Relatório IBGE/ANA: Consumo de água no Brasil em 2017

 Por: ASCOM/ IBGE e ASCOM/ANA

Em 2017, o consumo total de água, que corresponde à água utilizada menos a água que retorna para o meio ambiente, foi de 329,8 mil hm3 (329,8 trilhões de litros). A principal atividade responsável pelo consumo de água foi Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (97,4%).

Em 2017, para cada R$ 1,00 de Valor Adicionado Bruto gerado, foram consumidos aproximadamente 6,3 litros de água. No entanto, o resultado desse indicador para Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi de 1.061 litros/R$. Se descontarmos o volume de água do solo utilizado por essa atividade, foram necessários 96 litros/R$ em 2017.

Entre as grandes regiões, em 2017, considerando a água de solo, o Centro-Oeste apresentou a maior intensidade de consumo de água, com 1.511,9 litros para cada R$ 1 gerado na região. Sem incluir o volume de água do solo, o Nordeste tinha o maior resultado, com 151,4 litros para cada R$ 1 gerado.

No Brasil, em 2017, houve uma retirada total de água (tanto a retirada para atendimento próprio quanto a captação de água para fins de distribuição) de aproximadamente 3,7 milhões de hm³ (3,7 quatrilhões de litros). A participação da Hidroenergia na retirada foi de 83,0%, embora o volume de água captado por esta atividade seja quase todo utilizado e retornado na mesma quantidade e qualidade. Entre as grandes regiões, o Sudeste teve a maior participação na retirada total de água em todos os anos da série 2013-2017.

Com relação ao uso de água de distribuição, a região com a maior participação, em 2017, foi o Sudeste (45%), seguido do Nordeste (29%), Sul (14%), Centro-oeste (6%) e Norte (6%).

Em 2017, as adições no estoque total de água do Brasil foram de 27 milhões de hm³ (27 quatrilhões de litros). A precipitação (chuva) foi o principal responsável (51,1%), seguida das entradas de outros países a montante e de outros recursos no território (36,4%) e o retorno ao meio ambiente por parte das atividades econômicas (12,5%). O volume de precipitação teve uma queda acumulada de 13% entre 2013 e 2016, voltando a crescer 6% de 2016 para 2017.

Em 2017, no Brasil, o uso per capita de água pelas Famílias foi de 116 litros diários. Entre as grandes regiões o Sudeste registra o maior uso per capita, com 143 litros, enquanto o menor uso é registrado no Nordeste, com 83 litros por habitante/dia.

Em 2017, a atividade Água e esgoto correspondeu a 0,6% do Valor Adicionado Bruto (VAB) corrente do total da economia. O valor da produção de água de distribuição e serviços de esgoto foi R$ 56,5 bilhões em 2017, sendo a água de distribuição responsável por 65,9% desse total.

Essas são algumas das informações das Contas Econômicas Ambientais da Água do Brasil (CEAA) 2013-2017, resultado de uma cooperação entre o IBGE, a Agência Nacional de Águas (ANA), com o apoio técnico da Agência Internacional de Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit – GIZ GmbH), por intermédio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), e da União Europeia, no âmbito do projeto Natural Capital Accounting and Valuation of Ecosystem Services (NCAVES).

Além de trazer uma revisão das estimativas da série de 2013 a 2017, essa também é a primeira vez que a publicação apresenta dados com detalhamento por grandes regiões.

Consumo total de água no país foi de 329,8 trilhões de litros em 2017

Em 2017, o consumo total de água, que corresponde à água utilizada menos a água que retorna para o meio ambiente, foi de 329,8 trilhões de litros. Os principais responsáveis pelo consumo de água foram a Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (97,4%), que tem como destaque a agricultura de sequeiro (não irrigada); Indústria de transformação e construção (1,0%) e Água e esgoto (0,8%).

O retorno da água para o meio ambiente pode ocorrer através da coleta pela atividade Água e esgoto ou do lançamento direto pelas atividades econômicas e Famílias. No ano de 2017, o retorno total foi de 3,4 quatrilhões de litros. Excluindo-se a atividade Hidroenergia, a água de chuva que passa pelas redes pluviais e a atividade Agricultura, pecuária, produção florestal e pesca, que não utiliza o sistema de esgoto no seu retorno, o retorno total foi de 22,1 trilhões de litros. Desse total, 28,9% ocorreu através dos sistemas de esgoto e o restante foi lançado diretamente no meio ambiente. No âmbito das Famílias, o percentual de retorno que passa pelo setor de esgoto em relação ao uso da água é de 57,2%, ou seja, 42,8% do total da água que as Famílias usam é lançado diretamente no meio ambiente.

Cada R$ 1 de Valor Adicionado Bruto consumiu 6,3 litros de água em 2017

O indicador de intensidade do consumo da água mostra a vazão consumida, em litros, de água para cada real de Valor Adicionado Bruto (VAB) gerado pelas atividades econômicas. Em 2017, para cada R$ 1,00 de VAB, foram consumidos 6,3 litros de água. O resultado desse indicador para Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi de 1.061 litros/R$. O setor agrícola é responsável pelas maiores vazões consumidas no país. No acumulado de 2013 a 2017, o consumo de água caiu 19,9%. Se descontarmos o volume de água do solo utilizado pela agricultura, ou seja, se considerarmos apenas a água proveniente de irrigação, o indicador passa a ser de 96 litros/R$ em 2017.

Analisando-se o custo médio por volume de água utilizado (relacionando-se os gastos de consumo intermediário com água de distribuição com as vazões de água recebidas da atividade Água e esgoto), observa-se que, em 2017, o custo médio para a Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi de R$ 0,06/m³, onde o volume de água advindo do abastecimento foi, predominantemente, oriundo dos perímetros públicos de irrigação (PPI). Para o total das atividades econômicas, excluindo a atividade Água e esgoto, o custo médio por volume de água utilizada foi de R$ 3,12/m³. Similarmente, através dos gastos de consumo final, chegou-se a R$ 2,96/m³ para as Famílias.

A análise da série histórica da atividade Captação, tratamento e distribuição da água mostra uma queda acumulada no volume de água retirada para distribuição (-2,7%) entre 2013 e 2015, seguido de crescimento acumulado entre 2015 e 2017 (3,3%). De 2013 a 2017 o crescimento médio foi de 0,1%. O movimento de queda, seguido de recuperação, foi influenciado pela crise hídrica ocorrida em 2014 e 2015. Seus maiores usuários, isto é, as Famílias, a Agricultura, pecuária, produção florestal e pesca e as Demais atividades, foram responsáveis por 63,7%, 19,8% e 14,5% do uso de água de distribuição na economia em 2017, respectivamente.

Entre 2013 e 2017, as Famílias e Demais atividades registraram, em média, -0,1% e -2,2%, respectivamente, no total de água utilizada por ano. Já a atividade Agricultura, pecuária, produção florestal e pesca apresentou crescimento médio de 2,0% no mesmo período. Com relação aos gastos na série temporal 2013-2017, as despesas com água de abastecimento das Famílias e das Demais atividades tiveram crescimento de 10,6% e 6,8%, em média, no período, respectivamente.

Entre as grandes regiões, em 2017, o Centro-Oeste apresentou a maior intensidade de consumo de água, com 1.511,9 litros para cada 1 R$ gerado na região, explicada, entre outros fatores, pela grande concentração das atividades agrícolas de sequeiro. Se considerarmos a intensidade do consumo de água sem o volume de água do solo, a região Nordeste apresenta maior resultado, com 151,4 litros para cada R$ que a atividade gera, sobretudo em função das características climáticas do Semiárido e das características fisiológicas dos principais cultivos da região.

Retirada total de água da economia foi de 3,7 milhões de hm3

No Brasil, em 2017, houve uma retirada total de água (tanto a retirada para atendimento próprio quanto a captação de água para fins de distribuição) de aproximadamente 3,7 quatrilhões de litros.

