Lideranças do povo Pataxó Hã Hã Hãe, que vivem no sul da Bahia, vão à Câmara dos Deputados, para falar sobre processo que pede a nulidade de títulos da terra concedidos a fazendeiros que ocupam seu território

Texto: Marco Antônio Soalheiro Repórter da Agência Brasil
Foto: Antonio Cruz/ABr
Editado por: Ana Marina Martins de Lima
Com vestes tradicionais, rostos e corpos pintados, cerca de 200 índios Pataxó Hã Hã Hãe fizeram hoje (23), em Brasília, um ato público em defesa da retirada de fazendeiros que ocupam parte da Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu, na Bahia. Os índigenas afirmaram que são vítimas de agressões desde 1982 quando foram conferidos títulos de posse aos produtores locais. Essas agressões teriam resultado na morte de pelo menos 23 “parentes” (outros índios). Amanhã (24), o STF vai decidir sobre a validade dos títulos de posse dos fazendeiros. “Respeitamos o meio ambiente, as matas e os rios. Lutamos pela nossa subsistência. Não vejo como os ministros possam dar uma decisão contrária ao nosso povo”, afirmou o pataxó Luiz Titiá, coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas e Espírito Santo (Apoinme). Com voz embargada, a cacique Ilza Rodrigues disse não temer a perda das terras e defendeu que os índios “devem buscá-la até a última geração”.Segundo a líder, em virtude de violências sofridas, muitos índios Pataxó evitavam circular na região com medo de possíveis represálias.
“Sofríamos discriminação e preconceito, mas felizmente tivemos velhos que fincaram o pé ali e lutaram contra tudo”, disse. Entoando cantos tradicionais, os índios deixaram o auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, esperançosos de que o STF conceda uma decisão favorável a eles. Os dizeres estampados em uma faixa, atribuídos ao cacique Samado Santos – líder histórico da comunidade, morto em 1998 – resumem o sentimento do grupo: “Eu sirvo até de adubo para minha terra, mas dela não saio”.Em abril de 1997, um índio Pataxó Hã Hã Hãe foi morto em Brasília. Galdino José dos Santos – queimado vivo por jovens de classe média alta – estava na cidade para participar de audiências que discutiam a retirada dos fazendeiros que ainda hoje ocupam parte da reserva.
- Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
- Compartilhar no X(abre em nova janela) X
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Compartilhar no Threads(abre em nova janela) Threads
- Mais
Relacionado
1 comentário
Deixe sua opiniãoCancelar resposta
Autor
ambientedomeio@outlook.com
Posts relacionados
Compostos associados ao câncer são detectados em resíduos de espumas, plásticos e artigos infantis
Estudo encontrou em locais de descarte materiais contendo substâncias tóxicas antigamente usadas como plastificantes e retardantes de chama. Sem triagem rigorosa, reciclagem...
Leia tudo
EcoFaxina e Santos F.C. realizam Ação de Limpeza de Praias com o Instituto Leão do Mar
Parceria com a OSC fundada pelo time santista estreia no domingo (27), com a 213ª Ação Voluntária EcoFaxina, na praia do José...
Leia tudo
Pesquisadores descrevem nova espécie de rã-de-vidro no Cerrado
Uma nova espécie de rã-de-vidro foi descrita e nomeada de Vitreorana micaelae após ser localizada em Luziânia, no estado de Goiás. A...
Leia tudo
Aberta consulta pública sobre Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza para Áreas Urbanas
As contribuições da sociedade civil podem ser enviadas até 27 de setembro pela plataforma Brasil Participativo O Ministério do Meio Ambiente e...
Leia tudo
Rio confirma caso de raiva em cão que teve contato com morcego
Vacinação antirrábica é principal forma de prevenção Um cão que vivia em uma área urbana na Zona Oeste do Rio de Janeiro...
Leia tudo
Estudo define indicadores para orientar a restauração de campos úmidos no Cerrado
Os campos úmidos do Cerrado estão desaparecendo rapidamente e sua recuperação esbarra em um erro prático e histórico: a tentativa de aplicar...
Leia tudo
precisam fazer mais coisas relacionadas aos indios
para trabalhos escolares.