Amazônia, quantos ainda vão chorar por ti?

Por: Ana Marina Martins de Lima

Dia da Amazônia, mas como ter inspiração para escrever? A realidade atual é consequência da nossa falha vai além da construção de um futuro seguro e sustentável.

Não é de hoje que o jornalismo retrata a triste forma como a humanidade tem tratado da Amazônia e não tão pouco que cientistas estudam e alertam para a necessidade de preservar a Biodiversidade ou empresas investem no conhecimento da população local para obterem novos produtos.

Um pequeno trecho da reportagem: Amazônia a Última Chance da Floresta publicação de 1992 da revista Manchete: “Quem viaja pela Amazônia sai de lá com a impressão de que as amazônias são várias. Uma é a que muita gente considera real, com a floresta, os rios, as pessoas, a terra pobre na maior parte (mas capaz em algumas áreas de produzir coisas espantosas, como ananases de 18 quilos no Acre). Outra está em transformação, com gente invadindo por todos os lados, já modificando o clima com a acelerada destruição da mata, o empobrecimento dos rios, a matança dos animais. Outra é uma Amazônia cobiçada, rica em minérios de toda a espécies, até mesmo petróleo. E há uma Amazônia mística, com as lendas, os problemas sociais motivando surgimento de seitas inusitadas. Sobre todas, a Amazônia mágica, povoada de bichos mitológicos entre eles a cobra-grande que, juram os ribeirinhos, tem o diâmetro da barriga mais alto que um homem em pé. É difícil dizer qual a Amazônia verdadeira.  Muitos preferem viver na realidade mágica do curupira, caboclinho, torto que anda com os pés para trás. Os povos da floresta, índios e seringueiros, vivem o sonho de sua arvore sagrada, o castanheiro, e fazem montanhas de castanhas, mas têm de enfrentar o realismo das queimadas. E das motosserras que todos os dias fazem a mata gemer na dor das arvores milenares derrubadas. O garimpo, cada vez mais espraiado, vai derramamento seu mercúrio venenoso. Fazendeiros agem sem critérios, derrubando as chamadas matas de terra seca para fazer pastos – quando é sabido que essas terras tiveram seus nutrientes carregados, por bilhões de anos de chuvas torrenciais. Mas nada consegue derrubar a magia.  O que talvez se explique pela própria grandeza das terras, mergulhada em matas profundas e rios sem fim. Pois a Amazônia legal brasileira tem 5 milhões de quilômetros quadrados e é mais da metade de todo o território nacional – 57%. Avançando também pela Bolívia, Peru, Suriname e Venezuela, são 7,8 milhões de quilômetros quadrados. Do tamanho da Europa inteira, incluindo a União Soviética a oeste dos Urais. A opção da Amazônia é encontrar o ponto certo do desenvolvimento uma fórmula que defenda a floresta e viabilize econômica e socialmente a vida de seus habitantes… O gigantesco sistema amazônico é formado por cerca de 1.100 rios. Nenhum outro lugar no planeta tem mais seres vivos do que ele. São 2.500 tipos diferentes de peixes, 50 mil espécies de plantas e um número de invertebrados até agora difícil de contar. Pelo menos 10% de todos os seres vivos da Terra são encontrados na Amazônia. Toda essa vida fervilha sobre um ecossistema tão frágil quanto importante para o homem de todo o planeta Terra….”

Para evidenciarmos o quanto o Brasil deixou de valorizar e respeitar sua riqueza natural; ainda na mesma revista uma reportagem sobre o Pantanal:  O garimpo mecanizado, agride o meio ambiente, assoreando os rios e córregos do pantanal.

Em março de 2008 a Veja publicou um Especial sobre a Amazônia: Amazônia a verdade sobre a saúde da Floresta – reportagem de Leornado Coutinho e José Eduard: “As notícias sobre a Amazônia que chegam aos olhos e ouvidos dos brasileiros são por natureza, fragmentados e muitas vezes contraditórias. Ora se dá conta de que a selva tropical brasileira nunca esteve tão protegida. Ora soam clarins do apocalipse e anuncia-se a morte iminente da maior reserva de água doce, plantas e animais do planeta…Por meio da evaporação , a Amazônia produz um volume de vapor d água que responde pela formação de 60% da chuva que cai sobre as regiões do Norte, centro – Oeste, Sudeste e Sul do Brasil . A diminuição da chuva teria um impacto direto sobre a produtividade agrícola em estados como Mato Grosso, Goiás e São Paulo. Os rios que abastecem o reservatório de Itaipu teriam sua vazão sensivelmente diminuída, causando um colapso energético no país…. dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais:  foram cortados 725 quilômetros quadrados de mata, contar os 266 quilômetros quadrados do último índice disponível para um mês de fevereiro, o de 2005. A escalada no desmatamento é notícia que mexe com o brio dos brasileiros. Equivale a derrota do país numa competição esportiva no exterior. Afinal, a Amazônia é um patrimônio nacional a ser preservado….”

