Ana Marina Martins de Lima
De grande importância o relatório do CEMADEM é um instrumento que permite melhorar a política nacional do clima
São ainda necessárias providencias em grande escala para preparo da rede de saúde quanto ao impacto das altas temperaturas bem como as doenças ocasionadas em períodos de pós enchentes. Infelizmente há ainda médicos despreparados que atendem sobretudo a rede pública e serviços laboratoriais contratados que deixam a desejar com fornecimento de laudos demorados e algumas vezes com erros que levam a falsos diagnósticos ; alguns médicos incapazes de interpretar exames com hemogramas e exames de urina que poderiam salvar vidas.
Quanto a infra estrutura das cidades no momento apontam para necessidade de revisão dos planos diretores que favoreceram a ampliação da rede imobiliária em contrapartida com o aumento da demanda dos resíduos domésticos e ausência da limpeza de corrégos.
No caso da mobilidade urbana os deslocamentos de trabalhadores em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife aumentaram em média vinte minutos devido ao aumento da população em pontos extremos das cidades; em veículos que não são adaptados para o clima este fator agrega o aumento de pessoas adoecidas seja por doenças respiratórias ou ortopédicas.
De acordo com o relatório do CEMADEM milhares de municípios brasileiros registraram desastres climáticos, incluindo muitos eventos associados a chuvas intensas e alagamentos, bem como estiagens, secas e ondas de calor
O verão de 2025 ficou marcado por uma combinação de eventos climáticos extremos que afetaram diversas regiões do Brasil. Chuvas volumosas no início da estação, seguidas por ondas de calor sucessivas e por períodos prolongados de secas, moldaram um cenário de contrastes acentuados.
A atuação do fenômeno La Niña, somada a padrões atmosféricos persistentes, foi determinante para o comportamento das chuvas e das temperaturas ao longo dos meses, resultando em uma estação de extremos que afetou desde a agricultura até a mobilidade urbana.
Em São Paulo, mais de 140 mm de chuvas em apenas 3 horas no dia 24 de janeiro resultaram em alagamentos e problemas de mobilidade urbana, causando inundações e outros incidentes climáticos severos que resultaram em danos; 180 mil pessoas foram afetadas, devido a cortes de energia.
Em 23-24 de junho de 2025, no Rio Grande do Sul, fortes chuvas provocaram inundações e deslizamentos em diversos municípios gaúchos. Rios como o Uruguai, Jacuí e Taquari ultrapassaram níveis de alerta, causando deslocamento de famílias, decretos de calamidade e várias mortes confirmadas.Estes desastres afetaram 120municípios, levando à evacuação de áreas. Algumas cidades no Rio Grande do Sul registraram chuvas de mais de 110 mm/dia.
O Rio Acre subiu 3,84 m em menos de 24 horas na cidade de Rio Branco, tendo ultrapassado a cota de transbordo na manhã do dia 27 de dezembro, alcançando 14,03.
O início de 2025 foi marcado por chuvas abaixo da média emmuitos estados amazônicos, com rio sem níveis baixos após o intenso ElNiño de 2023-2024, e recuperação lenta dos rios no início do ano. Níveisainda estavam baixos nos rios Negro, Solimões e Madeira. Em fevereiro, municípios localizados nos estados do Amazonas e do Acre ainda registravam seca severa. Na região Nordeste, as chuvas irregulares também atrasaram a recarga dos reservatórios.
Em setembro, o Norte e o Centro-Oeste registraram uma combinação crítica de estiagem e ondas de calor, o que elevou o risco de incêndios. De acordo com os dados de monitoramento de queimadas do INPE, foram registrados aproximadamente 28 mil focos ativos de calor. Apesar de ter sido um valor elevado, este foi inferior ao registrado nos anos anteriores.
Quanto a temperatura o ano como um todo teve temperaturas acima da média em muitas partes do país, fortemente influenciadas por ondas de calor no verão e por tendências de aquecimento contínuo.
São Paulo registrou, no dia 28 de dezembro, um novo recorde de calor para o mês e o maior índice em 64 anos. A máxima atingiu 37,2 °C, medida na estação do Mirante de Santana (INMET), na zona norte da cidade. O valor superou o recorde de sexta-feira (26), quando a temperatura máxima foi de 36,2 °C. Foi o terceiro recorde em quatro dias, e as marcas são as maiores no período desde 1961. O Estado do Rio de Janeiro registrou, nos últimos dias do ano, mais de 2 mil atendimentos de pessoas que passaram mal por conta do calor em postos de saúde. No dia 25 de dezembro, a cidade do Rio de Janeiro atingiu a temperatura histórica máxima, de 40,1 °C.