ONGS Brasileiras e sociedade civil se organizam para Marcha pelo Clima

Hoje daqui a algumas horas as ONGS brasileiras e sociedade civil participam do movimento global da Marcha Pelo Clima, veja o texto de convocatória a nós enviado:

CHAMADO PÚBLICO PARA MOBILIZAÇÃO MUNDIAL PELO CLIMA – MARCHA MUNDIAL DO CLIMA

SOLIDARIEDADE ÀS VÍTIMAS DOS TRÁGICOS ATENTADOS DE 13 DE NOVEMBRO EM PARIS E TAMBÉM ÀS DO COLONIALISMO E SUAS CONSEQUÊNCIA EM TODO MUNDO.

Serão realizados: 2173 eventos programados em mais de 150 países 77 marchas são previstas no mundo inteiro.

Dentro de poucos dias, líderes mundiais estarão reunidos pela última vez nesta década para definir como nossos países enfrentarão as mudanças climáticas. Durante a Conferência do Clima de Paris, eles vão apresentar suas soluções para impedir o aquecimento médio acima dos 2ºC, passando por reduzir rapidamente as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 50% até 2020 e 80% até 2050. Segundo os cientistas, esse é o limite de aumento de temperatura para evitar catástrofes climáticas irreversíveis com consequências altamente letais que afetariam de maneira trágica e permanente as formas de vida no planeta. As mudanças climáticas se constituem na maior ameaça e desafio jamais colocados para a história de nossa civilização !

A ação política do povo, com destaque para os trabalhadores, deve ser imediata ! Chega da irresponsabilidade daqueles grupos e indivíduos que colocam em primeiro lugar seus interesses egoístas, imediatistas, gananciosos, na verdade insanos, sobre os interesses da humanidade inteira, nos conduzindo à destruição da biodiversidade e fim de possibilidades de vida no Planeta (p.ex. a irresponsabilidade criminosa da empresa Samarco que permitiu a ruptura da barragem em Mariana, ou os agrotóxicos…). O atual modelo de “desenvolvimento” econômico tem mercantilizado a VIDA, colocando em grave risco bilhões de pessoas. Prioriza a acumulação material, acumulação de capital e o consumismo; se baseia em uma extração acelerada e irracional dos bens naturais, sem tomar em conta os limites, a capacidade  planetários; Tem gerado a maior crise civilizatória da história da humanidade, capaz de extinguir a civilização, com diferentes dimensões (climática, ambiental, financeira, energética, alimentar, e sobretudo humanitária) que temos que enfrentar imediatamente e tenazmente.

Este processo da CoP-21 pode ser nossa última chance de gerir um caminho alternativo de desenvolvimento que respeite os limites e as capacidades regenerativas da Mãe Terra e que enfrente as causas estruturais (modelo econômico neoliberal e consumismo) das mudanças climáticas. Não é possível adiar mais a adoção e implementação global de um programa de transição justa – social, energética, produtiva e de estilo de consumo – necessária para evitar o transtorno total e irreversível do sistema climático. Já estamos consumindo 1,6 Planeta ao ano  de acordo com a pegada ecológica.

Nossos/as governantes no mundo todo continuam tímidos nas negociações e na apresentação de metas. O Brasil, sétimo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, apesar de estar à frente da maioria – todos estão atrasados –  precisa dar exemplo e ser mais ousado em suas metas para forçar os demais a fazer o mesmo.

