América Latina e Caribe tornam-se epicentro da pandemia e ONU sugere ações socioambientais

Por: ONU

A América Latina e o Caribe tornaram-se o epicentro da pandemia de COVID-19, com vários países da região registrando agora as maiores taxas de infecção per capita e o maior número absoluto de casos no mundo.

O alerta é do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que lançou nesta quinta-feira (9) um relatório sobre os impactos da COVID-19 na região.

Segundo o documento, espera-se uma contração de 9,1% no Produto Interno Bruto (PIB), que será a maior em um século. Os impactos sociais da pandemia serão sentidos de maneira aguda, com fortes aumentos do desemprego, da pobreza, da extrema pobreza e da desigualdade.

O desemprego aumentará de 8,1% (2019) para 13,5% (2020). Isso elevará o número de desempregados na região para mais de 44 milhões de pessoas, um aumento de mais de 18 milhões em relação ao registrado em 2019.

Prevê-se ainda que a taxa de pobreza aumente em sete pontos percentuais em 2020, para 37,2% da população – um aumento no ano de 45 milhões de pessoas (para 230 milhões no total). Além disso, a pobreza extrema deve aumentar de 4,5% a 15,5% da população, o que representa um aumento no ano de 28 milhões de pessoas (para 96 milhões no total).

O índice Gini médio regional, que mede a concentração de renda, deverá aumentar 4,7 pontos percentuais em 2020.

“Temos que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para conter a propagação do vírus e enfrentar os efeitos da pandemia na saúde. Mas precisamos igualmente de responder aos seus impactos sociais e econômicos sem precedentes”, disse António Guterres na mensagem de vídeo para o lançamento do relatório.

A pandemia está atingindo uma região que já possui profundas desigualdades, altos níveis de trabalho informal e serviços de saúde fragmentados. Apenas 34,2% das pessoas que estão entre as 10% de menor renda são cobertas por algum seguro de saúde.

O documento traz um conjunto de passos urgentes e de longo prazo para que o mundo possa se recuperar melhor. “Apela aos governos para que façam mais para reduzir a pobreza, a insegurança alimentar e a desnutrição. Isso pode passar pela atribuição de um rendimento básico de emergência ou de subvenções contra a fome”, disse Guterres.

A crise afetará mais severamente as mulheres, já que elas representam mais de 60% da mão de obra nos setores de hotelaria e serviços de alimentação na região, 72,8% da força de trabalho de assistência médica e têm maior probabilidade de trabalhar em ocupações informais do que os homens.

O confinamento colocou pressões adicionais sobre as mulheres, como cuidadoras primárias, enquanto a incidência de feminicídio e outras formas de violência sexual e de gênero aumentou.

Também os povos indígenas – 60 milhões de pessoas, 10% da população da região – e os afrodescendentes – 134 milhões de pessoas, 21% – serão desproporcionalmente mais afetados. Estes grupos tendem a viver em piores condições socioeconômicas e têm acesso limitado à proteção social em comparação com restante da população, além de altos níveis de discriminação no mercado de trabalho.

Segundo o relatório, a crise exacerbará também a vulnerabilidade de migrantes e refugiados. Quando restrições à liberdade de circulação ou acesso a territórios nacionais são impostas, é importante fazê-lo de uma maneira que respeite as leis internacionais sobre os direitos humanos e o direito humanitário e dos refugiados – particularmente os princípios de não discriminação e não repulsão e as proibições de detenção arbitrária e expulsão coletiva.

Respostas e recomendações no curto prazo

No curto prazo, aponta o documento, os governos devem considerar mecanismos para fornecer às pessoas que vivem na pobreza uma renda básica de emergência. Isso poderá incluir a possibilidade de oferecer um auxílio monetário equivalente à linha de pobreza nacional. A linha de pobreza média para a região é de cerca a 140 dólares por mês.

Estima-se que o custo de financiar a renda básica de emergência por seis meses corresponda a 1,9% do PIB regional. Segundo a ONU, os governos devem considerar estender a cobertura aos trabalhadores informais que atualmente não vivem abaixo da linha da pobreza, mas carecem de proteção social necessária para lidar com os impactos da crise.

Para combater a insegurança alimentar e a desnutrição, essas medidas devem ser complementadas, quando necessário, por auxílios emergenciais contra a fome para pessoas que vivem em extrema pobreza.

A resposta multilateral imediata deve ser estendida aos países de renda média. Esse grupo, que inclui a maioria dos países da América Latina e do Caribe, enfrenta restrições estruturais, mas foi amplamente excluído da cooperação internacional na forma de assistência emergencial à liquidez, financiamento, isenções comerciais, adiamento do pagamento do serviço da dívida e assistência humanitária.

Esses instrumentos, indicou a ONU, são cruciais para combater a crescente dívida pública externa dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento do Caribe.

