Os principais desafios para o desenvolvimento brasileiro

Por : Observatório da metrópole

Quais os principais desafios para o desenvolvimento brasileiro? E qual o papel das metrópoles nesse processo? Essas questões servem como ponto de partida para as reflexões presentes na nova edição da Revista Cadernos Metrópole que analisam as regiões metropolitanas como espaços de coesão social geradores de conhecimento e inovação. Ou seja, espaços concentradores de contradições e problemas da sociedade, porém, também, onde podem surgir as soluções dessas questões por meio da criatividade, da cooperação e, por conseguinte, da inovação no seu significado mais amplo.

A edição da Revista Cadernos Metrópole nº 34 traz como destaque o dossiê  As metrópoles, coesão social, conhecimento e inovação: os desafios do desenvolvimento nacional. O dossiê é formado por três artigos que abrangem parcela importante da realidade nacional em diferentes escalas — a Região Metropolitana de São Paulo (Sudeste), a cidade do Recife (Nordeste) e a região amazônica (Norte) —, e que têm como característica comum apresentar as possibilidades virtuosas do desenvolvimento de inovações no campo econômico e, ao mesmo tempo, as armadilhas inscritas nessas experiências.

O artigo Região Metropolitana de São Paulo como centro da inovação do Brasil, de autoria de Sandra Lencioni, demonstra a importância dessa metrópole para o desenvolvimento brasileiro na esteira dos processos de inovação, tecendo alguns pensamentos sobre a nova relação entre indústria inovadora e espaço urbano. Assim, ressaltam-se as universidades e os institutos de pesquisa como constituintes essenciais das condições gerais de produção à inovação industrial, no âmbito de seus vínculos com o tecido produtivo (empresas), junto com o papel do Estado como fornecedor de incentivos à inovação, principalmente, através de políticas públicas federais. Concluindo com a constatação de que as diferenciações entre territórios, sobretudo as com base nos processos de inovação, não se caracterizam necessariamente em desigualdades que promovam a discriminação e a fragmentação socioespacial, e, sim, em possibilidades de relacionamentos inter-regionais construtivos e criativos (coesão territorial).

No texto Parques tecnológicos: entre inovação e renda imobiliária no contexto da cidade do Recife, de Norma Lacerda e Ana Cristina Fernandes, analisa-se a relevância da dinâmica do mercado imobiliário sobre o Porto Digital, parque tecnológico localizado no centro histórico da capital pernambucana. As autoras mostram que esse parque vem promovendo a produção de processos de inovação nas atividades produtivas da cidade por meio da parceria entre academia (universidades), setor privado (empresariado) e governos (municipal, estadual e federal). Ao mesmo tempo, elas demonstram, através da análise das rendas imobiliárias envolvidas, que a iniciativa do parque provocou a obtenção de lucros rentistas excessivos que pode acabar por retirar o protagonismo da inovação produtiva na região.

Encerrando o dossiê, o artigo de Weslley Cantelmo, Carlos Lobo e Ricardo Alexandrino Garcia, intitulado Territorialismo e a política de desenvolvimento: estratégias de produção do território no Brasil, trabalha com a noção de territorialismo e sua relação com as políticas de desenvolvimento no Brasil na lógica de reprodução capitalista. Tratando especificamente do Plano Amazônia Sustentável, proposta do governo federal para o desenvolvimento regional da região, os autores apontam, por um lado, problemas em relação ao enquadramento dos recursos amazônicos em alguns aspectos equivocados à economia competitiva global, o que chamam de “territorialismo capitalista”. E, por outro, elementos positivos no mesmo plano governamental em termos dos processos decisórios participativos vinculados a ele com base na cooperação e na solidariedade, e que podem promover a criação e o fortalecimento de diferentes territorialidades com enorme potencial de inovação.

Por outra parte, esta edição da revista apresenta mais 10 artigos a respeito de diversas outras temáticas, e lugares, que vão desde uma experimentação urbano-industrial em Buenos Aires até o impacto da crise financeira europeia em Lisboa, passando por diferentes estudos sobre a situação habitacional, demográfica, do mercado de emprego ou de espaços e equipamentos públicos, especialmente, das cidades brasileiras.