Sobre o grau do desmatamento aqui encontramos alguma peculiaridade com o Governo atual: “O boletim de janeiro do INPE detectou o sumiço de 7000 quilômetros quadrados de Floresta Amazônica entre agosto e dezembro de 2005. O anúncio causou consternação no governo federal, que vinha alardeando a queda nos últimos três anos. Por sua vez, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, mandou realizar estudos para desmentir a afirmação segundo o qual seu estado foi aquele que mais, desmatou. O sistema de monitoramento por satélite da Amazônia é uma referência internacional de qualidade ….”  

Sobre a agropecuária: “Nas últimas décadas, a expansão do agronegócio fez com que as lavouras e pastos avançassem cada vez mais pela floresta, contribuindo para o desmatamento. Sabe-se que a mata amazônica já perdeu 17% de sua cobertura original. As imagens de satélite revelam que quase 40% dessa devastação foi realizada nos últimos vinte anos. Surge aí a questão: quanto é aceitável desmatar para dar lugar ao agronegócio?… estatísticas mostram que as toras retiradas … chegam a 80% de toda a produção madeireira da região…são vendidas em outros estados do brasil e no exterior, essas toras são “legalizadas” por meio de documentos forjados…”.

O Arco do Desmatamento – Veja edição de 26 de março de 2008

Em edição especial de outubro de 2007 a Revista Página 22 dizia: Amazônia a lógica do jogo – os motivos da destruição e a exploração sustentável da maior floresta do mundoSobre a questão do indígena abordada por Raul do Valle com o título Diversidade em transformação:“… Entre a década de 50 a 70 havia um plano governamental de “integração” da Amazônia ao restante do país, o qual pressupunha projetos de colonização, incentivos a derrubadas da floresta para uso agropecuário, instalação de grandes obras de infra- estrutura e de projetos de extração de recursos naturais. Hoje já não há mais um plano oficial neste sentido – muito embora o Incra continue assentando milhares de colonos do País na região -, mais o mercado, também nessa área, veio tomar o seu lugar. Grandes projetos de aproveitamento hidrelétricos, de mineração, de exploração agropecuária e madeireira estão se instalando na região, alguns com incentivo oficial, outros sem precisar disso, apenas pelo estímulo de buscar matéria prima barata para exportar a um mercado mundial em crescimento contínuo nos últimos anos. Neste como ocorreu na década de 70, os povos indígenas e seus territórios são vistos como “entraves” ao crescimento do País. Não por acaso cresceu nos últimos cinco anos o número de projetos de lei apresentados perante o Congresso Nacional que tentam reverter a demarcação de terras indígenas e abrir suas fronteiras para exploração dos recursos naturais…”

Em maio de 2008 a reportagem de capa da revista ISTOÉ foi: A AMAZÔNIA É NOSSA! Como e porque o Brasil deve reagir de imediato à nova pressão da comunidade internacional que quer tomar o controle do pulmão do planeta  –  na reportagem assinada por Octávio Costa e com colaboração de Cláudio Camargo, Luciana Sgarbi e Luis Pellegrini,  a questão dos interesses internacionais na Amazônia é tratada pelo aspecto de interesse sobre a quantidade de bens como a água e a biodiversidade e sob o aspecto político há manifestação do exército como protetor do território Nacional. Em destaque cita-se: “Dois séculos de Cobiça Internacional” e “Ameaças à Amazônia”.

Trecho da reportagem de Eduardo Raia: O cerco se fecha: como se organiza o movimento que quer o controle Internacional da Amazônia“…. numa entrevista à Agência France Presse (AFP) em setembro, Lula declarou que o Brasil não fugirá da responsabilidade de discutir metas  em Copenhague: temos obrigação moral de diminuir o desmatamento na Amazônia….ninguém pode quere que o Brasil tenha a mesma responsabilidade  que a Inglaterra ou França – países que ele lembra que poluem a mais tempo…”

Trechos da reportagem de Evanildo da Silveira: As duas Amazônias Uma real, a outra fantasia: “……Adalberto Luís Val, diretor do Inpa….A única maneira de o Brasil proteger a biodiversidade da região, é por meio do conhecimento e da informação. Para isso é preciso investir em mais pesquisa.”

