×

Por: Marcelo Szpilman

 Em primeiro lugar, águas-vivas e caravelas não “atacam” as pessoas. São animais que vagam pelos mares ao sabor das correntes e ocasionalmente podem provocar acidentes quando os banhistas se aproximam e, inadvertidamente, chocam-se contra esses seres. Se pudessem, eles evitariam tal contato.

Está em moda hoje culpar o “Aquecimento Global” por alguns eventos da natureza, porém não há evidências científicas que comprovem tal relação, incluindo o suposto aumento nas ocorrências de águas-vivas e caravelas no litoral brasileiro.

A meu ver, o que está ocorrendo não é simplesmente um aumento no número de casos, mas sim um aumento considerável no número de relatos de casos de acidentes com esses seres marinhos.

Como a imensa maioria dos casos no Brasil são brandos (a vítima trata do ferimento em casa), ainda que todos os verões ocorram centenas de acidentes, os mesmos não costumam ser relatados.

O verão é uma época natural de reprodução desses animais. Com esse objetivo, eles formam grandes agregações onde machos e fêmeas se encontram.

Agora, nesse verão (Jan/2008), que apenas está começando, mesmo que se possa considerar um aumento real no número de casos, o que seria absolutamente normal, as primeiras reportagens e relatos incentivaram novas reportagens e novos relatos, provocando um efeito em cascata retroalimentado pela pela mídia e pela extraordinária (e relativamente nova) propagação da informação na internetA rotina de tratamento para uma vítima de acidente com os celenterados deve seguir os seguintes passos:

  1. – A primeira medida é lavar abundantemente a região atingida com a própria água do mar para remover ao máximo os tentáculos aderidos à pele. Não utilize água doce, pois ela poderá estimular quimicamente (por osmose) os nematocistos que ainda não descarregaram sua peçonha.- Não tente, de modo algum, remover os tentáculos aderidos com técnicas abrasivas, como esfregar toalha, areia ou algas na região atingida.
  2. – Para prevenir novas inoculações ao desativar os nematocistos ainda íntegros e também neutralizar a ação da peçonha, banhe a região com ácido acético a 5% (vinagre) por cerca de 10 minutos (as soluções de sulfato de alumínio ou amônia, ambas diluídas a 20%, são alternativas para a falta do vinagre). É importante lembrar que o vinagre não possui nenhuma ação benéfica sobre a dor já instalada pela inoculação inicial.
  3. – Remova suavemente os restos maiores dos tentáculos aderidos com a mão enluvada e com o auxílio de uma pinça. Para retirar os fragmentos menores e invisíveis tricotomize o local com um barbeador ou com uma lâmina afiada. Pode-se aplicar antes um pouco de espuma de barbear em spray, lembrando-se de não esfregar a região.
  4. – Lave mais uma vez o local com água do mar e reaplique novos banhos de ácido acético a 5% (vinagre) por 30 minutos.
  5. – Para remover os nematocistos remanescentes pode-se aplicar no local uma pasta de bicarbonato de sódio, talco simples e água do mar. Espere a pasta secar e a retire com o bordo de uma faca.
  6. – Caso a dor continue, use compressas geladas no local e substâncias analgésicas sistêmicas para reduzir os sintomas álgicos.
  7. – Havendo reação alérgica/inflamatória, aplique uma camada fina de loção do corticóide betametazona (Betnovat) duas a três vezes ao dia. Nos casos mais graves, utilize anti-histamínicos ou corticóides orais consulte sempre um médico para orientação.
  8. – Em caso de infecção secundária, será necessário o uso de antibióticos com amplo espectro, tópico (bacitracina ou neomicina) ou sistêmico (ampicilina + acido clavulânico), de acordo com a gravidade consulte sempre um médico para orientação.
  9. – Para prevenir novas inoculações ao desativar os nematocistos ainda íntegros e também neutralizar a ação da peçonha, banhe a região com ácido acético a 5% (vinagre) por cerca de 10 minutos (as soluções de sulfato de alumínio ou amônia, ambas diluídas a 20%, são alternativas para a falta do vinagre). É importante lembrar que o vinagre não possui nenhuma ação benéfica sobre a dor já instalada pela inoculação inicial.
  10. – Remova suavemente os restos maiores dos tentáculos aderidos com a mão enluvada e com o auxílio de uma pinça. Para retirar os fragmentos menores e invisíveis tricotomize o local com um barbeador ou com uma lâmina afiada. Pode-se aplicar antes um pouco de espuma de barbear em spray, lembrando-se de não esfregar a região.
  11. – Lave mais uma vez o local com água do mar e reaplique novos banhos de ácido acético a 5% (vinagre) por 30 minutos.
  12. – Para remover os nematocistos remanescentes pode-se aplicar no local uma pasta de bicarbonato de sódio, talco simples e água do mar. Espere a pasta secar e a retire com o bordo de uma faca.
  13. – Caso a dor continue, use compressas geladas no local e substâncias analgésicas sistêmicas para reduzir os sintomas álgicos.
  14. – Havendo reação alérgica/inflamatória, aplique uma camada fina de loção do corticóide betametazona (Betnovat) duas a três vezes ao dia. Nos casos mais graves, utilize anti-histamínicos ou corticóides orais consulte sempre um médico para orientação.
  15. -Em caso de infecção secundária, será necessário o uso de antibióticos com amplo espectro, tópico (bacitracina ou neomicina) ou sistêmico (ampicilina + acido clavulânico), de acordo com a gravidade consulte sempre um médico para orientação