Ainda segundo o relatório, devem ser apoiadas iniciativas para o alívio da dívida ou a suspensão temporária dos pagamentos da dívida e para mecanismos inovadores de financiamento, como a troca de dívida por investimentos em adaptação climática para esses pequenos Estados insulares do Caribe.

Estas iniciativas devem ser acompanhadas por um sistema tributário fortalecido e progressivo para garantir que o esforço fiscal decorra em grande parte de impostos redistributivos e ações para reduzir a evasão e a elisão fiscais. A evasão fiscal, ou sonegação fiscal, é o uso de meios ilícitos para evitar o pagamento de impostos. Já a elisão fiscal utiliza métodos legais para diminuir o peso da carga tributária.

Reconstruindo melhor e com igualdade

Na América Latina e no Caribe, reconstruir melhor significa reconstruir com igualdade, afirmou a ONU, sustentando que a igualdade ajuda a sustentar a renda e a demanda agregada.

O foco na inclusão social neutraliza o aumento da xenofobia e a estigmatização de grupos marginalizados, enquanto a igualdade impede que o poder econômico concentrado capture e distorça políticas públicas. A ONU pede ainda esforços complementares para combater a corrupção e o crime organizado, bem como e a presença efetiva, responsável e receptiva do Estado.

Os planos de recuperação da pandemia devem procurar transformar o modelo de desenvolvimento da região, fortalecendo a democracia, salvaguardando os direitos humanos e preservando a paz, de acordo com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Devem ainda fortalecer a governança democrática, o Estado de Direito, a responsabilidade e a transparência em uma democracia sustentada por um pacto social para garantir legitimidade, inclusão e eficácia das políticas públicas, bem como o envolvimento das comunidades locais e da sociedade civil, incluindo organizações de mulheres e jovens.

Segundo o documento, a sustentabilidade ambiental, amparada pela Agenda 2030, deve ser a base para o relançamento da cooperação multilateral, particularmente nos países em desenvolvimento.

Desafios globais cruciais – como mudanças climáticas, mobilidade humana, pandemias ou luta contra fluxos ilícitos de capital – exigem novas formas de governança, sustenta o relatório. Segundo a ONU, a austeridade deve ser evitada, pois dificulta o investimento e o progresso tecnológico.

Políticas industriais e tecnológicas, na forma de um grande impulso para a sustentabilidade, devem ajudar a definir os países no caminho de crescimento com baixo carbono; promover empregos decentes e fazer a transição para energias renováveis; desenvolver recursos em saúde, tecnologias digitais e verdes; e reduzir a vulnerabilidade a novos choques.

Também deve-se ajudar a preservar a rica biodiversidade da região e apoiar a transição para sistemas agrícolas e florestais que sejam mais inclusivos e respeitem o direito das comunidades locais e dos povos indígenas às terras tradicionais.

A integração econômica regional é uma ferramenta importante para apoiar a diversificação produtiva, a resiliência econômica e a cooperação regional no financiamento de pesquisa, ciência e tecnologia.

ONU lança versão brasileira de site de combate à desinformação sobre a COVID- 19

Por: ONU

A iniciativa global das Nações Unidas para combater a desinformação durante a pandemia do novo coronavírus ganha hoje a sua versão brasileira. Com o objetivo de aumentar o volume e o alcance de informações precisas e confiáveis sobre a COVID-19, o site ‘Verificado’ disponibiliza conteúdo inteiramente em português e pode ser acessado pelo endereço compartilheverificado.com.br.

O site Verificado é liderado pelo Departamento de Comunicação Global (DCG) da ONU e traz dados, orientações e números relacionados ao novo coronavírus vindos de fontes seguras e confiáveis, graças a parcerias feitas pelas Nações Unidas com agências, influenciadores, sociedade civil, empresas e organizações de mídia.

Site da campanha Verificado disponibiliza informações precisas e confiáveis sobre a COVID-19 em português

A iniciativa global das Nações Unidas para combater a desinformação durante a pandemia do novo coronavírus ganha hoje a sua versão brasileira. Com o objetivo de aumentar o volume e o alcance de informações precisas e confiáveis sobre a COVID-19, o site ‘Verificado’ disponibiliza conteúdo inteiramente em português e pode ser acessado pelo endereço compartilheverificado.com.br.

“Não podemos ceder nossos espaços virtuais para aqueles que publicam mentiras, medo e ódio”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao anunciar a iniciativa. “Desinformação é divulgada online, em aplicativos de mensagem e de pessoa para pessoa. Seus criadores usam produção e métodos de distribuição maliciosos. Para combater isso, cientistas e instituições como as Nações Unidas precisam alcançar pessoas com informação acurada, na qual possam confiar.”

O site Verificado é liderado pelo Departamento de Comunicação Global (DCG) da ONU e traz dados, orientações e números relacionados ao novo coronavírus vindos de fontes seguras e confiáveis, graças a parcerias feitas pelas Nações Unidas com agências, influenciadores, sociedade civil, empresas e organizações de mídia.

