Mudanças climáticas e seus efeitos na saúde

Por: Ana Marina Martins de Lima

Mudanças climáticas e ambientais e seus efeitos na saúde: cenários e incertezas para o Brasil

Para pensarmos: recentemente foi divulgado um trabalho a ser realizado pela FIOCRUZ e outras entidades de pesquisa que tem como objetivo verificar as relações entre as mudanças do clima e as doenças.

Na prática é possível observar que algumas doenças ocorrem em períodos pós chuvas e outras são desencadeadas pela baixa umidade do ar e agravada pela poluição do ar.

Algumas doenças respiratórias ficaram em evidencia devido à recente problemática da influenza (H1N1), mas não devemos esquecer que há uma grande relação entre estas doenças e as alterações do sistema imune, algumas alterações vinculadas também ao stress e a vida em grandes metrópoles.

Leiam a conclusão do documento publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS em 2008, o documento em questão relaciona a questão a responsabilidade do Setor Saúde que a meu ver este deveria estar relacionado também ao setor Meio Ambiente.

“O setor saúde se encontra frente a um grande desafio. As mudanças climáticas ameaçam as conquistas e os esforços de redução das doenças transmissíveis e não-transmissíveis. Ações para construir ambiente mais saudável poderiam reduzir um quarto da carga global de doenças, e evitar cerca de 13 milhões de mortes prematuras (Pruss-Ustun e Corvalan, 2006).

Do ponto de vista epidemiológico, se as mudanças climáticas representam uma série de exposições a diversos fatores de risco, a causa mais distal dessas exposições é a alteração do estado ambiental devido à acumulação de gases do efeito estufa.

Isso significa que não é possível a curto prazo evitar essas exposições.As modificações que se possam promover para alterar esse quadro no nível global podem consumir décadas para se obter um efeito estabilizador do clima.

Portanto, o setor saúde deve tomar medidas e intervenções de “adaptação”, para reduzir ao máximo os impactos via ambiente, que de outra maneira serão inevitáveis.

Essa adaptação deve começar por: discussões intersetoriais, uma vez que as ações (inclusive de luta contra a emissão de gases e redução do consumo) dos outros setores que afetam as ações do setor saúde;  investimento estratégico em programas de proteção da saúde para populações ameaçadas pelas mudanças climáticas e ambientais, como sistemas de vigilância de doenças transmitidas por vetores, suprimento de água e saneamento, bem como a redução do impacto de desastres.

Por outro lado, os determinantes das mudanças climáticas globais podem somente ser superados a longo prazo, com medidas de “mitigação”.

Também nesse caso, o setor saúde pode ter um papel importante. Deve-se ressaltar que o modelo de desenvolvimento e a própria produção de energia causam de pela poluição do ar, que resulta em mais de 800 mil óbitos por ano; acidentes de trânsito, que causam 1,2 milhões de óbitos por ano e a redução da atividade física, que resulta em 1,9 milhões de óbitos por ano  (WHO, 2007).

Isso significa que uma mudança na infra- estrutura de produção, consumo e circulação pode representar uma redução de emissões de gases efeito estufa, por uma parte, e por outro lado, a diminuição de várias causas importantes de mortalidade.

O mundo vem passando por mudanças que não estão limitadas apenas a aspectos climáticos.

Paralelo aos processos de mudanças climáticas, vêm se acelerando a globalização (aumentando a conectividade de pessoas,  mercadorias e informação), as mudanças ambientais  (alterando ecossistemas, reduzindo a biodiversidade e acumulando no ambiente substâncias tóxicas)  e a precarização de sistemas de governo (reduzindo investimentos em saúde, aumentando a dependência de mercados e aumentando as desigualdades sociais).

Os riscos associados às mudanças climáticas globais não podem ser avaliados em separado desse contexto.

Ao contrário, deve-se ressaltar que os riscos são o produto de perigos e vulnerabilidades, como costumam ser medidos nas engenharias.

Os perigos, no caso das mudanças globais são dados pelas condições ambientais e pela magnitude de eventos.

Já as vulnerabilidades são conformadas pelas condições sociais, marcadas pelas desigualdades, as diferentes capacidades de adaptação, resistência e resiliência.

Uma estimativa de vulnerabilidade das populações brasileiras apontou o Nordeste como uma região mais sensível a mudanças climáticas devido aos baixos índices de desenvolvimento social e econômico (Confalonieri, 2005).

Essas avaliações são baseadas no pressuposto de que grupos populacionais com piores condições de renda, educação e moradia sofreriam os maiores impactos das mudanças ambientais e climáticas.

No entanto, como ressalta Guimarães  (2005), as populações mais pobres nas cidades e no campo têm demonstrado uma imensa capacidade de adaptação, uma vez que já se encontram excluídas de sistemas técnicos.

Se a vulnerabilidade é maior entre pobres, não se pode afirmar que a parcela incluída e mais afluente da sociedade esteja isenta de riscos, ao contrário, sua capacidade de resposta (imunológica e social) é mais baixa.

A possível expansão de áreas de transmissão de doenças não pode ser compreendida como um regresso de doenças como a malária, febre amarela, dengue, leptospirose, esquistossomose entre outras.

Ou melhor, a possibilidade de retorno dessas doenças se dá sobre bases históricas completamente distintas daquelas existentes no Século XIX.

As transformações sociais e tecnológicas ocorridas no mundo nas últimas décadas permitem antever que essas doenças adquiriram, ao longo dessas décadas, outras características, além dos fatores biológicos intrínsecos.

A possibilidade de prevenir, diagnosticar e tratar algumas pessoas e excluir outras desses sistemas aprofundou as diferenças regionais e sociais de vulnerabilidades e transformou as desigualdades sociais num importante diferencial de riscos ambientais.

Cabe ao setor saúde, não só prevenir esses riscos fornecendo respostas para os impactos causados pelas mudanças ambientais e climáticas, mas atuar na redução de suas vulnerabilidades sociais, por meio de mudanças no comportamento individual, social e político, por um mundo mais justo e mais saudável.”

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