Fiocruz descobre 4 novas espécies do mosquito-palha em Rondônia

Por: Bianca Paiva/ Agência EBC
No Brasil, 280 espécies de flebotomíneos, mais conhecidos como mosquito-palha, já estão registradas. Dessas, 131 foram encontradas em Rondônia, até o ano passado. Esse número subiu com a descoberta recente da Fiocruz de quatro novas espécies circulando no estado.
O mosquito-palha é vetor para a transmissão do protozoário, parasita que causa a leishmaniose, doença endêmica na Região Norte. Entre 2017 e 2018, Rondônia teve 2.175 casos confirmados. Só em 2019, foram 226.
Os dados são da Agevisa, a Agência Estadual de Vigilância em Saúde.
O biólogo e entomólogo Antônio Marques Pereira Júnior é um dos pesquisadores que descobriram as quatro novas espécies em Rondônia. Segundo ele, já há registros delas em outros estados. No entanto, Antonio ressalta que ainda não é possível afirmar que esses tipos de mosquito-palha são vetores da leishmaniose.
“Esses novos registros não possuem uma elucidação do seu papel vetorial. Então, nós não sabemos se eles podem estar atuando como vetores aqui na região. Mas a importância do nosso trabalho é porque a gente justamente faz essa busca no estado de insetos que podem estar atuando com importância médica. Demonstra a importância da diversidade que esses insetos possuem aqui no estado de Rondônia.”
Segundo o pesquisador, o resultado pode estimular a realização de novas pesquisas para descobrir se essas espécies atuam na transmissão da leishmaniose. Existem dois tipos da doença: a tegumentar, que pode apresentar as formas clínicas cutânea, a mucocutânea, incluindo sintomas como úlceras na pele e mucosas, e a Visceral, a forma mais grave, que provoca febre de longa duração, perda de peso, anemia, aumento do fígado e baço, entre outros sintomas, que pode levar à morte.
Não há registro da forma visceral em Rondônia.
A leishmaniose é transmitida pela picada do mosquito-palha e é contraída, principalmente, por pessoas que moram ou trabalham na área rural. É o caso de Moacir Zini, de 45 anos, que aos 19 anos foi diagnosticado com leishmaniose cutânea difusa, um tipo raro da tegumentar e até hoje faz tratamento para combater a doença. Ele é presidente da Abrapleish, a primeira associação de pacientes de leishmaniose do país, fundada em Mato Grosso, e destaca o trabalho preventivo que desenvolve.
“Eu tenho um trabalho voluntário, vou a tribos indígenas, assentamentos rurais, dou palestras. Eu tenho uma associação, a Abrapleish, a gente faz trabalhos, panfletagem para ensinar o povo a tomar cuidados, colocar mosquiteiros, rede em janelas, se prevenir no horário que ele – o mosquito – ataca mais, que é de 18h até 20h, quem gosta de pescar usar repelentes. A gente fala isso nas comunidades.”
De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento da doença é feito com medicamentos específicos, é gratuito e está disponível na rede de serviços do SUS, o Sistema Único de Saúde.

- Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
- Compartilhar no X(abre em nova janela) X
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Compartilhar no Threads(abre em nova janela) Threads
- Mais
Relacionado
1 comentário
Deixe sua opinião Cancelar resposta
Autor
ambientedomeio@outlook.com
Posts relacionados
Estudo de caso: o saneamento básico a saúde e outras necessidades das aldeias indígenas localizadas no Território Jaraguá no Estado de São Paulo
Os serviços de água e energia foram solicitados há mais de 10 anos, passa tubulação da SABESP dentro do território e não...
Leia tudo
Aedes aegypti: 49% dos municípios avaliados estão em situação de alerta ou risco
Dados mostram que a maioria dos focos do mosquito está em recipientes dentro e ao redor das residências. As informações ajudam estados...
Leia tudo
Expedição do SUS amplia acesso de indígenas do Alto Rio Negro a consultas e exames especializados
Ação em São Gabriel da Cachoeira prevê 743 atendimentos e procedimentos em clínica médica, pediatria, saúde da mulher, ultrassonografia e exames laboratoriais...
Leia tudo
NOTA À IMPRENSA: Sobre as ações de combate aos incêndios florestais no Amazonas
Sobre as ações de combate aos incêndios florestais no Amazonas, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima esclarece que: Atualizado...
Leia tudo
17 unidades da Federação indicam áreas prioritárias para prevenção e combate aos incêndios florestais
Informações de 16 estados e do Distrito Federal subsidiam o planejamento para o período de maior risco de incêndios, considerando o cenário...
Leia tudo
OPAS avalia como muito alto o risco de disseminação do sarampo diante de eventos religiosos de massa na região
Lacunas na vacinação e aumento da circulação de pessoas podem favorecer uma maior transmissão do vírus, o que ressalta a necessidade de...
Leia tudo
Muito bom mesmo o assunto…….e acredito que tenha ainda à desvendar….enquanto a isso….PREVENÇÃO, HIGIENE PESSOAL E AMBIENTAL.