“A internet tem uma influência poderosa, assim como a televisão. Quando há fontes de informação fortes e conflitantes, em quem a pessoa vai acreditar e como ela chegará a uma conclusão firme? Eu acredito que o site Verificado assegura ao mundo que as Nações Unidas se mantêm como uma fonte de informação independente e confiável, por meio do seu Departamento de Comunicação Global”, disse Kimberly Mann, diretora do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio de Janeiro).

A plataforma oferece conteúdo verificado sobre a COVID-19 em três temas: ciência – para salvar vidas; solidariedade – para promover cooperação local e global; e soluções – para defender o apoio a populações impactadas. Os leitores também podem se cadastrar para receber as novidades do site por e-mail e se tornar “voluntários de informações”, compartilhando dados e orientações confiáveis com suas redes de amigos e familiares.

“Em muitos países, a crescente desinformação em canais digitais está impedindo a resposta de saúde pública e provocando instabilidade. Há esforços inquietantes de explorar a crise para avançar nativismo ou atingir grupos minoritários, o que pode piorar na medida em que a pressão aumenta nas sociedades e instabilidades econômicas e sociais entram em cena”, afirma a subsecretária-geral da ONU para Comunicação Global, Melissa Fleming.

O site Verificado é realizado em colaboração com a Purpose, uma das maiores organizações de mobilização social do mundo, e tem o apoio da Fundação IKEA e da Luminate.  Além disso, o projeto também conta com o apoio de articulação da Nexus.

Mensagem do secretário geral da ONU para 2018: um alerta para o mundo.

 

Novo secretário-geral da ONU, António Guterres, faz apelo à paz em sua primeira mensagem neste 1o de janeiro de 2017

 

Por: ONUBr

Sobre António Guterres:

SG Anthony Guetaras official portrait
SG Anthony Guetaras official portrait

O nono Secretário-Geral das Nações Unidas, assumiu as funções em 1º de janeiro de 2017.

Depois de testemunhar o sofrimento das pessoas mais vulneráveis na Terra, nos campos de refugiados e nas zonas de guerra, o Secretário-Geral está determinado a fazer da dignidade humana o centro do seu trabalho e a servir como mediador da paz, construtor de pontes e promotor da reforma e da inovação.

Antes da sua eleição como Secretário-Geral, Guterres serviu como Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), de junho de 2005 a dezembro de 2015, liderando uma das principais organizações humanitárias do mundo durante uma das mais graves crises de deslocamento em décadas. Os conflitos na Síria e no Iraque e as crises no Sudão do Sul, na República Centro-Africana e no Iémen levaram a um aumento considerável das atividades do ACNUR, pois o número de pessoas deslocadas por conflitos e perseguições aumentou de 38 milhões em 2005 para mais de 60 milhões em 2015.

Antes de se juntar ao ACNUR, Guterres passou mais de 20 anos no governo e no serviço público. Desempenhou funções de primeiro-ministro de Portugal de 1995 a 2002, período durante o qual esteve fortemente envolvido no esforço internacional para resolver a crise em Timor-Leste.

Como presidente do Conselho Europeu no início de 2000, Guterres liderou a adoção da Agenda de Lisboa para o crescimento e o emprego e copresidiu a primeira Cúpula cimeira União Europeia-África. Foi membro do Conselho de Estado Português de 1991 a 2002.

Guterres foi eleito para o Parlamento Português em 1976, onde foi membro por 17 anos.

Durante o período, presidiu a Comissão Parlamentar de Economia, Finanças e Planejamento e, mais tarde, a Comissão Parlamentar de Administração Territorial, Municípios e Meio Ambiente e também foi líder do grupo parlamentar do seu partido.

De 1981 a 1983, Guterres foi membro da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, onde presidiu a Comissão de Demografia, Migração e Refugiados.

Durante vários anos, Guterres foi ativo na Internacional Socialista, organização mundial de partidos políticos social-democratas. Foi vice-presidente do grupo de 1992 a 1999, copresidente do Comitê Africano e mais tarde do Comitê de Desenvolvimento. Ele desempenhou as funções de presidente de 1999 até meados de 2005. Além disso, fundou o Conselho Português dos Refugiados, bem como a Associação Portuguesa de Consumidores (DECO), e foi presidente do Centro de Ação Social Universitária, uma associação que desenvolveu projetos de desenvolvimento social nos bairros pobres de Lisboa, no início dos anos 70.

Guterres é membro do Clube de Madrid, uma aliança de líderes composta por ex-presidentes democráticos e primeiros-ministros de todo o mundo.

Guterres nasceu em Lisboa em 1949 e formou-se no Instituto Superior Técnico em licenciatura em engenharia. É fluente em português, inglês, francês e espanhol. É casado com Catarina de Almeida Vaz Pinto, vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa, e tem dois filhos, um enteado e três netos.