Brava, Coalition Climat 21 (http://coalitionclimat21.org/fr/jemengage) – Como na CoP-20 em Lima, a sociedade civil se organizou – “Coalition Climat 21”. Composta por mais de 130 organizações francesas e apoiada por nós e milhares de organizações no mundo todo, esta coalizão está facilitando a realização das Marchas do dia 29 ,da Cúpula dos Povos pelo Clima, da Zona de Ação Climática (ZAC), o D12 e mais.

masp*** COMO AÇÃO URGENTE E IMEDIATA DESTA LUTA, CONVOCAMOS A TODAS E TODOS SOLIDARIAMENTE PARA 4 DOS PRINCIPAIS PASSOS DA NOSSA MOBILIZAÇÃO MUNDIAL PELO CLIMA  :

  1.  29 DE NOVEMBRO – 09H00 – Se reunirem conosco na MARCHA MUNDIAL PELO CLIMA – “Mobilização Mundial pelo Clima – 2015 – São Paulo concentração no MASP, na Av. Paulista.
  2.  Cúpula dos Povos pelo Clima, 5 e 6 de dezembro em Paris /Montreuil. A maior concentração de debates e apresentações de alternativas concretas frente às mudanças climáticas acontecerá neste fim de semana.
  3.  ZAC – durante a última semana da COP-21, de 7 a 11 de dezembro, em um espaço cultural aberto da cidade, [o”CENTQUATRE”], situado em um bairro popular do norte de Paris ,organizaremos a “Zona de Ação pelo Clima”;
  4. D 12: 12 de dezembro, 12h, a mobilização do povo pelo clima sai as ruas em marcha novamente, desta vez só em Paris. Em 12 de dezembro, as negociações climáticas, no contexto da COP 21, estarão a ponto de terminar. Mas nós sabemos que o destino do planeta, e dos que o ocupam, AINDA não estarão assegurados. As exigências cidadãs por um planeta justo e habitável são no entanto claras:
  • Reduzir imediata e drasticamente as emissões de gases de efeito estufa;
  • Garantir justiça para as comunidades afetadas;
  • Apoiar de maneira adequada a transição ecológica justa, especialmente nos países pobres e vulneráveis;
  • Abandonar as falsas soluções e concentrar-se nas soluções eficazes e renováveis

ESTES SÃO OS 4 PASSOS DOS POVOS DO MUNDO QUE COMPÕEM NOSSO “ EVENTO MAGNO” ALTERNATIVO E  COMPLEMENTAR À COP 21, Conferência de  Clima da ONU em Paris (UNFCCC) – Conferência das Partes da Convenção- Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas , a ser realizada durante a primeira quinzena de dezembro, na cidade de Paris, na República da França.

Os acordos que adotaremos em ambos os eventos, no dos governos e no dos povos, serão de suma importância para o futuro do planeta e da humanidade. Estamos diante de uma emergência planetária, com cada vez maiores efeitos negativos sobre a vida das pessoas e dos ecossistemas, com eventos climáticos extremos que causam perdas e danos, muitas vezes irreversíveis, que aprofundam a vulnerabilidade e pobreza.

No dia 29 de novembro, um dia antes de os/as líderes se reunirem em Paris, nós, povo brasileiro juntamente com todos povos do mundo, iremos realizar a maior mobilização da história contra as mudanças climáticas, contra o modelo econômico predador da vida, pela justiça climática e destacando a transição justa. Em São Paulo, faremos oficinas educativas e/ou culturais na Avenida Paulista e a passeata. Esta mobilização segue os passos do movimento global que mobilizou cerca de 700 mil pessoas pelo mundo na Marcha Mundial do Clima de setembro de 2014. Agora, vamos unir as pessoas em prol de metas de redução de gases de efeito estufa ambiciosas, que respeitem as diferenças entre países, mas que reflitam a vontade popular de proteger nossas cidades e campos e todas as formas de vida que habitam este planeta. ENTRETANTO, a discussão sobre o enfrentamento das mudanças climáticas não pode ficar limitada às metas de redução de gases de efeito estufa, mas tem também que discutir se queremos manter o mesmo modelo de desenvolvimento que vem provocando o problema, e se as medidas que o país irá implementar para alcançar essas metas não perpetuam esse modelo que viola direitos e impacta os territórios no campo e na cidade.

