WFP: 80 milhões de crianças passam a receber refeições escolares em 4 anos
Por ONU
O Programa Mundial de Alimentos (WFP) lançou nesta quarta-feira (10/09) o relatório O Estado da Alimentação Escolar no Mundo, destacando uma expansão sem precedentes dos programas nacionais de alimentação escolar.

Cerca de 466 milhões de crianças em todo o mundo estão recebendo refeições escolares, um aumento de quase 80 milhões em apenas quatro anos.
Quase 80 milhões de crianças a mais estão recebendo refeições escolares por meio de programas liderados por governos em comparação com 2020 — um aumento de 20%, que eleva o total global para cerca de 466 milhões de crianças, de acordo com a última edição do relatório bienal O Estado da Alimentação Escolar no Mundo, divulgado nesta quarta-feira (10/09) pelo Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP).
De acordo com o WFP, essa conquista reflete o compromisso crescente dos governos, que mantiveram e ampliaram seus programas mesmo durante a pandemia da COVID-19 e em meio às atuais incertezas econômicas globais.
“As refeições escolares oferecem muito mais que um prato de comida; elas representam uma porta de entrada para a educação, saúde e oportunidades futuras”, afirmou a diretora executiva do WFP, Cindy McCain.
O relatório ressalta que os avanços foram especialmente expressivos em países de baixa renda, que registraram um crescimento de quase 60% na cobertura dos programas nos últimos dois anos.
A África foi o continente que mais avançou, adicionando 20 milhões de crianças atendidas. Países como Etiópia, Quênia, Madagascar e Ruanda ampliaram seus programas entre 1,5 e 6 vezes no período.
Outro marco é o surgimento de novos programas nacionais em países como Canadá, Indonésia e Ucrânia, além de iniciativas-piloto em nações de alta renda, como a Dinamarca. Com isso, a alimentação escolar se consolida como política pública não apenas em países em desenvolvimento, mas também em economias avançadas que reconhecem seu papel no bem-estar infantil e no fortalecimento dos sistemas alimentares.
O relatório também evidencia que a maior parte do financiamento para esses programas vem de recursos domésticos: 99% dos US$ 84 bilhões anuais aplicados mundialmente são investidos pelos próprios governos. Ainda assim, subsiste um desafio: metade das crianças em idade primária que ainda não recebem refeições escolares estão em países de baixa renda, onde a cobertura média é de apenas 27%.
A publicação destaca ainda o papel da Coalizão de Alimentação Escolar, criada em 2021 e que hoje reúne 108 países, 144 parceiros e seis organismos regionais. Segundo o WFP, quase dois terços da expansão recente se devem a compromissos assumidos por membros da coalizão, que têm impulsionado políticas públicas integradas em educação, saúde, agricultura e proteção social.
Além de combater a fome e melhorar a nutrição, os programas geram impactos positivos em diversos setores: ampliam a frequência escolar, criam empregos (cerca de 1.500 por cada 100 mil crianças atendidas) e estimulam economias locais ao comprar alimentos de pequenos produtores.
Evidências apontam que, para cada dólar investido, o retorno em benefícios sociais e econômicos pode variar entre US$ 3 e US$ 9.
Apesar dos progressos, o WFP alerta que os cortes previstos na assistência oficial ao desenvolvimento podem ameaçar o ritmo da expansão, especialmente nos contextos mais frágeis. O relatório reforça o apelo para que governos e parceiros mantenham os esforços, garantindo que todas as crianças, em qualquer lugar do mundo, tenham acesso a uma refeição saudável na escola — condição essencial para um futuro mais justo e sustentável.
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