Apelo à Paz

Nova Iorque, 1 de janeiro de 2017

Neste primeiro dia como Secretário-Geral das Nações Unidas, há, sobretudo, uma pergunta que me assalta a consciência:

Como ajudar os milhões de seres humanos vítimas de conflitos e que sofrem enormemente em guerras que parecem não ter fim?

Populações civis em vários pontos do globo são destroçadas sob a mais letal violência. Mulheres, crianças e homens são mortos ou feridos, vendo-se forçados a abandonar os seus lares, tudo perdendo. Até mesmo hospitais e comboios humanitários são atingidos sem consideração.

Nestas guerras não há vencedores; todos perdem. Gastam-se bilhões de dólares na destruição de sociedades e economias, alimentando ciclos de desconfiança e medo que podem perpetuar-se por gerações. Vastas regiões do planeta estão inteiramente desestabilizadas e um novo fenômeno de terrorismo global ameaça a todos.

Neste primeiro dia do Ano, peço a todos que partilhem comigo um propósito de Ano Novo:

Façamos da Paz a nossa prioridade.

Façamos de 2017 um ano em que todos – cidadãos, governos, dirigentes – procurem superar as suas diferenças. 

Seja através da solidariedade e da compaixão nas nossas vidas quotidianas, seja através do diálogo e do respeito, independentemente das divergências políticas. Seja por via de um cessar-fogo num campo de batalha ou mediante entendimentos conseguidos à mesa de negociações para obter soluções políticas.

A procura do bem supremo da Paz deve ser o nosso objetivo e o nosso princípio orientador.

A dignidade e a esperança, o progresso e a prosperidade – enfim tudo o que valorizamos como família humana – depende da Paz.

Mas a Paz depende de nós.

Apelo a todos para que partilhem comigo este compromisso para com a Paz hoje e todos os dias.

Façamos de 2017 um ano de Paz.

Obrigado.

Entrevista com Ban Ki-moon

Por ONU

Entrevista com Ban Ki-moon: motivação foi transformar trabalho “mais impossível em missão possível”

Foto: ONU
Foto: ONU

Na última entrevista como secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon fala sobre os desafios de um trabalho considerado impossível, relembra a juventude na Coreia do Sul, fala de ensinamentos de Confúcio e faz um balanço de seu legado na década em que esteve à frente da Organização.

Ban Ki-moon completa uma década de serviço no comando das Nações Unidas, durante o qual suas prioridades foram mobilizar os líderes mundiais em torno de novos desafios globais: de mudanças climáticas, turbulências econômicas e pandemias a crescentes pressões envolvendo alimentos, energia e água. Além disso, procurou ser um “construtor de pontes”, para dar voz aos mais pobres e vulneráveis e fortalecer a Organização. Ban começou seu primeiro mandato como secretário-geral da ONU em 1º de janeiro de 2007 e foi reeleito por unanimidade em 21 de junho de 2011. Nos seus últimos dias na sede da ONU em Nova Iorque, o secretário-geral falou ao UN News sobre vários tópicos, incluindo o trabalho na Organização, o impacto que a guerra teve na decisão de seguir uma carreira no serviço público e próximos desafios.

UN News: Quando o primeiro secretário-geral da ONU, Trygvie Lie, deu boas vindas ao seu sucessor, Dag Hammarskjöld, ele disse: “bem vindo, Dag Hammarskjöld, ao trabalho mais impossível nesta terra”. Você ficou no cargo por quase dez anos. O que acha desta descrição?

Ban Ki-moon: Tem sido um grande privilégio para mim servir esta grande organização. Minha motivação foi fazer deste trabalho “mais impossível” uma “missão possível”. Eu tenho tentado durante esses últimos 10 anos, dando todo o meu tempo, paixão e energia. Mas, francamente falando, realisticamente, eu terei que deixar muitas coisas por cumprir. Precisávamos ter um senso maior de união, maior solidariedade global e compaixão, mas não conseguimos ver isso. Sem o total apoio dos Estados-membros, tem sido muito difícil.

Ao mesmo tempo, conquistamos importantes visões, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável cobrindo todos os aspectos da vida e o Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas. Essas são as duas mais importantes, ambiciosas e abrangentes conquistas. Ao mesmo tempo, tenho dedicado todos os meus esforços ao maior empoderamento de gênero. Na primeira vez em que me tornei secretário-geral, havia poucas mulheres trabalhando em um nível mais sênior. Tenho tentado indicar a maior quantidade possível de mulheres capazes e comprometidas para estas posições. Espero que meu sucessor, António Guterres, reforce isto.

UN News: Olhando para a década passada, o que você destaca como maiores feitos no comando das Nações Unidas?

Ban Ki-moon: Qualquer que tenha sido o sucesso ou a conquista, é resultado de esforços conjuntos — não apenas meus. O secretário-geral, embora seja capaz e disposto, não pode fazer isto sozinho. Nenhum país ou pessoa pode fazer sem apoio. Neste ponto, sou imensamente grato aos nossos funcionários dedicados, que tem trabalhado dia e noite — em muitos casos, em circunstâncias muito perigosas. Sem o duro trabalho deles, não teríamos alcançado o Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, não teríamos a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Estes são apenas dois importantes resultados de nosso trabalho comum. Espero que nosso pessoal continue nos esforços ao trabalhar em conjunto com os Estados-membros.

