ONU Meio Ambiente e parceiros miram a poluição nos rios para reduzir o lixo marinho

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Por ONUBr    *Editado

Neil Palmer
Foto: Neil Palmer

Cerca de 80% da poluição marinha é originada em terra. Esgotos, pesticidas, metais pesados e outros poluentes são conduzidos por cursos de água doce até o litoral e causam danos à saúde das pessoas e ecossistemas. Quando se fala em lixo plástico, especificamente, 13 milhões de toneladas chegam até os oceanos a cada ano, grande parte proveniente dos rios, que transportam o lixo das cidades e do campo até a praia.

Com o objetivo de combater a poluição plástica desde o interior do território e reverter a maré de lixo que invade os nossos oceanos, a ONU Meio Ambiente laçou no dia 08 de junho  duas iniciativas inovadoras no Brasil. Em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e com a Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Estado do Amazonas (SEMA), dará início ao projeto “Rios Limpos para Mares Limpos”, uma mobilização para a conservação de rios, igarapés e outros afluentes no Amazonas.

Em Santa Catarina, as 11 cidades que compõem a Associação de Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI) irão aderir à campanha Mares Limpos, comprometendo-se a desenvolver e implementar de forma inédita um Plano Regional de Combate ao Lixo no Mar com foco no Rio Itajaí. Ambas as atividades integram as ações da agência da ONU para a semana do meio ambiente (4-11/6).

Apesar das diversas aplicações do plástico, como na indústria e na medicina, a sociedade moderna está cada vez mais dependente de produtos plásticos descartáveis. Metade de todo o plástico produzido é projetado para ser usado apenas uma única vez — e jogado fora em seguida, o que pode ocorrer depois de 30 segundos.

Quando itens como sacolas plásticas, canudos e embalagens de alimentos são descartados incorretamente nas ruas, eles voam com o vento, entopem bueiros, aumentam o risco de enchentes e acabam nos rios e nos mares.

No mundo, dez rios carregam sozinhos mais de 90% dos resíduos plásticos que acabam nos oceanos. O maior rio da Ásia, o Yangtzé (China), é responsável pelo transporte de 1.469.481 toneladas. Já o Indo (Índia) conduz 164.332 toneladas, o Rio Amarelo (China) 124.249 toneladas e o Nilo (Egito) 84.792 toneladas. Na África, o Níger (Guiné, Mali, Níger, Benim e Nigéria) deságua 35.196 toneladas de plástico no mar.

 “Como em outras regiões do planeta, as cidades da Amazônia são fontes de geração de resíduos sólidos e poluição dos rios, o que pode se agravar ainda mais com a tendência de aumento da urbanização. Devido a sua importância em termos de biodiversidade global e de serviços ecossistêmicos, a Amazônia, talvez mais do que qualquer outro lugar no Brasil, precisa estar à frente do combate à poluição plástica – e isso implica mobilizar tanto governos e indústrias quanto as comunidades ribeirinhas”, afirma Denise Ham representante da ONU Meio Ambiente.

“O evento é muito importante por abordar questões urbanas essenciais em nível global. A despoluição dos rios é estratégica na construção de cidades mais saudáveis, e ao mesmo tempo, na redução da poluição dos mares, que nesse momento é uma calamidade devido aos níveis altíssimos de poluição causada por plásticos”, complementou Virgilio Viana superintendente-geral da FAZ.

“Os rios apenas refletem as atitudes inconscientes dos indivíduos e nos fazem perceber a tamanha deficiência do sistema de gerenciamento dos resíduos nas cidades. Precisamos abordar essa temática de diferentes ângulos e de forma multidisciplinar. Os representantes locais e gestores das associações de bacias hidrográficas têm um papel fundamental neste processo buscando alternativas para viabilizar frentes de trabalho que contribuam para esta causa”, explica o presidente da Fundação do Meio Ambiente de Piçarras, Marcos Zaleski.

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