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Desemprego aumenta em 2017 pelo 3º ano consecutivo na América Latina e no Caribe, mas deve diminuir em 2018

Por: ONUBr

A previsão é do relatório Panorama Laboral da América Latina e Caribe 2017, lançado nesta segunda-feira (18) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que indica que a região apresentou desempenhos mistos.

O desemprego na América Latina e no Caribe aumentou pelo terceiro ano consecutivo e afeta mais de 26 milhões de pessoas em 2017, de acordo com um novo relatório divulgado nesta segunda-feira (18) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Apesar desta realidade preocupante, o estudo destaca que há sinais positivos no mercado de trabalho e prevê uma melhora dos indicadores no próximo ano.

 “O mercado de trabalho da região parece estar em um momento de mudança de ciclo, após um período de deterioração generalizada dos indicadores sociais e de trabalho, mas a melhoria dependerá do cumprimento das previsões de maior crescimento econômico”, alertou o diretor-regional da OIT para a América Latina e o Caribe, José Manuel Salazar-Xirinachs.

O relatório anual ‘Panorama Laboral da América Latina e Caribe 2017’, lançado na sede do Escritório Regional da OIT em Lima, no Peru, destacou que este ano a região apresentou um desempenho misto das principais variáveis ligadas ao mundo do trabalho.

A taxa média de desemprego na América Latina e no Caribe aumentou de 7,9% em 2016 para 8,4% no final de 2017, um aumento de 0,5 pontos percentuais. O número total de pessoas que procuram um emprego sem sucesso aumentou em dois milhões, para 26,4 milhões de pessoas.

O relatório da OIT observou, no entanto, que a média foi fortemente influenciada pela situação do Brasil, que concentra cerca de 40% da força de trabalho da região e onde a taxa de desemprego foi de 13,1% no terceiro trimestre de 2017.

Além disso, embora este ano tenha sido observada uma leve recuperação do crescimento econômico após um período de desaceleração e contração, isso não foi suficientemente forte para mudar a tendência de um mercado de trabalho que “atua com atraso quando há recuperação”.

Já em 2018, quando as últimas previsões indicam que o crescimento econômico médio da região pode chegar a cerca de 2%, “se espera que a recuperação econômica seja mais visível nos mercados de trabalho” e que a taxa de desemprego diminua pela primeira vez depois de três anos, para 8,1%.

O relatório da OIT afirma que já se notou uma melhora na taxa de ocupação no mercado de trabalho no final de 2017, o que permite prever uma evolução positiva para o próximo ano. No entanto, o documento alerta que a melhoria ainda é “leve e frágil”.

Na análise por sub-regiões, o relatório destaca que o desemprego aumentou no Cone Sul, onde a variação interanual para o terceiro trimestre passou de 10,7% para 11,9%. Nos países andinos houve uma redução moderada de 6,9% para 6,8%. Na América Central e no México, a queda foi de 4,5% para 4,0%. Já no Caribe, a redução foi de 7,8% para 7,4%.

Em 2017, o desemprego aumentou em nove dos 19 países com dados para o terceiro trimestre. Esta também é uma evolução positiva em relação a 2016, quando o aumento foi registrado em 13 países.

“A principal novidade deste Panorama Laboral 2017 é que, em geral, podemos ver o fim da deterioração generalizada nos mercados de trabalho registrados nos últimos anos e o início do que será uma nova fase de melhoria, se a aceleração do crescimento esperada para 2018 se materializar”, afirmou Salazar.

No entanto, ele lembrou que o desemprego é apenas a parte mais visível do funcionamento dos mercados de trabalho. “Existem outras dimensões do emprego que devem ser abordadas pelos países da região, como a persistente desigualdade de gênero, a falta de emprego para os jovens e as questões relacionadas à qualidade do emprego, que contribuem para perpetuar a informalidade”, ressaltou o diretor-regional da OIT.

No caso das mulheres, a boa notícia é que, pela primeira vez desde o início da produção anual do Panorama Laboral, a participação das mulheres no mercado de trabalho superou 50%, chegando a 50,2%. Isso significa que mais de 100 milhões de mulheres fazem parte da população economicamente ativa.

Apesar desta evolução positiva, a desigualdade de gênero é persistente. As taxas de participação e ocupação das mulheres ainda são inferiores às dos homens em mais de 20 pontos percentuais. Por outro lado, a taxa de desemprego das mulheres, de 10,4% no terceiro trimestre, ainda é 1,4 vezes maior que a dos homens. “Os mercados de trabalho na região continuam sendo fortemente segregados”, comentou Salazar.

Por outro lado, a taxa média de desemprego juvenil aumentou de 18,9% para 19,5% em 2017, o que significa que um em cada cinco jovens na força de trabalho não consegue encontrar trabalho. Estima-se que esta situação afeta cerca de 10 milhões de jovens na região.

Quanto à qualidade dos empregos, o relatório da OIT identificou a persistência de uma fraca geração de postos de trabalho no setor formal e assalariado, enquanto o crescimento do trabalho por conta própria foi maior, geralmente associado a condições de trabalho de menor qualidade e informalidade.

No caso de empregos por setor, destaca-se o aumento de 1,9% no emprego na indústria manufatureira, normalmente associado a condições formais de trabalho.

Em termos de salários, em um contexto de crescimento moderado e especialmente devido à menor inflação, em sete dos nove países com informações disponíveis os salários reais no setor formal aumentaram entre o terceiro trimestre de 2016 e o terceiro trimestre de 2017. O aumento foi mais notável no caso dos salários-mínimos reais, com um aumento médio de 4,3% no terceiro trimestre de 2017, acima dos 2,3% registrados há um ano.