UN News: Na mesma linha, olhando para a última década, qual o maior desapontamento?

Ban Ki-moon: Minha visão, como secretário-geral pelos últimos dez anos, lidando com assuntos inflamados acontecendo aqui e ali, todos estes assuntos, estes conflitos, não foram provocados pelas pessoas. A maior parte destes conflitos, infelizmente, devo dizer, foram provocados por líderes — porque os líderes não demonstraram forte comprometimento com objetivos e ideais da Carta das Nações Unidas, dos direitos humanos básicos. É por isso que as pessoas andam bravas e frustradas e têm se revoltado contra seus líderes. Tivessem eles demonstrado mais solidariedade, empatia e compaixão com seus povos, teríamos menos conflitos agora. É por isso que peço aos líderes: por favor, coloquem o bem público comum à frente de tudo, à frente de suas perspectivas pessoais, limitadas ou regionais.

UN News: Ser um secretário-geral é uma tarefa difícil. Longas jornadas, muito tempo viajando, carga de trabalho extenuante. Além disso, você é publicamente demandado e criticado por muitas vozes — de Estados-membros ao público. Como tem lidado com este aspecto do trabalho?

Ban Ki-moon: Tem sido muito duro, muito difícil. Mas, não importa o quão difícil ou desafiador seja, se você tem um forte comprometimento e um senso de equilíbrio e foco no seu trabalho, acredito que nada é impossível. Quando fui eleito para o segundo mandato, a principal mensagem que enviei aos Estados-membros e aos servidores da ONU foi a de que quando estamos juntos nada é impossível. Eu disse: não posso fazer sozinho. Quando estamos unidos, acredito que nada seja intransponível.

Muitas pessoas pedem nossa ajuda — pessoas que estão morrendo sem necessidade, pessoas que sofrem de perseguição, há tantas pessoas que realmente precisam do nosso apoio — que as considerações pessoais caem por terra enquanto você entra em cena. A esse respeito, sou muito tocado e grato a tantos de nossos servidores que trabalham dia e noite em lugares de conflito e desastres humanitários. Sem eles, penso que muitas outras pessoas teriam morrido.

UN News: Do que sentirá mais falta de ser secretário-geral?

Ban Ki-moon: Depois de me aposentar, irei, em primeiro lugar, me livrar de todas as pesadas tensões. Ao mesmo tempo, meu coração jamais deixará esta organização. Sentirei mais falta da solidariedade com a qual nosso pessoal mostra pela humanidade. Eles são pessoas altruístas, comprometidas, que têm trabalhado apenas pela missão que lhes foi dada pelas pessoas do mundo.

UN News: Como passará os últimos dias no trabalho?

Ban Ki-moon: Tenho feito meu trabalho — esta longa maratona de dez anos — como um corredor. Permanecerei focado até meu último dia, 31 de dezembro, fazendo exatamente isto. Nunca hesitarei, nunca esperarei e sempre farei o que é certo. Este é meu firme comprometimento com o serviço público.

UN News: Tem alguma mensagem de saída para os líderes mundiais e para o público?

Ban Ki-moon: Quando você se torna um líder de um país, de uma comunidade ou de uma organização, não importa se pequena ou grande, [você precisa se lembrar]: primeiro de tudo, você não é o único, você tem que lidar com pessoas, e você tem que ouvir bem cuidadosamente, atentamente e sinceramente às vozes das pessoas ou da equipe. Você tem que ouvir as dificuldades, as aspirações e os desafios — isso é muito importante. E você põe seu interesse privado ou pessoal atrás do bem público, do bem comum.

Tem um ditado, que aprendi através dos ensinamentos de Confúcio, que diz que se você quer realmente mandar no mundo, você tem que colocar seu país em ordem. Se você quer realmente mandar no seu país, você tem que colocar sua família em ordem. Se você quer realmente tornar sua família harmoniosa, você tem que ter seu coração em ordem. Então primeiro você tem que se cultivar — focar nos princípios, no respeito ao próximo, em trabalhar pela comunidade, pelo bem comum. É isso que tenho tentado praticar. Tem sido difícil, não tenho sido perfeito, mas posso me orgulhar em dizer que tenho me dedicado a alcançar estes objetivos.

UN News: Que conselho tem para António Guterres quando ele assumir como secretário-geral?

Ban Ki-moon: Quando você se torna líder de qualquer organização, a primeira coisa normalmente demonstrada é paixão: “farei isso, farei aquilo, não terei problema, tenho determinação”. Mas minha experiência e minha observação a partir de lições aprendidas ao longo de dez anos, é que esta paixão deve vir acompanhada de compaixão pelos outros.

