Os riscos para biodiversidade desencadeados pelo emprego das plantas geneticamente modificadas: sua responsabilidade

Por: Ana Marina Martins de Lima

O aumento desenfreado do uso de agrotóxicos e a necessidade de desenvolvimento de novos produtos estão diretamente relacionado a múltiplos fatores como por exemplo:

  • Ausência de conhecimento técnicos de políticos que aprovam leis que beneficiam as empresas internacionais e propiciam um ambiente “legal” para venda de produtos dados os “incentivos econômicos” e a diversidade de facilidades para aprovação dos produtos.
  • Interesses políticos e econômicos de benefícios propiciados pelo mercado financeiro do agronegócio.
  • Estratégias de ataques e desestruturação de equipes de pesquisadores e pesquisas em andamento, trabalhadores concursados vinculados a EMBRAPA e IBAMA bem como desestímulo a pesquisas acadêmicas que podem monitorar e prevenir estragos ao meio ambiente e impacto negativo na saúde da população que consome produtos, além da Segurança Alimentar, muitos desconhecem a Segurança Biotecnológica  perdemos aqui também numerosas espécies da fauna e microfauna.
  • Segundo pesquisadores houve uma abertura para o uso dos bancos de materiais genéticos para empresas multinacionais vinculadas a produção de insumos agrícolas
  • Os tomadores de decisão, pois não se atentam para fatos e evidencias apresentadas pelos pesquisadores e profissionais da saúde com relação exemplo ao aumento de câncer na população e outras doenças como obesidades, alterações neurológicas e deficiências nutricionais dentre outras.
  • A população desconhece os riscos a que está sendo submetidas seja como consumidora de alimentos, seja como usuária dos produtos pois muitos aplicadores desconhecem os produtos que utilizam, fabricantes algumas vezes não disponibilizam informações técnicas dos produtos de forma compreensível para pessoas mais simples.
  • A mídia não realiza um trabalho efetivo no sentido de prevenir os males causados pela desinformação sistemática sobre os efeitos destes produtos que a exemplo dos medicamentos deveriam existir também campanhas para auxiliara própria sociedade em sua sobrevivência.
  • Um fator econômico com uma melhor fiscalização da comunidade internacional o Brasil irá perder um espaço no mercado de exportação de alimentos pois aqui é evidente o não monitoramento efetivo de contaminantes em alimentos, água, solo e animais.
  • O homem não tem consciência de que ele faz parte da Biodiversidade; uma vez proibido em um país um produto por causa de seu dano seja na saúde ou no meio ambiente este deveria ser proibido automaticamente em todos os países.
  • A inovação tecnológica não deve estar acima da Segurança Nacional

Abaixo o texto de Marc Dufumier Os Riscos para biodiversidade desencadeados pelo emprego das plantas geneticamente modificadas publicado no livro TRANSGÊNICOS PARA QUEM? Agricultura Ciência Sociedade do Ministério do Desenvolvimento Agrário – Brasília, 2011; os autores do livro esclarecem o papel da  Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) sua importância na prevenção do Bioterrorismo.

trangenicos

No que concerne à biodiversidade, o cultivo das plantas geneticamente modificadas (PGMs) suscita temores por dois motivos: a simplificação extrema dos sistemas de cultivo que permite e favorece sua utilização e aqueles relativos aos eventuais efeitos diretos das toxinas incorporadas nas PGMs (ou nos herbicidas de amplo espectro) sobre as abelhas, as larvas, as joaninhas e um grande número de insetos auxiliares dos cultivos.

Seleção massal e biodiversidade doméstica

Desde o nascimento da agricultura no neolítico, até há pouco mais de um século, todas as invenções da agricultura foram feitas pelo próprio campesinato. Isso começou com a seleção massal das espécies vivas, raças animais e variedades vegetais, adaptadas aos ecossistemas nos quais se desejava favorecer seu crescimento e seu desenvolvimento. Os agricultores se esforçavam para tirar o melhor proveito dos ciclos do carbono, do nitrogênio e dos elementos minerais, selecionando, a cada vez, no seio dos diversos ecossistemas, as espécies e variedades mais favoráveis para produzir as calorias alimentares, proteínas, vitaminas, minerais, fibras têxteis, moléculas medicinais e outros produtos, dos quais suas sociedades mais precisavam. Fazendo isso, os camponeses criaram pouco a pouco muitas variedades, cada uma adaptada a um ecossistema específico. Isso durou séculos e resultou em uma grande biodiversidade de cultivos adaptada a uma ampla panóplia de ecossistemas: uma multiplicidade de variedades muito diferentes, que trazem, por vezes, o nome de seus locais de origem.

Com tais variedades, os agricultores puderam implementar sistemas de cultivo relativamente bem-adaptados às condições ecológicas prevalecentes nas diversas regiões e localidades: adaptação aos solos, aos microclimas, aos predadores, aos insetos, às ervas “daninhas” etc. Eles até privilegiaram o crescimento e o desenvolvimento de plantas selecionadas, sem ter necessariamente que modificar totalmente seus ecossistemas de origem, nem erradicar totalmente seus eventuais concorrentes, predadores e agentes patogênicos.

Os princípios iniciais do “melhoramento varietal”

Todavia, com a pesquisa genética e o “melhoramento varietal”, realizados em laboratórios e estações experimentais, um processo totalmente contrário se impôs a numerosos países do norte e, depois, do sul. Em nome das economias de escala, e de modo a rentabilizar mais rapidamente os pesados investimentos realizados na pesquisa, foi selecionado apenas um número de variedades “padrão”, cuja vocação seria de poderem ser cultivadas em todas as estações do ano e sob todas as latitudes, independentemente daquelas estações em que haviam sido testadas. Essas variedades selecionadas por seu alto potencial genético de rendimento por hectare foram destinadas a ser cultivadas em seguida em uma ampla gama de situações, mesmo se fosse necessário artificializar e uniformizar de modo draconiano os ambientes nos quais se pretendia plantá-las. Para poder comparar estritamente seus potenciais genéticos, com todas as outras variáveis mantidas inalteradas, as novas variedades foram testadas em condições ecológicas e técnicas perfeitamente controladas: terrenos planos, beneficiando-se de um total controle da água, de solos profundos e de grande “fertilidade natural”, de emprego de adubos químicos e produtos fitossanitários, da implantação de cada uma das variedades em “cultivo puro”, sem associação com outras espécies vegetais, etc.

A simplificação dos sistemas de plantação

Os novos cultivares, no entanto, apenas foram capazes de exprimir plenamente seus potenciais genéticos com presença da irrigação e do uso de grandes quantidades de adubos minerais e produtos fitossanitários. Cultivadas fora de seus locais de seleção, as novas variedades, de fato, revelaram-se muito sensíveis à concorrência de ervas adventícias e aos danos causados pelos insetos “pragas” ou pelos agentes patogênicos já existentes nas diversas regiões de destino. Concebidas na origem para ser uma “chave-mestra”, as novas variedades não puderam, então, ser “disseminadas”, a não ser mediante o recurso a grandes investimentos em irrigação, drenagem, trabalho do solo, luta química contra as plantas adventícias e insetos predadores. Para amortizar esses investimentos mais rapidamente, os agricultores foram incitados a especializar sempre mais seus sistemas de produção, sofrendo as consequências de simplificar e fragilizar exageradamente seus agroecossistemas, com o desaparecimento de numerosas espécies espontâneas e a proliferação de algumas espécies invasivas.

As plantas geneticamente modificadas cujas sementes estão atualmente disponíveis no mercado internacional não parecem ter condições de pôr fim, em absoluto, a esse cenário. Muito pelo contrário. As plantas resistentes aos herbicidas em sentido amplo (glifosato ou glufosinate) encorajam os agricultores a praticar ainda mais a monocultura, sem rotação alguma de espécies, com o risco de acelerar o desaparecimento de espécies concorrentes, à exceção daquelas cuja resistência ao herbicida favoreça, ao contrário, sua proliferação. Essa já é a realidade em vastas porções de terras cultivadas anualmente com soja na Argentina e no Brasil, e com canola no Canadá. As plantas que produzem a toxina Bt deveriam permitir a redução do uso de certos pesticidas, ao menos em um primeiro momento, mas a pressão de seleção em favor dos predadores resistentes à toxina em questão é exercida ao longo do crescimento e do desenvolvimento da planta geneticamente modificada, arriscando vê-los proliferar ainda mais rapidamente do que com o uso episódico dos pesticidas. Tal tem sido o caso dos algodoais transgênicos Bt, no médio vale do rio Amarelo, na China, e no Arkansas, nos Estados Unidos da América.

Os efeitos das PGMs sobre as populações de abelhas, borboletas, joaninhas e outros insetos auxiliares

A simplificação exagerada dos agroecossistemas não pode ser feita sem graves consequências à alimentação e à manutenção das populações de abelhas e insetos polinizadores, aumentando o risco de impedir a reprodução de cerca de 30 mil espécies vegetais cultivadas ou selvagens. A isso se adiciona a contaminação direta dos néctares, dos pólens e dos melatos pelas toxinas de que são portadoras as plantas geneticamente modificadas, e os riscos que poderiam resultar disso para a alimentação, o comportamento e a reprodução de numerosos insetos polinizadores e auxiliares dos cultivos (borboletas, joaninhas etc.).

Temos que reconhecer que as primeiras publicações científicas relativas às secreções de plantas transgênicas, melíferas ou não, e seus eventuais efeitos diretos sobre a entomofauna polinizadora e os insetos auxiliares dos cultivos, são ainda pouco numerosas; e seus resultados parecem contraditórios. É precisamente por esta razão que, antes de toda eventual homologação, as plantas geneticamente modificadas deveriam ser objeto de baterias de testes de avaliação referentes aos seus efeitos sobre as abelhas domésticas e selvagens (efeitos letais e subletais) e sobre as larvas das colmeias (efeitos larvicidas e ovicidas), elaborados a partir de protocolos experimentais rigorosos e de longo prazo. Também conviria avaliar seriamente os efeitos que as PGMs poderiam ocasionar sobre a mortalidade larval das joaninhas e de outros insetos auxiliares. De fato, é de se temer que uma diminuição de sua biodiversidade possa originar uma perda de biodiversidade vegetal ainda mais grave.

A partir das evidências, os efeitos das PGMs sobre a diversidade deveriam ser objeto de estudos aprofundados e prolongados e, consequentemente, nossas sociedades deveriam inspirar-se em aplicar, antes de tudo, o princípio da precaução.

Leia:

TRANSGÊNICOS PARA QUEM?

Brasil Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica

PL 6670-2016 Institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos – PNARA, e dá outras providencias

Veja os sites do governo do BRASIL

Informações sobre agrotóxicos no site do IBAMA:

http://www.ibama.gov.br/agrotoxicos

Informações sobre agrotóxicos na EMBRAPA

http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/agricultura_e_meio_ambiente/arvore/CONTAG01_39_210200792814.html

Informações sobre agrotóxicos na ANVISA

http://portal.anvisa.gov.br/agrotoxicos

Informações sobre agrotóxicos no MAPA

http://www.agricultura.gov.br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos-agricolas/agrotoxicos

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