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Discurso do secretário-geral António Guterres para o Dia Internacional de Reflexão e Memória do Genocídio de 1995 em Srebrenica, assinalado em 11 de julho.

Excelências, sobreviventes, familiares das vítimas, ilustres convidados,

É para mim uma honra estar aqui hoje com vocês, em memória das vítimas do genocídio em Srebrenica.

Em julho de 1995, mais de 8.000 homens e meninos muçulmanos bósnios — muitos dos quais buscavam proteção no complexo das Nações Unidas em Potočari — foram sistematicamente separados de suas famílias, executados e enterrados em valas comuns.

Milhares de mulheres, crianças e idosos foram deslocados à força.

Uma geração inteira foi privada de seu futuro.

Foi a pior atrocidade cometida em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

Mas a intenção de aniquilar os muçulmanos bósnios de Srebrenica fracassou.

As pessoas sobreviventes — algumas das quais estão aqui conosco hoje — são a prova viva disso.

Elas prestaram depoimento, repetidas vezes, perante tribunais nacionais e internacionais.

Entre elas, as Mães de Srebrenica demonstraram coragem extraordinária em sua busca pela verdade e pela justiça.

Elas reconstruíram comunidades devastadas e criaram seus filhos e netos não com ódio ou vingança, mas com amor e compaixão:

O único caminho pelo qual uma comunidade em luto pode se recuperar – mesmo que a dor persista.

Excelências,

Em 2024, esta Assembleia instituiu este Dia Internacional de Reflexão e Memória do Genocídio de 1995 em Srebrenica.

Celebrá-lo é assumir um dever: reafirmar os fatos estabelecidos pelos tribunais, reconhecer o sofrimento das vítimas e buscar a responsabilização. 

É assim que se reconstrói a confiança, se sustenta a paz e se previnem atrocidades.

O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia e a Corte Internacional de Justiça concluíram que os atos cometidos em Srebrenica, em 1995, constituíram genocídio.

Também reafirmaram que a responsabilidade por esse crime é individual e não pode ser atribuída a qualquer grupo ou comunidade étnica, religiosa ou de outra natureza.

O direito internacional também é claro: os Estados têm a obrigação de prevenir o genocídio.

Defender essas conclusões contra o negacionismo e o revisionismo histórico — e assegurar que as vozes das vítimas jamais sejam silenciadas — é um dever que todas e todos nós compartilhamos.

Somente ao reconhecer o sofrimento de cada vítima poderemos construir a empatia sobre a qual qualquer futuro deve se fundamentar: 

  • Um futuro em que não haja lugar para a negação do genocídio nem para o revisionismo histórico. 
  • Um futuro em que o diálogo, e não a divisão, nos conduza à paz.

Mas também precisamos enfrentar uma realidade difícil.

Depois de Srebrenica, o mundo voltou a dizer: “Nunca mais”.

No entanto, como sabemos, o discurso de ódio está em ascensão, alimentando a discriminação, o extremismo e a divisão.

Criminosos de guerra condenados são glorificados.

Não podemos ignorar esses sinais de alerta.

Precisamos agir desde cedo, pois a prevenção é um dever compartilhado e nossa proteção mais eficaz.

Neste Dia Internacional, conclamo todos os Estados-membros a honrar sua responsabilidade compartilhada: enfrentar o negacionismo com a verdade e a impunidade com a justiça.

Por isso, hoje, recordamos e homenageamos as vítimas com humildade e determinação.

Humildade diante de seu sofrimento imensurável.

Determinação para que tal horror nunca se repita.

Aos sobreviventes e às famílias: estamos ao lado de vocês, com respeito e solidariedade.

E peço a todas as pessoas, em todos os lugares, que se lembrem de Srebrenica – que ouçam aqueles que viveram isso e que ajam de acordo com o que eles nos ensinam.

Em defesa da dignidade humana, da paz e da justiça.

Obrigado.

Legenda: Lápides marcam os locais de descanso final dos homens e meninos que foram mortos no genocídio de Srebrenica, em julho de 1995.
Foto: © ONU/Darko Zecevic.

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ambientedomeio@outlook.com

O “Ambiente do Meio” foi criado em 2007 e a autora teve como objetivo inicial auxiliar jornalistas e leigos nas informações de qualidade sobre o Meio Ambiente resultante de preocupações com as poucas informações jornalísticas de qualidade sobre o tema atreladas a conhecimentos acadêmicos e evidências científicas.

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