Milhares de Vereadores de todo o Brasil ficam perplexos com os possíveis impactos do FRACKING nas cidades

Por: Silvia Calciolari – 350.org Brasil e COESUS. 

Fotos de 350.0rg e COESUS

Bastou meia hora de informações sobre os riscos e perigos de contaminação provocados pelo fraturamento hidráulico, ou FRACKING, à água, agricultura e saúde das pessoas e animais para que os mais de 2.000 vereadores de todo o país que participaram esta semana em Brasília da Marcha dos Vereadores entrassem em pânico.

marchaMuitos dos presentes estavam ouvindo pela primeira vez sobre a ameaça desta perversa e poluente tecnologia que, por seus danos irreversíveis, é banida em muitos países como Alemanha, França, Bélgica e até no estado de Nova York, nos Estados Unidos. “As nossas principais reservas de águas subterrâneas, as maiores e melhores áreas agrícolas e pecuárias, reservas florestais e marinhas, bem como 53 milhões de brasileiros em centros urbanos serão impactados pelos químicos e pelo metano de forma permanente caso o FRACKING aconteça no Brasil”, afirmou em palestra o Eng. Dr. Juliano Bueno de Araujo,fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – e coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org Brasil. “A imagem dos rios e água da torneira pegando fogo é a realidade em muitos lugares onde o FRACKING acontece. Não queremos correr esse risco aqui e nem em lugar algum ”, alertou Juliano.

Perigos

FRACKING é o método não convencional altamente poluente para exploração de petróleo e gás de xisto (shale gas) que o governo brasileiro quer implantar no Brasil, sem nenhuma consulta à sociedade, aos prefeitos e vereadores, integrantes dos movimentos social e ambientalista, povos indígenas ou comunidades tradicionais. No processo são injetados milhões de litros de água, toneladas de areia e um coquetel com mais de 700 produtos químicos para fraturar, quebrar o folhelho pirobetuminoso para liberar o gás metano. Muitos destes produtos são tóxicos, cancerígenos, radioativos. Parte do fluído hidráulico volta para a superfície pela tubulação e chega às areias de rejeito; outra parte fica no subsolo e percola (sobe) através de microfraturas da rocha até à superfície e também atinge os aquíferos e lençóis freáticos, contaminando o solo e o ar junto com o metano liberado. Pelo menos 372 cidades em 15 estados podem ser impactadas pela exploração pelo método FRACKING, isto porque a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já vendeu blocos em várias rodadas de licitações. “Destes 15 Estados, o Ministério Público Federal, sensibilizado pela COESUS e parceiros sobre os riscos ambientais, econômicos e sociais, conseguiu suspender liminarmente os efeitos dos leilões em seis. Os demais estados estão à mercê do FRACKING, infelizmente”, lamentou Juliano. A contaminação se dá num raio de até 80 quilômetros de cada poço perfurado, provocando um rastro de destruição e contaminação nas cidades vizinhas. O coordenador de campanhas Climáticas da 350.org convidou os presentes à marcha que integrem a Frente Nacional de Vereadores Contra o FRACKING. “O objetivo é aprovar uma legislação municipal em cada uma destas cidades proibindo atividades de exploração pelo método e impedindo a concessão de alvarás, uso de água e trânsito de caminhões com produtos químicos, bem como a retirada da licença social de empreendimentos desta natureza”, explicou. Mais de 50 cidades brasileiras já aprovaram leis proibitivas, única solução possível enquanto não houve uma legislação nacional e em cada estado banindo o FRACKING.

Perplexidade

“Como pode a gente não saber de algo tão terrível assim? Não ser consultado sobre uma tecnologia que contamina a água, impacta a natureza e a vida das pessoas dessa forma? Que absurdo é esse? ” –  questionou o vereador Tio Jardel de São João dos Patos, cidade do Maranhão vizinha de Mirador, que está na lista na ANP. O vereador ficou mais impressionado ainda quando viu fotos dos caminhões de que recentemente fizeram testes sísmicos e exploratórios no Paraná e Argentina. Tio Jardel lembrou que entre 2013 e 2014, vários caminhões desse tipo estiveram na cidade sem que ninguém soubesse nada sobre os seus verdadeiros objetivos. “Temos que investigar, pois ali em Mirador, bem próxima, é a nascente do rio Itapecuru, o mais importante da região”, alertou. “No que depender de mim, vamos convidar lideranças políticas, religiosas e da sociedade civil para promover a maior mobilização regional de todos os tempos”, garantiu Tio Jardel. Outro que se mostrou perplexo foi o também vereador do Maranhão presente à Marcha, Asaf Sobrinho, da cidade de São Pedro dos Crentes. “Nunca tinha ouvido falar disso. Como pode?”, indagou Asaf, que é superintendente da União dos Vereadores do Brasil (UVB).

Carta do Oeste do Paraná

O presidente da UVB, vereador Gilson Conzatti da cidade de Irai no Rio Grande do Sul, recebeu dos vereadores de Toledo presentes ao evento um documento que traz a história da luta contra o FRACKING dos municípios da região Oeste do Paraná. Desde 2013, as cidades no entorno de Toledo que tiveram blocos vendidos para exploração não convencional do gás de xisto estão mobilizadas para esclarecer a população e impedir que o fraturamento hidráulico aconteça no Estado, trabalho este iniciado por Juliano Bueno de Araujo ainda em 2013. Proporcionalmente, o Paraná é o estado brasileiro que pode ser mais impactado já que os blocos vendidos atingem 122 das 399 cidades. Diversas audiências públicas, marchas, eventos e manifestações foram realizadas desde então com a participação e apoio do prefeito de Toledo Beto Lunitti e dos vereadores Tita Furlan e Vagner Delabio. É preciso ressaltar que os dois vereadores acompanharam há alguns meses uma missão internacional realizada pela 350.org Brasil e COESUS à Argentina para visitas aos campos de Fracking. “Não vamos permitir que a nossa cidade de Toledo, primeiro PIB agropecuário do Paraná, e o nosso estado agrícola por vocação, que fica sob os aquíferos Serra Geral e Guarani, sejam devastados pelo FRACKING”, salientou o presidente da Câmara de Vereadores de Toledo, Ademar Dorfschmidt, que tem mobilizado Vereadores em todo Brasil junto à Campanha Nacional Não Fracking Brasil. Ademar está divulgando o exemplo de Toledo, onde a Câmara Municipal realiza sistematicamente ações de divulgação sobre os males do Fracking e a promoção de energias renováveis como biogás, hidráulica, solar e eólica. Junto com os colegas de mandato Airton Paula, Edinaldo Santos, Expedito Ferreira e Sueli Guerra, Ademar entregou o documento à presidência da UVB e à Coordenação Nacional da COESUS, sendo ainda o principal articulador da participação da Coalizão Não Fracking Brasil no maior evento nacional de vereadores do país.

O resultado da apresentação foi a sensibilização  dos vereadores que ficaram motivados a se posicionar contra o uso da tecnologia de fraturamento hidráulico.

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