Imagem

Entre Ríos é primeira província Argentina a banir o fracking

Por Nathália Clark

Projeto aprovado também destaca a importância da preservação da água e os cuidados com o Aquífero Guarani, a maior reserva de água doce do mundo.

Um feito histórico para os argentinos. Depois de uma luta de muitos anos, a Câmara de Deputados da província de Entre Ríos, na Argentina, aprovou por unanimidade, na noite desta terça-feira (25), a lei que proíbe a técnica do fraturamento hidráulico, mais conhecida como fracking, em toda sua extensão. Com a iniciativa, a província é a primeira do país a se tornar definitivamente território livre do fracking.

“Essa conquista é fruto do esforço conjunto, da união e da luta de diversas organizações, assembleias e movimentos sociais. O trabalho principalmente da Asamblea Ciudadana de Concordia, do Foro Regional contra el Fracking, do Movimiento Argentina sin Fracking e da Asamblea de Integración por Territorios Libres de Fracking teve um grande peso. Além disso, o trabalho realizado pela 350.org Argentina e pela COESUS Latino-americana (Coalizão Latino-americana contra o Fracking pelo Clima, Água e Agricultura Sustentável) em todo o país tem sido referência, se tornando a locomotora da luta contra essa tecnologia em todo o país”, afirmou Ignacio Zavaleta, integrante da Asamblea de Integración por Territorios Libres de Fracking.

Segundo Juan Pablo Olsson, integrante do Movimento Argentina sem Fracking e coordenador de campanhas da 350.org Argentina, o trabalho se estende também para as províncias de Río Negro, Neuquén, Santa Fé e Buenos Aires, onde propostas semelhantes já estão sendo discutidas e a iniciativa deverá ser replicada em breve. “Essa aprovação deve ser um estímulo para uma luta ainda maior, a nível nacional e com o acompanhamento de outros países vizinhos, como o Brasil, onde já foram aprovadas leis anti-fracking em cerca de 300 cidades, Uruguai, onde a técnica já foi proibida em cinco Departamentos, Chile, Paraguai, Bolívia, Colômbia, México e outros.”

 “Se quisermos evitar os efeitos mais devastadores das alterações climáticas, que estão se tornando evidentes tanto na Argentina como em todo o continente, temos que parar qualquer tipo de investimento em combustíveis fósseis e realizar definitivamente uma transição para uma matriz energética 100% renovável”, concluiu o ambientalista.

O projeto aprovado em Entre Ríos une duas propostas, uma de autoria da ex-deputada María Emma Bargagna, e outro do poder Executivo, e proíbe a prospecção, pesquisa e exploração de hidrocarbonetos por métodos não convencionais, incluindo o fracking. O projeto também destaca a importância da preservação da água e os cuidados com o Aquífero Guarani, a maior reserva de água doce do mundo.

O tema veio à legislatura provincial após as ações das assembleias ambientais nucleadas no Fórum Regional contra o Fracking ter sucesso em mais de 30 conselhos deliberativos locais. A reunião encheu o salão da Câmara dos Deputados e a aprovação foi recebida com aplausos pelos representantes de movimentos anti-fracking presentes. O projeto foi assinado por dez deputados.

A deputada Gabriela Lena se disse satisfeita com o trabalho feito pela Comissão e destacou a importância de ter uma lei provincial. “Eu participei de uma iniciativa parecida em Chajarí, que se limitou aos territórios locais, mas ter uma regra que rege toda a província é muito importante, porque o que está em jogo é o nosso meio ambiente, do qual devemos cuidar para as gerações futuras”, afirmou a legisladora.

A atividade do fracking não só polui as águas e o ar, como também faz uso de um elevado volume de água, gera poluição por emissão de gases do efeito de estufa, utilizando mais de 700 produtos químicos, e traz sérios danos à saúde humana e animal. Além disso, a exploração de petróleo e gás não convencional está impedindo que muitas famílias possam continuar suas atividades tradicionais de produção de maçãs, peras e cerejas. As pequenas propriedades estão presas entre as torres de fracking, e não há nenhuma garantia de que a água que chega às frutas não esteja completamente contaminada.

 Veja abaixo o texto completo da lei:

HONORABLE CÁMARA:

La Comisión de Tierras, Obras Públicas, Recursos Naturales y Ambiente ha considerado el Proyecto de Ley – Expte Nº 20.834/21.206, devuelto en revisión, por el que se Prohíbe en todo el territorio provincial la prospección, exploración y explotación de hidrocarburos por fracturación hidráulica (Fracking); y, por las razones que dará su miembro informante, aconseja la aprobación, en los mismos términos presentados, del siguiente texto.

LA LEGISLATURA DE LA PROVINCIA DE ENTRE RÍOS SANCIONA CON FUERZA DE LEY

ARTíCULO 1°.- Prohíbase en todo el territorio de la provincia de Entre Ríos la prospección, exploración y explotación de hidrocarburos líquidos y gaseosos por métodos no convencionales, incluyendo la técnica de fractura hidráulica (Fracking).

