Brasil não protege o Meio Ambiente: Decreto presidencial disponibiliza uma área maior que a Dinamarca para mineração
- 0
Reprodução do texto do jornalista Andre Trigueiro em seu Facebook
Resposta a Temer: ainda sobre o decreto baixado pelo presidente disponibilizando uma área da Amazônia maior que a Dinamarca para mineração, Temer usou a conta dele no twitter para postar as duas mensagens que seguem abaixo. Tomo a liberdade de comenta-las:
Diz Temer: “O governo não alterou nenhuma reserva ambiental da nossa Amazônia. Reorganizamos uma área mineral, hoje alvo do garimpo. É bem diferente.”
Meu comentário: A mineração é uma das atividades econômicas mais impactantes e predatórias que existe. Usa produtos químicos de elevada toxicidade, demanda uso intensivo de água, gera cargas brutais de rejeitos depositados em imensos reservatórios (a maior parte dos quais sem a devida fiscalização, oferecendo riscos ao meio ambiente e às comunidades próximas), entre outros impactos importantes como a emissão de toneladas diárias de poeira e material particulado. É evidente que a proliferação de licenças para exploração de minérios numa região do tamanho do Espírito Santo onde existem (resistem) 7 Unidades de Conservação e 2 Terras Indígenas eleva exponencialmente os riscos sobre essas áreas. Num país onde a regulação é frouxa, os órgãos ambientais são mal aparelhados e a fiscalização é ineficiente, o aval de Temer (com o perdão do trocadilho) é absolutamente temerário. Ao baixar o decreto, o presidente atendeu diretamente aos interesses de grupos privados ligados ao setor, além dos 23 deputados federais que pertencem a bancada da mineração, todos financiados por mineradoras. Faltaram transparência e debate. Sobraram desconfiança e indignação. “Reorganizamos uma área mineral”, como disse Temer no twitter, é um eufemismo que afronta a verdade dos fatos. E se a ideia é combater o garimpo ilegal na região, basta mobilizar tropas federais ou a fiscalização do Ibama. Faltaram debate e discussão. Um projeto de lei encaminhado ao Congresso seria algo compatível com um presidente eleito pelo povo, sujeito aos compromissos de campanha. Em resumo: o decreto é um desastre.
Diz Temer: “Nosso compromisso é com o desenvolvimento sustentável da Amazônia, unindo preservação ambiental com geração de renda p/ as populações locais”
Meu comentário: Não se promove o desenvolvimento sustentável da Amazônia flexibilizando o licenciamento ambiental (da forma como os mais próximos de Temer defendem), defendendo mudanças nas leis que protegem os direitos dos indígenas e quilombolas ou atendendo de forma submissa aos interesses da bancada ruralista. O decreto de Temer abre caminho para o desenvolvimento sujo, concentrador de renda (o IDH dos municípios onde a mineração é forte fica abaixo da média brasileira), com grande concentração de homens na floresta (na fase de instalação do garimpo) elevando as estatísticas de favelização e prostituição. O decreto abre caminho para uma nova corrida do outro semelhante à de Serra Pelada, onde milhares de garimpeiros transformaram o sudeste do Pará num gigantesco formigueiro humano “cavucando” a terra sem nenhum controle, destruindo o meio ambiente, contaminando as águas e degradando a qualidade de vida dessas populações. Poucos enriqueceram ali extraindo outro. Hoje o que resta de Serra Pelada é um buraco de 200 metros de profundidade coberto por um lago.
Há nesse momento reações contra o decreto de Temer no âmbito do Legislativo e do Judiciário. É importante acompanhar de perto a evolução dos acontecimentos. Os interesses de poucos não podem se sobrepor aos interesses.
- Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
- Compartilhar no X(abre em nova janela) X
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Compartilhar no Threads(abre em nova janela) Threads
- Mais
Relacionado
Autor
ambientedomeio@outlook.com
Posts relacionados
Estudo define indicadores para orientar a restauração de campos úmidos no Cerrado
Os campos úmidos do Cerrado estão desaparecendo rapidamente e sua recuperação esbarra em um erro prático e histórico: a tentativa de aplicar...
Leia tudo
Dia Nacional do Ciclista – 19 de agosto
O ciclista e o veículo bicicleta no processo da construção de cidades mais humanas O Dia Nacional do Ciclista é uma data...
Leia tudo
Ondas de calor ainda são negligenciadas no Brasil, diz pesquisadora
As ondas de calor ainda são um desastre “completamente negligenciado” no Brasil e podem se tornar mais frequentes e intensas com a...
Leia tudo
Cidades resilientes ou apenas edifícios sustentáveis?
O desafio de transformar a sustentabilidade em política urbana A Sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito da...
Leia tudo
Conexão entre fragmentos florestais importa mais que tamanho na restauração da Mata Atlântica
A dispersão de sementes por meio do vento, da água ou de animais é um processo crucial para a renovação de florestas...
Leia tudo
Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE
Dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil, sete são proibidos na União Europeia (UE), o que não impede que esses produtos sejam...
Leia tudo