Todos têm esta paixão, particularmente quando jovens — é uma prerrogativa dos jovens e de alguns líderes ambiciosos — mas compaixão é muito mais importante. Há centenas de milhares de pessoas que precisam da ajuda das Nações Unidas. Sei que Guterres é um homem de integridade, um homem de compaixão. Ele realmente demonstrou sua compaixão e liderança durante os dez anos que foi alto comissário da ONU para refugiados. Sou muito grato que os Estados-membro tenham escolhido uma pessoa tão brilhante como meu sucessor.

UN News: Você cresceu em um ambiente longe de ser confortável e, em algum momento, no meio da guerra, sobreviveu com alimentos enviados pelas Nações Unidas. Olhando para a jornada da sua vida, como é sair de uma posição de beneficiário de uma organização para liderar a mesma organização?

Ban Ki-moon: Olhando os 72 anos da minha vida, acho que tive sorte. Quando nasci, antes do fim da Segunda Guerra Mundial, todos eram pobres. Logo depois, a Coreia do Sul foi atacada pela Coreia do Norte. Nesse momento, as Nações Unidas tinham enviado tropas e ajuda humanitária. Sem as Nações Unidas, eu não estaria aqui hoje como secretário-geral. Na minha juventude e como servidor público, recebi muita solidariedade e apoio do mundo desenvolvido, porque a Coreia estava num estágio de desenvolvimento social e econômico muito pobre.

Depois que me tornei secretário-geral, tenho realmente tentado mostrar que não deveria mais haver meninos e meninas que tenham que enfrentar tantos desafios como eu tive. Nos meus encontros com eles, tenho dito: “não desanimem. Eu era como vocês e vocês podem ser como eu — vocês podem se tornar secretário-geral das Nações Unidas. Não desanimem porque nós estaremos com vocês do mesmo modo que as Nações Unidas estavam comigo 65 anos atrás”.

É o que penso agora: tem sido um grande privilégio para mim servir esta Organização de direitos humanos, desenvolvimento, paz e segurança. Mas ao mesmo tempo, lamento muito dizer que o mundo não é nada pacífico agora. Quando eu tinha apenas 12 anos, na Hungria, havia pessoas se rebelando contra a opressão da União Soviética. Naquela época, eu lia uma declaração em nome dos meus colegas de escola: “por favor, ajudem os jovens e crianças na Hungria”. Então, quando fui eleito secretário-geral, informei e relatei os países-membros sobre minhas experiências. Durante meu período como secretário-geral, esperei não receber este tipo de apelo de jovens. Mas, infelizmente, ainda hoje, estou recebendo muitos apelos e cartas de muitas pessoas.

UN News: Você mencionou família. Que custo um trabalho como secretário-geral da ONU tem na vida familiar e pessoal?

Ban Ki-moon: A família é o centro do centro. Você começa com a família. Sem o coração da família, você não pode ter comunidade, não pode ter uma nação, não pode ter um mundo. Então precisamos começar da família: amor e apoio. Ao mesmo tempo, devo render homenagens aos servidores da ONU a esse respeito — porque eles têm suas próprias famílias e algumas vezes eles sacrificam suas obrigações familiares por conta do trabalho — por isto, sou profundamente agradecido, como sou grato à minha esposa e filhos. Apenas com este senso de comprometimento e de sacrifício pelos outros e pela humanidade podemos fazer deste um mundo melhor.

UN News: Quando historiadores analisarem seu período como secretário-geral das Nações Unidas, o que espera que escrevam?

Ban Ki-moon: Como você disse, serão historiadores, assim como Estados-membros e outros, que irão avaliar e analisar meu legado e meu comprometimento. Assim, modestamente, deixo tudo aos historiadores. Tendo dito isso, posso definitivamente dizer que dei todo a minha paixão, tempo e energia, dediquei tudo o que tinha, coloquei o bem público acima das minhas obrigações pessoais e familiares. Isso é uma coisa.

Inicialmente, tenho tentado resolver questões através do diálogo inclusivo em vez de apenas falar minha própria visão. Primeiro ouço nossos servidores, conselheiros seniores e Estados-membros. Então, depois disso, formulo minha própria visão e esta é muito importante.

Aprendi com uma sabedoria: se você quer se tornar um bom líder, então quando algo é feito perfeitamente e bem  sucedida mente, você não deve dizer que é apenas o seu sucesso, é muito melhor e mais harmonioso se todos souberem que ele ou ela é parte do processo, que ele ou ela contribuiu, e eles devem ter um momento de orgulho, um momento de “eu fiz”.

UN News: O que você quer fazer quando terminar o mandato de secretário-geral?

Ban Ki-moon: Estou com a mente aberta. Como um ex-secretário geral, claro, aprendi muitas lições. O que for necessário, onde for necessário, não economizarei esforços em fazer algo que seja certo para meu país ou uma outra comunidade além do meu país. Acho que é a maneira de qualquer ex-secretário-geral prestar seu apoio a uma causa comum.