Em âmbito nacional, a atividade econômica que mais contribui para o volume de retirada total é a Eletricidade e gás, devido à grande quantidade de água turbinada pelas hidrelétricas e a participação majoritária destas na geração elétrica brasileira. Em 2017, a participação da Hidroenergia foi de 83,0%, embora o volume de água captado por esta atividade seja quase todo utilizado e retornado na mesma quantidade e qualidade, o que é caracterizado como um uso não-consuntivo. Entre as grandes regiões, o Sudeste teve a maior participação na retirada total de água em todos os anos da série 2013-2017.

Já na atividade Esgoto e atividades relacionadas, a retirada de água corresponde à coleta de água da chuva que é escoada pelas redes pluviais, registrada com o mesmo volume tanto em retirada quanto em retorno ao meio ambiente. Em 2017, esse volume correspondeu a 0,8% da retirada total de água.

Excluindo-se as duas atividades acima, as principais captações diretas de água, ou seja, que consideram apenas o uso consuntivo são: Agricultura, pecuária, produção florestal e pesca (94,5%) e Captação, tratamento e distribuição da água (3,2%).

Na classificação por tipo de água, em 2017, 93,5% do volume de água retirada pela atividade de Agricultura, pecuária, produção florestal e pesca veio da água armazenada no solo (usada principalmente pela agricultura de sequeiro, não irrigada) e o restante se deu em corpos hídricos superficiais e subterrâneos.

Entre as grandes regiões, considerando apenas os usos em que há consumo de água (usos consuntivos), o maior volume de retirada total de água é registrado na região Centro-oeste (30%), principalmente por causa da agricultura de sequeiro, seguido do Sudeste (26%), Sul (25%), Nordeste (12%) e Norte (7%).

Considerando apenas as retiradas de águas superficiais e águas subterrâneas pelas atividades econômicas para uso consuntivo em 2017, o total captado foi de 66,0 trilhões de litros. A Agricultura, pecuária, produção florestal e pesca foi a principal responsável (55,9%), seguida das atividades Captação, tratamento e distribuição de água (29,6%) e Indústrias de transformação e construção (9,1%).

Nessa análise, entre as grandes regiões, verifica-se a seguinte distribuição aproximada de retirada de água em 2017: Sudeste (35%), Sul (26%), Nordeste (23%), Centro-oeste (10%) e Norte (6%). Tal como ocorre no nível nacional, a atividade econômica com maior peso nesse tipo de retirada de água foi, em todas as grandes regiões, a Agricultura, pecuária, produção florestal e pesca, com variações para cada região e predominância nas regiões onde a agricultura irrigada apresenta maior relevância.

A água utilizada pelas atividades econômicas e Famílias pode vir da retirada para atendimento próprio ou ser proveniente de um serviço de Captação, tratamento e distribuição de água, a exemplo das companhias que operam os serviços de abastecimento de água ou fornecem água usada nos perímetros públicos de irrigação (PPI). Considerando apenas o volume de água distribuído para atividades econômicas, os PPI tiveram participação de 54,6% em 2017. Nas atividades econômicas, a retirada de água para atendimento próprio predomina em relação a água proveniente da Captação, tratamento e distribuição de água. Já para as Famílias, 91,9% das águas são provenientes de outras atividades econômicas.

Com relação ao uso de água de distribuição, a região com a maior participação, em 2017, foi o Sudeste (45%), seguido do Nordeste (29%), Sul (14%), Centro-oeste (6%) e Norte (6%). Esse resultado é influenciado pelo fluxo de água advindo dos PPI, onde 75% estão concentrados na região Nordeste. Considerando-se apenas a distribuição de água tratada das companhias de abastecimento, o Sudeste passa a ser responsável por mais da metade do total de água de distribuição utilizado no país.

Volume de chuvas caiu 13% entre 2013 e 2016

As chuvas, o ingresso de água de rios com nascentes fora do Brasil e o retorno da água utilizada pelas atividades econômicas ao meio ambiente constituem acréscimos aos estoques. Por outro lado, a evaporação, a transpiração das plantas, a retirada de água pelas atividades econômicas e a saída de água dos rios para o mar ou para outros países constituem decréscimos nos estoques.

