ao desmatamento na região Sul daquele Estado. Em 2016, o Amazonas foi o estado amazônico que registrou o maior aumento no desflorestamento de seu território – a taxa foi de 1.099 quilômetros quadrados desmatados, um índice 54% maior que o verificado em 2015.

O memorando, que abre espaço para que mais ações sejam feitas no futuro, versa sobre uma série de temas que buscam aumentar o controle sobre o que acontece nas florestas do Amazonas. Ele fala, entre outros assuntos, de consolidação de unidades de conservação, gestão florestal, implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e restauração de áreas degradadas.

O coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, Ricardo Mello, contou que o memorando tem como objetivo ser um documento “propositivo”. “Queremos que ele seja um instrumento que alavanque discussões, traga atitudes proativas e nos ajude a reduzir o desmatamento e degradação”, explicou.

Lançamentos

A assinatura do memorando aconteceu num evento público, ocorrido em Manaus (AM), que contou com a presença do Governador do Amazonas, José Melo, e do titular do Ministro do Meio Ambiente (MMA), José Sarney Filho (PV-MA), além de diversas autoridades.

Nesta cerimônia, Melo lançou o programa Municípios Sustentáveis do Amazonas, que busca reduzir o desmatamento do Sul do estado para 350 quilômetros quadrados até 2020 (concentrando esforços nos municípios de Apuí, Boca do Acre, Manicoré, Lábrea, Humaitá, Novo Aripuanã e Canutama); e oficializou a nova Matriz Econômica Ambiental do estado, que busca implantar uma economia focada no desenvolvimento de projetos sustentáveis em áreas como piscicultura, fruticultura, fármacos e cosméticos. A Matriz foi criada pelo projeto de lei nº 4.419 e conta com recursos garantidos de R$ 450 milhões para execução de atividades.

Distrito Florestal

José Melo afirmou que o WWF-Brasil foi uma “mão amiga” na hora de estruturar a Matriz Econômica Ambiental – cujas discussões para criação ocorreram no início do ano passado. O titular da Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas, Antonio Stroski, falou sobre o próximo passo da parceria entre o Amazonas e o WWF-Brasil: o Distrito Florestal do Sul do Amazonas (DFSA), um projeto-laboratório que vai testar políticas, projetos, iniciativas e abordagens diferenciadas no combate ao desmatamento e degradação.

O ministro José Sarney Filho, que esta semana está visitando os estados amazônicos, disse que está “aprofundando e estabelecendo parcerias” durante essas viagens. “Buscamos a proteção da floresta, o combate à pobreza e o desenvolvimento da Amazônia; e, para isso, precisamos de transparência, eficiência técnica e parcerias produtivas”, disse o ministro.

A região

O Sul do Amazonas é formado pelas cidades de Apuí, Manicoré, Tapauá, Lábrea, Boca do Acre, Humaitá, Canutama, Apuí e Novo Aripuanã. Essa região corresponde a 19% do território do Amazonas – mas concentra 76,9% do desmatamento ocorrido no estado.

Isso se deve, em parte, à proximidade com as fronteiras do Mato Grosso, Rondônia e Pará, que levam para lá uma série de pressões ambientais: grilagem, pesca predatória, poluição de rios, desmatamento, expansão agrícola desenfreada e fiscalização deficitária por parte dos órgãos ambientais.

Naquela área estão os rios Purus e Madeira, dois dos mais importantes afluentes do Amazonas; e as rodovias BR-319 e BR-230, motivos de polêmica entre empresários, que pedem a abertura e pavimentação dessas vias; e ambientalistas, que as veem como vetores de desmatamento e são contra esta medida. O WWF-Brasil desenvolve diversas ações de conservação por ali e tem o interesse de reforçar e aperfeiçoar esta atuação.

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