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Editoria: Geociências| Caio Belandi | Arte: Helga Szpiz

O IBGE divulgou ontem a atualização dos dados sobre espécies ameaçadas de extinção, referente ao ano de 2022. As informações fazem parte da pesquisa “Contas de ecossistemas: espécies ameaçadas de extinção no Brasil”, divulgada pela primeira vez em 2020, com dados de 2014. A revisão tem como base as informações contidas na nova lista de espécies ameaçadas, publicada em dezembro de 2022 pelo então Ministério do Meio Ambiente, na Portaria MMA Nº 354, de 27 de janeiro de 2023. As listas são elaboradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Centro Nacional de Conservação da Flora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CNCFlora/JBRJ).

De 2014 a 2022, o número de espécies avaliadas aumentou tanto na flora quanto na fauna. Atualmente, são reconhecidas no Brasil um total de 50.313 espécies de plantas e 125.251 espécies de animais. A quantidade de espécies avaliadas da flora saiu de 9% (4.304 espécies) para 15% (7.517 espécies) das espécies reconhecidas. Na fauna, o aumento foi menor: de 10% (12.009) para 11% (13.939).

Entre as espécies ameaçadas, isto é, as classificadas como “criticamente em perigo”, “em perigo” e “vulnerável”, de acordo com os critérios metodológicos preconizados pela International Union for Conservation of Nature (“União Internacional para a Conservação da Natureza”, da sigla em inglês IUCN), houve leves reduções na proporção tanto da flora (de 47,4% para 42,7%) quanto da fauna (de 9,8% para 9%), explicada em parte pelo aumento do número de espécies avaliadas em 2022.

O coordenador da pesquisa, Leonardo Bergamini, ressalta que, embora a proporção de espécies avaliadas ainda seja pequena em relação ao total de espécies reconhecidas, o esforço constante das instituições envolvidas tem resultado em avanços importantes para o conhecimento da biodiversidade brasileira, que podem nortear políticas de proteção adequadas ao meio ambiente. “Mas também ainda há muito o que avançar. Conforme o conhecimento vai se expandindo, é de se esperar que entrem na amostra mais espécies não-ameaçadas do que ameaçadas, já que as com potencialmente maior risco à extinção são avaliadas prioritariamente”, explica o pesquisador. “Por isso, não podemos afirmar que o nível de ameaça diminuiu”, afirma.

Mata Atlântica segue como bioma com mais espécies em risco

Quando se avalia as espécies ameaçadas a partir dos biomas brasileiros, Bergamini explica que todos tiveram aumento em números absolutos, com exceção do Pampa. De acordo com o estudo, a Mata Atlântica, assim como em 2014, segue com o maior número de espécies avaliadas (de 9.042 em 2014 para 11.811 em 2022) e, também, com a maior quantidade de espécies ameaçadas (de 2.016 para 2.845).

Além disso, também é o bioma com o maior número de espécies extintas: eram 7 em 2014, passando para 8 em 2022, com a inclusão da Perereca-gladiadora-de-sino (Boana cymbalum). Ela se junta a outras oito espécies da fauna nativa brasileira extintas nos diferentes biomas: as aves Maçarico-esquimó (Numenius borealis), Gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti), Limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi), Peito-vermelho-grande (Sturnella defilippii), Arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), e Caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum); o anfíbio Perereca-verde-de-fímbria (Phrynomedusa fimbriata); o mamífero Rato-de-Noronha (Noronhomys vespuccii), além da ave Mutum-do-Nordeste (Pauxi mitu), espécie extinta na natureza e que atualmente depende de programas de reprodução em cativeiro.

O pesquisador também explica que a Mata Atlântica registra perdas importantes na quantidade de área de cobertura natural ao longo dos séculos. “Isso deve-se a maior presença de ambientes antropizados, ou seja, onde houve ação humana, por conta do histórico de ocupação e urbanização, a partir do litoral, na formação do território brasileiro”, diz Bergamini.

A passagem de 2014 para 2022 também não alterou a situação do Cerrado, que ocupou o segundo lugar em número de espécies ameaçadas nos dois períodos pesquisados, passando de 1.037 para 1.199. Em seguida, a Caatinga, que passou de 395 para 481. A Amazônia passou de 311 em 2014 para 503 em 2022. Também o Sistema Costeiro-Marinho apresentou um acréscimo, de 166_ para _170. O Pampa mostrou redução, passando de 234 para 229. O Pantanal apesar do acréscimo de nove espécies ameaçadas (de 65 para 74) continua sendo o bioma com menor número absoluto de espécies ameaçadas, considerando o conjunto de espécies avaliadas.

“Esse número encontrado para o Pantanal também pode ser associado à maior preservação dos ecossistemas desse bioma, como mostrou o nosso estudo sobre o uso da terra nesse recorte ecológico, com uma análise elaborada entre os anos de 2000 e 2020. Essa é a porção do território com menor perda de áreas naturais no período.”, complementa.

Avaliação das espécies é mais comum em ambiente terrestre

No que diz respeito aos ambientes, a maior parte das espécies avaliadas tanto para fauna quanto para flora são de ambiente terrestre. Houve aumento de 65% para 70%, de 2014 para 2022, evidenciando o aumento de conhecimento concentrando-se nesse tipo de ecossistema. Em seguida, organismos de ambientes de água doce, com redução de 39% para 37%; e, por fim, de ambiente marinho (de 16% para 15%).

Quando se cruza as espécies em ameaça de extinção entre biomas e ambientes, o padrão de 2014 se mantém em 2022, com quatro combinações se destacando com os maiores percentuais e trocando de posição no ranking. A flora terrestre da Mata Atlântica se manteve com 43% das espécies ameaçadas nos dois períodos, liderando a lista de bioma-ambiente com mais risco. Já a fauna terrestre do Sistema Costeiro-Marinho tinha 37% e passou ao segundo lugar com 38% das espécies ameaçadas em 2022. Trocou de lugar com a flora terrestre do Cerrado, que tinha 40% em 2014 e passou para 37% em 2022. Por fim, a flora marinha da Mata Atlântica, que subiu de 34% para 36% das espécies ameaçadas nos últimos oito anos. “Cabe ressaltar que é uma passagem de tempo relativamente pequena no contexto das transformações ocorridas nos ecossistemas do país”, finaliza Bergamini.

O estudo Contas de Espécies Ameaçadas faz parte das Contas Econômicas Ambientais do IBGE e representa mais uma etapa do projeto de incluir os indicadores ambientais do país nas Contas Nacionais

DOCUMENTO: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-detalhe-de-midia.html?view=mediaibge&catid=2104&id=6353

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ambientedomeio@outlook.com

O “Ambiente do Meio” foi criado em 2007 e a autora teve como objetivo inicial auxiliar jornalistas e leigos nas informações de qualidade sobre o Meio Ambiente resultante de preocupações com as poucas informações jornalísticas de qualidade sobre o tema atreladas a conhecimentos acadêmicos e evidências científicas.

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