ARTÍCULO 2º.- La Autoridad de Aplicación ejercerá las acciones preventivas pertinentes y oportunas que garanticen la demanda de protección de las aguas pluviales, superficiales y subterráneas, incluyendo el Acuífero Guaraní.

ARTÍCULO 3º.- La Secretaría de Ambiente o el organismo que en el futuro la reemplace será Autoridad de control de la presente norma.

ARTÍCULO 4º.- Invítase a las Provincias integrantes de la región asentada sobre el Sistema Acuífero Guaraní a legislar en la protección del mismo.

ARTICULO 5°.- Comuníquese, etcétera.

LENA – LAMBERT –  BAHILLO – PROSS – ROMERO – ACOSTA – ARTUSI – ROTMAN – KOCH

Sala de Comisiones, Paraná, 19 de abril de 2017.

O Estado do Paraná proíbe durante 10 anos a exploração do gás de xisto

Por: Por Silvia Calciolari

Durante 10 anos fica suspensa a exploração do gás de xisto no Estado para proteger as reservas de água de superfície e subterrâneas e a produção de alimentos

O Estado do Paraná estará livre da ameaça do fraturamento hidráulico, tecnologia altamente poluente para extração do gás de xisto do subsolo também conhecido como FRACKING, pelo menos nos próximos 10 anos.

É o que prevê o Projeto de 873/2015 aprovado em primeira discussão pela Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) nesta segunda-feira, 28. Foram 45 votos a favor pela suspensão por 10 anos de licenciamento para exploração do gás de xisto pelo método não convencional.

“É uma decisão inédita do país, colocando mais uma vez o Paraná na vanguarda do enfrentamento ao Fracking e demonstrando que já há o entendimento entre os parlamentares de que essa tecnologia minerária é perigosa, é destrutiva e causa impactos ambientais, econômicos e sociais irreversíveis”, afirmou Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

Baseada em estudos internacionais das mais respeitadas instituição de pesquisa, a justificativa principal dos autores é o risco de contaminação do solo e das águas que pode atingir os 122 municípios onde tecnicamente haverá a exploração. Em 2013, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) leiloou 72 blocos para exploração de gás no Brasil, sendo 16 localizados no Paraná, atingindo as regiões Oeste, Sudoeste e Noroeste do estado.

Imagem

Maringá é a maior cidade brasileira a banir o FRACKING

Por: Silvia Calciolari – COESUS

Vereadores da sétima cidade mais populosa da região sul do Brasil aprovam em primeira discussão PL que protege a população e a produção agrícola da contaminação.

Os vereadores de Maringá aprovaram por unanimidade nesta quinta-feira, 15, o Projeto de Lei 13.986/2016 que proíbe a exploração do gás de xisto por fraturamento hidráulico, método não convencional altamente poluente conhecido por FRACKING. Após a aprovação em primeira discussão, a proposta deve ser apreciada de forma definitiva já na próxima semana, sendo encaminhada à sanção na sequência.

Das dezenas de cidades brasileiras que já aprovaram a legislação proibitiva, Maringá é a mais representativa por ser um importante polo industrial, agropecuário e de serviços e com segundo IDH do Estado, e 23º no ranking brasileiro. De acordo com IBGE de 2015, Maringá possui uma população de 403.063 habitantes e sua região metropolitana conta com 754. 570 habitantes. Em termos de PIB, o desempenho de Maringá já superou de Londrina, outra importante cidade do Paraná.

“A decisão dos vereadores irá beneficiar não só os maringaenses, mas milhares de famílias que vivem nas cidades da região metropolitana e que estarão protegidas da contaminação causada pelo fraturamento hidráulico”, afirmou o coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

A articulação promovida pela equipe da campanha Não Fracking Brasil envolveu os gestores públicos, parlamentares, lideranças políticas, religiosas e sindicais, movimentos ambientalista, climático e social.

De acordo com Juliano, “a mensagem da preservação da vida, das reservas de água e da produção de alimentos está sendo levada a todos os municípios que podem ser impactados por esta tecnologia minerária suja, grande consumidora de água e perversa”.

Proteção e cuidado

De acordo com Reginaldo Urbano Argentino, presidente da Cáritas Paraná e membro da COESUS e 350.org Brasil, “seguimos na luta contra o Fracking inspirados pelas palavras do Papa Francisco na Encíclica Laudato Si: ‘O Urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral’”. O apoio da Aras Cáritas e do Bispo Dom Anuad Battisti foi fundamental para o encaminhamento da Lei. “Vamos juntos levar esse modelo de legislação para as cidades que querem ter a sua liberdade e a vida preservadas, longe do Fracking”, adiantou Reginaldo.

Reginaldo esteve na Câmara Municipal de Maringá acompanhando a votação, junto com Sabine Lopes Poleza, voluntária da campanha Não Fracking Brasil. “Minha grande satisfação é saber que coube a mim ser a primeira representante da COESUS a vir falar na cidade em que nasci sobre esse problema que tanto tem nos preocupado”, disse. Sabine contou com o apoio imediato do vice-prefeito professor Cláudio Ferdinandi e do secretário do Meio Ambiente, Humberto Crispin, que abraçaram a causa.