PEGADA ECOLÓGICA E CONSUMISMO : Em 20 de agosto, a humanidade esgotou o orçamento da natureza previsto para este ano e o planeta passou a operar no vermelho. Os dados são da Global Footprint Network – GFN (Rede Global da Pegada Ecológica), instituição internacional parceira da rede WWF. O chamado Overshoot Day (Dia da Sobrecarga da Terra) é a data aproximada em que a demanda anual da humanidade sobre a natureza ultrapassa a capacidade de renovação possível da Mãe Terra. Para chegar a essa data, a GFN faz o rastreamento do que a humanidade demanda em termos de recursos naturais (tal como alimentos, matérias-primas e absorção de gás carbônico), ou seja, a nossa Pegada Ecológica, e compara com a capacidade de reposição desses recursos pela natureza e de absorção de resíduos.

Os resultados demonstram que, em pouco mais de oito meses, utilizamos tudo o que a natureza consegue regenerar durante um ano. O restante ficou descoberto em nossa conta. À medida que aumenta nosso consumo insustentável, cresce o débito ecológico, traduzido na redução de florestas, perda da biodiversidade, colapso dos recursos pesqueiros, escassez de alimentos, água, diminuição da produtividade do solo e acúmulo de gás carbônico na atmosfera. Tudo isso não apenas sobrecarrega a capacidade de recuperação e manutenção da Mãe Terra, como também debilita a nossa própria economia.

É NECESSÁRIO APRENDERMOS QUE FELICIDADE NÃO SE CONSTRÓI PELO QUE SE TEM, E SIM PELO QUE SE É. E ESPECIALMENTE SE ENTENDER QUE OS RICOS PRECISAM CONSUMIR MENOS DOS SEUS SUPER FULOS NO PLANETA PARA QUE OS DEMAIS POSSAM CONSUMIR O NECESSÁRIO PARA SUA DIGNIDADE.

Uma meta revolucionária é possível. As mudanças climáticas são um tema de interesse universal.  Deve envolver a transformação do modelo de desenvolvimento, das matrizes energéticas globais, com a descarbonização e priorização de fontes renováveis e limpas, mobilidade e cidades sustentáveis, o cuidado com nossas águas, produção de alimentos e a soberania alimentar o combate ao desmatamento global e o reflorestamento de áreas já desmatadas. As metas que os países apresentarão em Paris precisam mudar o mundo para melhor – JUSTIÇA CLIMÁTICA. Há anos, a sociedade civil luta por um modelo de desenvolvimento não predatório e acumulador de capital e vem mostrando, com experiências concretas, que ele é possível.

Parte da estratégia necessária é a defesa da TRANSIÇÃO JUSTA apresentada pelas centrais que assegura que a transição e a mudança rumo a um modelo produtivo de baixas emissões, garanta os direitos e ofereça oportunidades para as trabalhadoras e os trabalhadores. O objetivo é assegurar que eles não paguem a conta pelas consequências negativas ocasionadas por transformações das quais certamente não são os maiores responsáveis. Ao promover ações de reconversão e transição nos setores da economia que mais contaminam o meio ambiente, a Transição Justa é chave para garantia da proteção de direitos e para a ampliação do Trabalho Decente para todos nas décadas que virão.

Um acordo como este, que terá que ser firmado em Paris, com impacto monumental em nossas vidas, não pode passar despercebido pelos povos e nações. Se permitirmos não ser firmado, ou que não seja legalmente vinculante, a vida das gerações futuras está em concreto risco e nos conduzindo para a extinção da civilização.

A soma dos passos da “ MOBILIZAÇÃO MUNDIAL PELO CLIMA “ nos permitirão compartilhar iniciativas, propostas e experiências e também articularmos para definir agendas e exercer pressão aos  tomadores de decisão na COP 21, exigindo que os negociadores oficiais tomem em conta o clamor das exigências dos cidadãos e cidadãs dos povos do mundo.

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