Corte de emissões precisa ser mais drástico para limitar aumento de temperatura global a 1,5ºC

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Em 1 de julho de 2016, Amaia, de 11 anos, uma menina inuíte, pisa em bloco de gelo no Oceano Ártico, em Barrow, Alasca (EUA). O derretimento anômalo do gelo do Ártico é um dos muitos efeitos do aquecimento global que tem sério impacto na vida dos seres humanos e na natureza. Foto: UNICEF

Por ONU

Às vésperas do ano em que as nações deverão fortalecer seus compromissos climáticos de Paris, um novo relatório lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) faz um alerta.

A menos que as emissões globais de gases de efeito estufa (GEEs) caiam 7,6% ao ano entre 2020 e 2030, o mundo perderá a oportunidade de entrar na trajetória rumo à meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura em até 1,5°C.

O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2019 (Emissions Gap Report, em inglês) do PNUMA afirma que, mesmo que todos os compromissos atuais sob o Acordo de Paris sejam implementados, as temperaturas deverão subir 3,2°C, trazendo impactos climáticos ainda maiores e mais destrutivos.

Para alcançar a meta de 1,5°C, a ambição coletiva precisa aumentar em mais de cinco vezes em relação aos níveis atuais para proporcionar os cortes necessários na próxima década.

O ano de 2020 é um ano crítico para a ação climática. A conferência das Nações Unidas sobre mudança do clima, em Glasgow, objetiva determinar o curso futuro dos esforços para evitar a crise. Nela, os países precisam intensificar significativamente seus compromissos climáticos.

“Por dez anos, o Relatório sobre a Lacuna de Emissões tem soado o alarme, e por dez anos o mundo só aumentou suas emissões”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

“Nunca foi tão importante dar ouvidos à ciência. A não observação desses avisos e tomar medidas drásticas para reverter as emissões implica que continuaremos a testemunhar ondas de calor mortais e tempestades e poluição catastróficas.”

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertou que se a temperatura ultrapassar 1,5°C a frequência e a intensidade dos impactos climáticos, como as ondas de calor e tempestades testemunhadas em todo o mundo nos últimos anos, aumentarão.

“Nosso fracasso coletivo em agir cedo e com firmeza com relação às mudanças climáticas significa que agora precisamos realizar grandes cortes nas emissões, de mais de 7% ao ano, se forem distribuídos uniformemente na próxima década”, afirmou Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA.

“Isso mostra que os países simplesmente não podem esperar até o final de 2020, quando precisaremos de novos compromissos climáticos, para intensificar suas ações. Eles e todas as cidades, regiões, empresas e indivíduos devem agir agora.”

“Precisamos de vitórias rápidas para reduzir as emissões o máximo possível em 2020, e Contribuições Nacionalmente Determinadas (CNDs) mais fortes para iniciar as principais transformações em economias e sociedades. Precisamos compensar os anos em que procrastinamos”, acrescentou. “Se não fizermos isso, a meta de 1,5°C estará fora de alcance antes de 2030.”

Os países do G20 respondem coletivamente por 75% de todas as emissões, mas apenas cinco deles se comprometeram com uma meta de emissões zero a longo prazo.

No curto prazo, os países desenvolvidos terão que reduzir suas emissões mais rapidamente que os países em desenvolvimento, por razões de justiça e equidade. No entanto, todos os países precisarão contribuir mais para os efeitos coletivos.

Os países em desenvolvimento podem aprender com os esforços bem-sucedidos nos países desenvolvidos e podem até ultrapassá-los e adotar tecnologias mais limpas em um ritmo mais rápido.

O relatório diz que todas as nações precisam aumentar substancialmente a ambição em suas CNDs, como são conhecidos os compromissos de Paris, em 2020 e acompanhar políticas e estratégias para implementá-las. Estão disponíveis soluções para viabilizar o cumprimento das metas de Paris, mas elas não estão sendo implantadas com rapidez suficiente ou em escala suficientemente grande.

A cada ano, o relatório do PNUMA avalia a diferença entre as emissões previstas para 2030 e os níveis consistentes com as metas de 1,5°C e de 2°C do Acordo de Paris. O relatório constata que as emissões de GEE aumentaram 1,5% ao ano na última década. As emissões em 2018, incluindo as mudanças no uso da terra, como o desmatamento, atingiram uma nova alta de 55,3 gigatoneladas de CO2 equivalente.

Para limitar o aumento das temperaturas, as emissões anuais em 2030 precisam ser 15 gigatoneladas de CO2 equivalente mais baixas do que as CNDs atuais para a meta de 2°C e 32 gigatoneladas mais baixas para a meta de 1,5°C. Em termos anuais, isso significa reduções de 7,6% ao ano entre 2020 a 2030 para cumprir a meta de 1,5°C e 2,7% ao ano para a meta de 2°C.

Para cumprir esses cortes, os níveis de ambição nas CNDs precisam aumentar pelo menos cinco vezes para a meta de 1,5°C e três vezes para os 2°C.

De acordo com o relatório, as mudanças do clima ainda podem ser limitadas a 1,5°C. Há uma maior compreensão dos benefícios adicionais da ação climática, como ar limpo e o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Existem muitos esforços ambiciosos de governos, cidades, empresas e investidores. As opções de soluções e a pressão e vontade de implementá-las são mais abundantes do que nunca, segundo o documento.

Como ocorre todos os anos, o relatório concentra-se no potencial de setores específicos para proporcionar cortes de emissões. Em 2019, ele analisa a transição energética e o potencial de eficiência no uso de materiais, o que pode ajudar bastante a diminuir o déficit de emissões.

Leia o relatório em:

https://www.unenvironment.org/pt-br/resources/relatorio-sobre-lacuna-de-emissoes-2019

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