Ação preventiva

É preciso destacar que a aprovação da lei municipal proibindo o Fracking em Maringá, assim como aconteceu em Arapongas, é uma ação preventiva, uma vez que o subsolo ainda não foi vendido pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP). Em 2013, a ANP vendeu blocos para exploração de gás de xisto que atingem 372 cidades brasileiras em 15 estados. Só no Paraná, são 122 municípios que estão à mercê desta tecnologia devastadora para os ecossistemas, grande consumidora de água e poluente.

 “Estamos vendo crescer o movimento popular contra o Fracking, mesmo naquelas cidades que ainda não tiveram o subsolo leiloado pela ANP. Vamos vencer essa luta contra a indústria dos combustíveis fósseis porque as pessoas querem decidir sobre o seu futuro. E ele deve ser sustentável, com energias renováveis, 100% limpas e seguras”, garante Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina.

 

Imagem

Lançamento da Coalizão Latinoamericana contra o FRACKING

Por Silvia Calciolari- COESUS

Com o objetivo de compartilhar experiências e ações de sucesso, e unir forças para pensar e propor estratégias conjuntas de combate ao Fracking na América Latina, a 350.org e o Parlamento Uruguaio realizam o evento “Os Perigos do Fracking para a América Latina e Lançamento da Coalizão Latinoamericana contra o Fracking pela Água, Clima e Agricultura Sustentável”.

A Coalizão Latinoamericana é uma iniciativa de expansão regional da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida. O evento faz parte da programação paralela da Nona Sessão Plenária da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana (Eurolat), que acontece de 19 a 22 de setembro. O evento contará com a participação de 16 renomados oradores, entre eles a senadora uruguaia Carol Aviaga, o senador brasileiro Roberto Requião, presidente da Eurolat, e a diretora da 350.org Brasil e América Latina, Nicole Figueiredo de Oliveira.

O encontro reunirá parlamentares de países como Brasil, Argentina e Uruguai e será realizado na próxima segunda-feira (19), na sede do Palácio Legislativo de Montevidéu, Uruguai.

plataforma-america-latina

Imagem

Terremoto de 5,6 graus sacode Oklahoma e revela face devastadora do FRACKING

Por: Silvia Calciolari- COESUS

Estado americano sempre foi uma área de baixa atividade sísmica, mas agora supera até mesmo a Califórnia. No Brasil, o método não convencional para extração de gás de xisto representa uma séria ameaça.

Oklahoma é um dos estados americanos que atualmente vive uma ‘epidemia’ de terremotos. No último final de semana, um forte tremor sacudiu o estado o centro dos Estados Unidos, onde a incidência sísmica aumentou em meio ao uso intensivo do método não convencional de extração de petróleo e gás de xisto por FRACKING. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) confirmou que o terremoto, com uma magnitude de 5,6 graus, foi registrado às 9h02 de Brasília (12h02 GMT) perto de Pawnee, uma cidade do noroeste do estado. O tremor também foi sentido em outros seis estados, do Texas até Iowa.

Oklahoma continua a sacudir a uma taxa sem precedentes e o número de terremotos de grande intensidade está aumentando. Em 2009, houve 20 tremores de magnitude 3,0 ou superior, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos. No ano passado, foram 890. Em 2009, nenhum terremoto mediu 4.0 ou mais. No ano passado, 30 passaram desse patamar. Há cinco anos, moradores viram pela primeira vez um aumento surpreendente nos terremotos relacionados diretamente pelas autoridades com o fraturamento hidráulico, ou FRACKING.

 Histórico perigoso

“Este é um histórico perigoso a ser considerado pelas autoridades brasileiras que insistem em permitir a entrada do fraturamento hidráulico no país. Impor à população um risco dessa magnitude é uma temeridade que nós não podemos e não vamos permitir”, afirma Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

Há três anos a campanha Não Fracking Brasil está informando à sociedade e mobilizando gestores públicos, parlamentares, entidades e movimentos sociais, climáticos e ambientalistas para os riscos e perigos do FRACKING.

Juliano lembra que no ano passado, uma série de testes para aquisição sísmica no Norte do Paraná assustou moradores e impactou centenas de moradias. Durante a passagem dos caminhões vibradores, uma série de tremores na região de Londrina foi registrada, algo inédito na região. Em Arapongas e Rolândia, dezenas de casas e edifícios apresentaram rachaduras e muitas foram condenadas pela defesa civil.

Os testes de aquisição sísmica têm como finalidade adquirir informações geológicas e verificar a existência de gás, petróleo, carvão, betume, metano, xisto e outros hidrocarbonetos no subsolo. As informações coletadas vão orientar a exploração e explotação de hidrocarbonetos danosos à agricultura, pecuária e ecossistemas e impedir o seguro abastecimento público de água e alimentos.

