×

Por ASCOM/MPF

Retrato de uma pessoa com cabelo curto e texture ondulada, olhando diretamente para a câmera, com um fundo de tijolos. A palavra 'QUILOMBOLAS' está escrita em letras estilizadas e vermelhas à esquerda da imagem.
Arte: ASCOM/MPF

O Ministério Público Federal (MPF) moveu uma ação civil pública para assegurar o acesso da comunidade do quilombo Porto Velho, situada entre os municípios de Itaóca e Iporanga (SP), a serviços essenciais de saneamento básico. A ação tem como réus a União, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a prefeitura de Itaóca e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A ausência de infraestrutura adequada de água e esgoto tem contaminado o solo e submetido os moradores de parte da comunidade a graves riscos de saúde.

Os problemas afetam sobretudo as famílias que habitam a porção do quilombo localizada em Itaóca. O MPF pede, em caráter emergencial, que a Justiça Federal ordene ao município, à União, à Funasa e à Sabesp o início, em até cinco dias, do tratamento da água que os moradores captam de minas para o consumo. No mesmo prazo, os réus devem promover o esvaziamento das fossas irregulares que a comunidade, na falta de um sistema mínimo de instalações sanitárias, é obrigada a utilizar. A ação requer ainda a fixação imediata do prazo de 60 dias para a adoção das primeiras medidas voltadas à implementação de uma rede pública de fornecimento e armazenamento de água e destinação de esgoto no quilombo Porto Velho.

O MPF destaca que as condições indignas de vida dos quilombolas se devem à omissão dos órgãos e instituições envolvidos e ao jogo de empurra entre eles, que vem dificultando a implementação das soluções definitivas. A prefeitura de Itaóca, por exemplo, tem buscado se eximir de responsabilidades, sob a alegação de que a comunidade estaria integralmente situada na vizinha Iporanga. A falta de articulação dos cinco réus e o descumprimento de suas atribuições originaram o cenário de desigualdade que hoje se constata no quilombo, com moradores da porção de Iporanga tendo acesso a água potável e fossas sépticas, enquanto as famílias do lado de Itaóca seguem privadas dos serviços de saneamento.

“A comunidade de Porto Velho é una, e, independentemente de qual município corresponde a cada parte de seu território, os serviços públicos não podem excluir parcela dos moradores do quilombo”, ressaltou o procurador da República André Libonati, autor da ação do MPF. Segundo ele, o descaso com o quilombo é um claro exemplo de racismo ambiental contra os povos tradicionais, que sofrem discriminação também por meio da degradação do ambiente onde vivem.

Ao final da tramitação do processo, além da implementação do sistema público de saneamento básico na comunidade, o MPF pede que a Justiça estabeleça aos réus o pagamento de R$ 500 mil como indenização por danos morais coletivos. O valor deve ser revertido em programas ambientais e sociais que beneficiem diretamente os quilombolas.

Deixe sua opinião

Autor

ambientedomeio@outlook.com

O “Ambiente do Meio” foi criado em 2007 e a autora teve como objetivo inicial auxiliar jornalistas e leigos nas informações de qualidade sobre o Meio Ambiente resultante de preocupações com as poucas informações jornalísticas de qualidade sobre o tema atreladas a conhecimentos acadêmicos e evidências científicas.

Posts relacionados

ANA lança Relatório de Segurança de Barragens 2026 na próxima sexta-feira

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) realizará, na próxima sexta-feira, 3 de julho, das 9h às 11h, o Webinário de Lançamento...

Leia tudo

Sistema Cantareira passará a operar na Faixa de Alerta em julho

Na Faixa de Alerta, a SABESP pode captar até 27 metros cúbicos por segundo do Sistema Cantareira. Em condições de normalidade, essa captação...

Leia tudo

ANA e órgãos gestores estaduais aprovam nova captação suplementar temporária para reforçar abastecimento do Sistema Cantareira

Medida amplia a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo e das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), reforçando o...

Leia tudo

Abordagem inovadora apresenta bons resultados na degradação de contaminantes farmacêuticos na água

Agência FAPESP Estudo publicado no Chemical Engineering Journal propõe uma nova abordagem para a remediação ambiental de poluentes farmacêuticos em fluxos d’água baseado...

Leia tudo

Operação do Sistema Cantareira seguirá na Faixa de Restrição em fevereiro

ASCOM/ANA – Agência Nacional das Águas Na Faixa de Restrição, a SABESP pode captar até 23 metros cúbicos por segundo do Sistema Cantareira....

Leia tudo

Prazo da regionalização do saneamento é prorrogado até 2027

Por ASCOM/ Ministério das Cidades Decreto garante transição regulatória Decreto publicado em 30/12, no Diário Oficial da União, ampliou o prazo para a...

Leia tudo

Descubra mais sobre AMBIENTEDOMEIO ®

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo