ONU defende cooperação da América Latina com França e Europa para promover desenvolvimento sustentável
Por ONUBr

Em conferência em Paris, o secretário-executivo adjunto da Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Mario Cimoli, defendeu a cooperação da região com a França e a Europa como forma de promover desenvolvimento sustentável com igualdade. Dirigente alertou na quinta-feira (6) que o atual paradigma de crescimento das economias está fundamentado na maior falha de mercado da humanidade — as mudanças climáticas.
Em conferência em Paris, o secretário-executivo adjunto da Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Mario Cimoli, defendeu a cooperação da região com a França e a Europa como forma de promover desenvolvimento sustentável com igualdade. Dirigente alertou na quinta-feira (6) que o atual paradigma de crescimento das economias está fundamentado na maior falha de mercado da humanidade — as mudanças climáticas.
Segundo Cimoli, o atual modelo de desenvolvimento é insustentável também porque está associado a uma taxa descendente de crescimento da produção e do comércio, a uma separação do sistema financeiro e a uma elevada desigualdade, com predominância das elites.
Durante o evento, o economista discutiu os números do relatório da CEPAL A Ineficiência da Desigualdade, divulgado em maio último. O documento aponta que, ao longo da última década, a América Latina e o Caribe alcançaram seu menor índice de concentração de renda, mas a região continua sendo a mais desigual do mundo, com um coeficiente de Gini estimado em 0,5.
Cimoli explicou que as lacunas e disparidades sociais, vividas hoje pelos países latino-americanos e caribenhos, têm um impacto negativo na produtividade, na taxação, na sustentabilidade ambiental e no ingresso dessas nações na chamada sociedade do conhecimento.
Na avaliação do vice-chefe da CEPAL, isto quer dizer que desigualdade é ineficiente, pois constitui um obstáculo ao crescimento, ao desenvolvimento e à sustentabilidade.
Já a igualdade, completou Cimoli, é eficiente, uma vez que gera instituições inclusivas e uma cultura que premia a inovação e o esforço.
De acordo com o especialista, promover a igualdade permite o acesso a capacidades e oportunidades nas mesmas condições, em um contexto de revolução tecnológica.Também fortalece as democracias, que são as que oferecem mais bens públicos e externalidades positivas necessárias às transformações técnicas, à estabilidade econômica e política e ao cuidado com o meio ambiente.
Na economia global, a igualdade ajuda na expansão da demanda agregada e, ao promover desenvolvimento, reduz a intensidade dos conflitos internos e externos,acrescentou Cimoli.
O secretário adjunto ressaltou a necessidade de pôr fim à cultura de privilégio na América Latina e Caribe, a fim de não deixar ninguém para trás, conforme propõe a Agenda 2030 da ONU. Mas para isso, enfatizou, a soma de ações nacionais não é suficiente. É necessário uma maior cooperação multilateral em nível regional e global.
Cimoli destacou a cooperação histórica e estreia entre a sub-região americana e o continente europeu. Em anos recentes, essa colaboração se fortaleceu com o intuito de construir uma nova narrativa de cooperação, que considere em especial as chamadas “economias de transição”.
O especialista também lembrou as relações dos países latino-americanos e caribenhos com a França, Estado-membro da CEPAL desde a criação da comissão, em fevereiro de 1948. O organismo mantém uma intensa agenda de cooperação com a nação europeia, a fim de avançar no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), sobretudo em questões ambientais e urbanas.
A conferência na capital francesa foi organizada pelo L’Institut des Amériques, a Maison de l’Amérique Latine e a CEPAL.
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