 “Para proteger as famílias, as fontes de água e a produção de alimentos, dezenas de cidades brasileiras já proibiram operações de extração de gás de xisto por Fracking. Vamos intensificar a campanha e garantir que essa tecnologia devastadora não aconteça no Brasil”, completa.

FRACKING é o método não convencional utilizado para a extração do petróleo e gás de xisto. Milhões de litros de água são injetados no subsolo a altíssima pressão misturados com areia e um coquetel de mais de 720 substâncias químicas, muitas delas cancerígenas e radioativas. Além dos impactos ambientais, contaminação das reservas de água, poluição do ar e provocar câncer nas pessoas e animais, a tecnologia também está associada a terremotos.

Para extrair o metano são feitas fortíssimas explosões na rocha do folhelho piro betuminoso de xisto, provocando a instabilidade do solo. Em regiões onde há uma propensão natural a atividades sísmicas, os abalos são potencializados.

Victoria irá banir FRACKING para proteger agricultores e produção da contaminação

Por: Silvia Calciolari /COESUS

Estado mais importante e populoso da Austrália, Victoria anuncia que irá proibir permanentemente a exploração e desenvolvimento do fraturamento hidráulico, ou FRACKING, método não convencional altamente poluente e grande consumidor de água para extração e explotação do gás de xisto.

O Premier Daniel Andrew disse na última terça-feira, 30, que a proibição irá proteger a reputação do setor agrícola de Victoria e aliviar as preocupações dos agricultores sobre os riscos ambientais e de saúde associados ao Fracking. “Ouvimos a comunidade e estamos tomando uma decisão que coloca os agricultores e nossa marca verde limpa em primeiro lugar,” destacou o Premier.

A decisão é reflexo da campanha apoiada por integrantes da 350.org Austrália, em sintonia com grupos do movimento contra o Fracking no país reunidos na Coalizão ‘Lock the Gate’ (Bloqueio do Portão). Unidos, eles realizaram durante cinco anos uma ampla mobilização para alertar sobre os riscos e perigos do shale gas, pressionar os governantes para desinvestir em combustíveis fósseis e promover as energias renováveis.

Segundo a coordenadora da Coalizão, Chloe Aldenhoven, cerca de 1,4 milhão de hectares de Victoria estão de alguma forma sob ameaça pela mineração de gás onshore. “O trabalho tem demonstrado uma liderança real, ouvindo as preocupações da comunidade e defendendo a nossa terra, água e a saúde”, afirmou.

Uma produtora de leite na cidade costeira vitoriana de Seaspray, Julie Boulton, disse que a ameaça da mineração de gás não convencional pairava sobre a cabeça dos agricultores durante anos. “Tem sido de cortar o coração, às vezes, quando pensamos que as plataformas de perfuração iriam chegar e não havia nada que pudéssemos fazer”, contou ela.

“Além dos impactos irreversíveis para os ecossistemas, produção de alimentos e saúde das pessoas, o Fracking é o que há de mais perverso na indústria dos combustíveis fósseis por seus efeitos sobre o clima. Teremos que conter o aquecimento global, e para isso é imperativo banir o Fracking e deixar os hidrocarbonetos no solo”, afirmou a diretora da 350. Brasil e América Latina, Nicole Figueiredo de Oliveira.

Imagem

Prefeitos do Vale do Itajaí aderem à campanha Não Fracking Brasil

Texto: Silvia Calciolari e  Nathália Clark  e  Fotos de  NicoleOliveira/350Brasil/COESUS

AMAVI-2-1024x625Os prefeitos que integram a Associação dos Municípios do Alto Vale Itajaí (AMAVI), de Santa Catarina, participaram de uma palestra técnica sobre Fracking, clima e cidades de baixo carbono realizada pela 350.org , organização climática presente em mais de 158 países.

Preocupados com os impactos ambientais, econômicos e sociais, os prefeitos do Alto Vale do Itajaí têm agora informações importantes para homologar projetos de Lei em andamento em suas cidades, bem como solicitar apoio de deputados federais em Brasília no objetivo de proibir a técnica de fraturamento hidráulico.

O Coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água, Juliano Bueno de Araujo, realizou a capacitação técnica neste encontro regional de prefeitos de Santa Catarina realizado na última sexta-feira, 12. Juliano falou dos riscos e perigos do Fracking para as reservas de água subterrâneas e de superfície, que provoca doenças como o câncer em pessoas e inviabiliza a produção de proteína animais e agricultura.

 “A campanha Não Fracking Brasil está realizando dezenas de capacitações, oficinas, seminários e audiências públicas em todo o Brasil, como este realizado na AMAVI. Estas ações têm o intuito de banir o Fracking e outros hidrocarbonetos que sejam danosos ao meio ambiente e à segurança hídrica e alimentar de nosso povo”, afirmou Juliano.

A AMAVI reúne 28 cidades de Santa Catarina que podem em breve se tornar cidades de Baixo Carbono. A proposta é incluir em suas leis orgânicas o banimento da pesquisa, exploração e explotação de hidrocarbonetos, como o gás não convencional, também conhecido como gás de xisto e derivado da técnica do Fracking.