Em 2017, as adições no estoque total de água do Brasil foram de 27 quatrilhões de litros. A precipitação (chuva) foi o principal responsável (51,1%), seguida das entradas (36,4%) e o retorno ao meio ambiente por parte das atividades econômicas (12,5%). O volume de precipitação teve uma queda acumulada de 13% entre 2013 e 2016, voltando a crescer 6% de 2016 para 2017.

Ainda em 2017, a redução no estoque total de água no Brasil foi de 33 quatrilhões de litros. As saídas foram as principais responsáveis (61,9%), seguidas da evaporação/evapotranspiração (27,0%) e a captação de água por parte das atividades econômicas (11,1%).

Das grandes regiões, a que mais contribuiu na entrada de água no estoque nacional foi o Norte (98,8%), devido à participação da entrada de água de outros países a montante na Bacia Amazônica. A principal região responsável pela saída de água no estoque de água do país também foi o Norte (80,6%), seguido do Sul (11,1%) e Centro-oeste (5,4%).

Uso de água das famílias per capita em 2017 foi de 116 litros/dia

Em 2017, no Brasil, o uso per capita de água pelas Famílias foi de 116 litros diários. O Sudeste registrou o maior uso per capita, com 143 litros, enquanto o menor uso foi registrado no Nordeste, 83 litros por habitante/dia. Considerando ainda as Famílias, a participação do volume de esgoto coletado pela rede de esgotamento sanitário em relação ao volume de água usado, o Sudeste foi região que apresenta o maior resultado em 2017, com 71%. Já na região Norte, apenas 14% da água utilizada pelas Famílias retorna ao meio ambiente através da rede de coleta.

Valor da produção de água e esgoto foi de R$ 56,5 bilhões em 2017

Em 2017, a atividade Água e esgoto correspondeu a 0,6% do Valor Adicionado Bruto (VAB) corrente do total da economia. O valor da produção de água de distribuição e serviços de esgoto foi R$ 56,5 bilhões em 2017, sendo a água de distribuição responsável por 65,9% desse total. Pelo lado da demanda, ou seja, dos gastos, em 2017, as Famílias foram as maiores responsáveis pelo uso de água de distribuição (61,5%) e serviços de esgoto (62,1%). Nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste, a atividade Água e esgoto correspondeu a cerca de 0,6% do VAB corrente. Na região Norte e Sudeste esse percentual foi 0,3% e 0,7%, respectivamente.

Quanto ao custo dos serviços de distribuição de água e serviços de esgoto, o Centro-oeste apresentou os maiores valores em 2017, com R$ 4,71 para cada 1.000 litros. Já as regiões com os menores valores foram o Norte e o Nordeste.

No Nordeste a demanda de água advinda da atividade Água e Esgoto para irrigação foi maior do que a das famílias

No caso do volume de água advindo da atividade Água e Esgoto, as Famílias foram as principais demandantes em todas as grandes regiões em comparação às atividades econômicas, com exceção da região Nordeste. Nesta região a demanda de água para fins de irrigação, fornecida pela atividade Água e esgoto superou a demanda por água das Famílias em cerca de 30% em 2017, isso ocorreu principalmente devido ao volume de água originário dos PPI, demandado pela atividade Agricultura, pecuária, produção florestal e pesca.

Contas Econômicas Ambientais da Água

As CEAA são uma metodologia padronizada internacionalmente que mescla informações hidrológicas e econômicas num conjunto de tabelas e indicadores que descrevem a correlação entre a economia e o meio ambiente. Assim, é possível mensurar a contribuição da água para os processos de produção das atividades econômicas e na demanda das famílias, bem como o impacto desse uso sobre os estoques de recursos hídricos.

Por intermédio das Contas Econômicas Ambientais da Água, também é possível obter um conjunto de estatísticas e indicadores que auxiliam no monitoramento da performance econômica e ambiental do Brasil, assim como servem de insumo para o gerenciamento dos recursos hídricos. A ANA é a instituição responsável pela elaboração das Contas Econômicas Ambientais da Água do Brasil em conjunto com o IBGE.

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