Pesquisadores da Poli-USP desenvolvem ventilador pulmonar para enfrentar crise do COVID-19
Por: Poli-USP

Equipe de engenharia multidisciplinar criou um projeto de baixo custo, livre de patente, e de rápida produção, com insumos de fácil acesso no Brasil
Uma equipe multidisciplinar da Escola Politécnica (Poli) da USP desenvolveu um projeto de um ventilador pulmonar emergencial para suprir a possível demanda do aparelho hospitalar devido à pandemia do COVID-19, o INSPIRE. A articulação de um grupo de pesquisadores que pudesse dar uma resposta rápida à situação emergencial foi coordenada pela direção da escola de engenharia, e envolve pesquisadores com ampla experiência nas áreas de engenharia biomédica, mecânica, mecatrônica, energia, eletrônica, de produção, além de experiência em prototipagem e testes de aparelhos utilizados na medicina.
O protótipo batizado com o nome INSPIRE , e é um ventilador pulmonar aberto de baixo custo, produzido totalmente com tecnologia nacional, e que se utiliza de componentes amplamente disponíveis no mercado brasileiro. O professor Raul González Lima, especialista em Engenharia Biomédica e um dos coordenadores do projeto, explica que o objetivo é suprir uma possível necessidade deste tipo de equipamento no Brasil, em que faltem os ventiladores comerciais que levaram décadas para serem aprimorados. “O motivo de se desenvolver este tipo de ventilador de pulmão emergencial parte de algumas premissas. Uma delas é que a cadeia de produção instalada deste tipo de equipamento talvez não consiga aumentar sua produção para a demanda da população brasileira nas próximas semanas. Seria necessário ter um equipamento que pudesse atender a população que ficaria desassistida neste caso”.
Um dos motivos para a cadeia de produção instalada não conseguir se desenvolver rápido o suficiente seria a dificuldade de importação desses componentes. “Esses equipamentos dependem de muitos componentes importados, e nem todos estão em estoque na quantidade necessária. Os componentes podem não chegar a tempo para fazer essa produção”. Outra premissa considerada pela equipe, é de que possivelmente faltarão linhas de ar comprimido nos leitos de hospital, o que torna necessário o bombeamento de ar para o paciente, na hipótese da indisponibilidade. “É uma demanda crítica e pontual, e depois essa tecnologia pode ser usada em áreas remotas, em que um hospital não esteja próximo”.
O desenvolvimento de protótipo está concluído, embora continue em constante aprimoramento, e o projeto passou para a fase de produção, em que será estabelecida a cadeia de suprimentos. “Buscamos montar um equipamento que pudesse utilizar ao máximo componentes que já existem no mercado brasileiro, não dependendo muito de importação, e que pudéssemos acionar os fabricantes dos componentes para aumentar sua produção. Tentamos evitar peças que tivessem que ser desenvolvidas, ou seja, utilizamos peças que já existem em linhas de produção”, detalha o docente.
Raul defende que já existe uma indústria instalada que o Brasil precisa proteger e ampliar. “Nós gostaríamos que a indústria nacional se desenvolvesse e exportasse as tecnologias que possuem para muitos países. Nosso objetivo é criar uma resposta rápida para uma crise provável”.
Saiba como investir no projeto em: http://www.poli.usp.br/inspire
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