FRACKING é a tecnologia altamente poluente que causa danos irreversíveis e permanentes para as reservas de água, solo e ar, além de provocar doenças graves como câncer nas pessoas e animais. Para extrair o gás do xisto que está no subsolo a grandes profundidades, são injetados milhões de litros e água misturados à areia e um coquetel de 720 substâncias químicas tóxicas, cancerígenas e até radioativas. Tudo para explodir (fraturar) a rocha e liberar o metano, com um alto custo ambiental.

Futuro sustentável

A coordenadora nacional da COESUS, Nicole Figueiredo de Oliveira, que é diretora da 350.org Brasil e América Latina, também participou do evento em Rio do Sul e destacou a parceria com os prefeitos catarinenses. “Os municípios são protagonistas de seu próprio destino e não devem ceder aos interesses escusos do governo federal que insiste em vender o subsolo para a indústria dos combustíveis fósseis sem consultar a população e os gestores”, critica.

Segundo Nicole, num país com tamanho potencial para energias renováveis, “o Brasil precisa avançar na definição de uma matriz energética sustentável, deixando os fósseis no subsolo para diminuir as emissões e conter o aquecimento global”. Desta forma, há alguma chance de cumprir a meta acordada na Conferência do Clima de Paris (COP 21) de reduzir as emissões em 43% até 2030.

A diretora da 350.org Brasil e América Latina lembrou que a indústria dos combustíveis fósseis é responsável direta pelas mudanças climáticas registradas em todo planeta agravadas pelo aumento das emissões dos gases de efeito estufa: “Estamos batendo todos os recordes. Julho foi o mês mais quente da história. O Ártico está derretendo e o aumento do nível do mar será inevitável. Para termos um futuro possível, temos que mudar nossas práticas de produção e consumo, deixar os fósseis no solo e pressionar os gestores públicos para investir em energias renováveis”.

AMAVI-1-1024x325

Imagem

Agência Nacional de Petróleo faz testes de FRACKING e querem explorar região turística de Angra Doce

nhPor: COESUS e 350.org

Foto: César Silva
Foto: César Silva

Em novembro do ano passado, os testes sísmicos aconteceram na região Norte e Noroeste do Paraná e levaram pânico aos moradores da região metropolitana de Londrina. Foram registrados tremores de até 1,9 graus na Escala Richter e centenas de casas apresentaram rachaduras e muitas foram condenadas.
A presença de seis caminhões vibradores para realização de testes e aquisição sísmica para petróleo e gás de xisto patrocinados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no Norte Pioneiro do Paraná representa uma séria ameaça o projeto turístico Angra Doce. Isto porque a partir dos testes, é certo que haverá exploração comercial através da técnica do fraturamento hidráulico, tecnologia altamente poluente também conhecida como FRACKING e que inviabilizará o projeto de preservar as belezas naturais da região.
Encampado por 15 municípios que margeiam os rios Paranapanema e Itararé no lago formado pela Usina Hidrelétrica de Xavantes, o projeto pretende consolidar o turismo na região e recebeu o nome de Angra (por similaridades com Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro) Doce (por ser de água doce). Atualmente, turistas dos quatro cantos do Brasil escolhem o local com vegetação remanescente da Mata Atlântica para prática de esportes como canoagem, rafting, trekking, voo livre, paraglider, passeios náuticos, cavalgadas, caça e pesca.
Integram o Projeto Angra Doce cinco municípios do Paraná: Jacarezinho, Ribeirão Claro, Carlópolis, Siqueira Campos e Santana do Itararé; e 10 de São Paulo: Ourinhos, Chavantes, Fartura, Itaporanga, Canitar, Ipaussu, Timburi, Piraju, Bernardino de Campos e Barão de Antonina.
Verdadeira intenção
“A sísmica é apenas a ponta do iceberg para a verdadeira intenção da ANP que é explorar comercialmente o gás do folhelho de xisto (shale gas)”, explica o fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – e coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org, Eng. Dr. Juliano Bueno de Araujo.
Preocupada com a intenção do governo federal em fazer Fracking numa região de Mata Atlântica e grandes reservas de água doce que abastecem o Aquífero Guarani, a COESUS alertou vários prefeitos da região Norte Pioneiro sobre os testes e os perigos e impactos para o ambiente, as reservas de água subterrâneas e de superfície, a agricultura, a saúde das pessoas e animais e para o clima. A Coalizão também está mobilizando entidades, movimentos sociais e gestores das cidades de São Paulo que fazem parte do projeto para encampar a luta contra o fraturamento hidráulico.
Segundo Juliano, “a solução a curto prazo para barrar essa exploração para reservas futuras é aprovar leis municipais que proíbam testes e exploração comercial por Fracking, enquanto não há uma legislação nacional que o faça”. Até agora, das 372 cidades em 15 estados brasileiros que são áreas de risco, apenas 55 estão protegidas com leis que baniram o fraturamento hidráulico. Mais de 80 estão debatendo e encaminhando propostas nesse mesmo sentido.
“Sabemos que os testes sísmicos vão embasar novos leilões e não podemos permitir que isso aconteça sem que a sociedade civil, entidades e gestores sejam informados dos riscos e perigos deste método não convencional para extração de gás de xisto do subsolo e se posicionem”, completa.
Falta transparência
A ANP, mais uma vez, age sem transparência e responsabilidade. Não informou a população e nem os gestores públicos sobre os verdadeiros motivos e a extensão dos testes sísmicos. É tanto descaso e desinformação que o Diretor Presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Luiz Tarcísio Mossato Pinto, encaminhou na última quinta-feira, 02, ofícios ao Ministro do Meio Ambiente, Deputado Federal Sarney Filho (PV-MA), à Diretora Geral da ANP, Magda Chambriard, e para a Presidente do Ibama, Marlene Ramos (OBS: Suely Araújo assumiu a presidência do IBAMA no dia 03 de junho).
No ofício, o IAP solicita “informações dos eventuais licenciamentos ambientais emitidos pelo Governo Federal para a realização de testes sísmicos em Carlópolis, Santa do Itararé e Ribeirão Claro para informar a população afetada sobre as atividades autorizadas e os possíveis impactos da realização de testes sísmicos”.
Lembramos que o ministro Sarney Filho é autor do PL 6904/2013 que propõe uma moratória de 10 anos para exploração do folhelho de xisto e, portanto, tem plena consciências dos impactos ambientais, econômicos e sociais. Em vários embates na Câmara Federal, o ministro se posicionou contrário ao Fracking e defendeu investimentos em energias renováveis, limpas, seguras e justas.

