Terremoto de 5,6 graus sacode Oklahoma e revela face devastadora do FRACKING

Por: Silvia Calciolari- COESUS

Estado americano sempre foi uma área de baixa atividade sísmica, mas agora supera até mesmo a Califórnia. No Brasil, o método não convencional para extração de gás de xisto representa uma séria ameaça.

Oklahoma é um dos estados americanos que atualmente vive uma ‘epidemia’ de terremotos. No último final de semana, um forte tremor sacudiu o estado o centro dos Estados Unidos, onde a incidência sísmica aumentou em meio ao uso intensivo do método não convencional de extração de petróleo e gás de xisto por FRACKING. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) confirmou que o terremoto, com uma magnitude de 5,6 graus, foi registrado às 9h02 de Brasília (12h02 GMT) perto de Pawnee, uma cidade do noroeste do estado. O tremor também foi sentido em outros seis estados, do Texas até Iowa.

Oklahoma continua a sacudir a uma taxa sem precedentes e o número de terremotos de grande intensidade está aumentando. Em 2009, houve 20 tremores de magnitude 3,0 ou superior, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos. No ano passado, foram 890. Em 2009, nenhum terremoto mediu 4.0 ou mais. No ano passado, 30 passaram desse patamar. Há cinco anos, moradores viram pela primeira vez um aumento surpreendente nos terremotos relacionados diretamente pelas autoridades com o fraturamento hidráulico, ou FRACKING.

 Histórico perigoso

“Este é um histórico perigoso a ser considerado pelas autoridades brasileiras que insistem em permitir a entrada do fraturamento hidráulico no país. Impor à população um risco dessa magnitude é uma temeridade que nós não podemos e não vamos permitir”, afirma Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

Há três anos a campanha Não Fracking Brasil está informando à sociedade e mobilizando gestores públicos, parlamentares, entidades e movimentos sociais, climáticos e ambientalistas para os riscos e perigos do FRACKING.

Juliano lembra que no ano passado, uma série de testes para aquisição sísmica no Norte do Paraná assustou moradores e impactou centenas de moradias. Durante a passagem dos caminhões vibradores, uma série de tremores na região de Londrina foi registrada, algo inédito na região. Em Arapongas e Rolândia, dezenas de casas e edifícios apresentaram rachaduras e muitas foram condenadas pela defesa civil.

Os testes de aquisição sísmica têm como finalidade adquirir informações geológicas e verificar a existência de gás, petróleo, carvão, betume, metano, xisto e outros hidrocarbonetos no subsolo. As informações coletadas vão orientar a exploração e explotação de hidrocarbonetos danosos à agricultura, pecuária e ecossistemas e impedir o seguro abastecimento público de água e alimentos.

 “Para proteger as famílias, as fontes de água e a produção de alimentos, dezenas de cidades brasileiras já proibiram operações de extração de gás de xisto por Fracking. Vamos intensificar a campanha e garantir que essa tecnologia devastadora não aconteça no Brasil”, completa.

FRACKING é o método não convencional utilizado para a extração do petróleo e gás de xisto. Milhões de litros de água são injetados no subsolo a altíssima pressão misturados com areia e um coquetel de mais de 720 substâncias químicas, muitas delas cancerígenas e radioativas. Além dos impactos ambientais, contaminação das reservas de água, poluição do ar e provocar câncer nas pessoas e animais, a tecnologia também está associada a terremotos.

Para extrair o metano são feitas fortíssimas explosões na rocha do folhelho piro betuminoso de xisto, provocando a instabilidade do solo. Em regiões onde há uma propensão natural a atividades sísmicas, os abalos são potencializados.

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