Aquários: Simples atrações turísticas ou importantes equipamentos?

Por Marcelo Szpilman*

Assim como eu, inúmeros conservacionistas conhecidos e respeitados por décadas de trabalho verdadeiramente relevante a favor da proteção e preservação de seres marinhos, como o oceanógrafo Guy Marcovaldi, criador do Projeto Tamar, o veterinário José Truda Palazzo Jr, criador do Projeto Baleia Franca, e o biólogo Maurício Hostim, criador do Projeto Meros do Brasil, são explicitamente favoráveis aos bons aquários, fundamentados no tripé educação, pesquisa e conservação e sempre oferecendo ótimas condições de acomodação e tratamento pautado pelo respeito à vida e ao bem-estar dos animais.

E antes que se pense no SeaWord como modelo de comparação é importante destacar que esse parque marinho não é um aquário, mas sim uma espécie de circo. A própria diretora do documentário Blackfish __ que trata dos perigos de se manter orcas em cativeiro, como ocorre no SeaWorld __, Gabriela Cowperthwaite, declarou em entrevista à revista Variety, no final de 2013, que não é contra zoológicos e aquários e admitiu apoiar os esforços de pesquisa e conservação do Monterey Bay Aquarium, na Califórnia. De acordo com ela, lugares como o Monterey Aquarium, abrigam animais com fins educativos e não para puro entretenimento: “Ver os animais nos aquários é muito mais magnífico do que vê-los fazendo truques numa piscina”.

Voltando ao tema do artigo, aquários (e zoológicos) vêm desempenhando, desde o início do século XX, importantes funções de conservação, educação e aproximação e desmitificação dos animais. A partir da década de 1990, no entanto, esses equipamentos adquiriram duas novas funções a fim de atender às demandas do mundo em transformação.

Em parceria com universidades e centros de estudo, aquários tornaram-se excelentes locais (controlados e acessíveis) para a realização de valorosas pesquisas científicas e para a capacitação de pesquisadores. Desde então, relevantes linhas de investigação científica têm produzido trabalhos sobre os hábitos, comportamentos, modos de crescimento e estratégias reprodutivas (em cativeiro) dos mais diversos seres marinhos, beneficiando sobremaneira a conservação das populações desses animais que vivem livres nos mares e oceanos. Essas atividades carregam ainda um componente adicional para os visitantes dos aquários, especialmente para as crianças: ter seu interesse despertado para as ciências e sua vocação descoberta como futuros cientistas.

Devido aos graves problemas ambientais que todos já conhecem, aquários (e zoológicos) adquiriram também a função de servir como bancos de biodiversidade do planeta. Um bom exemplo real é o caso do mico-leão-dourado. Extinto na natureza, só não foi extinto no planeta porque havia diversos exemplares mantidos em zoológicos espalhados pelo mundo. Através de um excelente trabalho de reprodução em cativeiro, realizado em zoológicos da Alemanha, foi possível repovoar populações de mico-leão-dourado na Mata Atlântica brasileira, mais especificamente na Reserva Biológica de Poço das Antas (RJ).

Assim, com o correto manejo e a adequada manutenção dos animais em cativeiro, zoológicos e aquários passaram a ter a importante função de preservar parte de nossa fauna ameaçada de extinção. Diversas espécies de peixes e tubarões, devido à pesca predatória e à sobre pesca, estão caminhando para se tornarem novos exemplos reais de extinção na natureza. Ou seja, daqui a alguns anos poderemos só ter exemplares vivos dessas espécies em aquários espalhados pelo mundo.

Por tudo isso, e por aproximarem as pessoas dos animais e ecossistemas marinhos, fortalecendo a consciência da preservação, aquários podem e devem ser vistos como importantes equipamentos de sustentabilidade para a sociedade.

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