Pânico e prejuízos
Desde o último dia 27 de maio, a empresa Global Serviços Geofísicos realiza testes na região do Norte Pioneiro. Em Bela Vista do Paraíso, moradores ficaram assustados com os tremores provocados pelos caminhões vibradores no perímetro urbano.
Em Ribeirão Claro, o prefeito Geraldo Maurício Araujo contou que a empresa descumpriu um acordo de não realizar sísmica dentro da cidade. “Mesmo assim, os caminhões estiveram em algumas ruas e os tremores provocaram alguns prejuízos em vidraças, tetos de gessos e agitação entre a população”, informa.
Um dos articuladores do projeto Angra Doce, que alavancará o turismo na cidade, o prefeito de Ribeirão Claro está determinado a impedir que estes testes prosperem, bem como operações de Fracking na cidade. “Estamos tomando as providências que nos cabem para proteger a nossa gente, nossa cidade e a região como um todo, encaminhando à Câmara de Vereadores uma lei que proíba esse tipo de tecnologia aqui”, adianta.
Em Carlópolis, cidade que também integra o Projeto Angra Doce, os caminhões vibradores realizaram testes na região central da cidade, onde os moradores puderam sentir a intensidade dos tremores.

Veja :

Imagem

Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis faz novos testes no Norte do Paraná em busca de gás e petróleo

A exemplo dos testes sísmicos realizados no final do ano passado na região de Londrina, agora a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) irá buscar gás e petróleo em Ribeirão Claro e cidades da região do Norte Pioneiro. Os testes começam nesta sexta-feira, 27, e vão até outubro. A operação será realizada com caminhões que emitem vibrações captadas por sensores instalados às margens das rodovias PR 431, 218, 092 e 517.

Ribeirão Claro tem como fronteira natural o Rio Paranapanema, na divisa com Chavantes, no Estado de São Paulo.  É uma região panorâmica com montanhas e colinas cobertas de vegetação remanescente da Mata Atlântica. Foto: Divulgação
Ribeirão Claro tem como fronteira natural o Rio Paranapanema, na divisa com Chavantes, no Estado de São Paulo. É uma região panorâmica com montanhas e colinas cobertas de vegetação remanescente da Mata Atlântica. Foto: Divulgação

De acordo com informações divulgadas pelo site Massa News, desta vez a empresa contratada pela ANP, a Global Serviços Geofísicos, admite que o equipamento de 29 toneladas provoca ‘pequenos tremores em áreas próximas’ às rodovias pelas quais percorrerá e os resultados são registrados para análise posterior.

Não foi o que seu viu em dezembro de 2015, quando a ANP realizou testes idênticos na região de Londrina. Uma série de tremores de até 1,9 graus foram registrados na região Norte. Centenas de moradores ficaram assustados com as misteriosas rachaduras que apareceram em vários bairros de Londrina, além de municípios da região metropolitana, como Arapongas (foto), Cambé e Rolândia. A Defesa Civil informou na época que, somente em uma semana, recebeu cerca de 400 pedidos de vistoria em casas afetadas em Londrina. Muitas foram condenadas e tiveram que ser demolidas.

“Mais uma vez a ANP age de forma sorrateira, avisando às vésperas de testes exploratórios desta natureza sem oferecer detalhes com antecedência e transparência à população sobre os riscos de se fazer a exploração de gás de xisto pelo fraturamento hidráulico (FRACKING) ”, alerta o fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade, Eng.