Um tema especial incluído neste Panorama Laboral 2017 é a “Evolução dos salários na América Latina e no Caribe de 2005 a 2015”. Entre outros dados, a pesquisa destaca que durante esta década:

Os salários reais na América Latina aumentaram 19,8%, ou 1,8% ao ano;

Em média, o salário-mínimo real aumentou 42% na América Latina;

Na América Latina, os funcionários públicos representavam 18% do total de assalariados em 2015; o setor privado concentrava 74% dos assalariados, comparado a 8% no trabalho doméstico.

O Panorama Laboral da América Latina e Caribe 2017 alerta que as perspectivas futuras dependem da manutenção de um ambiente econômico internacional mais estável.

Além disso, Salazar ressaltou que “embora 1,2% ou 2% de crescimento seja melhor que as taxas de crescimento recentes, esse ‘novo normal’ é uma má notícia, pois esses níveis de crescimento são insuficientes para reduzir a pobreza rapidamente, satisfazer e financiar as demandas das classes médias e ter impactos verdadeiramente transformadores nos indicadores sociais e de mercados de trabalho”.

Para isso, “os países da região deveriam crescer 5% ou 6%, o que só será alcançado com o enfrentamento das lacunas de baixa produtividade e da falta de desenvolvimento e diversificação produtiva, bem como as questões de educação, formação profissional e infraestrutura”.

 “Somente assim poderemos avançar para um crescimento mais sustentado, inclusivo e sustentável com mais e melhores empregos”, disse o diretor-regional da OIT.

Leia: Panorama Laboral 2017

Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável

Por ONU Brasil

Começa sexta-feira (25) a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável

Cerca de 150 líderes mundiais devem participar da Cúpula, que acontece na sede da ONU em Nova York, com o objetivo de adotar uma nova agenda de desenvolvimento sustentável.

Mais de 150 líderes mundiais são esperados para participar na Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que acontece entre 25 e 27 de setembro na sede da ONU em Nova York, para adotar formalmente uma nova agenda de desenvolvimento sustentável. Esta agenda servirá como plataforma de ação da comunidade internacional e dos governos nacionais na promoção da prosperidade comum e do bem-estar para todos ao longo dos próximos 15 anos.

Em uma declaração emitida após o consenso alcançado pelos Estados-membros sobre o documento final da Cúpula, em 2 de agosto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse: “[O acordo] abrange uma agenda universal, transformadora e integrada que anuncia um momento decisivo histórico para nosso mundo”.

“Esta é a Agenda do Povo, um plano de ação para acabar com a pobreza em todas as suas dimensões, de forma irreversível, em todos os lugares, não deixando ninguém para trás”, disse.

Acordada pelos 193 Estados-membros da ONU, a agenda proposta, intitulada “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, consiste de uma Declaração, 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas, uma seção sobre meios de implementação e uma renovada parceria mundial, além de um mecanismo para avaliação e acompanhamento.

A agenda é única em seu apelo por ação a todos os países – pobres, ricos e de renda média. Ela reconhece que acabar com a pobreza deve caminhar lado a lado com um plano que promova o crescimento econômico e responda a uma gama de necessidades sociais, incluindo educação, saúde, proteção social e oportunidades de trabalho, ao mesmo tempo em que aborda as mudanças climáticas e proteção ambiental. Ela também cobre questões como desigualdade, infraestrutura, energia, consumo, biodiversidade, oceanos e industrialização.

A nova agenda de desenvolvimento sustentável se enquadra no êxito do resultado da Conferência sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, recentemente concluída em Adis Abeba (Etiópia). Espera-se que ela também afete positivamente as negociações sobre um novo acordo climático significativo e universal, que acontecerá em Paris (França), em dezembro deste ano.

Processo Intergovernamental rumo à Ação Global para as Pessoas e o Planeta

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que produziram o mais bem-sucedido movimento antipobreza da História, serve como um trampolim para a nova agenda de desenvolvimento sustentável que será adotada por líderes mundiais.

Desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992 – a Cúpula da Terra – no Rio de Janeiro, o mundo identificou um novo caminho para o bem-estar humano, o do desenvolvimento sustentável. O conceito de desenvolvimento sustentável, apresentado na Agenda 21, reconhece que o desenvolvimento econômico deve ser equilibrado com um crescimento que responda às necessidades das pessoas e proteja o meio ambiente.

A nova agenda de desenvolvimento sustentável baseia-se no resultado da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável de 2002, da Cúpula de 2010 sobre os ODM, o resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável de 2012 (Rio+20) e os pontos de vista de pessoas em todo o mundo.

Reconhecendo os sucessos dos ODM, os países concordaram sobre “O futuro que Queremos” – o documento final do Rio+20 – para estabelecer um grupo de trabalho aberto para elaborar um conjunto de metas de desenvolvimento sustentável para consideração e ação apropriada. Depois de mais de um ano de deliberações consultivas abrangentes e intensivas, o Grupo de Trabalho Aberto propôs 17 objetivos específicos com 169 metas associadas.

A negociação intergovernamental sobre a composição das metas durou mais de dois anos e incluiu numerosas contribuições da sociedade civil e outras partes interessadas. As consultas inclusivas e transparentes levaram ao alcance de um consenso em 2 de agosto do documento final para a nova agenda de desenvolvimento sustentável.

A nova agenda será oficialmente adotada pelos líderes mundiais na Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que acontece nos dias 25, 26 e 27 de setembro de 2015.

Novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Por artigo 19

Intitulado “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, o documento final que contém os 17 ODS tem como principal ambição a erradicação da pobreza. Almeja ainda superar barreiras como a desigualdade social, o consumo e a produção insustentáveis, a infraestrutura inadequada e a falta de empregos decentes, sublinhando ainda a necessidade de uma cooperação internacional em muitas frentes para que os objetivos sejam alcançados.