” ….a presença de pesquisadores e doutores numa área tão vasta e quase inexplorada como a Amazônia é importante, porque são eles que geram conhecimento e realizam descobertas, que mais tarde podem dar origem a novos produtos como medicamentos. Novos produtos, por sua vez, podem resultar em patentes, que significam desenvolvimento e riqueza para o País. Além disso é com base no trabalho de cientistas que o Brasil pode definir a melhor forma de explorar a riqueza potencial da Amazônia”.

Em setembro de 2009 a Veja publicou um especial Amazônia: o fator humano – o destino da Amazônia está atrelado à vida de seus 25 milhões de habitantes: “… Um dos principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia é que parte significativa dela é território sem lei. Apenas 4% das terras da Amazônia têm títulos de propriedade. Numa imensidão que corresponde a 59% do território brasileiro, ninguém sabe quem é dono da terra e quem ocupa…”

Sobre a poluição Ronaldo Soares escreveu na reportagem  –  O pulmão intoxicado pelo diesel: “… As 260 termelétricas da Amazônia emitem o dobro dos poluentes produzidos pela frota de veículos da cidade de São Paulo, não faz sentido falar em preservação ambiental sem que pelo menos 90% da energia da região  venha de fontes limpas…. levar óleo diesel às termelétricas da Amazônia é uma operação, além de custosa, complicada. Todos os meses atracam em Manaus cinco petroleiros carregados com 180 milhões de litros de óleo para abastecer as usinas e o setor de transporte da região Norte. Os petroleiros percorrem quase 6000 quilômetros, do Sudeste até Manaus. De lá, o diesel é levado para outras cidades a bordo de quase 200 balsas – tanque e 500 caminhões…  há hoje no Brasil dezoito projetos de hidrelétricas que não saem do papel  ou cuja as obras estão atrasadas por causa de ações judiciais  questionam seu impacto ambiental… como a Amazônia tem características geográficas complexas, com rios  gigantescos  e florestas densas, levar  as linhas  de transmissão  de eletricidade a muitos pontos da região  é difícil. Estudos mostram que, nessas áreas o ideal seria recorre às fontes alternativas. “  

Nesta releitura de fatos sobre a Amazônia no arquivo encontrei uma revista que me chamou atenção trata-se da Edição dupla de Aniversário da Revista Época vejam a capa:

ÉPOCA edição de 25 de maio de 2009

Aqui um trecho do texto intitulado: O desafio para um Brasil sustentável de autoria do economista Paulo Guedes “…. A disponibilidade de recursos naturais exauríveis convencionais, como as reservas minerais e de petróleo, tem recebido a devida atenção – embora seja preocupante a politização das áreas críticas de investimento, como a camada pré-sal. Mas há recursos essenciais como água e energia renovável, que exigem novas ondas de investimento. O abastecimento humano e animal , os projetos de irrigação, o transporte fluvial, o potencial hidrelétrico como a coluna central de uma matriz energética limpa, que preserve o meio ambiente e viabilize o crescimento autossustentável  a baixo custo, tornam  os recursos hídricos um extraordinário  fator de vantagem comparativa brasileira  no percurso de 2020 e bem além. E a mobilização eficiente desses recursos produtivos exigirá, cada vez mais investimentos em logística e o software responsável pelo aumento simultâneo da produtividade na economia. Nosso maior obstáculo? A incapacidade de o pensamento político brasileiro transitar no presente por essas dimensões do futuro” e outro trecho que não está relacionado diretamente à Amazônia mas que parece ter sido utilizado politicamente intitulado Metade do Brasil será evangélica?  diz: “uma população de evangélicos não significa, ainda, que nos próximos dez anos eles elegerão um presidente da república…’

E por fim respondendo ao título deste editorial:  Amazônia muitos ainda vão chorar por ti, pois ainda não aprenderam a ler as entrelinhas da Comunicação Social existente neste país e no mundo.  Muitos irão chorar porque preferem consumir produtos desnecessários e não entenderam ainda que individualmente muito podem fazer por ti. 

Precisamos investir na formação de educadores, jornalistas e cientistas e acima de tudo ter consciência política e participação social auxiliando para que cheguem a todos os lugares mudanças de comportamento com valoração da ética e diálogos pacificadores; uma justiça ambiental eficaz e uma economia socioambiental que vá além da publicidade.

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