A Raiva em humanos pode ser transmitida por contato com animais silvestres

Por: Ana Marina Martins de Lima*

wolf standing on the rocky grassland
Photo by Natalia García Prieto

A raiva é uma doença fatal, que pode ser prevenida pelo controle da doença nos animais e da profilaxia (tratamento preventivo) no ser humano e animais suspeitos de transmissão.

Atualmente temos conhecimento científico que pode evitar mortes ocasionadas principalmente por acidentes com mordeduras ocorridas no resgate de animais afetados ou mordeduras em ambientes domésticos.

A doença provoca a morte de cerca de 55.000 pessoas/ano mundo, a grande maioria (99,9%) na Ásia e África.

O principal transmissor da doença é o cão, no entanto ocorrem acidentes na tentativa de resgatar ou tratar animais afetados pela doença como por exemplo: cavalos, saguis, bovinos, gatos, lobos, onças e outros.

A vigilância da raiva animal no Brasil é conduzida pelo Ministério da Saúde, que monitora casos de raiva em animais de interesse para a saúde pública, como cães, gatos e animais silvestres, especialmente canídeos, primatas não-humanos e morcegos. Informações sobre raiva em animais de interesse econômico, como bovinos e equinos, são fornecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Esses dados ajudam a planejar ações de controle e prevenção da raiva, incluindo a vacinação, para impedir a disseminação do vírus entre diferentes espécies.

Não pegue ou capture animais doentes, registre o local e chame um profissional capacitado

Atualmente o monitoramento raiva humana é realizada por profissionais do Instituto Pasteur da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo sendo as amostras provenientes de todos os Laboratórios Centrais do Brasil e de alguns laboratórios da América Latina.

De acordo com o Centro de Controle da Raiva da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo de janeiro a fevereiro deste ano foram detectados 38 casos positivos de animais com raiva (morcegos, bovinos, equinos, ovino e bubalino) no estado de S. Paulo, sendo que no município de São Paulo foram 4 casos de morcegos positivos

Infelizmente devido ao impacto de atividades humanas com o desmatamento e incêndios criminosos a população de animais perdeu seu habitat natural e têm migrado para espaços verdes de cidades com isso tem-se observado acidentes e contaminação de pessoas que as vezes por curiosidade tocam em animais.

É importante sabermos que os “macacos” só transmitem a raiva para humanos devido ao fato citado acima, não maltrate ou mate os animais por suspeitar que estão adoecidos ao encontrá-los em área residencial ou mesmo praças chame a Policia Ambiental, Corpo de Bombeiros ou notifique o Serviço de Zoonose de sua cidade.

Não acaricie ou tente alimentar um animal silvestre

Notificações entre 2015 e 2024

Casos de raiva humana segundo espécie animal agressor, 1986-2024

Entre 2015 e 2024, foram registrados vários casos de raiva humana no Brasil, com diferentes fontes de transmissão.

2015: Dois casos, um na Paraíba transmitido por um felino com a variante 3 do vírus e outro em Mato Grosso do Sul, transmitido por um cão com a variante 1 (último caso registrado dessa variante).

2016: Dois casos, um em Roraima por um felino infectado com a variante 3 e outro no Ceará, transmitido por um morcego.

2017: Seis casos, todos pela variante 3 transmitida por morcegos, com cinco ocorrências diretas de ataques de morcegos e uma por um gato de rua infectado.

2018: Onze casos, dez deles em um surto em Melgaço, Pará, causado por morcegos, e um no Paraná, relacionado a um ataque de morcego em São Paulo.

2019: Um caso em Santa Catarina, transmitido por um felino com a variante 3.

2020: Dois casos, um no Rio de Janeiro, por morcego, e outro na Paraíba, por raposa.

2021: Um caso no Maranhão, por uma raposa com variante de canídeos silvestres.

2022: Cinco casos, quatro em uma aldeia indígena em Minas Gerais e um no Distrito Federal, todos com a variante 3.

2023: Dois casos, um em Minas Gerais por um bovino e outro no Ceará por um primata não-humano.

2024: Até o momento, um caso registrado no Piauí, causado por um primata não-humano.

Animais silvestres não são PETS, não devem morar em casas ou apartamentos, se você quer devolvê-lo para o ambiente natural entre em contato com um órgão ambiental mais próximo de sua casa.

Têm ocorrido contaminação da raiva em humanos por acidente com animais silvestres em resgastes no caso de atropelamento ou animais encontrado em matas.

O que eu faço se eu encontrar um animal doente?
É de extrema importância que ao ver um animal caído no caso de morcegos ou outro animal você não tente resgatar você pode adoecer, a orientação é ligar para o Serviço de Zoonose do Município e na ausência deles deve ser contactado os bombeiros, polícia ambiental ou polícia militar, se estiver em áreas de parques acionei o IBAMA.

Fonte:

Ministério da Saúde

Ministério da Agricultura e Agropecuária

Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

Centro de Vigilância e Controle da Raiva/Instituto Pasteur

Casos de Raiva humana segundo espécie animal de agressor, 1986-2024*, Brasil

*Sobre a autora: Bióloga /Especialista em Gestão Ambiental/Jornalista/Autora do Site Ambiente do Meio e Profissional de Saúde, atuando na prevenção em monitoramento da Raiva junto a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e Ministério da Saúde do Brasil.

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