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Instituto Adolfo Lutz isola vírus da gripe suína no país

Equipe de São Paulo obtém os primeiros exemplares do H1N1 de paciente brasileiro

Por Ricardo Zorzetto- FAPESP

A equipe da virologista Terezinha Maria de Paiva, do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo,  informou hoje que isolou no final de abril os primeiros exemplares do vírus da gripe suína de um paciente brasileiro. O portador do vírus é um homem de 26 anos que apresentou os sintomas da gripe ao retornar de uma viagem ao México e foi internado em 24 de abril no Instituto de Infectologia Emílio Ribas – o caso desse paciente, que já recebeu alta e passa bem, foi o primeiro dos três confirmados em São Paulo até 21 de maio.

© Jonas Kisielius e Marli Ueda/IAL
© Jonas Kisielius e Marli Ueda/IAL

Analisando amostras de secreção do nariz e da garganta do paciente desde o final de abril, o biólogo molecular Claudio Sacchi confirmou que elas continham material genético do vírus A (H1N1). Essa estirpe é a mesma que iniciou há pouco mais de um mês a epidemia gripe ou influenza que até 21 de maio havia atingido pouco mais de 11 mil pessoas em 42 países, em especial no México e nos Estados Unidos, e causado a morte de 86. O aumento rápido do número de casos e a facilidade com que esse vírus é transmitido entre os seres humanos levou a Organização Mundial da Saúde a alertar para o risco de uma pandemia.

Em seguida à identificação, Terezinha obteve várias cópias do vírus depois de cultivá-lo por apenas quatro dias em laboratório, usando células renais de cães. Na seção de microscopia eletrônica do Adolfo Lutz, Marli Ueda e Jonas Kisielius identificaram várias cópias do vírus já na primeira observação. A identificação rápida foi um golpe de sorte e também um sinal de que o H1N1, que infecta principalmente as células das vias respiratórias superiores, se reproduz muito rapidamente em células de mamíferos – o que pode incluir os seres humanos.

Segundo Terezinha, nem sempre é fácil obter cópias do vírus e observá-las ao microscópio, uma vez que depende da quantidade em que se encontram no interior das células. “Em geral conseguimos isolar o vírus em apenas 15% das amostras de pacientes com quadro gripal que analisamos todos os anos”, conta Terezinha. “Obtivemos o H1N1 já na primeira.” Kisielius e Marli se impressionaram com o número de cópias do vírus, que em algumas imagens apareciam agrupados como se estivessem em um ninho.

“O isolamento do vírus é um passo fundamental para conhecer em detalhes a estirpe em circulação no país, saber se ela já se diferenciou das encontradas em outras regiões do mundo e produzir uma vacina”, afirma Terezinha. A equipe do Adolfo Lutz iniciará nos próximos dias, sob a coordenação da bióloga molecular Cecília Simões Santos, o sequenciamento do material genético do H1N1 brasileiro para compará-lo ao encontrado em outros países. Apesar dos avanços, ainda há mais dúvidas do que respostas a respeito desse vírus. Ainda não se sabe, por exemplo, qual sua agressividade (virulência) nem sua origem precisa. Autoridades de saúde do mundo todo estão em alerta porque o material genético do H1N1 contém uma mistura jamais vista de genes de aves, porcos e seres humanos. Felizmente, até o momento, essa cepa se mostrou menos letal do que a da Gripe Espanhola, que no início do século passado matou milhões de pessoas.

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O “Ambiente do Meio” foi criado em 2007 e a autora teve como objetivo inicial auxiliar jornalistas e leigos nas informações de qualidade sobre o Meio Ambiente resultante de preocupações com as poucas informações jornalísticas de qualidade sobre o tema atreladas a conhecimentos acadêmicos e evidências científicas.

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