De acordo com a OIT: recuperação do mercado de trabalho perde força
Por ONU

Tensões geopolíticas, custos crescentes da mudança climática e problemas de dívida não resolvidos colocam os mercados de trabalho sob pressão, alerta a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Lançado nesta quinta (16), o relatório sobre as Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências 2025 mostra que a economia global está desacelerando, o que dificulta a recuperação total dos mercados de trabalho.
O estudo global também identifica potencial para crescimento de empregos em energias verdes e tecnologias digitais. Em 2024, os empregos no setor de energias renováveis cresceram para 16,2 milhões em todo o mundo, impulsionados pelo investimento em energia solar e de hidrogênio.
O déficit mundial de empregos – o número estimado de pessoas que querem trabalhar, mas não têm emprego – atingiu 402 milhões em 2024. Isto inclui 186 milhões de pessoas desempregadas, outras 137 milhões que são principalmente trabalhadoras e trabalhadores desencorajados e 79 milhões de pessoas que gostariam de trabalhar, mas têm obrigações, como cuidar de outras pessoas, que as impedem de ter acesso ao emprego.
A economia global está desacelerando, o que dificulta a recuperação total dos mercados de trabalho, de acordo com o relatório sobre as Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências 2025, lançado pela Organização Internacional do Trabalho nesta quinta (16).
Segundo o estudo, o emprego global permaneceu estável em 2024 e só cresceu graças ao aumento da população ativa, que manteve a taxa de desemprego em 5%. O desemprego juvenil melhorou e permaneceu em 12,6%. O trabalho informal e o número de trabalhadores e trabalhadoras pobres retornaram aos níveis pré-pandemia e os países de renda baixa foram os que tiveram mais dificuldade para criar empregos decentes.
Desafios para a recuperação
O relatório destaca desafios como tensões geopolíticas, o aumento dos custos das mudanças climáticas e os problemas não resolvidos da dívida, que pressionam os mercados de trabalho.
Embora a inflação tenha diminuído, ela continua alta, reduzindo o valor dos salários, de acordo com o relatório. Os salários reais só aumentaram em algumas economias avançadas, e a maioria dos países ainda está se recuperando dos efeitos da pandemia e da inflação.
A taxa de participação na força de trabalho diminuiu, especialmente entre os jovens
De acordo com o relatório, as taxas de participação na força de trabalho diminuíram em países de renda baixa e aumentaram em países de renda alta, especialmente entre trabalhadores mais velhos e as mulheres. No entanto, as disparidades de gênero continuam grandes, com menos mulheres na força de trabalho, o que limita o progresso no nível de vida. A participação entre homens jovens diminuiu drasticamente e muitos deles estão em situação de não trabalhar, não estudar e nem estar em treinamento.
Essa tendência é particularmente acentuada em países de renda baixa, onde as taxas de jovens em situação de não trabalhar, não estudar e nem estar em treinamento entre homens jovens aumentaram quase 4 pontos percentuais acima da média histórica pré-pandemia, tornando-os vulneráveis a desafios econômicos.
As taxas de jovens em situação de não trabalhar, não estudar e nem estar em treinamento em países de renda baixa aumentaram até 2024, com 15,8 milhões de homens jovens (20,4%) e 28,2 milhões de mulheres jovens (37,0%), o que representa um aumento de 500.000 e 700.000, respectivamente, até 2023. Globalmente, 85,8 milhões homens jovens (13,1%) e 173,3 milhões de mulheres jovens (28,2%) não estavam no mercado de trabalho, na educação ou em treinamento em 2024, o que representa um aumento de 1 milhão e 1,8 milhão, respectivamente, em comparação com o ano anterior.
Déficit mundial de emprego sobe para 402 milhões
O déficit mundial de empregos – o número estimado de pessoas que querem trabalhar, mas não têm emprego – atingiu 402 milhões em 2024. Isto inclui 186 milhões de pessoas desempregadas, outras 137 milhões que são principalmente trabalhadoras e trabalhadores desencorajados e 79 milhões de pessoas que gostariam de trabalhar, mas têm obrigações, como cuidar de outras pessoas, que as impedem de ter acesso ao emprego. Embora a diferença tenha diminuído gradualmente desde a pandemia, espera-se que ela se estabilize nos próximos dois anos.
Novas oportunidades nos setores verde e digital
O estudo identifica potencial para crescimento de empregos em energias verdes e tecnologias digitais. Os empregos no setor de energias renováveis cresceram para 16,2 milhões em todo o mundo, impulsionados pelo investimento em energia solar e de hidrogênio. No entanto, esses empregos são distribuídos de forma desigual, com quase metade no Leste Asiático.
As tecnologias digitais também oferecem oportunidades, mas muitos países carecem de infraestrutura e das competências necessárias para se beneficiarem plenamente desses avanços, destaca o relatório.
Soluções inovadoras
O diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, enfatizou a necessidade urgente de ação:
“Trabalho decente e emprego produtivo são essenciais para alcançar a justiça social e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Para evitar agravar a já tensa coesão social, os crescentes impactos climáticos e o aumento da dívida, precisamos agir agora para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e criar um futuro mais justo e sustentável”.
O relatório faz algumas recomendações para enfrentar os desafios atuais:
Aumentar a produtividade: investir em treinamento, educação e infraestrutura para apoiar o crescimento econômico e a criação de empregos.
Ampliar a proteção social: proporcionar melhor acesso à seguridade social e condições de trabalho seguras para reduzir a desigualdade.
Utilizar fundos privados de forma eficaz: países de renda baixa podem aproveitar as remessas e fundos da diáspora para apoiar o desenvolvimento local.
- Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
- Compartilhar no X(abre em nova janela) X
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Compartilhar no Threads(abre em nova janela) Threads
- Mais
Relacionado
Autor
ambientedomeio@outlook.com
Posts relacionados
Competitividade do mercado de carbono moderniza conservação florestal
Floresta em pé gera renda para proprietários e preserva meio ambiente No município de Caracaraí, em Roraima, um modelo de conservação aliou inovação...
Leia tudo
Projeto Caminhos Sustentáveis conecta agricultores familiares à inovação no Show Rural
Parceria entre Itaipu Binacional e PNUD, a iniciativa provê assistência técnica gratuita para cerca de 5 mil produtoras e produtores de agricultura...
Leia tudo
Brasil anuncia Meta de Neutralidade da Degradação da Terra na COP17
ApexBrasil amplia atuação para conectar sustentabilidade dos produtos brasileiros aos mercados globais O Brasil apresentou na terça-feira (25), durante a 17ª Conferência...
Leia tudo
Plataforma conecta desafios da Amazônia a soluções tecnológicas para desenvolvimento sustentável da região
Criada pelo Instituto CERTI Amazônia, a nova ferramenta aproxima empresas, startups, pesquisadores e instituições para para transformar demandas estratégicas em oportunidades de...
Leia tudo
SAA abre novo chamamento público do Programa de Aquisição de Alimentos
PAA é executado no Estado de São Paulo pela CATI A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) comunica que se encontra aberto...
Leia tudo
Técnicos da CATI são capacitados para recebimento de amostras de participantes do 25º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo
Organizado pelo órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), certame segue com inscrições abertas Um levantamento de dados da Diretoria de...
Leia tudo