Cada ODS é subdividido em diversas metas, totalizando 169 no total. Metas relacionadas ao tema “acesso à informação” estão citadas no ODS 16, enquanto que observações referentes ao direito à liberdade de expressão, transparência e responsabilização (accountability) permeiam todo o documento.

O acordo sobre os 17 ODS deverá ser oficialmente adotado em setembro, durante a realização da Cúpula do Desenvolvimento Sustentável, na sede da ONU, em Nova York. Mais de 150 líderes mundiais são esperados no evento.

Veja abaixo a lista dos ODS:

  1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas e em todo lugar
  2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição, e promover a agricultura sustentável
  3. Garantir vida saudável e promover o bem estar para todas as pessoas, de todas as idades
  4. Garantir educação de qualidade justa e inclusiva e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos
  5. Atingir a igualdade de gêneros e empoderar todas as mulheres e meninas
  6. Garantir o acesso à água e ao saneamento básico a todos
  7. Garantir o acesso a uma energia acessível, confiável, sustentável e moderna a todos
  8. Promover emprego, trabalho decente e um crescimento econômico sustentável e inclusivo a todos
  9. Criar uma infraestrutura sólida, promover a industrialização sustentável e fomentar a inovação
  10. Reduzir as desigualdades internas dos países, e entre países
  11. Construir cidades inclusivas, seguras, sólidas e sustentáveis
  12. Garantir padrões de consumo e de produção sustentáveis
  13. Tomar medidas urgentes para combater as mudanças climáticas e os seus impactos
  14. Conservar e usar de modo sustentável oceanos, mares e recursos marinhos
  15. Gerenciar de forma sustentável florestas, combater a desertificação, barrar e reverter a degradação de terras, e barrar a perda de biodiversidade
  16. Promover sociedades justas, pacíficas e inclusivas
  17. Revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Coquetel de lançamento de livros de professores do SENAI

No dia 20 de maio durante o Simpósio da Faculdade SENAI-SP haverá o lançamento de livros de professores do SENAI.

Práticas de Sustentabilidade na Indústria Nos dias de hoje, o modelo de desenvolvimento sustentável já não nos basta. A sustentabilidade já chegou às gerações futuras e esse futuro é hoje, somos nós! O objetivo deste livro é mostrar um caminho menos penoso para se trabalhar a sustentabilidade dentro de organizações, buscando reflexão no nosso passado e mudando comportamentos ao longo do tempo, atendendo a um requisito básico que é viver com maior qualidade de vida na certeza de um futuro melhor.

Autora: Maria Cristina Tagliari Diniz Professora de Ensino Superior com 30 anos de experiência profissional em empresas de porte, trabalhando nos setores de engenharia, segurança industrial, qualidade e meio ambiente. Possui graduação em Tecnologia em Projetos Mecânica, Especialização em Metodologia e Didática para o Ensino Superior e Mestrado em Educação. É professora na graduação e pós-graduação da Faculdade SENAI de Tecnologia Ambiental desde 1999.

Indicadores de Desenvolvimento Sustentável:  aplicação na Indústria Hoje, um dos desafios da sociedade é desenvolver parâmetros para mensurar propriedades, produtos ou determinada característica em processos. Quando o assunto é sustentabilidade este desafio é ainda maior. Este trabalho propõe a discussão dos indicadores de desenvolvimento sustentável aplicados à indústria nas dimensões: ambiental, econômica e social. A metodologia utilizada permitiu um conhecimento prévio da história dos principais indicadores e de sua aplicação na indústria. O resultado foi à obtenção de um modelo de construção de indicador para ser usado pelo leitor. Finalmente esclarece-se que este é apenas um trabalho inicial baseado na experiência dos autores, e que pode servir de incentivo para outros estudos de indicadores.

Autora: Maria Luiza de Moraes Leonel Padilha Pós-doutora e doutora em Saúde Ambiental USP, Mestre em Administração PUC/SP Especialista em Gestão Ambiental. Engenheira Agrônoma. Consultora em Engenharia de Avaliações, Qualidade e Qualimetria. Trabalha com gestão de projetos, de pessoas, economia ambiental, indicadores e sustentabilidade. Professora da graduação e pós-graduação da Faculdade SENAI de Tecnologia Ambiental, 30 anos de experiência.

Autor: Fernando Codelo Nascimento Doutor em ciências, IPEN/USP, Mestre em Educação, UNISAL, Especialista em Sistema de Gestão Ambiental, FSP/USP e em Didática do Ensino Superior, FFCL Guarulhos, Especialista em Criatividade, SUNY/USA. Engenheiro Químico, Auditor líder qualidade e meio ambiente. Professor da graduação e pós-graduação da Faculdade SENAI de Tecnologia Ambiental, 43 anos de experiência.

Fenômenos de Transporte: aplicações Industriais O livro objetiva introduzir o leitor nas aplicações diretas dos conceitos a respeito do transporte de massa e energia, por meio de uma linguagem clara e objetiva. O texto foi desenvolvido com aplicações industriais adequadas para os níveis: técnico, tecnológico e de engenharia.

Autor: Pedro Márcio Munhoz Formado em engenharia química pela FEI (1997), pós-graduado em administração para engenheiro pela ESAN (1998) e em geração de energia pela UFU (2004), graduado em pedagogia em pela Anhanguera (2013), pós-graduado em gestão escolar pela UCDB.

Local: Faculdade SENAI de Tecnologia Ambiental Rua Vitória Maria Médice Ramos, 330 Bairro Assunção – São Bernardo do Campo – SP Tel.: 11 4344-5000

Inscrições e informações: http://meioambiente.sp.senai.br/agenda/7040/2-simposio-da-faculdade-senai-compositos-polimericos-e-a-dimensao-ambiental

Sociedade Civil poderá participar da Rio+20 por meio da Internet

Estão definidos os nomes dos 100 debatedores dos “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável”, que se realizarão no Riocentro, nos quatro dias que antecedem o segmento de Alto Nível da Rio+20.

Entre 16 e 19 de junho, representantes da sociedade civil (ONGs), da comunidade acadêmica e científica, imprensa e setor privado participarão de palestras e debates sobre temas prioritários da agenda internacional de sustentabilidade. Trinta recomendações definidas nos encontros serão levadas diretamente aos Chefes de Estado e de Governo presentes na Conferência, entre 20 e 22 de junho.

Serão 10 os temas dos Diálogos: (i) Desemprego, trabalho decente e migrações; (ii) Desenvolvimento Sustentável como resposta às crises econômicas e financeiras; (iii) Desenvolvimento Sustentável para o combate à pobreza; (iv) Economia do Desenvolvimento Sustentável, incluindo padrões sustentáveis de produção e consumo; (v) Florestas; (vi) Segurança alimentar e nutricional; (vii) Energia sustentável para todos; (viii) Água; (ix) Cidades sustentáveis e inovação; e (x) Oceanos. Todos os debates serão transmitidos ao vivo no website das Nações Unidas: http://www.uncsd2012.org.

Cada um dos Diálogos discutirá 10 recomendações específicas, que resultaram de ampla discussão realizada na plataforma digital http://www.riodialogues.org. Estabelecida com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a plataforma digital dos Diálogos permitiu que mais de 11 mil pessoas, de 190 países – incluindo ativistas, líderes comunitários, cientistas, jovens e representantes do setor privado – participassem das discussões. As 100 recomendações a serem debatidas entre os dias 16 e 19 de junho resultaram desse amplo debate virtual.

Internautas de todo o mundo poderão contribuir para os “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável”, até o próximo dia 15 de junho, votando nas 100 recomendações propostas pela plataforma digital. Elas estão listadas no site http://vote.riodialogues.org.

Todos estão convidados a votar nessas sugestões, que servirão de parâmetro para os Diálogos presenciais, que terão lugar no Riocentro, no Rio de Janeiro, entre os dias 16 e 19 de junho. As sugestões mais votadas entrarão na pauta de debates e poderão ser apresentadas aos líderes mundiais reunidos na seção oficial da Rio+20, de 20 a 22 de junho, também no  Riocentro.

Desenvolvimento Sustentável na Cidade de São Paulo

 Por Ana Marina Martins de Lima/ Ambientedomeio

A cidade de São Paulo por ser a mais rica do país deveria ser o modelo para o Desenvolvimento sustentável destes pais, no entanto não é o que vemos e vivemos a cada dia.

Temos nesta cidade muitos problemas em relação ao transporte coletivo, descarte do lixo, saúde pública e saneamento básico por exemplo.

O transporte coletivo é um entrave na vida das pessoas que ocupam esta cidade, alguns perdem o emprego por causa de atrasos, outros oportunidades de evolução em sua carreira.

Em São Paulo temos mais de dez problemas técnicos no Metro e no trem, embora os dados oficiais sejam menores, nós usuários sabemos, por exemplo, que os problemas técnicos ocorrem pontualmente no período da manha entre 7 e 9 horas, a entre 11 e 13hs e no período das 04h30minhs as 19h00minhs, mas infelizmente os gestores de transporte ainda não perceberam este fato; o próprio presidente do metro admitiu em entrevista que o metro possui um índice de falhas dentro dos padrões mundiais, quando deveria possuir um índice de qualidade.

Quanto ao descarte de lixo, a coleta seletiva simplesmente quando existente perde sua eficácia, pois quando o “lixo” chega ao aterro é descartado todo misturado. Talvez ainda não tenham percebido que pelo menos uma vez ao mês um depósito de material reciclado pega fogo ocasionando a poluição do ar e consequentemente afetam a saúde da população.

O Saneamento básico é inexistente em parte da cidade a própria Companhia de Saneamento admite isso.

O fato é que hoje a maioria de pacientes com problemas respiratórios são as crianças menores que ainda não possuem seu sistema imune formado.

Com relação à proteção do meio ambiente o que dizer de uma secretaria que não tem gente suficiente para auxiliar nas podas regulares, permitindo assim uma falha no gerenciamento, quantas vezes neste ano vimos notícias referentes à queda de arvores de grande porte e a poda irregular de arvores em extinção realizada por terceiros ligados a administração pública.

O que dizer de um sistema que multa um condomínio popular em um valor exorbitante de R$260.000,00 por uma poda irregular ocasionado por um sistema inexistente de orientação á população.

Enfim não adianta distribuir sementes e plantas de arvores de grande porte para população sem dar orientação de onde estas podem ser plantadas, melhorias poderiam ser feitas com o plantio de  espécies de pequeno porte.

Nossos rios ainda são esgotos a céu aberto, portanto infelizmente ainda não podemos definir o Desenvolvimento Sustentável baseando-se nas políticas públicas existentes nesta grande metrópole.

Brasil será sede do Dia Mundial do Meio Ambiente de 2012

De ONU/ PNUMA para  Ambientedomeio

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) anunciou que o Brasil, dono de uma das economias que crescem mais rápido no mundo, será a sede das celebrações globais do Dia Mundial do Meio Ambiente (WED, na sigla em inglês), comemorado anualmente no dia 5 de junho.

