A Global Reporting Initiative (GRI)

Colaboração: Glaucia Terreo – Coordenadora das Atividades GRI no Brasil

Criada em 1997 a partir da reunião de ambientalistas, ativistas sociais e representantes de fundos socialmente responsáveis, a GRI é uma organização multistakeholder, sem fins lucrativos, que desenvolve uma Estrutura de Relatórios de Sustentabilidade adotada por cerca de 1.000 organizações, em todo o mundo.

Com longa tradição em relatórios exclusivamente financeiros, as empresas vêm percebendo que, ao elaborar relatórios de sustentabilidade, encontram um caminho para refletir e internalizar o tema, além de tornar públicos sua própria visão, desafios e resultados econômicos, sociais e ambientais. Criam, assim, uma plataforma de comunicação e de diálogo com seus públicos (stakeholders).A visão da GRI é que os relatórios de desempenho econômico, ambiental e social elaborados por todas as organizações se tornem tão rotineiros e úteis quanto são os tradicionais relatórios financeiros. Para alcançar tal objetivo, a GRI reúne uma rede de milhares de especialistas, em dezenas de países, que contribuem para o seu desenvolvimento. Hoje, a Estrutura de Relatórios de Sustentabilidade está disponível em 13 idiomas, inclusive o português.

Essa Estrutura compõe-se de Diretrizes para Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade (as Diretrizes G3), Suplementos Setoriais, Protocolos Técnicos e de Indicadores. Com o objetivo de superar as limitações de uma abordagem padronizada, os Suplementos são considerados essenciais na elaboração do Relatório de Sustentabilidade, uma vez que ajudam a retratar os riscos e as oportunidades dos setores de atuação das empresas. No futuro, também serão criados os Anexos Nacionais, que levarão em conta as especificidades nacionais ou regionais de cada país.

Um processo de elaboração de relatórios que se pretende aplicável a qualquer organização, sediada em qualquer país, requer legitimidade e credibilidade. Não pode ser criado a poucas mãos e lançado como qualquer produto, sob pena de se mostrar inadequado às diferentes realidades corporativas e configurar um fracasso.

Consciente disso, a GRI buscou, desde a sua criação, estabelecer processos de desenvolvimento de natureza global e multistakeholder. Sempre que se faz necessário criar ou atualizar alguma publicação da GRI, reúnem-se especialistas de diversos países, em grupos que guardam equilíbrio geográfico e entre os stakeholders – empresários, trabalhadores, sociedade civil organizada, comunidade acadêmica, consultores, Governos etc. Esses grupos discutem os conteúdos com o objetivo de alcançar uma abordagem consensual. Além disso, o processo passa por consulta pública, aberta a receber contribuições de todos os interessados.

A própria governança da GRI tem caráter multistakeholder. Sediada em Amsterdã, na Holanda, a organização possui Conselho Diretor, Conselho de Stakeholders, Comitê Consultivo Técnico, Stakeholders Organizacionais e Secretaria Internacional. Todos os órgãos abrangem profissionais de distintos grupos de stakeholders, provenientes de diversos países.

Atualmente, há brasileiros no Conselho Diretor, no Conselho de Stakeholders e na Secretaria Internacional. Além disso, o Brasil é o único país onde a GRI mantém um ponto focal (um representante especialmente alocado no país para auxiliar as empresas na adoção da Estrutura GRI). A legitimidade da GRI deve-se não apenas a esse processo compartilhado de desenvolvimento e gestão, mas também aos fundamentos de seu conteúdo, que dialoga com as principais referências internacionais em sustentabilidade. A GRI alinha-se à Declaração Internacional dos Direitos Humanos, ao Pacto Global, aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, aos padrões ISO, a códigos de conduta e ética, a índices de sustentabilidade empresarial.

Na verdade, os relatórios de sustentabilidade baseados na GRI constituem uma plataforma para as empresas divulgarem suas iniciativas relacionadas ao Pacto Global, aos Objetivos do Milênio e aos Princípios do Equador, além de estarem totalmente alinhados com os índices de sustentabilidade da bolsa de Nova York (DJSI) e de Londres (FTSE4good). No Brasil, vale ressaltar a sintonia dos relatórios GRI com diversas iniciativas tais como o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, os Indicadores de Auto-avaliação do Instituto Ethos, as melhores práticas propostas pelo Instituto Brasileiros de Governança Corporativa (IBGC), entre outras.

Em todo o mundo, as organizações percebem tais atributos. Um número cada vez maior de companhias vem adotando as diretrizes e os indicadores GRI, conferindo ainda mais credibilidade à iniciativa. Se, em 1999, apenas 20 organizações fizeram relatórios GRI, atualmente já são 1.000 organizações que oficialmente baseiam seus relatórios na Estrutura. Estima-se, no entanto, que o número real esteja próximo das 2.000 organizações que se valem do padrão GRI.

Mais informações, acesse: www.globalreporting.org

 

 

Um comentário em “A Global Reporting Initiative (GRI)

  1. APESAR DE MAIS DE 25 ANOS LENDO SOBRE MEIO AMBIENTE ,E TER SIDO ESTAGIÁRIA DE COMPANHIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL DE CIDADES COMO GRANDE SÃO PAULO ,ONDE A MINHA FERRAMENTA ERA MICROBIOLOGIA AMBIENTAL.
    E atualmente ser esp em gestão ambiental,tenho muito que aprender em várias equipes como se organnizam as políticas públicas,gestores , líderes e metas as serem cumpridas.
    Gostaria até estar mais em sintonia com pessoas e fornecedores para estabelecer metas para compartilhar soluções.
    sem mais para o momento.
    angélica cintra

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