Declarações do Secretário-Geral das Nações Unidas no debate aberto do Conselho de Segurança sobre a situação no Oriente Médio

Enviado por ONU – UNIC

Agradeço pela organização desta importante reunião sobre a situação do Oriente Médio.

Antes de iniciar meu discurso, permitam-me dizer algumas palavras sobre a situação relacionada às conversações sobre a Síria. Os senhores saberão em breve dos últimos acontecimentos da conferência em Genebra sobre a Síria. Intensos e urgentes debates estão por vir, e terei mais informações sobre a situação no final do dia de hoje. No momento, permitam-me novamente pedir que todas as partes envolvidas mantenham as necessidades da população da Síria como assunto prioritário.

Retornei do Oriente Médio há poucos dias, inclusive tendo visitado o Iraque pela quinta vez. O país está encarando sérias ameaças a sua estabilidade. Expus minhas preocupações a vários líderes do Iraque e pedi para que todas as partes envolvidas permaneçam comprometidas com a diálogo político e com o respeito ao Estado de Direito e aos direitos humanos.

A promessa das eleições marcadas para 30 de abril se mantém.

Hoje reitero minha mensagem aos líderes políticos do Iraque para que cumpram sua responsabilidade em garantir um diálogo inclusivo, coesão social e progresso político concreto.

Também visitei o Kuwait. Sou extremamente grato a muitos países que prometeram generosas quantias para a Segunda Conferência de Doação para a Síria. Tive ainda uma reunião com o Emir do Kuwait e alegro-me em ver melhoraras nas relações bilaterais entre este país e o Iraque. Também foi discutida a importância da resolução 2107 do Conselho de Segurança (2013).

Em relação ao Líbano, agradeço a liderança do Presidente Sleiman em manter a política de dissociação. Tal medida é vital para prevenir que a crise na Síria ultrapasse ainda mais as tensões no Líbano, como temos observado nos atos recentes de terrorismo e também em bombardeios.

Nove anos após o assassinato do Ministro Rafik Hariri, a abertura do julgamento no Tribunal Especial do Líbano nos faz lembrar da luta para pôr fim à impunidade no Líbano.

As violações na fronteira do Líbano com a Síria continuam, incluindo um preocupante aumento nos disparos de foguetes e projéteis na região de Bekaa. Refugiados continuam cruzando o Líbano aos milhares, agora totalizando 860 mil pessoas – 6 vezes mais do que no ano passado.

A situação na área da UNIFIL permanece relativamente estável graças à cooperação das autoridades libanesas e israelenses que ajudaram a conter os incidentes recentes. Todos juntos devem ajudar na construção e manutenção da estabilidade que prevaleceu na resolução 1701 Blue Line.

O Conselho de Segurança e o Grupo Internacional de apoio ao Líbano pedem por generoso apoio a resposta humanitária e aos esforços de estabilização, assim como as Forcas Armadas do Líbano.

O Reino da Arábia Saudita prometei 3 bilhões de dólares em assistência para o exército libanês.

Afirmo que o contexto atual favorece a formação de um governo e encorajo todas as partes a garantirem que eleições presidenciais aconteçam. A população do Líbano precisa que seus líderes trabalhem juntos, de modo a darem direção ao país neste momento tão complicado.

2014 será um ano decisivo para ajudar israelenses e palestinos a saírem do status quo insustentável em que se encontram.

O secretário de Estado Kerry trabalhou de forma diligente para desenhar um acordo que envolve os assuntos centrais que pretendem atender aos anseios de israelenses e palestinos, de uma forma equilibrada e buscando que as negociações cheguem a um status de acordo final.

Também agradeço a Jordânia por ter um papel especial nesse processo.

Os líderes israelenses e palestinos vão precisar tomar importantes decisões e fazer dolorosas concessões em nome da paz. E precisam preparar os seus povos para esses passos tão importantes que precisam ser dados.

O fracasso do progresso político pode aumentar o conflito na região. Estou alarmado com a violência recorrente e a provocação de ambas as partes, assim como o ininterrupto estabelecimento de novas residências, que são ilegais perante o direito internacional.

Estabelecer novas residências sem autorização não é coerente com um acordo de paz em longo prazo.

Ambas as partes devem agir de forma responsável e com cautela. A Faixa de Gaza permanece como um assunto preocupante. No final das contas, a solução pela criação de dois Estados requer que palestinos superem as suas divisões internas.

A UNRWA vai iniciar 2014 com um déficit de 67 milhões de dólares em seu orçamento geral. Peço aos estados-membros que encontrem formas de fortalecer a sua cooperação com a UNRWA e que possam prover ajuda extra para esta agência.

Espero que todas as partes alcancem um entendimento. Deve ser justo e consistente com os princípios e todas as questões centrais postas pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, os princípios de Madrid, o Mapa da Paz e a Iniciativa Árabe de Paz de 2002.