O tema deste ano: “Economia Verde: Ela te inclui?” convida o mundo a avaliar onde a Economia Verde está no dia-a-dia de cada um e estimar se o desenvolvimento, pelo caminho da Economia Verde, abrange os resultados sociais, econômicos e ambientais necessários em um mundo de 7 bilhões de pessoas, que deve chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050.

O Brasil foi sede do WED em 1992, durante a Cúpula da Terra, quando chefes de Estado, líderes mundiais, oficiais de governo e organizações internacionais se encontraram para reorientar, recalibrar e traçar um caminho rumo ao desenvolvimento sustentável.

“Ao celebrar o WED no Brasil em 2012, estamos voltando às raízes do desenvolvimento sustentável contemporâneo para criar um novo caminho que reflita as realidades, mas também as oportunidades do novo século”, declarou Achim Steiner, Subsecretário-Geral da ONU e Diretor Executivo do PNUMA.

“Três semanas após o WED, o Brasil receberá a Rio+20, onde líderes mundiais e nações se reencontrarão para desenhar um futuro que faça do desenvolvimento sustentável uma prática bem-sucedida – um futuro que pode fazer crescer economias e gerar trabalhos decentes sem pressionar os limites do planeta”, adicionou.

O Brasil tem o quinto maior território do mundo, com quase 8,5 milhões de Km2 onde vivem mais de 200 milhões de pessoas, o que o torna o quinto país mais populoso do mundo.

Em anos recentes, o Brasil deu grandes passos para resolver problemas como o desmatamento da Amazônia por meio do monitoramento da região.

Estimativas mostram que o Brasil alcançou uma redução significativa de gases causadores de efeito estufa como resultado da redução das taxas de desmatamento.

Segundo o relatório do PNUMA chamado Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza, o Brasil tem tido uma posição de destaque na construção de uma economia que inclui a reciclagem, a energia renovável e a geração de empregos verdes.

A indústria de reciclagem do Brasil gera um retorno de dois bilhões de dólares, ao passo que reduz as emissões de gases de efeito estufa em dez milhões de toneladas.

Só no Brasil, na China e nos Estados Unidos, a reciclagem, em todas as suas formas, já emprega doze milhões de pessoas.

O Brasil é também líder na produção sustentável de etanol como combustível de veículos e está se expandindo em outras formas de energia renovável como a eólica e solar.

Recentemente, a construção de 500.000 novas casas com instalações de painéis solares no Brasil gerou 300 mil novos empregos.

“Nós estamos muito felizes por sediar as celebrações globais pelo meio ambiente. O Dia Mundial do Meio Ambiente no Brasil será uma grande oportunidade para apresentar os aspectos ambientais do Desenvolvimento Sustentável nas semanas que antecedem a Conferência Rio+20”, declarou a Ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, que esta semana está participando da Sessão Especial do Conselho Administrativo do PNUMA em Nairóbi, Quênia.

“A história do Brasil, com a complexidade de sua economia diversa e dinâmica, a sua riqueza de recursos naturais e seu atual papel nas relações internacionais, oferece uma perspectiva única por meio da qual um resultado amplo e transformador se tornará possível na Rio+20”, adicionou Achim Steiner. “O forte comprometimento do Brasil com a equidade social e seu papel de destaque entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento, pode guiar e moldar debates”.

“O conceito contemporâneo de desenvolvimento sustentável nasceu no Brasil e podemos considerar que o potencial que esse modelo apresenta para responder a desafios e oportunidades futuras será definido no Brasil daqui a quatro meses”, completou Steiner.

Economia Verde para um lucro socioambiental

Por Ana Marina Martins de Lima/Ambientedomeio

O conceito de Economia Verde dever ser mais apurado e apresentado de forma que todos entendam.

Este conceito pode ser explicado do ponto de vista da ecologia como uma economia de energia no balanço da “teia da vida”, ou a energia necessária para que todos os seres vivam em equilíbrio no meio ambiente.

Já no âmbito empresarial dependendo da ética existente a economia verde visa o lucro e a promoção da empresa, ou se enquadrada em uma política ambiental mais séria envolve os seres humanos, o produto e o produtor levando a empresa há não só obter um lucro ambiental, mas uma comunidade a ter um lucro socioambiental.

O socioambiental aqui se aplica ao equilíbrio de ações que geram reações positivas para todo um sistema econômico mais evoluído.

Abaixo o artigo de Luana Lourenço/ Agência Brasil

Movimentos sociais criticam economia verde

A presidenta Dilma Rousseff, que esteve hoje (26) no Fórum Social Temático 2012 (FST) para um diálogo com a sociedade civil, foi cobrada por representantes de movimentos sociais sobre questões ambientais e sociais, principalmente sobre o conceito de economia verde, tema central da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que o Brasil vai sediar em junho.

A ideia do FST era promover um diálogo, mas o encontro acabou sendo uma sucessão de discursos, dois de representantes da sociedade civil e o da presidenta, que durou cerca de 20 minutos.

O ambientalista boliviano Pablo Solon fez duras críticas ao conceito de economia verde, tema central da Rio+20, e disse que o novo modelo de desenvolvimento não pode repetir padrões tradicionais, que estão levando ao esgotamento do planeta.

Solon convocou a sociedade civil a fazer uma grande mobilização contra a economia verde. “Assim como vencemos a alaca venceremos essa tentativa de mercantilizar e privatizar a natureza”.

A sindicalista Carmem Foro, que começou o discurso elogiando o governo da presidenta Dilma, cobrou demandas antigas dos movimentos sociais brasileiros, como a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, o endurecimento da legislação sobre o trabalho escravo e a ampliação da reforma agrária.

