Nanotecnologia contra COVID-19

Por: CCS/CAPES

Cientistas da Comissão Nacional de Energia Nuclear e da Universidade Federal de São Paulo iniciaram uma pesquisa que pode resultar em novos remédios de combate à COVID-19. Realizado em parceria com outras quatro instituições, a pesquisa explora o potencial da nanotecnologia (manipulação de partículas que compõem a matéria) para a criação de compostos que executam tarefas bem específicas, e causam menos efeitos colaterais.

O objetivo do projeto é desenvolver nanossistemas (substâncias manipuladas atomicamente) inteligentes para as duas formas de combate à COVID-19. Um deles visa ao tratamento eficaz da SARS-CoV-2 em pacientes com a forma grave da doença. O segundo poderia ser utilizado de forma preventiva, em escala global.

Remédios feitos por meio de nanossistemas dão mais efetividade aos tratamentos e menos efeitos colaterais, esclarece o farmacêutico industrial Ralph Santos-Oliveira, pesquisador da CNEN. “Na construção dos nanossistemas, nos baseamos na expertise do nosso grupo. Para o combate ao COVID-19, estamos avaliando primordialmente nanoemulsões, nanomicelas e nanopartículas poliméricas carregadas com composições de fármacos”, acrescenta o doutor em biotecnologia.

Quatro instituições estão juntas na pesquisa. A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizam a caracterização (avaliação de tamanho e forma) dos nanossistemas. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), juntamente com a CNEN, atua nas áreas de farmacologia e toxicologia. Já a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) contribui com uma equipe de virologia. UFRJ e CNEN trabalham na nanotecnologia.

A parte de toxicologia e farmacologia da CNEN conta com a participação de Aline Barros, bolsista de pós-doutorado da CAPES no Instituto de Engenharia Nuclear, ligado à CNEN, e doutora em biociências nucleares. A produção dos nanofármacos ocorre na CNEN, e a Unifesp faz os testes, em laboratório com nível de biossegurança NB3 (destinado a lidar com doenças).

“Esperamos desenvolver produtos inéditos e 100% nacionais. Esse trabalho representa um grande avanço tecnológico e científico, visto que não há medicamentos ou vacinas nessa conformação sendo avaliados atualmente”, diz Daniela Santoro Rosa, pesquisadora da Unifesp. Durante o doutorado na área de micro-imuno-parasitologia, Daniela pesquisou vacinas contra a malária, e foi bolsista de doutorado-sanduíche da CAPES na França. Ela também já trabalhou no desenvolvimento de vacinas contra o HIV. A pesquisa recente da cientista inclui os vírus Zika e Chikungunya, além dos efeitos da privação de sono sobre o sistema imunológico.

Resultados preliminares

No momento, o grupo interinstitucional realiza ensaios com as cepas (variantes do vírus), e ao mesmo tempo avalia os perfis farmacológico e toxicológico do SARS-CoV-2. Ex-coordenador de projeto do programa CAPES/Cofecub, Santos-Oliveira acredita que a equipe está próxima de conseguir dados consistentes.

“Já desenvolvemos 3 nanossistemas que estão em fase de teste para avaliar qual apresenta melhor eficácia”, informa o especialista em nanorradiofarmácia. “Esse projeto tem uma expectativa de desenvolver um produto real. Acreditamos que possamos desenvolver medicamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais”, avalia Santos-Oliveira, que também é professor na Universidade Estadual da Zona Oeste, no Rio de Janeiro.

Nanorradiofarmácia é a área da radiofarmácia que desenvolve a avalia medicamentos radioativos em escala nanométrica (do tamanho dos átomos, partículas que compõem a matéria). Até a eclosão da pandemia, Ralph Santos-Oliveira trabalhava em novos nanorradiofármacos para diagnóstico e tratamento contra tumores.

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