Onde o ouro não reluz: relatório mostra violações causadas pela maior mina do país
Por Justiça Global

O ouro é o mineral mais associado a riqueza, vitória a beleza. A história por trás de como esse metal chega a medalhas, joias e alianças, todavia, esconde destruição e envenenamentos, seja da natureza ou de comunidades tradicionais. É isso que revela o relatório “Violação de Direitos – O caso da empresa Kinross em Paracatu”, lançado nesta segunda-feira (dia 11) pela Justiça Global, que trata da maior mina de ouro do país, pertencente à empresa canadense Kinross, localizada na cidade de Minas Gerais. Três comunidades quilombolas foram diretamente afetadas pela expansão do empreendimento, sendo que duas tiveram seu território destruído para o uso do complexo minerário. Segundo relatos de quilombolas, o processo de expulsão envolveu práticas intimidatórias e acordos sem paridade de informações e condições de negociação.
A degradação da terra e a poluição das fontes de água era, no entanto, uma realidade mesmo antes da remoção das comunidades de Amaros e Machadinho, e permanece uma violação constante para São Domingos, única que ainda mantém-se em seu território. As violações de direitos associadas à atividade extrativa na mina Morro do Ouro, em Paracatu, também incluem a perseguição a pessoas que se insurgem e denunciam, a afetação à saúde em decorrência da poluição, a degradação ambiental e completa fragilização das atividades econômicas e modos de vida tradicionais.
“Os projetos de mineração estão rotineiramente associados ao desrespeito aos direitos humanos e danos ambientais no Brasil. No caso da mina de Morro do Ouro, as violações se estendem por dezenas de anos e envolvem a mudança do controle de operações entre grandes mineradoras mundiais. O processo de expansão das atividades da Mina, sob a responsabilidade da Kinross, é um marco deste processo ininterrupto de degradação social e ambiental, afetando diretamente comunidades tradicionais e seus territórios”, afirma Daniela Fichino, da Justiça Global. O relatório também suscita preocupação com a supervisão ambiental da mina, que está localizada a menos de 500 metros de centenas de casas na cidade de Paracatu. Esta proximidade com o núcleo urbano também levanta preocupações quanto ao depósito de rejeitos de mineração nas duas barragens do complexo. Ainda impactados com o cenário de destruição promovido pela Samarco e Vale a partir do rompimento da barragem de rejeitos dos Fundão, muitos moradores sinalizam preocupação com a possibilidade de um desastre semelhante na cidade.
O relatório foi produzido pela Justiça Global em parceria com a Federação Quilombola do Estado de Minas Gerais N’GOLO, na versão em português, e com a organização canadense Above Ground, na versão em inglês. Entre as recomendações constantes no relatório estão a suspensão das operações da Kinross no Morro do Ouro até que os direitos à terra dos quilombolas sejam protegidos e a adoção pelo Canadá de um quadro legal para identificar, prevenir e mitigar as violações nas atividades comerciais canadenses no exterior, entre outros.
Leia: Mineração e Violação de Direitos Paracatu
- Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
- Compartilhar no X(abre em nova janela) X
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Compartilhar no Threads(abre em nova janela) Threads
- Mais
Relacionado
Autor
ambientedomeio@outlook.com
Posts relacionados
Estudo de caso: o saneamento básico a saúde e outras necessidades das aldeias indígenas localizadas no Território Jaraguá no Estado de São Paulo
Os serviços de água e energia foram solicitados há mais de 10 anos, passa tubulação da SABESP dentro do território e não...
Leia tudo
Aedes aegypti: 49% dos municípios avaliados estão em situação de alerta ou risco
Dados mostram que a maioria dos focos do mosquito está em recipientes dentro e ao redor das residências. As informações ajudam estados...
Leia tudo
Expedição do SUS amplia acesso de indígenas do Alto Rio Negro a consultas e exames especializados
Ação em São Gabriel da Cachoeira prevê 743 atendimentos e procedimentos em clínica médica, pediatria, saúde da mulher, ultrassonografia e exames laboratoriais...
Leia tudo
NOTA À IMPRENSA: Sobre as ações de combate aos incêndios florestais no Amazonas
Sobre as ações de combate aos incêndios florestais no Amazonas, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima esclarece que: Atualizado...
Leia tudo
17 unidades da Federação indicam áreas prioritárias para prevenção e combate aos incêndios florestais
Informações de 16 estados e do Distrito Federal subsidiam o planejamento para o período de maior risco de incêndios, considerando o cenário...
Leia tudo
OPAS avalia como muito alto o risco de disseminação do sarampo diante de eventos religiosos de massa na região
Lacunas na vacinação e aumento da circulação de pessoas podem favorecer uma maior transmissão do vírus, o que ressalta a necessidade de...
Leia tudo