Carmen também criticou o conceito de economia verde e disse que a sociedade tem que se mobilizar para que a Rio+20 tenha resultados efetivos na mudança para um novo padrão de desenvolvimento.

 “Não vamos aceitar termos uma economia rotulada de verde, como estão pensando os capitalistas que não têm responsabilidade nenhuma com a sustentabilidade. Vamos fazer a nossa parte, e fazer isso é fazer a crítica e uma grande mobilização, durante a Rio+20, para questionar o modelo, questionar o que vai ser essa economia verde. Nossa tarefa é de articulação, mobilização do conjunto da classe trabalhadora, vamos globalizar essa luta global”.

Durante o evento, grupos ambientalistas na plateia tentaram interromper os discursos com palavras de ordem pedindo o veto da presidenta ao texto do novo Código Florestal, que tramita no Congresso Nacional.

Equipe de Saúde da Família Fluvial

Por Fábio Pena para AMBIENTEDOMEIO

Primeira equipe de Saúde da Família Fluvial do Brasil será lançada em Santarém Projeto demonstrativo do Barco-Hospital Abaré no Oeste do Pará desenvolvido pela ONG Saúde e Alegria em parceria com as Prefeituras de Santarém, Belterra e Aveiro, apoiado pelo Terre dês Hommes Holanda, se torna referência para políticas públicas de saúde básica no País. Através da portaria 2.191 de 3 de agosto de 2010, o Ministério da Saúde autoriza e financia Municípios de toda Amazônia e região do Pantanal interessados na implantação de Unidades de Saúde da Família Fluviais, permitindo o atendimento regular aos milhares de ribeirinhos com dificuldades de acesso aos serviços do SUS. No dia 07 de dezembro de 2010, às 16:00h, acontecerá em Santarém a cerimônia de oficialização da primeira Unidade de Saúde da Família Fluvial do Brasil. O evento contará com a presença da diretora do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Claunara Schiling Mendonça, do Secretário Municipal de Saúde de Santarém, José Antonio Rocha, diretores do Projeto Saúde e Alegria, representantes dos Municípios de Belterra e Aveiro e Terre des Hommes Holanda. Trata-se de uma conquista de extrema importância para garantir o acesso aos serviços de saúde para populações ribeirinhas vivendo em comunidades distantes dos centros urbanos. O Projeto Saúde e Alegria em parceria com as Prefeituras de Santarém, Belterra e Aveiro desenvolveram um modelo demonstrativo de atenção primária adaptado ao contexto das populações ribeirinhas da Amazônia que funciona nos moldes de um PSF (Programa Saúde da Família) itinerante. Com o apoio da Fundação Terre des Hommes Holanda, o atendimento básico de cerca de 70 comunidades do rio Tapajós, desde 2006, vem sendo feito através do Barco Hospital Abaré, beneficiando mais de 15 mil pessoas. Elas têm acesso regular à bordo do posto flutuante, de 40 em 40 dias, aos atendimentos médicos e odontológicos, vacinações, procedimentos laboratoriais, pequenas cirurgias, além exames preventivos como o pré-natal e o PCCU. Ações de educação e prevenção complementam este modelo com a realização de Campanhas Educativas acompanhando as visitas do barco. Arte-educadores apresentam o Circo Mocorongo com teatros e brincadeiras, repassando conhecimentos de como evitar as doenças e promover saúde com alegria. Os resultados podem ser vistos na melhoria dos indicadores de saúde da área atendida, entre os quais, podemos destacar: 96,5% das crianças estão vacinadas, indicador superior à média Estadual que é de apenas 83,3%; apenas 2% das crianças menores de 2 anos estão desnutridas, enquanto nas comunidades não atendidas a taxa é de 5%; 90% das crianças de até 6 meses são alimentadas exclusivamente com o leite materno; 98% das mulheres grávidas fazem o pré-natal, sendo que apenas 73% o fazem no Estado. Este tipo de atendimento, com regularidade e metodologia diferenciadas, permanecia como um desafio de ser ofertado junto a outros municípios da região, tendo em vista as dificuldades peculiares da Amazônia – grandes distancias e extensões, populações rurais dispersas e de difícil acesso, carências de transporte e comunicação – somadas ainda à questão da interiorização da medicina e falta de recursos para manutenção desses serviços (tripulação e equipes de saúde embarcadas, combustíveis, insumos diversos, etc). Com base nesta realidade, no direito a saúde dos ribeirinhos e na experiência demonstrada a partir do barco Abaré, o Ministério da Saúde publicou no dia 03 de agosto deste ano, no Diário Oficial da União, uma portaria que instituiu critérios diferenciados para implantação, financiamento e manutenção da Estratégia de Saúde da Família para as populações que residem às margens dos rios em toda Amazônia Legal e Mato Grosso do Sul. Esta regulamentação permite que os municípios implementem Unidades de Saúde da Família Fluviais – algo inédito no Brasil – viabilizando a acesso aos serviços de atenção básica em áreas remotas. Assim, as Secretarias Municipais poderão receber recursos para subsidiar os custos operacionais da Saúde Fluvial, especialmente das equipes que necessitam enfrentar jornadas de mais de 15 dias de atendimento em viagens de barco, o que acaba acarretando custos mais elevados do que aqueles que até então a política de saúde considerava como padrão do SUS. “É diferente você manter um atendimento numa região urbana, com uma logística relativamente fácil e onde os profissionais podem ir e voltar no mesmo dia para sua residência. Os custos são diferentes. Além do que precisamos ter uma abordagem diferenciada com as populações rurais em termos das prioridades encontradas no campo da medicina”, afirma o Dr. Fábio Tozzi, coordenador de Saúde Comunitária do Saúde & Alegria. Na oportunidade será feito o marco inaugural da primeira “equipe de Saúde da Família para Populações Ribeirinhas”, que funcionará no próprio Barco Abaré, que a partir 2011 terá seu funcionamento sustentado pela política pública de saúde, capitaneado pela SEMSA de Santarém. O Projeto Saúde e Alegria continuará seu trabalho demonstrativo e responsável pelas ações de educação, prevenção e controle social do modelo. O Secretário Municipal de Saúde de Santarém, José Antônio Rocha, comemora a conquista. “É um avanço muito grande a implantação do PSF fluvial em Santarém, sendo o primeiro do Brasil . Isso demonstra que a experiência desenvolvida pela SEMSA de Santarém e Municípios parceiros com o PSA ao longo desses anos, foi uma parceria forte, que deu resultados e que está tendo o reconhecimento do Ministério. E a partir de agora, está sendo levada para outros municípios da Amazônia”. Para Cristianne Haraki, representante no Brasil da Terre des Hommes Holanda, um dos principais parceiros da iniciativa que resultou na portaria, “desde o início da parceria com o PSA buscamos proporcionar as populações do Rio Tapajós uma assistência de qualidade e alinhada com as políticas preconizadas pelo Ministério da Saúde. No entanto, faltava este reconhecimento. Como organização comprometida em melhorar da qualidade de vida principalmente de crianças e adolescentes, manifestamos nossa satisfação ao PSA, ao Ministério da Saúde, e as Prefeituras de Aveiro, Belterra e Santarém pela iniciativa de inserção da experiência do Barco Abaré a política de saúde do Brasil”, afirmou. “Esta é uma vitória importante, pois representa um dos principais objetivos do Projeto Saúde e Alegria e seus parceiros, que é contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas na Amazônia, sobretudo junto às populações mais isoladas e que mais necessitam do acesso a este tipo de serviço. Além de ser um ótimo exemplo de parceria do terceiro setor com o poder público, o que se semeou a partir da experiência no Tapajós poderá gerar frutos para toda Amazônia, estendendo os benefícios a um numero muito maior de pessoas”, afirma o coordenador geral do Projeto Saúde e Alegria, Caetano Scannavino.

