Ir para conteúdo

Pesquisa da UERJ revela que lama tóxica da Samarco contaminou o arquipélago de Abrolhos

Por: Ana Marina Martins de Lima

Foto: Wikipédia

Estudo realizado em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) revelou que os corais do Parque Nacional dos Abrolhos, na Bahia, também foram contaminados pelos rejeitos do consórcio Samarco neles foram encontrados   zinco e cobre e outros elementos decorrentes do rejeito da barragem da Vale.

O coordenador da pesquisa, Heitor Evangelista, do Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais (LARAMG), lançou uma página no Facebook para que o público acompanhasse a dispersão da lama tóxica  até o mar e o relatório conclusivo sobre a contaminação dos corais foi encaminhado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), órgão do Ministério do Meio Ambiente, e vai ser levado em conta nos autos da multa ambiental aplicada à Samarco; este trabalho pode ser acompanhado no Facebook:  https://www.facebook.com/abrolhosskywatch/

Já a Universidade Federal do Espírito Santo  por meio do Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Mobilizações Sociais produziu um relatório sobre a ótica socioambiental a investigação foi realizada entre os dias 10/11/2015 e 14/12/2015 a partir de dados primários e secundários, objetivando criar um diagnóstico preliminar dos impactos socioambientais do desastre causado pela ruptura da barragem de rejeitos de mineração da Samarco em 05/11/2015, no município de Mariana, Minas Gerais.

O trabalho foi desenvolvido por uma equipe coordenada pela professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo, Cristiana Losekann, e por pesquisadores de mestrado e graduação: Ana Caroline de Oliveira Sá, Arthur Augusto Santos, Tamyres Batista Costa, Washington Galvão, Júlia Castro, Lorena Cavalcante Fragotti, Leonardo Muniz, Laísa Lima. Contou, ainda, com a participação de pesquisadores de outros grupos, casos das pesquisadoras Bianca Jesus (GEPPEDES) e Lissa Tinôco dos Santos (DISSOA – Diálogos entre Sociologia e Arte.

Na época foi realizada análise da água coletada no munícipio do Baixo Gandu a colaboração da pesquisadora Aparecida Cristina Novaes Moura :

“ A partir do relatório analítico parcial 002-63866-96 da LAMA (Água superficial Lama-Mariana MG, Local da coleta ponto 02, Hora: 11:40 em 10/11/2015) assinado digitalmente e emitido pela Tommasi Analítica LTDA (FO-ANL-162, Rev 01 de 26/12/2012) sito em Vila Velha, ES CNPJ 04.485.521/0001-37, para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto – Baixo Guandu, detectou-se níveis de metais no referido material pelo critério de conformidade CONAMA 357. Das análises realizadas pelo método POP-FQ 081 Rev. 3 verificou-se os seguintes metais acima do valor de referência (VR):

Arsênio: mais de 260 (duzentos e sessenta) x acima do VR.

Bário: mais de 7,6 (sete vírgula seis) x acima do VR.

Chumbo Total: mais de 100 (cem) x acima do VR.

Cobre Dissolvido: mais de 0,14 (zero vírgula quatorze) x o VR.

Ferro Dissolvido: mais de 92,7 (noventa e dois vírgula sete) x acima do VR.

Níquel Total: mais(+) de 51 (cinquenta e uma) x acima do VR.

Zinco Total: + de 11,3 x acima do VR.

Alumínio Total: foi determinado pelo método USEPA 3015A, SMEWW 3120B cujo VR não foi indicado e os níveis de 1.405,5 mg/L, está + de 1.400.000x (+ de 1milhão de 400x) acima do LQ (limite de quantificação).

Antimônio Total: + de 51 (cinquenta e uma) x o VR (também determinado pelo método USEPA 3015A, SMEWW 3120B)

Cromo Total: 70(setenta) x acima do VR.

Cobalto Total: 5,7 (cinco vírgula sete) x acima do VR.

Ferro Total: 3.914,9 mg/L determinado pelo método USEPA 3015A, SMEWW 3120B, mas sem VR indicado. Este valor ultrapassa em 391.500 (trezentas e noventa e um mil e quinhentas) x o LQ.

