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Por Fernando Oliveira

A educação popular ganhou força no Brasil pelo brilhante trabalho de Paulo Freire. Ele partiu do entendimento que o processo educativo consiste em encontrar no indivíduo uma identidade coletiva, de forma que o conhecimento construído pelo educando, mediado pelo educador, faça sentido diante do mundo em que aquele vive. Desta forma, ninguém educa ninguém, todos se educam mediatizados pelo mundo.
O que difere a educação do ensino propriamente dito é o fato de que este último é baseado na transmissão de conteúdos já construídos e idéias pré-concebidas. Assim, um professor ensina o que sabe para um aluno, esperando que este aprenda conteúdos, processos, atitudes e valores que ele próprio, professor, acredita. Numa escola onde a concepção pedagógica é descolada da realidade imediata dos alunos, corre-se o risco do ensino ser direcionado pelos interesses imediatos da direção ou dos governantes.

Foto por Julia M Cameron em Pexels.com

No Brasil, a sociedade é historicamente marcada pelo domínio econômico de pequenos grupos, concentradores da riqueza, sobre a maioria, rica de pobreza e dependente epistemologicamente. Em outras palavras, há uma opressão da classe economicamente dominante perante a classe numericamente dominante, que se dá também em nível de conhecimento. Uma população ignorante é mais fácil de ser manipulada do que uma população informada, independente epistemologicamente. O conhecimento é uma forma de poder.
A autonomia de grupos culturais na construção de seu próprio saber, é, portanto, essencial para uma sociedade onde o indivíduo seja efetivamente livre. No dia-a-dia vemos uma liberdade controlada dentro de limites impostos pela democracia burguesa, onde ser livre é votar entre os candidatos escolhidos pelas instituições já estabelecidas. Liberdade, entretanto, é um valor individual e coletivo, e por isto faz parte do processo educativo, da construção popular do conhecimento e apontado por alguns economistas como a única forma de realizar o processo de desenvolvimento de uma nação.
Numa sociedade livre, não seria necessário adjetivar o termo Educação. Entretanto, diante do uso intenso desta palavra como sinônimo de ensino, aprendizado ou treino, escolheu-se o termo composto Educação Popular como referente ao processo educativo libertador do indivíduo. O processo de Educação Popular tem que ser indutivo e não dedutivo. Devemos partir do educando porque é a única maneira de partir da experiência do grupo, senão vamos continuar partindo da idéia dos educadores. E isto é Educação Popular.

Para Paulo Freire, a Educação Popular pode ser vista como “(…) esforço de mobilização, organização e capacitação das classes populares, capacitação científica e técnica…. Esse esforço não se esquece, que é preciso poder, ou seja, é preciso transformar essa organização do poder burguês que está aí, para que se possa fazer escola de outro jeito. Há estreita relação entre escola e vida política”.

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Autor

ambientedomeio@outlook.com

O “Ambiente do Meio” foi criado em 2007 e a autora teve como objetivo inicial auxiliar jornalistas e leigos nas informações de qualidade sobre o Meio Ambiente resultante de preocupações com as poucas informações jornalísticas de qualidade sobre o tema atreladas a conhecimentos acadêmicos e evidências científicas.

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