O País do futuro que sabota seu futuro

Texto escrito por: Sérgio Abranches

Os mercados de energia, comida e produtos florestais vão convergir.  A energia do futuro não pode ser fóssil, se queremos uma sociedade humana realmente sustentável no longo prazo.

Foram frases lançadas por Christopher Flavin, em um almoço reunindo, no Rio de Janeiro, empresários, políticos e pesquisadores, todos com a preocupação ambiental em comum.

A reunião, promovida por Israel Klabin, da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, em torno de Flavin, serviu para que, numa rápida troca de idéias e cartões de visita, aquelas pessoas, de origem e atividades diferentes, interagissem mais com o influente World Watch Institute.  Acabou virando um daqueles encontros em que uns aprendem com os outros e as interações se multiplicam e vão além do imaginado.Flavin é presidente do World Watch Institute e demonstra, como pode, que sua principal preocupação, no momento é com energia.

Claro, se não mudarmos o padrão energético global, não conseguiremos de forma alguma enfrentar o tremendo desafio posto pela mudança climática.  Além disso, tem um foco forte e importante no econegócio.

O WWI está trazendo para o Brasil essa sua conexão com o mundo financeiro e do econegócio, ao qual quer dar visibilidade.  De novo, está certo.  Como a economia é capitalista, não dá para mudar o seu viés energético e de uso de recursos se a sustentabilidade não se tornar o quadro de referência para todas as atividades corporativas e para o próprio mercado.Ao mesmo tempo, diz Flavin, é preciso que sociedades territorialmente extensas como Estados Unidos e Brasil aprendam a planejar e administrar sustentavelmente o uso do solo.  A Europa faz isso há muito tempo e cada vez melhor.

Nunca teve fronteiras contíguas amplas e abertas como países como esses dois, a Austrália e a Nova Zelândia.  Ou China, um dos focos do relatório do World Watch Institute, State of the World – 2006, o outro foi a Índia.Na conversa em torno da mesa, inevitavelmente, o prato principal foram os biocombustíveis e as vantagens que o Brasil tem nessa área.

Não há dúvida e que o Brasil pode ser uma das potências bioenergéticas do Século XXI.  Percebi, pela atenção com que Cristopher Flavin, Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis ouviram a exposição de Mário Vieira, como a questão se tornou, corretamente, um ponto central de nossas preocupações.  Mário é consultor da área de energia, e falou sobre como integrar a produção de álcool, biodiesel e eletricidade e das possibilidades de também inserir, nesse processo, a produção de soja, principalmente naquelas regiões onde soja, açúcar e álcool são vizinhos.

Coo a produção de açúcar e álcool desperdiça calor, esse calor pode ser usado para gerar a energia necessária à moagem da soja, que seria transportada até a usina.  Como o etanol é usado na produção de biodiesel, este seria produzido no local, nesse casamento entre soja e cana.

A idéia é nada desperdiçar e tudo transformar em energia.Era conversa inteligente.  Fiquei convencido de que com a tecnologia já disponível o Brasil pode gerar bioeletricidade, o que reduziria a necessidade de hidrelétricas com balanço ambiental negativo e eliminaria a necessidade de termelétricas.  Também me convenci de que existe um futuro viável de energia alternativa, não fóssil, para o Brasil, com ganhos crescentes de eficiência, incorporando novas fontes e atualizando a tecnologia, trocando-a por tecnologias mais eficientes.