O artigo de João Seixas, Simone Tulumello, Susana Corvelo e Ana Drago, Dinâmicas sociogeográficas e políticas na Área Metropolitana de Lisboa em tempos de crise e de austeridade, trata da realidade portuguesa em meio aos impactos da crise econômica europeia ainda vigente e às políticas de austeridade relacionadas. Assim, o texto poderia fazer parte do dossiê desta edição se o espaço de análise não fosse fora do Brasil, pois aponta a necessidades de atuações no nível das metrópoles para responder a crises externas.

Marlon Lima da Silva e Helena Lúcia Zagury Tourinho, no texto O Banco Nacional de Habitação e o programa Minha Casa Minha Vida: duas políticas habitacionais e uma mesma lógica locacional, analisam de modo comparativo essas duas políticas habitacionais na Região Metropolitana de Bélem (Pará). Experiências essas marcadas por importantes processos de segregação.

O artigo Dinâmicas imobiliárias e políticas urbanas no centro de São Paulo: uma discussão sobre gentrificação na Mooca, de Michelly Lima Reina e Francisco de Assis Comarú, trabalha com a questão da tendência de elitização, ainda inconclusa, dessa região da capital paulista.

Ainda no tema habitacional, no artigo Habitação de interesse social em cenários de revalorização urbana: considerações a partir da experiência carioca, João Carlos Carvalhaes dos Santos Monteiro examina algumas iniciativas de revalorização do espaço urbano, vinculadas ao Programa Novas Alternativas, por meio dos discursos do poder público municipal da cidade do Rio de Janeiro.

O artigo Considerações sobre políticas de requalificação das Zeis com participação dos habitantes: limites e desafios para as áreas metropolitanas no Brasil, elaborado por Elena Tarsi, aborda o tema do gerenciamento dos assentamentos informais nas grandes metrópoles. Especificamente, é observado o Plano de Bairro para Nova Constituinte de Salvador (Bahia), uma experiência-piloto de políticas públicas para a requalificação de Zeis.

No campo dos estudos demográficos, Amanda Cabette e Tânia Marques Strohaecker, em A dinâmica demográfica e a produção do espaço urbano em Porto Alegre/Brasil, exploram a capital gaúcha confrontando o fenômeno da transição demográfica com a produção de seu espaço urbano, sobretudo à luz de sua dinâmica imobiliária, na última década.

Enquanto Fernando Henrique Neves no artigo Planejamento de equipamentos urbanos comunitários de educação: algumas reflexões, aborda a questão sócio espacial e técnica da implantação desse tipo de equipamento nas cidades brasileiras, em que se destacam os aspectos da garantia da qualidade social e da melhor distribuição espacial das estruturas.

O texto Construção de espaços públicos em Bogotá e Rio de Janeiro: uma análise comparada dos projetos públicos durante a década de 1990, escrito por Ana Marcela Ardila Pinto, apresenta uma comparação entre duas importantes metrópoles, uma colombiana e outra brasileira, dos seus espaços públicos analisando as intervenções e os investimentos públicos na construção de tais áreas. Os modelos surgidos dessas experiências mostram a articulação de agentes oriundos de diferentes escalas (da local à global).

Abordando a temática do emprego nas grandes cidades brasileiras, Carolina Rodrigues Corrêa e João Eustáquio de Lima, no artigo Determinantes da participação e dos rendimentos dos jovens no mercado de trabalho: o caso da Região Metropolitana de Recife, estudam a situação da população jovem em termos dos determinantes de empregabilidade e dos rendimentos dos que trabalham na metrópole pernambucana, valendo-se do procedimento estatístico de Heckman.

Encerrando esta edição da revista, o artigo de Francisco Sambrizzi, intitulado La huella Adriana. Olivetti: conexiones urbanas, sociales y culturales entre Ivrea y Merlo, traz a interessante experiência urbana, em Buenos Aires na Argentina, de um empreendimento industrial fortemente vinculado à comunidade local, unindo planejamento social e urbano através de realizações residenciais, de equipamentos públicos e de atividades culturais e educacionais.

Leia: Caderno Metrópole

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