Eng. Dr. Juliano Bueno de Araújo.  Junto com a 350.org Brasil e parceiros, a COESUS realiza a campanha Não Fracking Brasil desde 2013 para alertar sobre a ameaça do Fracking para o futuro do Brasil.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Há o temor que numa próxima rodada de leilões da ANP sejam ofertados blocos para exploração de gás de xisto (folhelho pirobetuminoso) que irão atingir 172 cidades do Paraná. Em 2013, o governo brasileiro vendeu blocos para a exploração em 122 cidades localizadas entre o Noroeste, desde Umuarama, Oeste, passando por Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu, até o Centro do estado na região de Guarapuava. Caso se confirme, dos 399 municípios, o Paraná poderá ter mais de 2/3 do território contaminado pelo FRACKING.

“A insistência da ANP em destruir a agricultura do Paraná e em contaminar nossa água me remete aos tempos medievais, onde o interesse da população em nada era respeitado. Milhões de Paranaenses já disseram não às técnicas de exploração de gás e óleo não convencionais, em especial aos que usam a técnica conhecida como FRACKING. É uma insanidade insistir no gás da morte”, lamenta. Agora em maio, a cidade de Umuarama foi considerada território live do Fracking ao aprovar legislação proibindo operações para exploração de gás de xisto.

O que é Fracking

FRACKING é o método não convencional altamente poluente para exploração de petróleo e gás de xisto (shale gas) que o governo brasileiro quer implantar no Brasil, sem nenhuma consulta à sociedade, aos prefeitos e vereadores, integrantes dos movimentos social e ambientalista, povos indígenas ou comunidades tradicionais.

No processo são injetados milhões de litros de água, toneladas de areia e um coquetel com mais de 600 produtos químicos para fraturar a rocha e liberar o gás metano. Muitos destes produtos são tóxicos, cancerígenos, radioativos. Parte do fluído volta à superfície pela tubulação e chega às areias de rejeito; outra parte fica no subsolo e percola (sobe) através de micro fraturas da rocha até à superfície e também atinge os aquíferos e lençóis freáticos, contaminando o solo e o ar junto com o metano liberado.

Pelo menos 372 cidades em 15 estados brasileiros podem ser impactadas pela exploração pelo método FRACKING, isto porque a ANP já vendeu blocos em várias rodadas de licitações. Destes 15 Estados, o Ministério Público Federal, sensibilizado pela COESUS e parceiros sobre os riscos ambientais, econômicos e sociais, conseguiu suspender liminarmente os efeitos dos leilões em seis totalmente, e um parcialmente Os demais estados estão à mercê do FRACKING, infelizmente”.

A contaminação se dá num raio de até 80 quilômetros de cada poço perfurado, provocando um rastro de destruição nas cidades vizinhas, poluindo as reservas de água, inviabilizando a produção de alimentos e causando câncer nas pessoas e animais. Fracking também está relacionado à ocorrência de terremotos e intensifica as mudanças climáticas.

Imagem

Milhares de Vereadores de todo o Brasil ficam perplexos com os possíveis impactos do FRACKING nas cidades

Por: Silvia Calciolari – 350.org Brasil e COESUS. 

Fotos de 350.0rg e COESUS

Bastou meia hora de informações sobre os riscos e perigos de contaminação provocados pelo fraturamento hidráulico, ou FRACKING, à água, agricultura e saúde das pessoas e animais para que os mais de 2.000 vereadores de todo o país que participaram esta semana em Brasília da Marcha dos Vereadores entrassem em pânico.

marchaMuitos dos presentes estavam ouvindo pela primeira vez sobre a ameaça desta perversa e poluente tecnologia que, por seus danos irreversíveis, é banida em muitos países como Alemanha, França, Bélgica e até no estado de Nova York, nos Estados Unidos. “As nossas principais reservas de águas subterrâneas, as maiores e melhores áreas agrícolas e pecuárias, reservas florestais e marinhas, bem como 53 milhões de brasileiros em centros urbanos serão impactados pelos químicos e pelo metano de forma permanente caso o FRACKING aconteça no Brasil”, afirmou em palestra o Eng. Dr. Juliano Bueno de Araujo,fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – e coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org Brasil. “A imagem dos rios e água da torneira pegando fogo é a realidade em muitos lugares onde o FRACKING acontece. Não queremos correr esse risco aqui e nem em lugar algum ”, alertou Juliano.