Manganês Total: 610 (seiscentas e dez) x acima do VR.

Fósforo Total: + de 350 (trezentas e cinquenta) x acima do VR

Alumínio Dissolvido: + de 17,5 (dezessete vírgula cinco) x acima do VR

VALE LEMBRAR QUE CADA VALOR QUE É IGUAL AO DOBRO DO VR, POR EXEMPLO, SIGNIFICA UM AUMENTO DE 100%; DA MESMA FORMA QUE UM VALOR CINCO VEZES ACIMA DO VR CORRESPONDE A UM AUMENTO DE 500%.

A partir do relatório analítico parcial 002-63866-98 da H2O SUJA (Água superficial -Mariana MG, Local da coleta ponto 01, Hora: 10:43 em 10/11/2015) assinado digitalmente e emitido pela Tommasi Analítica LTDA (FO-ANL162, Rev 01 de 26/12/2012) sito em Vila Velha, ES CNPJ 04.485.521/0001-37, para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto – Baixo Guandu, detectou-se níveis de metais no referido material pelo critério de conformidade CONAMA 357. Das análises realizadas pelo método POP-FQ 081 Rev. 3 verificou-se os seguintes metais acima do valor de referência (VR):

Ferro Dissolvido: + de 1,85 (uma vírgula oitenta e cinco) x o VR estabelecido.

Alumínio Total: 20,327 mg/L dosado pelo método USEPA 3015A, SMEWW 3102B, sem indicação de VR. 

Este valor é 2000x superior ao valor de LQ.

Ferro Total: valor 200 (duzentas ) x superior ao LQ, valor de VR não indicado também.

Manganês Total: 2,6 (duas vírgula seis) x o VR.

Fósforo Total: + de 2,8 (dois vírgula oito) x superior ao VR

Alumínio Dissolvido: 5,55 (cinco vírgula cinquenta e cinco) x  o VR.

A partir do relatório analítico parcial 002-63866-97 da H2O LIMPA (Água superficial -Mariana MG, Local da coleta ponto 03, Hora: 13:10 em 10/11/2015) assinado digitalmente e emitido pela Tommasi Analítica LTDA (FO-ANL-162, Rev 01 de 26/12/2012) sito em Vila Velha, ES CNPJ 04.485.521/0001-37, para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto – Baixo Guandu, detectou-se níveis de metais no referido material pelo critério de conformidade CONAMA 357. Das análises realizadas pelo método POP-FQ 081 Rev. 3 foi verificado que:

Ferro Total: 0,204mg/L determinado pelo método USEPA 3015ª, SMEWW 3120B, que corresponde a + de 20 (vinte) x o LQ, cujo VR não foi indicado. Se considerado o mesmo VR para a água suja, o nível de Ferro Total ficaria aqui 4 (quatro) x acima desse VR”.

Pesquisadores da FIOCRUZ, UNIFESP e Universidade Federal de Minas Gerais produziram o seguinte artigo:  “Tragédias brasileiras contemporâneas: o caso do rompimento da barragem de rejeitos de Fundão/Samarco”  onde o ponto da discussão foi  a incapacidade do Estado para exercer seu papel como agente controlador e fiscalizador de maneira efetiva e revelam a vulnerabilidade da população atingida, esmagada por um modelo de desenvolvimento que fragiliza a organização coletiva, a representatividade social e a capacidade política de fazer valer seus direitos. As apurações sobre as responsabilidades, as ações de indenização e as medidas de recuperação dos danos socioambientais, ocupacionais e sanitários poderão não atender de forma justa e satisfatória os interesses coletivos dos trabalhadores e seus familiares, assim como de toda a população atingida, apontando para a necessidade de um amplo processo de mobilização social para recuperar a dignidade e os direitos violados por essa grave tragédia.

Do ponto de vista da saúde da população houve danos variados, implicando desde a necessidade de atendimento aos feridos até importantes preocupações com a saúde psicológica dos atingidos, além de, obviamente, mortos e desaparecidos; neste relatório consta a questão da saúde dos trabalhadores e o papel dos movimentos sociais nas denuncias realizadas junto ao Ministério Público.

Leia:  O caso do rompimento da barragem do fundão

Relatório da Universidade federal do Espírito