Os palestinos devem poder gozar de seus direitos e legitimas aspirações de um Estado-nação, autodeterminação, dignidade e liberdade, incluindo o fim da ocupação que iniciou-se em 1967, com uma solução justa para a crise dos refugiados e a resolução sobre o status de Jerusalém.

Israelenses têm o direito de viver em paz e segurança, dentro de fronteiras reconhecidas, traçando o seu caminho rumo a integração a uma região estável e segura.

A realização da Iniciativa de Paz Árabe trará benefícios socioeconômicos, comerciais e também segurança para todos os povos no Oriente Médio.

Para palestinos, um acordo de paz completo faz valer a promessa de que este se torne um estado-membro totalmente reconhecido e com status igualitário perante os outros estados. Não existem negociações substitutas para alcançar esse fim.

Somente então as relações entre a ONU e os palestinos poderão verdadeiramente se transformar para implementar por completo a agenda da criação de um Estado Palestino.

Para Israel, igualmente, uma negociação trará segurança e reconhecimento na região e no mundo. Israel estaria em uma posição de colher os benefícios de todas as formas de cooperação dentro do Sistema Nações Unidas. A ONU e os seus membros também irão usufruir os grandes benefícios que Israel pode oferecer.

Não subestimo as dificuldades nesse processo, mas os riscos da inação ou rendição são muito maiores. Encaramos, talvez, a última vez, a tentativa de salvar uma solução de dois Estados. Basicamente, essa questão é demasiado importante para ser ignorada.

A minha mensagem para o Presidente Abbas e para o Primeiro Ministro Netanyahu é clara:

Se estão preparados para tomar decisões importantes e necessárias, irei apoiar a agenda positiva de paz para ambas as partes e garantir que a ONU trabalhe na direção de concretizar as legitimas aspirações de israelenses e palestinos, dentro de um acordo de definições regionais.

Precisamos aproveitar ao máximo os prospectos de negociação trazidos pelo Secretário Kerry, para chegarmos a criação de dois Estados, que convivam lado a lado em paz e segurança, como suas respectivas populações desejam e merecem.

 Obrigado

Secretário-geral da ONU lamenta morte de Mandela, uma ‘fonte de inspiração’ e ‘gigante da justiça’

Nelson Mandela em 2009.
Foto NMF. Arte UNIC Rio

Por: UNIC BRASIL

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou na noite desta quinta-feira (5) a morte do líder sul-africano Nelson Mandela

 “Nelson Mandela foi uma figura singular no cenário global – um homem de dignidade calma e realização imponente, um gigante da justiça e uma fonte humana de inspiração.

Estou profundamente triste com a sua morte. Em nome das Nações Unidas, estendo minhas mais profundas condolências ao povo da África do Sul e, especialmente, à família de Nelson Mandela e entes queridos.

Muitos por todo o mundo foram fortemente influenciados por sua luta altruísta pela dignidade humana, igualdade e liberdade. Ele tocou nossas vidas de maneiras profundamente pessoais. Ao mesmo tempo, ninguém fez mais em nosso tempo para fazer avançar os valores e aspirações das Nações Unidas.

Nelson Mandela dedicou sua vida ao serviço do seu povo e da humanidade, e ele o fez com grande sacrifício pessoal. Sua posição de princípios e a força moral que sustentou foram decisivos no desmantelamento do sistema de apartheid.

Notavelmente, ele ressurgiu após 27 anos de detenção sem rancor, determinado a construir uma nova África do Sul com base no diálogo e na compreensão. A Comissão da Verdade e da Reconciliação estabelecida sob a sua liderança continua a ser um modelo para alcançar a justiça nas sociedades que confrontam um legado de violações dos direitos humanos.

Na luta de décadas contra o apartheid, as Nações Unidas estavam lado a lado com Nelson Mandela e com todos aqueles na África do Sul que enfrentaram o racismo e a discriminação implacáveis. Seu discurso em 1994 a Assembleia Geral da ONU como o primeiro presidente democraticamente eleito de uma África do Sul livre foi um momento decisivo.

A Assembleia declarou 18 de julho, seu aniversário, como o Dia Internacional Nelson Mandela, uma celebração anual em que reconhecemos e procura,ps desenvolver a sua contribuição para a promoção de uma cultura da paz e da liberdade em todo o mundo.

Tive o privilégio de conhecer Nelson Mandela em 2009. Quando eu lhe agradeci pelo trabalho de sua vida, ele insistiu que o crédito pertencia a outros. Fiquei muito emocionado por seu altruísmo e profundo senso de propósito comum.

Nelson Mandela mostrou que é possível para o nosso mundo e dentro de cada um de nós – se nós acreditarmos, sonharmos e trabalhar juntos.

Vamos continuar a cada dia a nos inspirarmos em seu exemplo ao longo da vida e seu chamado para nunca deixar de trabalhar por um mundo melhor e mais justo.”