Perigos

FRACKING é o método não convencional altamente poluente para exploração de petróleo e gás de xisto (shale gas) que o governo brasileiro quer implantar no Brasil, sem nenhuma consulta à sociedade, aos prefeitos e vereadores, integrantes dos movimentos social e ambientalista, povos indígenas ou comunidades tradicionais. No processo são injetados milhões de litros de água, toneladas de areia e um coquetel com mais de 700 produtos químicos para fraturar, quebrar o folhelho pirobetuminoso para liberar o gás metano. Muitos destes produtos são tóxicos, cancerígenos, radioativos. Parte do fluído hidráulico volta para a superfície pela tubulação e chega às areias de rejeito; outra parte fica no subsolo e percola (sobe) através de microfraturas da rocha até à superfície e também atinge os aquíferos e lençóis freáticos, contaminando o solo e o ar junto com o metano liberado. Pelo menos 372 cidades em 15 estados podem ser impactadas pela exploração pelo método FRACKING, isto porque a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já vendeu blocos em várias rodadas de licitações. “Destes 15 Estados, o Ministério Público Federal, sensibilizado pela COESUS e parceiros sobre os riscos ambientais, econômicos e sociais, conseguiu suspender liminarmente os efeitos dos leilões em seis. Os demais estados estão à mercê do FRACKING, infelizmente”, lamentou Juliano. A contaminação se dá num raio de até 80 quilômetros de cada poço perfurado, provocando um rastro de destruição e contaminação nas cidades vizinhas. O coordenador de campanhas Climáticas da 350.org convidou os presentes à marcha que integrem a Frente Nacional de Vereadores Contra o FRACKING. “O objetivo é aprovar uma legislação municipal em cada uma destas cidades proibindo atividades de exploração pelo método e impedindo a concessão de alvarás, uso de água e trânsito de caminhões com produtos químicos, bem como a retirada da licença social de empreendimentos desta natureza”, explicou. Mais de 50 cidades brasileiras já aprovaram leis proibitivas, única solução possível enquanto não houve uma legislação nacional e em cada estado banindo o FRACKING.

Perplexidade

“Como pode a gente não saber de algo tão terrível assim? Não ser consultado sobre uma tecnologia que contamina a água, impacta a natureza e a vida das pessoas dessa forma? Que absurdo é esse? ” –  questionou o vereador Tio Jardel de São João dos Patos, cidade do Maranhão vizinha de Mirador, que está na lista na ANP. O vereador ficou mais impressionado ainda quando viu fotos dos caminhões de que recentemente fizeram testes sísmicos e exploratórios no Paraná e Argentina. Tio Jardel lembrou que entre 2013 e 2014, vários caminhões desse tipo estiveram na cidade sem que ninguém soubesse nada sobre os seus verdadeiros objetivos. “Temos que investigar, pois ali em Mirador, bem próxima, é a nascente do rio Itapecuru, o mais importante da região”, alertou. “No que depender de mim, vamos convidar lideranças políticas, religiosas e da sociedade civil para promover a maior mobilização regional de todos os tempos”, garantiu Tio Jardel. Outro que se mostrou perplexo foi o também vereador do Maranhão presente à Marcha, Asaf Sobrinho, da cidade de São Pedro dos Crentes. “Nunca tinha ouvido falar disso. Como pode?”, indagou Asaf, que é superintendente da União dos Vereadores do Brasil (UVB).

Carta do Oeste do Paraná

O presidente da UVB, vereador Gilson Conzatti da cidade de Irai no Rio Grande do Sul, recebeu dos vereadores de Toledo presentes ao evento um documento que traz a história da luta contra o FRACKING dos municípios da região Oeste do Paraná. Desde 2013, as cidades no entorno de Toledo que tiveram blocos vendidos para exploração não convencional do gás de xisto estão mobilizadas para esclarecer a população e impedir que o fraturamento hidráulico aconteça no Estado, trabalho este iniciado por Juliano Bueno de Araujo ainda em 2013. Proporcionalmente, o Paraná é o estado brasileiro que pode ser mais impactado já que os blocos vendidos atingem 122 das 399 cidades. Diversas audiências públicas, marchas, eventos e manifestações foram realizadas desde então com a participação e apoio do prefeito de Toledo Beto Lunitti e dos vereadores Tita Furlan e Vagner Delabio. É preciso ressaltar que os dois vereadores acompanharam há alguns meses uma missão internacional realizada pela 350.org Brasil e COESUS à Argentina para visitas aos campos de Fracking. “Não vamos permitir que a nossa cidade de Toledo, primeiro PIB agropecuário do Paraná, e o nosso estado agrícola por vocação, que fica sob os aquíferos Serra Geral e Guarani, sejam devastados pelo FRACKING”, salientou o presidente da Câmara de Vereadores de Toledo, Ademar Dorfschmidt, que tem mobilizado Vereadores em todo Brasil junto à Campanha Nacional Não Fracking Brasil. Ademar está divulgando o exemplo de Toledo, onde a Câmara Municipal realiza sistematicamente ações de divulgação sobre os males do Fracking e a promoção de energias renováveis como biogás, hidráulica, solar e eólica. Junto com os colegas de mandato Airton Paula, Edinaldo Santos, Expedito Ferreira e Sueli Guerra, Ademar entregou o documento à presidência da UVB e à Coordenação Nacional da COESUS, sendo ainda o principal articulador da participação da Coalizão Não Fracking Brasil no maior evento nacional de vereadores do país.

O resultado da apresentação foi a sensibilização  dos vereadores que ficaram motivados a se posicionar contra o uso da tecnologia de fraturamento hidráulico.