 

2 comentários

  1. Obrigado pela dica. Como nado com frequência no mar, ja fui atingido várias vezes. Mas De agora em diante, vou levar na minha moxila uma embalagem pequena de vinagre e um pouco de talco. Gostei muito da dica. obrigado.

  2. Adorei pois também achei que os ataques de águas-vivas e caravelas começaram em abundância por causa do aquecimento global! Também gostei pelas dicas de primeiros socorros para evitar que a queimadura expanda-se. Parabéns ao criador dos relatos!

Deixe sua opinião

Autor

ambientedomeio@outlook.com

O “Ambiente do Meio” foi criado em 2007 e a autora teve como objetivo inicial auxiliar jornalistas e leigos nas informações de qualidade sobre o Meio Ambiente resultante de preocupações com as poucas informações jornalísticas de qualidade sobre o tema atreladas a conhecimentos acadêmicos e evidências científicas.

Posts relacionados

Estudo define indicadores para orientar a restauração de campos úmidos no Cerrado

Os campos úmidos do Cerrado estão desaparecendo rapidamente e sua recuperação esbarra em um erro prático e histórico: a tentativa de aplicar...

Leia tudo

Dia Nacional do Ciclista – 19 de agosto

O ciclista e o veículo bicicleta no processo da construção de cidades mais humanas  O Dia Nacional do Ciclista é uma data...

Leia tudo

Ondas de calor ainda são negligenciadas no Brasil, diz pesquisadora

As ondas de calor ainda são um desastre “completamente negligenciado” no Brasil e podem se tornar mais frequentes e intensas com a...

Leia tudo

Segurança em Laboratórios: Aspectos Ambientais e Ocupacionais

Encontram-se abertas até 9 de agosto, ou até o preenchimento das vagas, as inscrições para o curso de extensão Segurança em Laboratórios:...

Leia tudo

Cidades resilientes ou apenas edifícios sustentáveis?

O desafio de transformar a sustentabilidade em política urbana A Sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito da...

Leia tudo

Conexão entre fragmentos florestais importa mais que tamanho na restauração da Mata Atlântica

A dispersão de sementes por meio do vento, da água ou de animais é um processo crucial para a renovação de florestas...

Leia tudo

Descubra mais sobre AMBIENTEDOMEIO ®

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo