Com financiamento do FIDA, projetos liderados por comunidades indígenas fortalecem a proteção florestal e a soberania alimentar na Amazônia
O Mecanismo de Assistência aos Povos Indígenas, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola das Nações Unidas (FIDA), está apoiando projetos liderados pelos povos Ka’apor e Xipaya, beneficiando mais de 1.500 pessoas nos estados do Maranhão e do Pará.
Liderados pelos povos indígenas, os projetos são baseados em conhecimentos tradicionais sobre a produção de alimentos e a recuperação de sementes tradicionais, contribuindo para conservar a biodiversidade amazônica e garantir a soberania alimentar.
Ações também incluem capacitação em monitoramento territorial com drones e o mapeamento dos territórios indígenas, apoiando as comunidades a enfrentar pressões externas, como o desmatamento e invasões dos territórios.
Projetos liderados por comunidades indígenas estão fortalecendo a proteção das florestas, a nutrição, a soberania alimentar e os meios de subsistência na Amazônia brasileira. As iniciativas contam com apoio do Mecanismo de Assistência aos Povos Indígenas (Indigenous Peoples Assistance Facility), do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), que financia projetos voltados ao desenvolvimento autônomo de comunidades indígenas em todo o mundo.
No Brasil, duas ações mostram como o protagonismo indígena gera resultados concretos. Os projetos são conduzidos pelos povos Ka’apor, no Maranhão, e Xipaya, no Pará, e combinam conhecimentos tradicionais, organização comunitária e uso de tecnologias.
No Maranhão, o projeto desenvolvido no Território Indígena Alto Turiaçu atua em uma das áreas mais afetadas por invasores e madeireiros da Amazônia. A região sofre com desmatamento ilegal, invasões de terra e queimadas. Apesar disso, o povo Ka’apor é protagonista na preservação de suas áreas florestais e de seus modos de vida, em harmonia com a natureza.
A iniciativa apoia a produção diversificada de alimentos e o manejo sustentável da biodiversidade. Entre as ações implementadas estão a criação de hortas tradicionais, a recuperação de sementes tradicionais e o fortalecimento de sistemas agrícolas ancestrais. Essas práticas ajudam a garantir o direito humano à alimentação adequada e a preservar a cultura local.
No projeto Roça Ka’apor, cerca de 200 pessoas são beneficiadas diretamente e outras 500 de forma indireta. A iniciativa também incentiva a participação de jovens e mulheres indígenas em atividades de geração de renda, monitoramento do território e transmissão de conhecimentos entre gerações.
No Pará, o projeto no Território Indígena Xipaya foca na proteção do território e no uso sustentável dos recursos naturais. A iniciativa já envolveu mais de 200 participantes diretos e alcançou mais de 800 pessoas de forma indireta.
As atividades incluem capacitação em monitoramento territorial com drones, intercâmbio de conhecimentos entre gerações e ações de mapeamento do território indígena. Equipes locais realizam patrulhas ao longo de cerca de 83 quilômetros de divisa do território indígena, além de manter marcos de demarcação e proteger áreas estratégicas.
Essas ações ajudam a identificar e denunciar atividades ilegais, como invasões e exploração irregular de recursos naturais. Ao mesmo tempo, o projeto promove alternativas de renda com base no extrativismo de produtos florestais não madeireiros, como castanha-do-pará, buriti, andiroba e copaíba.
As comunidades também mapearam áreas de importância cultural, reforçando a ligação com sua ancestralidade. Reuniões locais garantem transparência, prestação de contas e participação coletiva nas decisões.
Os dois projetos mostram que soluções desenhadas e lideradas por povos indígenas são eficazes para conservar a floresta e enfrentar desafios climáticos. Ao apoiar diretamente essas iniciativas, o FIDA contribui para proteger territórios indígenas, fortalecer a cultura ancestral e promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia brasileira.
As experiências reforçam que a cooperação internacional pode apoiar os povos indígenas a seguir na linha de frente da preservação da biodiversidade e da ação climática.
- Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
- Compartilhar no X(abre em nova janela) X
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Compartilhar no Threads(abre em nova janela) Threads
- Mais
Relacionado
Autor
ambientedomeio@outlook.com
Posts relacionados
Técnicos da CATI são capacitados para recebimento de amostras de participantes do 25º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo
Organizado pelo órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), certame segue com inscrições abertas Um levantamento de dados da Diretoria de...
Leia tudo
ApexBrasil apresenta plano de R$ 210 milhões para apoiar 5.300 empresas afetadas por tarifas dos EUA
Com ações em 36 mercados alternativos, pacote estratégico foca em atendimentos individualizados, rodadas de negócios, feiras internacionais e consultoria especializada para impulsionar...
Leia tudo
INPI reconhece Indicação Geográfica para a cachaça do Circuito das Águas Paulista
Estado de São Paulo chega a 12 registros ligados ao agro O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) concedeu o registro de...
Leia tudo
Brasil e Coreia do Sul abrem novas frentes de comércio e investimento e reforçam parceria estratégica
Fórum empresarial em São Paulo reúne Alckmin, presidente sul-coreano Lee Jae Myung e empresários dos dois países para discutir diversificação de mercados...
Leia tudo
OIT: Compreender a informalidade pode orientar respostas mais eficazes na América Latina e no Caribe
Os mercados de trabalho na América Latina e no Caribe deixaram para trás a fase de recuperação e entraram em um novo...
Leia tudo
Prêmio iCS-ANPEC de Economia & Clima – Edição 2026
O Instituto Clima e Sociedade, por meio do Hub de Economia e Clima, lança o Prêmio iCS-ANPEC de Economia & Clima – Edição 2026, com...
Leia tudo