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Leny Spessotto de Camargo Santiago

A experiência de viver em cidades é recente no Brasil.Por quase 500 anos, a distribuição populacional ocorreu nas áreas rurais e agrícolas. De acordo com Milton Santos foi somente a partir de 1960 que as cidades brasileiras presenciaram a urbanização, impulsionada pela industrialização.

Segundo Euclides Mance[1], o processo de ocupação de território gerou uma teia de cidades interligadas, com pólos centrais de industrialização próximos à costa, provocando uma ocupação profundamente desigual do território.

O movimento de industrialização e urbanização foi concentrado em regiões onde se desenvolveu infra-estrutura possibilitando maior mercado de trabalho e consumo. A concentração do mercado consumidor atraiu empresas e, este círculo vicioso, levou a uma ocupação desigual do território e à segregação de regiões inteiras.

A região segregada, mais vulnerável à pobreza, realizou o movimento migratório em direção aos grandes centros urbanos onde, passou a ocupar a periferia destes, de maneira irregular, informal e clandestina.

Enquanto a indústria produzia a riqueza e desenvolvia a economia, a cidade produzia a segregação do espaço com a multiplicação das ocupações irregulares, a sub-habitação precária e o esgoto a céu aberto.

Raquel Rolnik[2], destaca que este tipo de urbanização acaba por formar uma “cidade paralela, oculta, irregular, fora dos padrões do planejamento previsto, que coexiste com a cidade oficial, desenhada nas pranchetas”

Mais do que espaço geográfico, físico do território a cidade é uma forma de organização social. O Homem busca nas cidades a inter-relação. A cidade proporciona o encontro da diversidade em todos os aspectos. Acontecem os encontros, as trocas, o comércio, o conhecimento, a arte, a criatividade, enfim, a interação.

Pensar a cidade envolve pensar os valores de uma sociedade. Envolve pensar desde os modelos globais de desenvolvimento até a apropriação local que a comunidade faz deste desenvolvimento no crescimento do seu bairro e da sua cidade. E isso é objeto de estudo da Educação.

A Educação não é um fenômeno isolado e descontextualizado na sociedade humana.

Mance ainda defende que: o ato educativo expressa uma posição de classe e de algum modo se articula aos conflitos sociais. Para ele, a educação tanto pode contribuir para reforçar o modelo de dominação como pode levar à consciência crítica.

Como se deu a formação das cidades no desenvolvimento das civilizações? Como é a relação do Homem nas cidades? Qual a relação de determinado bairro naquela determinada cidade? Indagações como estas devem permear o modelo de educação que optamos por adotar. Modelo que interaja na construção de novos caminhos, percepções e  abra novas possibilidades de relações.

Cabe, portanto, à educação estimular, instigar e criar condições de desenvolvimento de um cidadão critico, solidário e co-responsável no processo de aprendizagem dos espaços da comunidade e da cidade.

Foto por CDC em Pexels.com

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ambientedomeio@outlook.com

O “Ambiente do Meio” foi criado em 2007 e a autora teve como objetivo inicial auxiliar jornalistas e leigos nas informações de qualidade sobre o Meio Ambiente resultante de preocupações com as poucas informações jornalísticas de qualidade sobre o tema atreladas a conhecimentos acadêmicos e evidências científicas.

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