O álcool brasileiro é produzido em um sistema de baixa eficiência energética.  Pode ficar mais eficiente e, no processo, de produção, se pode gerar eletricidade.  Bom, no Brasil, tudo pode ficar mais eficiente.

Conversa inteligente é assim, pode-se aprender e ver melhor as coisas. Mas confesso que, ao mesmo tempo em que ouvia e apreciava a exposição do Mário, via a expressão de interesse de vários dos ouvintes, foi me dando uma grande aflição.  Porque não conseguia parar de pensar no assunto que fora objeto de dois comentários meus na CBN, na quarta-feira, 23 de agosto e na quinta, 24.  No primeiro, eu falei sobre a descoberta de mais de 400 trabalhadores em condições ilegais de trabalho nas propriedades do grupo Zillo Lorenzetti, um grandão da ÚNICA, a central dos produtores açúcar e álcool de São Paulo.

E em outra propriedade do grupo, mais de 40 trabalhadores haviam sido flagrados em condições que a OIT classifica como a forma contemporânea de trabalho escravo.  Usei o fato para mostrar que o biocombustível está fazendo sucesso internacionalmente, mas ele está longe de ser social e ambientalmente respeitável.

E falava da necessidade de os bons empresários forçarem um pacto de responsabilidade total em seus setores, até para evitar danos à sua imagem e barreiras sociais e ambientais por parte de seus competidores internacionais, no mercado mundial.No dia seguinte, voltei ao assunto, porque a coisa havia ficado mais grave.

Ao entrar no site do BNDES, em busca de uma outra informação, encontrei uma nota à imprensa dizendo que o banco aprovara, tendo o Unibanco como agente repassador, mais de R$ 20 milhões para esse grupo.  O BNDES, diga-se de passagem, nem é signatário dos Princípios do Equador.

O governo financia com dinheiro subsidiado empresas que não respeitam minimamente a legislação trabalhista.  Há incontáveis casos de financiamento oficial, na Amazônia, a grileiros, empresas que usam trabalho escravo, que desmatam.  Ou seja, um aparelho de estado desconjuntado, fragmentado, que não tem comunicação interna e não tem responsabilidade social ou ambiental.  Tem uns bracinhos sociais e outros ambientais, mas o corpanzil desse Leviatã anêmico, todavia ainda poderoso e que distribui benesses a torto e a direito, mesmo sem poder, não tem responsabilidade social ou ambiental.Pensando nisso, eu vi o cenário do Brasil como potência bioenergética do Século XXI desmoronar.  Ele se transfigurou em uma tragédia, produzida pela ausência de responsabilidade estatal e empresarial no país e por uma rede geral de complacência e conivência.

As empresas brasileiras, na sua maioria, não sabem o que é responsabilidade corporativa total – econômica, social e ambiental – e muitas usam a palavra sustentabilidade, como marketing enganoso.  O governo brasileiro, não tem noção de que suas responsabilidades são sistêmicas.  Não pode incentivar aqui, o que condena ali.

A responsabilidade pública é integral e deveria ser obrigatório que todo agente público consultasse e investigasse a integridade – total – de cada empresa que vai privilegiar.  Não basta tomar a declaração do interessado.  Quem escraviza, grila, desmata, mente.  Porque qualquer empréstimo oficial é um privilégio, porque jamais será dado com os mesmos critérios que um agente financeiro privado daria e é financiado com o imposto pago pela maioria mais pobre.

A tragédia é que o ideal de desenvolvimento sustentável, plenamente viável para o Brasil, se perde nas brumas dos enganos, das enganações e da irresponsabilidade geral.  Eu tenho ouvido extraordinárias defesas da vocação bioenergética brasileira, sem que essas pessoas falem uma frase sobre as salvaguardas necessárias, para que a soja não desmate, para que a expansão da cana seja mecanizada, erradicando-se a queimada, para que tanto a produção de soja, quanto de cana, não se baseiem em superexploração do trabalho e no recurso ao trabalho escravo.  São mundos paralelos e estanques. Mas não podem ser.

Desenvolvimento sustentável só faz sentido se for um conceito sistêmico.  A sustentabilidade econômica, fundamental, tem que estar associada, desde o início, à sustentabilidade social e ambiental.  O empreendimento tem que ser viável, usar os recursos e a energia de forma sustentável e respeitar os direitos de seus trabalhadores e das comunidades em que operam.  Se não for assim, não é desenvolvimento, nem é sustentável.  É apenas uma das modalidades do capitalismo selvagem e predatório.Uma hidrelétrica tem que ser desenhada para ser sustentável nessa acepção sistêmica.

A produção de biodiesel e etanol também.  Qualquer atividade tem que ser assim.  Não é um desafio só dos governos.  O mercado tem que provar que a economia de mercado é sustentável nessa acepção.  O estado tem que regulá-la para que seja sustentável, nessa acepção.

As empresas, seus gestores, as autoridades e os funcionários públicos, têm que usar essa acepção em suas decisões.  E, no Brasil, esse desafio começa por impor o império da lei.  O governo, as organizações empresariais, como a ÚNICA, a CNI, a CNA e suas congêneres, têm que exigir o respeito integral à lei por parte de todos.  O governo, combatendo a corrupção e promovendo regulação eficiente e eficaz.  As organizações empresariais, exigindo comportamento responsável de seus associados e estabelecendo pactos contra as piores práticas.Nem vou falar que deveríamos adotar as melhores práticas.  Seria utópico, hoje em dia.  Melhorar as práticas atuais, para que, no mínimo, saiam da ilegalidade já seria, no Brasil de hoje, pobre Brasil de hoje, uma revolução.