×

Arianna Johnson/ Forbes


As águas do sul da Flórida atingiram três dígitos e registraram sua temperatura mais alta na segunda-feira, e como outras partes dos oceanos do mundo testemunham temperaturas recordes, o risco de níveis mais altos do mar e tempestades severas se aproxima.


As águas no sul da Flórida em Manatee Bay atingiram uma temperatura recorde de 101,1 graus na segunda-feira, um dia depois de atingir outro recorde de 100,2 graus no domingo.

O aumento da temperatura oceânica nas águas da Flórida afetou a vida aquática, com os pesquisadores descobrindo “100% de mortalidade de corais” em algumas áreas.

O sul da Flórida não é o único lugar com águas quentes recordes – o Mar Mediterrâneo registrou temperaturas médias de 83,1 graus na segunda-feira, a mais quente desde 2003.

Partes do Oceano Atlântico Norte estão passando por uma onda de calor marinho de categoria quatro – um período com temperaturas de água persistentes e excepcionalmente extremas – com algumas áreas experimentando temperaturas de água 9 graus mais altas que o normal, informa a CNN.

De acordo com o Met Office do Reino Unido, abril e maio registraram as maiores temperaturas globais da superfície do mar nesses dois meses desde 1850.


24%. É assim que as temperaturas dos oceanos estão esquentando mais rápido nesta década em comparação com as décadas anteriores, de acordo com um estudo publicado na Science. Ele previu que o nível do mar poderia subir 12 polegadas até o final do século.


O aumento das temperaturas oceânicas é causado por um aumento nas concentrações de gases de efeito estufa atmosféricos, que retêm o calor, relata a Woods Hole Oceanographic Institution. Gases de efeito estufa são liberados quando árvores são cortadas, combustíveis fósseis são queimados e outras atividades que liberam dióxido de carbono na atmosfera são cometidas. Os oceanos absorveram cerca de 90% do calor liberado desde a década de 1970, com a água perto da superfície absorvendo mais. Isso significa que os oceanos ficaram mais quentes em média um grau ao longo do século passado, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental.

A maior parte da vida aquática existe na parte superior do mar, onde a maior parte do calor é absorvida, informa o National Park Service. Temperaturas mais quentes podem ser perigosas para a vida aquática, pois contém menos oxigênio dissolvido do que a água fria, necessária para a sobrevivência da vida marinha. Mais da metade de todos os recifes de corais na Grande Barreira de Corais foram mortos por águas quentes entre 2016 e 2017, relata um estudo da Nature.

A água mais quente também aumenta o potencial para tempestades mais severas, bem como o aumento do nível do mar. Isso ocorre devido ao derretimento das calotas polares e à expansão da água quente mais do que a água fria. Entre 1971 e 2010, o nível do mar subiu oito décimos de milímetro por ano.

Os furacões só aparecem em águas de 80 graus ou mais quentes, portanto, oceanos mais quentes têm o potencial de causar mais furacões. A água quente tornou o furacão Harvey – que resultou em mais de 80 mortes – mais perigoso, de acordo com um estudo publicado na Environmental Research Letters.

Foto por Tom Fisk em Pexels.com

Deixe sua opinião

Autor

ambientedomeio@outlook.com

O “Ambiente do Meio” foi criado em 2007 e a autora teve como objetivo inicial auxiliar jornalistas e leigos nas informações de qualidade sobre o Meio Ambiente resultante de preocupações com as poucas informações jornalísticas de qualidade sobre o tema atreladas a conhecimentos acadêmicos e evidências científicas.

Posts relacionados

Estudo define indicadores para orientar a restauração de campos úmidos no Cerrado

Os campos úmidos do Cerrado estão desaparecendo rapidamente e sua recuperação esbarra em um erro prático e histórico: a tentativa de aplicar...

Leia tudo

Dia Nacional do Ciclista – 19 de agosto

O ciclista e o veículo bicicleta no processo da construção de cidades mais humanas  O Dia Nacional do Ciclista é uma data...

Leia tudo

Ondas de calor ainda são negligenciadas no Brasil, diz pesquisadora

As ondas de calor ainda são um desastre “completamente negligenciado” no Brasil e podem se tornar mais frequentes e intensas com a...

Leia tudo

Cidades resilientes ou apenas edifícios sustentáveis?

O desafio de transformar a sustentabilidade em política urbana A Sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito da...

Leia tudo

Conexão entre fragmentos florestais importa mais que tamanho na restauração da Mata Atlântica

A dispersão de sementes por meio do vento, da água ou de animais é um processo crucial para a renovação de florestas...

Leia tudo

Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE

Dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil, sete são proibidos na União Europeia (UE), o que não impede que esses produtos sejam...

Leia tudo

Descubra mais sobre AMBIENTEDOMEIO ®

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo